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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Da vinheta


 

Poderia ter escolhido várias imagens do próprio, de Navalny, vítima mais recente do infame regime de Putin, mas optei pela mãe, a mãe a quem foi impedido entrar na morgue para ver o cadáver do filho.

Nem o direito natural é cumprido naquela autocracia.

Viva Navalny !

sábado, 10 de março de 2018

Marcadores de livros - 996


Sintra: Feitoria dos Livros, 2015

Vinte dias na Rússia é o relato da viagem que Zófimo Consiglieri Pedrozo fez à Rússia em 1896. Esta descrição da cidade de São Petersburgo, da história e da vida política russa de então saiu inicialmente na revista Serões. Consiglieri Pedroso era muito interessado pela literatura russa, o que o levou a aprender russo. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Biografias e afins


Estamos em 1930, e Ella Maillart chega a Moscovo. Tem 26 anos, e um desejo imenso de conhecer esse país que a fascina. Esta autobiografia mostra-nos o seu quotidiano, a sua estada em casa da condessa Tolstoi, mas também o açúcar que é de venda livre num dia e de venda controlada no dia seguinte ...
O mais interessante é o que se vai seguir nos meses seguintes : a travessia do Cáucaso a pé , e todas as peripécias da Rússia de Estaline.

Parmi la jeunesse russe, Petite Biblio Payot Voyageurs, 217p, €7

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Onde NÃO me apetecia estar



O rio Daldykan, no Norte da Sibéria, agora com as suas águas vermelhas, depois da contaminação acidental por toneladas de dióxido sulfúrico de uma fábrica metalúrgica. A terrível mão humana ...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Um quadro por dia - 355



Vasily Sadovnikov, Praça do Palácio e Palácio de Inverno , São Petersburgo .

Uma das mais belas cidades da Europa e do mundo, sacudida por um ataque de um bombista suicida. Um bombista de escassos 22 anos, cidadão russo de origem quirguiz. A irracionalidade que uma vez mais nos sobressalta e interpela .

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Leituras no Metro - 270

Uma belíssima biografia de Estaline, agora editada em seis partes, com um prefácio sério de Paulo Portas. Pelo contrário, o prefácio de Francisco Louçã é fraco e desinteressante.
Que Estaline foi um facínora já eu sabia, mas fiquei a saber que ele era culto, sedutor e que cantava bem. Vou no volume 2.

Em breve, e seguindo o conselho de Paulo Portas - :) -, espero ler esta história de Jerusalém:

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Uma viagem que eu gostava de fazer

Cartaz de 1907
O Google assinala hoje a inauguração do transiberiano, a maior linha ferroviária do mundo (9289 km), construída entre 1891 e 1916.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Citações



(...) Os que desejaram transformar a Rússia no inimigo ideológico, garantindo assim a coesão do mundo ocidental, da NATO, da União Europeia, viram a sua autoprofecia realizar-se . Queriam um inimigo, aí o têm. Queriam continuar a viver na Guerra Fria, ela está de volta.
Mas não tenhamos ilusões, a segurança europeia não é divisível e não haverá paz no continente europeu enquanto o Ocidente e a Rússia não se entenderem. Enquanto não chegarem a acordo sobre a arquitetura de segurança da Europa.
A União Europeia ajudou a destruir a URSS e pode até contribuir para o fim do regime de Putine se, entretanto, não se destruir a si própria. Mas a Rússia não vai sair de onde está.

- Luís Amado, na Visão .

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Citações



(...) O fim da Guerra Fria provocou uma inquietação existencial que o compromisso de Maastricht procurou resolver, criando o euro, como contrapeso à reunificação alemã, e abrindo as fronteiras da União para garantir a estabilidade a Leste. Contudo, volvidos vinte anos, nem a crise do euro está resolvida nem as relações com a Rússia estão definidas. Se na crise da Ucrânia a Rússia pode funcionar como um " integrador externo", como aconteceu no passado, com a URSS, o euro, em sentido contrário, pode actuar como o " desintegrador interno ". É bom ter consciência do sarilho em que estamos metidos.

- Luís Amado, na VISÃO desta semana.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Citações



(...) Precipitar uma grave crise geopolítica em cima de uma crise financeira, económica e social, como a que temos, não é seguramente uma opção sensata. A União Europeia tem agido como se a Rússia vivesse ainda no tempo pós-soviético de Ieltsin. Ora Putine, como Merkel terá reconhecido, " vive noutro mundo ", no mundo pós ocidental que emerge da retracção geopolítica dos Estados Unidos. A Rússia trata de ocupar rapidamente o vazio, enquanto o pêndulo do poder americano se retrai. Depois da Geórgia e da Síria, era de esperar que testasse os limites desse vazio na Europa.

- Luís Amado, na VISÃO desta semana.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Citações



(...) Não nos iludamos, porém. Não será possível garantir a estabilidade da Ucrânia e preservar a sua unidade sem a colaboração da Rússia. Se a revolução ucraniana derivar para uma confrontação interna que precipite a secessão, independentemente do papel das suas forças armadas, uma incógnita, isso significaria que a UE e a Rússia entravam numa via de confrontação estratégica de consequências imprevisíveis. Para Putine, para a União Europeia e para o Ocidente.

- Luís Amado, na VISÃO .

domingo, 25 de agosto de 2013

Citações



(...) A homofobia, a par do antissemitismo, é hoje característica dos autoritarismos antiocidentais. Usam-na como barreira cultural à influência do Ocidente. Mas nem aos ditadores convém ser claros. O ministro do desporto russo veio logo negar qualquer perseguição da homossexualidade, ao contrário do que acontecera sob a velha opressão comunista: a lei proíbe apenas a " propaganda ". É a legislação típica de uma tirania, em que a indefinição ( o que é " propaganda " ? ) permite tudo aos agentes do poder. Mas é também a medida de um tempo em que as ditaduras tentam passar por democracias e os ditadores fazem questão de ser eleitos. Nunca houve tanta comunicação, e nunca tão pouca gente disse o que pensa.

- Rui Ramos, no EXPRESSO.


Tem toda a razão Rui Ramos ao denunciar, também ele, a singular lei aprovada recentemente no Parlamento Russo por 388 votos a favor, um contra, e uma abstenção. Gostava de saber quem foi o corajoso deputado russo que ousou votar contra...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Leituras no Metro - 138


Em 1891 uma vaga de fome atravessou a Rússia, o que levou à perda de milhares de vidas. Foram os relatos que autores como Tolstoi, Tchekov e Korolenko fizeram publicar nos jornais que alertaram o povo e o governo para a imensidade do problema.
Tolstoi e os seus filhos mais velhos envolveram-se na constituição de cantinas para alimentar os carenciados. A mulher do escritor, Sofia, que tivera de ficar em Moscovo com os filhos mais novos, resolve escrever um apelo pedindo donativos. Eis o texto publicado no Russian Gazette, em 3 de novembro desse ano:
«A minha família inteira deixou-me para ir ajudar os necessitados. O meu marido, o conde Lev Nikolaevich Tolstoi, e as nossas duas filhas estão no distrito de Dankovsky a instalar cantinas [...]. Tenho dois filhos mais velhos a trabalhar para a Cruz Vermelha, ajudando as pessoas do distrito de Chernsky, e um terceiro na província de Samara a abrir uma sopa dos pobres.
«Forçada a ficar em Moscovo com os nossos quatro filhos mais pequenos, só posso ajudar dando apoio material à minha família. Mas a carência é tanta! Sozinhas, as pessoas não podem satisfazer tanta necessidade. Entretanto, passamos os nossos dias numa casa aquecida, e cada pedaço de comida que tragamos parece repreender-nos por, neste momento, alguém estar a morrer à fome. Se nenhum de nós, que vivemos neste luxo, aguenta assistir ao menor sinal de sofrimento dos nossos filhos, como nos é possível suportar a visão de mães exaustas com os filhos a morrer de frio e de fome, ou de pessoas idosas sem nada para comer?
«Foi isso que viu a minha família. Eis o que me escreve a dizer a minha filha, do distrito de Dankovsky, acerca das cantinas que a nobreza local lá instalou com os seus próprios fundos: "Visitei duas cantinas: numa, disposta numa capoeira, está uma viúva a cozinhar para vinte e cinco pessoas. Quando lá entrei, deparei-me com muitas crianças ordenadamente sentadas à mesa, a comer sopa de couve [...]. Havia uma fila de idosas, à espera da sua vez. Falei com uma e, quando ela começou  a contar-me como viviam, desatou a soluçar [...]. Só estão vivos graças a essa cantina, pois em casa não têm absolutamente nada [...]. Aí comem duas vezes por dia e, com a lenha, custa cerca de [...] 1 rublo e 30 copeques por mês alimentar uma pessoa."
«Isto significa que 13 rublos salvarão uma pessoa e fá-la-ão chegar até à colheita seguinte. [...] Se cada um de nós alimentar uma pessoa, ou duas, dez ou cem pessoas - tantas quantas pudermos - , ficaremos com as consciências mais tranquilas. [...] Assim, quero pedir a todos os que estiverem dispostos a ajudar que apoiem esta iniciativa da minha família. Os vossos donativos serão diretamente utilizados para alimentar as crianças e os idosos nas cantinas que o meu marido e os meus filhos  estão a organizar.»
A família reuniu, em dois anos, 200000 rublos.
Cit. in: Alexandra Popoff - Sofia Tolstoi: uma biografia. Porto: Civilização, 2011, p. 227-228

sexta-feira, 22 de março de 2013

Em Chipre



Os bancos continuam fechados, já faltam os trocos e liquidez em empresas e pequenos negócios, a população desespera. Até terça-feira terá de ser encontrada uma solução...
Continuo pasmado com os eurocratas que acharam que os cipriotas iriam aceitar serenamente o confisco de 6% a 10% das suas poupanças, os mesmos eurocratas que depois vieram emendar a mão e falar de " risco sistémico ".

P.S. - Não ignoro que Chipre tem servido como placa giratória de muito dinheiro sujo russo que, depois de lavado, regressa ( ou não ) à Rússia. Agora tratar de igual forma depósitos de 20.000 ou 50.000 euros e depósitos de centenas ou milhões de euros é que é inconcebível.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para o tempo que vivemos

Morreu em 20 de Novembro de 1910
 
Os homens distinguem-se entre si também neste caso: alguns primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem; outros, ao contrário, primeiro falam, depois agem e, por fim, pensam.

Leão Tolstoi

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Humor pela manhã ...



Achei graça a esta história " animal " dos dois leopardos lisboetas que seguiram para o sul da Rússia para cobrir uma leoparda oferecida por Putin ao zoo local e que tem um temperamento muito difícil, não se tendo deixado cobrir até agora por nenhum leopardo russo e a espécie em risco de extinção...
Fico a torcer por eles e por ela.

sábado, 6 de outubro de 2012

Bibliocuriosidades - 1


O livro mais pequeno do mundo, a edição feita pelo grande miniaturista russo Anatolly Konenko em 1996 da obra Camaleão de Anton Tchékhov. Uns impressionantes 0,9x0,9mm...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A nossa vinheta

Por todo o lado, assinala-se este ano o bicentenário da Campanha da Rússia. Borodino foi a sua batalha mais conhecida. Foi na época considerada como a maior batalha de um só dia (dezasseis horas) até então havida.

Louis Lejeune (1775-1848) - Batalha de Moscovo, 1822
Este pintor foi militar no exército napoleónico.
Este pormenor do quadro acima é que vai ser a nossa vinheta por uns dias.

Vasiliy Vasilyevich Vereshagin (1842-1904) - Napoleão perto de Borodino, 1897

Anatoly Pavlovich Shepelyuk (1906-1972)- Mikhail Kutuzov na batalha de Borodino, 1952
Kutuzov comandou o exército russo em Borodino.

Napoleão em Moscovo,
Quadro de autor desconhecida, ca 1820
Na sequência da derrota, os russos incendeiam Moscovo e abandonam a cidade.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Fez ou não fez ?

                                      - 2002                                            - 2011

Já tinha lido há umas semanas na imprensa internacional ( não dei conta da portuguesa ter abordado o assunto ) que vários atentos observadores da política russa estavam convencidos de que Vladimir Putin, actual Primeiro-Ministro e muito provável futuro Presidente da República ( outra vez, numa troca de cadeiras com Medvedev ), tinha feito Botox ou mesmo uma ligeira cirurgia plástica de rejuvenescimento. Ontem à noite, vi Putin na televisão, pronunciando-se sobre a crise das dívidas soberanas e realmente achei-o com melhor ar, mais " fresco "... Aqui ficam as fotos, para que cada um se possa pronunciar.