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sábado, 28 de junho de 2025

Leituras no Metro - 2963

Lisboa: Zigurate, 2023.

Há muito tempo que queria ler este livro. Gostei bastante. Segundo a sinopse, «O legado de Estaline caiu em desgraça com a ascensão ao poder de Kruschev. Nessa altura os milhares de livros que Estaline leu e anotou metodicamente foram dispersos por várias bibliotecas. Descoberto e reunido no período pós-soviético [mas não na totalidade, o que é pena], esse acervo veio a revelar-se o melhor meio para se ter acesso à vida interior do ditador – a chave para a personalidade que fez do seu regime algo de tão monstruoso. É na sua biblioteca pessoal, na forma como ele leu, assinalou e anotou os seus livros, que conseguimos chegar verdadeiramente perto do Estaline espontâneo – o intelectual imerso nos seus próprios pensamentos.» 
O livro traça em paralelo a vida do ditador. Mais uma vez se percebe como ele era um homem muito culto, um grande melómano, o que Simon Sebag Montefiore já tinha mostrado na biografia que escreveu sobre este personagem sinistro.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

O que estamos a ler? - 12

Uma sugestão de leitura de Miss Tolstoi:

Lisboa: Zigurate, 2023

«Comecei ontem a ler "A biblioteca de Estaline" de Geoffrey Roberts. Antes de ler a biografia que Montefiore escreveu sobre Estaline, eu tinha uma imagem errada dele. Pensava que ele era uma pessoa pouco culta. Quando vi este livro, comprei-o logo. É muito interessante. Estaline tinha uma grande biblioteca e anotava os livros que lia, mesmo daqueles a quem limpou ou mandou limpar o sarampo.
«Para além desta faceta que estou a gostar de conhecer, Estaline foi aquele assassino que todos sabemos.» (Miss Tolstoi, 10 jul. 2023)

Já agora deixo a sugestão da biografia de Montefiore, muito boa:

Lisboa: Alêtheia, 2006

Eu li-a numa edição do Expresso (2016) em 6 vols.

terça-feira, 29 de março de 2022

Leituras no Metro - 1106

Lisboa: Bertrand, 2011

Terra sangrenta é a zona que vai desde a Polónia até à Ucrânia, ou melhor: que fica entre a Alemanha e a Rússia, incluindo portanto a Polónia, a Bielorrússia, a Ucrânia e os Países Bálticos.
Foi neste local que nazis e estalinistas entraram em conflito. Morreram 14 milhões de pessoas, foi este o número de vítimas (entre 1933 e 1945) assassinadas em campos de concentração e de extermínio ou pela fome. Os mortos em combate estão para além destes 14 milhões.
Snyder descreve o horror da fome ocorrido na Ucrânia, que matou cerca de três milhões de pessoas, em 1932 e 1933, quando Estaline confiscou o trigo produzido pela Ucrânia.
Com o fim da II Guerra Mundial, estes países ficaram na Europa de Leste, para lá da Cortina de Ferro.
Livro de leitura obrigatória para se perceber o presente.
Tenho mais dois ou três livros sobre a Rússia para ler nos próximos tempos.

Holodomor como é conhecido o período que a Ucrânia viveu ente 1932 e 1833.

domingo, 19 de setembro de 2021

No meu sofá a ler... - 9

Alfragide: Dom Quixote, 2014

«Moscovo, 1945. Enquanto Estaline celebra a vitória sobre Hitler, ouvem-se tiros ao longe. Numa ponte da cidade são encontrados os corpos sem vida de um casal de adolescentes. É uma tragédia de contornos invulgares. Rosa e Nikolai eram filhos de dois líderes do Kremlin, estudavam numa escola de elite, eram modelos de virtude. 
«Estamos perante um crime? Um pacto suicida? Ou uma conspiração? 
«A investigação, conduzida pelo próprio Estaline, estende-se ao círculo restrito das famílias mais poderosas do império. Várias crianças são feitas prisioneiras e obrigadas a testemunhar contra os pais e amigos. A pouco e pouco, são revelados os amores ilícitos e os segredos da alta sociedade de Moscovo, cruelmente exposta no seu esplendor e decadência. Um mundo onde o mais insignificante erro pode significar a morte e não há direito a perdão.»
(Da contracapa do livro.)


Estou a gostar imenso deste «romance inspirado em factos reais». É o primeiro romance de Montefiore que leio. E foi-me aconselhado por um amigo quando se falava da biografia que ele fez de Estaline.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A arte do retrato - 215


É de 1916 este retrato de Serguei Chtchoukine pelo norueguês Xan Krohn ( 1882-1959 ). O retratado, embora algo esquecido, tem um lugar garantido na história da pintura moderna : milionário russo, dono do palácio Troubetzkoi, foi o primeiro coleccionador de pintura moderna, comprando centenas de telas ( uma dezena de Gauguins, vários de Matisse, de Picasso, etc ) que depois Estaline dispersou entre Moscovo e São Petersburgo, albergadas até hoje nos Museus Puchkin e Hermitage e raramente vistas no resto da Europa.
A família tentou recuperar em 1954 a preciosa colecção confiscada, mas sem ganho de causa nos tribunais...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Leituras no Metro - 270

Uma belíssima biografia de Estaline, agora editada em seis partes, com um prefácio sério de Paulo Portas. Pelo contrário, o prefácio de Francisco Louçã é fraco e desinteressante.
Que Estaline foi um facínora já eu sabia, mas fiquei a saber que ele era culto, sedutor e que cantava bem. Vou no volume 2.

Em breve, e seguindo o conselho de Paulo Portas - :) -, espero ler esta história de Jerusalém:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Citações



(...) do pudor reverencial com que alguma esquerda ainda hesita em classificar Estaline como aquilo que ele, sobretudo, foi : um assassino sádico e irracional. De facto, a grande diferença é que Hitler foi um psicopata e um assassino de massas, mas em obediência a um programa político anunciado no Mein Kampf e que os alemães sufragaram, enquanto que Estaline foi um assassino sem causa, que se arvorou como grande líder sobre o heroísmo dos russos e aquilo a que Pasternak um dia chamou " a nossa maldita capacidade de resistência ao sofrimento " . Mas até nos pormenores reveladores ele não ficou atrás de Hitler : também perseguiu e matou judeus, ciganos e homossexuais. O grande problema moral que Estalina coloca a uma certa esquerda é que a biografia de Montefiore não revela nada que não se soubesse já há muito tempo. E, durante todo esse tempo, duas gerações de intelectuais e militantes de esquerda não quiseram ver a verdade que bradava aos céus. A jornalista francesa Dominique Desanti, ex-militante do PCF, conta essa história num livro justamente chamado " Les Staliniens " , publicado há mais de 30 anos. Já toda a gente sabia tudo, então : Sartre, Picasso, Aragon, Moravia e tantos outros. Todos sabiam e todos calaram. Aos que estão vivos, talvez lhes faça bem recordarem.

- Miguel Sousa Tavares, no Expresso do passado Sábado .