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segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Livros de cozinha - 131

Não é um livro; é um folheto...



Como prometido há uns meses, Francine Dupré, aliás Maria de Lourdes Modesto, dá-vos as boas festas com esta ementa de Natal. Não me lembro de ter feito alguma destas receitas, porque caso o tivesse feito teria assinalado se a receita é boa (ou má, para não repetir).

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Livros de cozinha - 127

Foi sob o pseudónimo de Francine Dupré que Maria de Lourdes Modesto começou a publicar uns livrinhos no Instituto Culinário da Margarina Vaqueiro, há quase 70 anos:

Há outra Ementa com o subtítulo: Primavera Verão.

À esq., 1.ª ed., s.d.; à dir., 2.ª ed, 1955
Da 2.ª ed.



Fiz algumas receitas destes livrinhos. Na altura, não se sabia quem era Francine Dupré. No Natal, ela dar-vos-á as Boas festas com uma ementa. Fica prometido.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Livros de cozinha - 126

Maria de Lourdes Modesto faleceu ontem. Nesta foto com o seu livro (fundamental) da Cozinha tradicional portuguesa.
Lisboa: Verbo, 1982

Outros livros de Maria de Lourdes Modesto que tenho:
Lisboa: Verbo, 1967
Lisboa: Selecções do Reader's Digest, 1975

1994

2006
Livro escrito com Afonso Praça e que apareceu no blogue. Ver aqui.

E ainda tenho este, artesanal:

Em tempos ofereci várias A colher de pau, mas hoje dou mais A minha primeira cozinha tradicional portuguesa:

Lisboa: Verbo, 1966
Lisboa: Babel: Verbo, 2012

Todos os portugueses deviam estar gratos a Maria de Lourdes Modesto o que ela fez pela gastronomia portuguesa.
Amanhã trarei uns livrinhos de Maria de Lourdes Modesto, dos seus primórdios.

Depois do comentário da Isabel, lembrei-me que me tinha esquecido de por um adaptado por MLM para a criançada:

Lisboa: Verbo, 1982

Faltam ainda uns livros de cozinha internacional (por países) que Maria de Lourdes Modesto também adaptou para Portugal.

terça-feira, 19 de julho de 2022

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Livros de cozinha - 100

Um presente da minha árvore de Natal: uma obra da Paula e do Rui Lima (a quem agradeço), com receitas de Maria de Lourdes Modesto. Em breve, vou experimentar as duas receitas de bacalhau com que abre este receituário.

sábado, 14 de novembro de 2015

Livros de cozinha - 87

Lisboa: Oficina do Livro, 2014

Coletânea de crónicas que Maria de Lourdes Modesto escreveu para o Diário de Notícias, estas ou outras já coligidas anteriormente em Palavra puxa receita.

Lisboa: Verbo, 2005

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Produtos conventuais

O mosteiro de São Vicente de Fora acolhe, entre 28 de Maio e 5 de Junho, a 1.ª Mostra de Produtos Conventuais Artes no Claustro. Tendo por cenário os claustros do antigo mosteiro de cónegos regrantes de Santo Agostinho, a iniciativa pretende dar a conhecer diversas congregações e ordens religiosas que mantêm uma produção nas mais diversas áreas e que as trazem agora ao mosteiro. O visitante poderá aí encontrar uma autêntica mostra dos actuais produtos e sabores de criação conventual, desde o artesanato, passando pelos artigos religiosos, doçaria, licores, na confecção dos quais os mosteiros recorrem a técnicas e receituários ancestrais, muitas vezes adaptados ao paladar actual.
Raivas, uma receita conventual http://farm4.static.flickr.com/3016/2337710836_3afcba32e3.jpg Estes biscoitos eram uma receita do Convento de Sant'Ana, em Lisboa, que se situava na zona do Campo dos Mártires da Pátria (ou Campo de Santana). Aqui fica a receita, recolhida por Maria de Lourdes Modesto:
100 g de açúcar
75 g de manteiga
3 ovos
250 g de farinha
1 colher de café de canela
Bate-se a manteiga com o açúcar até ficar em creme. Um a um, juntem-se, batendo, os ovos. Juntem-se, finalmente, a farinha e a canela, e amasse-se.
Molde-se a massa em rolinhos muito finos que se deixam cair sobre um tabuleiro untado, formando desenhos irregulares.
Levem-se as raivas a cozer em forno moderadamente quente.
In: Doces conventuais e licores da tradição portuguesa / recolha de Maria de Lourdes Modesto. Lisboa: Verbo, 1989, p. 12

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Doçaria tradicional - 11

Fatias da China
Receita confeccionada por Maria de Lourdes Modesto
(Foto Pedro Bettencourt)
Fatias da China 24 gemas

1 quilo de açúcar pilé

1 litro de água

Foi com estes ingredientes que em Tomar umas diligentes senhoras me ensinaram a fazer aquele que considero um dos mais prodigiosos exemplos da nossa doçaria conventual.

Há quem teime em lhes chamar Fatias de Tomar, o que não me repugna. É em Tomar que ainda hoje se vende o tão delicioso e misterioso doce. É lá também que, embora com dificuldade, se pode adquirir a forma que mais lhe convém para o cozer e enformar.
As fatias da China eram há cinquenta anos chamariz daquela que foi a percursora das lojas gourmet, a Martins e Costa, na Rua do Carmo. Tinham-nas sempre expostas à porta, banhando num mar de calda de açúcar. Resistir-lhes era um verdadeiro suplício.
Quando lhes chamo doce misterioso, confesso a minha estranheza de então e, a de todos a quem é alheia a maneira de o confeccionar. Jurava-se que levava pão. Mas que pão? É de facto difícil imaginar que aquela fofa e apetitosa almofada amarela resultasse apenas de gemas de ovos ferozmente, dizia-se, batidas com a colher de pau.
Se é um conservador inveterado bata as 24 gemas, com a colher de pau durante uma hora. Se para si tradição rima com evolução, bata as gemas na máquina, durante vinte minutos. Deite o açúcar num tacho baixo, regue-o com a água e deixe assim durante o tempo em que transforma as gemas numa etérea espuma quase branca. Deite água na panela especial para cozer Fatias da China até dois terços da sua altura e ponha ao lume. Unte generosamente com manteiga a forma onde as gemas cozerão. Passado o tempo indicado deite as gemas na forma, introduza esta na panela e tape hermeticamente. Certifique-se de que não entrou água nas gemas e que ao ferver esta não tem hipótese de o fazer. Deixe cozer durante uma hora em fervura branda, verificando o nível da água. Se necessário adicione mais água a ferver. Ponha depois o açúcar a derreter em lume brando. Retire a forma do banho-maria, espere uns 10 minutos, desenforme o “pão” - é este o nome que é dado aquela tão macia quanto fofa almofada - sobre uma tábua e corte-o em fatias verticais com um dedo de espessura. Neste espaço de tempo a calda de açúcar deve ter a temperatura de 102º C, ou seja, um ponto baixo. Introduzem-se as fatias, uma a uma nesta calda, sempre a ferver suavemente, virando-as para as embeber bem. À medida que as fatias vão ensopando a calda vai reduzindo e espessando, pelo que é absolutamente necessário ir acrescentando água fria. Depois de sobrepostas numa travessa regam-se as fatias com a calda restante. Esta calda dever ter uma consistência muito leve. Sendo necessário, dilui-se com um pouco de água. O ananás dos Açores é uma óptima companhia para as fatias da China ou de Tomar. Se foi em Tomar que as aprendi a fazer, porquê negar-lhe a naturalidade da bela cidade do Nabão?
Nota: se não tiver a forma especial para cozer as fatias de Tomar, sirva-se de uma forma rectangular. Se tiver uma tampa que a feche hermeticamente, tanto melhor. Se não, cubra a forma com folha de alumínio e ate esta à forma com uma guita bem forte. A ideia é não deixar entrar nem água nem vapor nas gemas. http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.mariajoaodealmeida.com/img_upload/fatiaschina.jpg&imgrefurl=http://www.mariajoaodealmeida.com/artigos.php%3FID%3D69%26ID_ORG%3D&usg=__yNfDrP53khxjqLMLdoPrDHGpOwM=&h=350&w=233&sz=78&hl=pt-PT&start=23&tbnid=AoTDoG7yWdL3BM:&tbnh=120&tbnw=80&prev=/images%3Fq%3Dfatias%2Bde%2BTomar%26gbv%3D2%26ndsp%3D20%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26start%3D20
Ontem comi umas Fatias da China que estavam uma delícia. Resolvi procurar uma receita. Quem se aventura?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Carnaval no Prosimetron - 2/I

«No Entrudo come-se tudo» Que ricas feijoadas! «Sem dúvida um dos melhores cozinhados portugueses, a feijoada faz-se de diversas maneiras e apresenta composições muito variadas. Começou por ser alimento de pobres: o feijão é de fácil cultivo, o que, associado à qualidade das suas proteínas, lhe valeu o epíteto de "carne dos pobres". «Por agora, interessam-nos apenas as feijoadas de Carnaval, e diga-se já que as melhores são as do Norte, com destaque para as transmontanas, enriquecidas com o fumeiro da região. Na Beira Litoral, faz-se uma feijoada com orelheira, a que se juntam muitos nabos (4 para 1 orelha) e a respectiva rama, tenrinha. Nas Minas da Panasqueira, há uma feijoada temperada com massa de pimentão, e na qual, do porco, só se usam os pezinhso. No Porto, toda a gente sabe, fazem-se grandes feijoadas, e diga-se enfim que as tripas não seriam o que são se lhes faltasse a saborosa leguminosa. Falta acrescentar que os açorianos juntam à feijoada ramos de funcho, pervenindo assim eventuais flatulências. Manda a tradição que a feijoada seja sempre acompanhada por arroz, e há uma explicação para o facto: o cereal melhora a qualidade das respectivas proteínas. No Norte, em princípio, o arroz é de forno, devendo ser servido no recipiente em que foi cozinhado. Será necessário dizer ainda que as feijoadas são melhores se forem reaquecidas. «O feijão chegou à Europa Ocidental em 1528 e os historiadores atribuem o feito ao Papa Clemente VII que, etndo recebido das Índias Ocidentais umas estranhas sementes em forma de rim, ordenou a um frade, Piero Valeriano, que as semeasse. Vindo a ordem de tão alto, esmerou-se o frade, lançando as sementes à terra e acompanhando o processo de germinação. Os resultados finais foram excelentes: além do mais, os frutos produzidos (baptizados com o nome de fragioli, por fazerem lembrar as favas) eram agradáveis ao paladar. Quando Catarina de Médicis viajou para Marselha, para casar com o duque de Orleães, futuro Henrique II, o frade Valeriano explicou-lhe que os homens também se conquistam pelo estômago e meteu-lhe na bagagem um saco de feijões. Parece que o frade tinha toda a razão.» Maria de Lourdes Modesto, Afonso Praça In: Festas e comeres do povo português. Lisboa: Verbo, 1999, vol. 1, p. 177 Nas páginas seguintes encontram-se as receitas de «Feijoada com couve à transmontana e seu arroz de forno», bem como outro receituário de carne de porco (sempre) e de doçaria, como brinhóis, sericaia, borrachões, filhós, nógados, coscorões, azevias e boleimas. Delícias!...