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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Meses do ano: Novembro

Gaspar Camps i Junyent - Novembro, 1901

«Novembro à porta, geada na horta.»

«De Todos os Santos ao Natal, bom é chover e melhor nevar.»

domingo, 1 de novembro de 2015

Novembro

Edith Holden - Novembro (com um estorninho)

«Em Novembro, prova o vinho e planta o cebolinho.»

sábado, 1 de novembro de 2014

A nossa vinheta

Lowell  Birge Harrison - Novembro, 1881
Rennes, Musée des Beaux-Arts

De Todos os Santos ao Advento, nem muita chuva nem muito vento.
De Todos os Santos ao Natal, bom é chover e melhor nevar.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Quentinhas e boas, a estalar na brasa


E porque estamos no tempo das castanhas, a vinheta da semana é dedicada a este delicioso fruto que há mais de 100 mil anos acompanha a história humana. Rica em vitamina C e hidratos de carbono que nos dão energia, a castanha deve ser consumida de forma moderada para não acelerar o ponteiro da balança! Dizem os entendidos que a dose diária recomendável varia de acordo com o sexo: 3 castanhas para as mulheres e 6 para os homens. Acho pouco, mas enfim. Pena é que estejam caríssimas: 12 castanhas assadas na rua custam em Lisboa 2 euros. Num país de castanhas e ao que parece num ano de boa produção, é um roubo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crisântemos

Katie Pertiet

Sombrios mensageiros das violetas,
De longas e revoltas cabeleiras;
Brancos, sois o casto olhar das virgens
Pálidas que ao luar, sonham nas eiras.

Vermelhos, gargalhadas triunfantes,
Lábios quentes de sonhos e desejos,
Carícias sensuais d´amor e gozo;
Crisântemos de sangue, vós sois beijos!

Os amarelos riem amarguras,
Os roxos dizem prantos e torturas,
Há-os também cor de fogo, sensuais…

Eu amo os crisântemos misteriosos
Por serem lindos, tristes e mimosos,
Por ser a flor de que tu gostas mais!

Florbela Espanca

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Em Novembro ...



... prova o vinho, e planta o cebolinho  ( Mais um ditado que me foi revelado pelo Almanaque Bertrand )

domingo, 30 de novembro de 2008

E por fim: Novembro com Carlos Seixas

Com o fim do mês de Novembro à vista, chegámos também ao fim de uma pequena viagem pelo mundo da música barroca ao longo das últimas cinco semanas. O percurso seria incompleto sem uma referência a compositores portugueses da época. Carlos Seixas e o seu célebre e belo concerto em Lá maior para cravo terminam esta trajectória (não foi possível identificar o conjunto, tratar-se-á eventualmente de uma gravação realizada pela Norwegian Baroque Orchestra sob a direcção de Ketil Haugsand).

Como introdução ao concerto, seguem algumas notas sobre Seixas da autoria de João Pedro d'Alvarenga:

"José António Carlos de Seixas foi o mais proeminente compositor português de música para instrumentos de tecla na primeira metade do século XVIII. Nasceu em Coimbra aos 11 de Junho de 1704, filho de Francisco Vaz, organista da Sé, e de sua mulher, Marcelina Nunes. Desconhecem-se os motivos que o levaram a adoptar o apelido Seixas, em desfavor do apelido paterno, sendo mais vulgarmente conhecido no seu tempo apenas pelos nomes de baptismo, José António Carlos, como aparece em inúmeras cópias das suas obras.

Falecido Francisco Vaz pelos princípios de 1718, foi logo Carlos Seixas, aos 9 de Fevereiro desse mesmo ano, provido no lugar de organista da Sé de Coimbra, com o mesmo salário de seu pai. Dois anos depois, 1720, mudou-se para Lisboa "com intento de ser ecclesiastico", obtendo nomeação para um lugar de organista na Santa Igreja (ou Basílica) Patriarcal, ficando a dúvida se esta era a Capela Real, ao tempo sediada no Paço da Ribeira, ou se era a Basílica de Santa Maria Maior, junto da qual morava.

Pelos escassos documentos que subsistem e pelo primeiro escorço biográfico do compositor, publicado em 1759 por Diogo Barbosa Machado no volume IV da sua Bibliotheca Lusitana, ficamos a saber que, nos primeiros anos da sua estada em Lisboa, Seixas "ensinava cravo nesta cortte por algü cazas"; que "atrhaido de hum sincero affecto", casou aos 8 de Dezembro de 1731 com D. Joana Maria da Silva, de quem teve dois filhos e três filhas; que aos 21 de Maio de 1738, adquiriu a propriedade de um dos ofícios de contador da Ordem de Santiago; e que se fez também militar, assentando praça aos 30 de Junho de 1733 na Companhia de Ordenanças do Paço, comandada pelo Visconde de Barbacena, de que foi alferes, e, depois, capitão, obtendo por despacho régio de 12 de Novembro de 1738 o hábito da Ordem de Cristo, ao cabo de um longo processo de habilitação que durou nove anos.

Carlos Seixas faleceu em Lisboa na sua casa por detrás da Igreja de Santo António da Sé, sendo sepultado aos 26 de Agosto de 1742 nos covais da Irmandade do Santíssimo Sacramento daquela igreja."


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sábado, 29 de novembro de 2008

Novembro com J. C. Pachelbel

Nuremberga foi um dos principais centros musicais da Europa durante o século XVII: destacava-se pelo seu elevado nível de composições, pela tradição secular no fabrico de instrumentos e pela primazia de um instrumento em particular: o órgão.
Johann Christoph Pachelbel (cujo apelido os próprios alemães pronunciam com alguma dificuldade…) nasceu nesta bela cidade em 1653, onde iniciou os seus estudos musicais.

Ocupou o cargo de organista em várias localidades da Alemanha: em Eisenach e Erfurt, estabeleceu contactos e amizades com membros da família Bach, entre eles, Ambrósio Bach, pai de Johann Sebastian. Na catedral de Santo Estêvão (Stephansdom) de Viena, estudou junto do célebre mestre Johann Kaspar Kerll, e foi precisamente na capital austríaca que Pachelbel conheceu o mundo da música italiana, predominante na casa dos Habsburgo.
No auge da sua carreira, voltou para a sua cidade natal e aceitou o convite para a função de organista principal da igreja de St. Sebald, o mais conceituado cargo da época em Nuremberga.

Imagem extraída de webloglearner.com

A par da sua actividade como intérprete, dedicou-se à composição de peças para órgão, cravo, conjuntos instrumentais e vocais. A importância de Pachelbel no universo musical concentra-se na arte da fuga, das variações e dos prelúdios corais, que influenciaram a obra de compositores barrocos posteriores, entre eles, Johann Sebastian Bach.

Hoje em dia, o nome de Pachelbel é associado quase automaticamente ao famosíssimo cânone e giga em ré maior para três violinos e violoncelo: uma melodia simples, desenvolvida em forma de cânone a partir de três vozes, é elaborada em 28 variações, aumentando gradualmente de densidade. O domínio do contraponto musical mistura-se com a habilidade de variação técnica.

A popularidade deste cânone tomou proporções por vezes absurdas: existem variações escocesas, adaptações especiais para casamentos, para pirotecnias, etc., etc…
Todavia, na sua versão original, este cânone representa uma das mais belas composições de toda a história da música clássica. Como sugestão para ouvir e descontrair, segue este registo (não foi possível identificar o conjunto musical; o retrato de Mozart, logo no início, deverá ser meramente decorativo).



sábado, 22 de novembro de 2008

Novembro com T. Albinoni


O esplendor da música veneziana da primeira metade do século XVIII resume-se a dois géneros: os Concerti e as Sonatas. A primazia de Antonio Vivaldi é indiscutível neste contexto. Todavia, outros compositores da Sereníssima revelam repertórios notáveis, entre eles, o menos conhecido Tomaso Albinoni. Quanto mais nos familiarizarmos com a obra de Albinoni, mais nos impressiona a qualidade musical única deste génio.O famoso Adagio em sol menor para órgão e cordas continua uma das obras barrocas mais representadas (ainda que se trate de uma reconstrução moderna a partir de um fragmento do andamento lento de uma sonata, encontrada por Remo Giazotto nos anos quarenta do século passado…).

Tomaso Albinoni é considerado um dos grandes “dilettanti” de Veneza. Sem qualquer conotação pejorativa, significa esta expressão na terminologia do século XVIII o simples facto de um artista exercer outra profissão para efeitos oficiais. O pai de Albinoni geria uma oficina para a produção de cartas de jogo, e Tomaso, seu filho, seguiu inicialmente o exemplo paternal. Contudo, o seu desejo de ingressar na via artística foi aceite, e os dois irmãos mais novos deram continuidade ao ofício do pai.
Albinoni foi pioneiro na história dos Concerti. As primeiras peças consolidaram o modelo “clássico”, constituído por três andamentos (rápido – lento – rápido). Com a precisão temática e rítmica, serviram de ponto de partida para a obra de outros compositores que aperfeiçoaram este género barroco, entre eles, Vivaldi.

Os doze Concerti, op. 9, revelam-nos um Albinoni no auge da capacidade musical e da popularidade. O compositor dedicou o op. 9, publicado pela primeira vez em Amesterdão em 1722, ao príncipe eleitor Maximilian Emanuel II da Baviera. Dois anos antes, sua esposa cantara na corte bávara. A boa receptividade dos doze Concerti proporcionou o convite irrecusável de compor uma ópera e uma serenata por ocasião do casamento do príncipe Karl Abrecht em Outubro de 1722.
Pierre de Bretagne, cronista oficial das festividades, manifestou-se com entusiasmo sobre as obras de Albinoni, classificando-as como “belle et charmante musique”.


Como sugestão, segue o belíssimo terceiro andamento do Concerto no. 2 em ré menor para oboé (não foi possível identificar o conjunto musical).


sábado, 15 de novembro de 2008

Novembro com G. B. Pergolesi

O reconhecimento universal de Giovanni Battista Pergolesi está indissociavelmente ligado à composição do Stabat Mater de 1736. Pergolesi concluiu a obra no convento franciscano de Pozzuoli (Nápoles) onde viveu os últimos meses da sua vida (morreu aos 26 anos, provavelmente de tuberculose). O texto, existente desde o século XIII, reflecte, de forma extremamente emotiva, a paixão de Cristo na perspectiva de Nossa Senhora. De grande popularidade na região de Nápoles, em particular na versão de Alessandro Scarlatti, o Stabat Mater constituía repertório obrigatório durante a Quaresma.

O Stabat Mater de Pergolesi rapidamente se tornou conhecido do público do século XVIII, chegando mesmo a ser a composição mais publicada da época. Outros compositores, entre eles, Bach, recorreram nas suas obras a Pergolesi.



Pergolesi rompeu com a tradição da música sacra erudita: a estrutura é leve em todo o seu percurso; uma adaptação textual “magra”, quase elegante, integra-se numa melodia bem acentuada. Através de meios simples, Pergolesi conseguiu assim alcançar a mesma intensidade e profundidade que um Stabat Mater requere. Contrastando com a prática corrente de interpretar a paixão de Jesus através de abordagens musicais mais lentas e “sisudas”, Pergolesi revolucionou a música sacra de forma geral, o que, naturalmente, provocou algum desconforto junto dos eruditos contemporâneos. Segundo o compositor Padre Martini, a obra de Pergolesi apresentaria o mesmo vocabulário musical que a ópera La serva padrona, pondo em causa a seriedade do texto religioso.




Felizmente, foram poucos os ouvintes do século XVIII que seguiram a opinião de Martini. Rousseau considerou o primeiro andamento “o dueto mais completo e mais comovente jamais composto.” A provar tais palavras filosóficas, resta como sugestão o andamento (Fac ut ardeat cor meum), na interpretação excelente de Barbara Bonney e Andreas Scholl, acompanhados dos Talens Lyriques sob a direcção de Christophe Rousset.




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sábado, 8 de novembro de 2008

Novembro com G. F. Händel

O fascínio pela Itália é seguramente algo a que a Humanidade dificilmente resiste. Vários foram os artistas alemães que se renderam aos encantos da península: Heinrich Schütz, Albrecht Dürer ou Johann Wolfgang von Goethe são apenas algumas referências.
A influência que a Itália exerceu na obra de cada uma destas personalidades reflecte-se de forma muito individual. Em todo o caso, existe um denominador comum de impressões inesquecíveis, vividas por qualquer visitante e alicerçadas na vitalidade, intensidade das cores, paisagem, música, arquitectura e em tudo mais que a Itália ofereceu e oferece.

Georg Friedrich Händel não é excepção: a estadia de três anos e meio por terras itálicas marcou profundamente o percurso artístico do compositor. Händel concluiu o Dixit Dominus em Roma em Abril de 1707. Esta adaptação sonora do salmo 109 (Dixit Dominus) ou 110 segundo Lutero, destaca-se por um vigor, entusiasmo e uma energia únicos, muito próprios da vivência latina, leia-se italiana…A obra sumptuosa mistura e integra em simultâneo os elementos instrumentais com os vocais. Os oito andamentos exigem dos intérpretes, de modo quase impiedoso, diversidade, mobilidade, precisão, paixão interpretativa e expressividade. Empolgante e imponente são os atributos que definem o espírito de Dixit Dominus que, muito estranhamente, continua a ser uma das obras corais menos representadas no universo da música sacra.


Não sabemos onde e quando foi estreada esta obra. A melodia gregoriana pascal, presente no início e final, apontam para uma estreia em Roma no Domingo de Páscoa de 1707, talvez realizada em S. João Latrão ou no palácio do cardeal Ottoboni.

Como sugestão, fica o excerto Dominus a dextris tuis, na excelente interpretação do conjunto Les Musiciens du Louvre sob a direcção de Marc Minkowski e um elenco notável de solistas, entre eles, a soprano Magdalena Kožená.

Segunda fotografia da autoria de Scott Hobbs

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sábado, 1 de novembro de 2008

Chegou Novembro...


http://www.chaosobral.org/web1/agric/semear.jpg

Cava fundo em Novembro para plantares em Janeiro.

Outubro lavrar, Novembro semear, Dezembro nascer.

(Da sabedoria popular)

Novembro com J.S.Bach

No hemisfério norte, o mês de Novembro de pouca “popularidade” goza. Vários serão os motivos, desde o tempo chuvoso e frio às reflexões profundas sobre o nosso ser nesta vida terrestre, em parte sugestionadas pelos feriados que o universo católico celebra. Numa perspectiva mais optimista - a que estas reflexões também podem conduzir -, talvez encontremos algum conforto na música, quer ligeira, quer clássica.

Como sugestão para uma meditação “bem sucedida” e não deprimente, fica o belíssimo Agnus Dei da Missa em Si Menor de Johann Sebastian Bach (BWV 232), aqui na magnífica interpretação de Andreas Scholl, acompanhado do coro e da orquestra Collegium Vocale sob a direcção de Philippe Herreweghe.

Na sua extensão bem como profundidade musical e emocional, esta obra equipara-se às oratórias da paixão (segundo S. João ou S. Mateus) ou à oratória de Natal. Bach iniciou a composição da Missa em Si Menor com o Sanctus em 1724. Seguiram-se o Kyrie e Gloria em 1733 que o compositor intitula como Missa Brevis de acordo com o ritual litúrgico protestante. Apenas em 1748/49, pouco antes do falecimento de Bach portanto, é concluída a obra que se torna então na Missa Solemnis.
A Missa em Si Menor representa, sob ponto de vista formal, uma ruptura com a tradição praticada na época: em vez dos cinco elementos constitutivos habituais, ou seja o Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei, encontramos nesta missa uma repartição em quatro secções principais, por sua vez estruturadas em sub-secções:
1. Missa = Kyrie e Gloria; 2. Symbolum Nicenum = Credo; 3. Sanctus; 4. Osanna, Benedictus, Agnus Dei, Dona nobis pacem.

O conceito da Missa em Si Menor é de majestosidade e grandeza. Apenas os registos relacionados com a vida de Cristo reflectem uma abordagem mais íntima. A missa compõe-se de árias e andamentos corais, não existem recitativos. Bach recorre ainda a géneros musicais antigos, tais como ao canto gregoriano, integrando-os contudo em formas estilísticas modernas à luz do barroco, como por exemplo árias para soprano de coloratura em estilo italiano.
Apesar desta diversidade de elementos e não obstante o facto de a missa ter sido desenvolvida ao longo de mais de duas décadas, a Missa em Si Menor é um exemplo extraordinário de homogeneidade e de consistência.

O Agnus Dei - apenas um dos muitos testemunhos da genialidade de Johann Sebastian Bach. Para ouvir e meditar em silêncio absoluto…