«Seguíamos de carro pela grande estrada que atravessa como
em sonhos a planície da Pérsia, imensa e saturada de calor. Era a mesma estrada
que os soldados de Alexandre tinham percorrido, há tantos séculos atrás, quando
um mundo ruiu com o incêndio de Persépolis, em direção a norte, no encalço de
Dario. O rei estava em fuga. Fora um homem valoroso, mas perdera todo o seu
poder com a batalha Gaugamela, e fugiu sem parar, pelas montanhas curdas, pelas
suas terras, Média e Bactriana, até que o sátrapa Besso o matou.
«A planície da Pérsia também não mudou desde então, talvez
nunca venha a mudar. Na Pérsia, a planície é sempre cercada por montanhas, como
barcos encalhados, e pensamos que nos aproximamos delas, mas quando finalmente
lá chegamos, vemos que atrás delas, começa uma outra planície, que na realidade
é ainda a mesma, e nunca chegaremos ao fim.»
Annemarie Schwarzenbach – Morte na Pérsia. Lisboa: Tinta da
China, 2008, p. 55
«Tentei tudo ao meu alcance para viver na Pérsia. Falhei. À
minha volta via pessoas que também tentavam a penas viver. Lutavam contra os
mesmos perigos, e os perigos reais não eram os mais graves. Como eu, também
eles resistiram aos longos caminhos da montanha, às noites junto a margens alagadas,
aos assaltos do cansaço e do desânimo. Como eu, também eles regressavam um dia
à capital, viviam em consulados, tomavam banho, comiam bem e dormiam muito.
«Julgavam, como eu, que deste modo poderiam restabelecer
forças para novas aventuras. Tiveram disenteria e febre, começaram a beber e
semanas a fio, iam toas as noites aos botequins tristes de Teerão, onde
encontravam uísque, música e coristas. Muito à semelhança das cidades
europeias.» (p. 77)
«Convidaram-me para jantar, uma dessas rápidas e maravilhosas refeições que Lily confecionava recorrendo à quintessência dos livros de culinária iranianos, o Ashpari az Sir ta Piaz, uma exaustiva coleção de receitas - desde caris indianos a pudins persas - compilada por um escritor que se dedicara à cozinha durante uma longa sentença de prisão nos tempos do xá.»
Azaden Moaveni - Lua-de-mel em Teerão. Alfragide: Casa das Letras, 2009, p. 22-23
Este livro é da autoria de Najaf Darya Bandi e Fahimeh Rastkar e esta edição em farsi é composta por dois volumes, num total de 974 p., e saiu em 2011.
Uma expo fantástica sobre arte persa . Tapeçarias, joalharia, mobiliário e outras artes decorativas no Louvre-Lens, com cenografia de Christian Lacroix.