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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Boa noite!

Richard Strauss - Abertura de Also sprach Zarathustra pela Filarmónica de Berlim, dirigida por Gustavo Dudamel.

sábado, 16 de dezembro de 2023

Marcadores de livros - 2884

Hoje trago umas variantes fáceis de verificar, dado que têm a ver com o formato (economia de papel):


Estes são da Chá das Cinco.

Estes da Saída de Emergência, com o acrescento do 2001, Odisseia no Espaço. Não li o livro, mas vi o filme.

Arthur C. Clarke no set do filme, realizado por Kubrick, 1965

Música de Richard Strauss.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

La Légende de Joseph

Em 14 de maio de 1914, os Bailados Russos estrearam na Ópera de Paris um bailado La Légende de Joseph, com música de Richard Strauss e libreto de Hugo von Hofmannsthal. O guarda roupa e  os cenários foram desenhados por Bakst.


Versão moderna de «La Légende de Joseph».

domingo, 30 de dezembro de 2012

In memoriam Lisa della Casa / D. Fischer - Dieskau

Dois dos maiores nomes do canto lírico desapareceram em 2012 para sempre: Dietrich Fischer - Dieskau faleceu em Maio aos 87 anos, Lisa della Casa no passado dia 10 de Dezembro aos 93.
Flores à memória das suas vozes sublimes - assim segue um registo da ária "Und du wirst mein Gebieter sein" da ópera Arabella de Richard Strauss, captado em Munique em 1963, na companhia da Orquestra Estadual da Baviera sob a direcção de Joseph Keilberth.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Boa noite!


SETEMBRO

O jardim está de luto.
A chuva fria penetra nas flores.
O verão estremece calmamente
Aproximando-se do seu fim.

As folhas douradas caem uma a uma
Do alto pé de acácia.
O verão sorri, surpreendido e cansado,
No sonho moribundo do jardim.

Detém-se ainda longamente junto às rosas,
Procurando o repouso.
Lentamente vai cerrando
Os seus (grandes) olhos fatigados.

Hermann Hesse
(In: 25 anos da inauguração da sede e museu da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: FCG, 1995)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Boa noite!


Gustave Moreau (1826-1898) - Salomé (pormenor), 1874-1876

SALOMÉ

Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo...

Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro! A minha alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...

Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:

Mordoura-se a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...

Lisboa 1913 - novembro 3.

Mário de Sá-Carneiro
In: Poemas completos. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001


Gustave Moreau (1826-1898) - Salomé (pormenor), 1876

BALADA DE SALOMÉ

Meus bailados endoidecem,
Adormecem,
São riscos, que os meus sentidos
Com tules de ânsia vestidos,
Traçam no ar...
Endoidecem...
Plumas que caem no mar...

Anda ao redor do meu Corpo,
Triste, exangue...
Sou uma bruma de mim...
Sou uma gota de sangue
Numa espada de marfim...
Dedos de silêncios velhos...
Breves sombras do meu Corpo
A dançarem nos espelhos...

Meus olhos, portas abertas
E desertas,
Portas para jardins pagãos...
Leves repuxos de cores...
São conventos profanados
Onde morreu uma freira...
E são palcos, minhas mãos,
Onde meus dedos-actores
Andam cantando bailados
Duma outra bailadeira...

Minha sombra, voz que escuto
Numa sala dum castelo.
Sonho de Mim. Meu cabelo,
Caudas de faisões de luto
Em parques de outros Orientes...
O meu Corpo, um girassol
Virando a todo o momento
Para o Sol
Dos meus sentidos doentes.

Sou o talismã dum mago.
E são meus olhos inquietos,
Muito pretos,
Cabeças dentro de pratos...
Sou silêncios debruçados,
Gritos de mim, ecos, tudo...
Os meus bailados são patos
Ao longe, junto dum lago,
Laços de sangue, pintados
Num pescoço de veludo...

Alfredo Guisado
In: Tempo de Orfeu. Coimbra: Angelus Novus, 2003


segunda-feira, 13 de abril de 2009

Cortem-lhes a cabeça ?


Perguntava-me há dias um amigo se tinha visto a Salome do São Carlos e que tinha achado. Respondi que não tinha visto, nem estava muito a par da recepção. Na verdade, tenho estado um pouco "divorciado" do nosso teatro de ópera, tanto pelo que de pouco bom lá vai passando como pelo que de muito bom vai aparecendo em dvd. Fiquei mais elucidado ao ler no Expresso deste sábado a opinião de Jorge Calado :
" (...) É, simplesmente, o pior espectáculo que vi em toda a minha vida ( e vi vários muito maus, cá e lá fora ) . Há duas décadas, Gustafson era uma cantora com algum mérito. Hoje, com a voz esfrangalhada, mantém apenas um registo agudo com alguma qualidade ( embora desafinado ) , que o resto é inaudível. Muitas vezes suspeitei que cantava porque a via mexer a boca. A sua leitura do papel é muito aproximada, fraseia aos soluços e defende-se descradamente para chegar ao fim. Enfim, um suplício. Jason Howard, em Jochanaan ( São João Baptista ), canta com um vibrato onde cabem rodos de notas, a dicção é péssima e a afinação deixa muito a desejar. De Graciela Araya ( Herodias ) nem a vale a pena falar. "
E sobre a encenação de Karoline Gruber :
" (...) A ópera começa com um arabesco erótico na orquestra. Mas o erotismo ficou nos camarins. Esta é uma « Salome» pedófila, onde os homens usam saias e as mulheres calças. A protagonista cinquentona usa tranças e soquetes, brinca com bonecas, desmembra insectos e põe o dedinho na boca. (...) O pedófilo do Herodes veste-se com a roupa interior da enteada. Há couro e cabedal da pesada e fodas homo e hetero para todos os gostos (...) "
Jorge Calado termina o seu texto assim:
" O verdadeiro deboche da corte do tetrarca está nas cabeças que regem o teatro. Como Portugal foi pioneiro na abolição da pena de morte, apetece-me dizer que o melhor é fechar o São Carlos ( já que não podem pôr a direcção na rua ) . Poupavam-se rios de dinheiro, e o Opart até podia ir à viola, gabando-se dum lucro de milhões. "
Confesso que perante esta opinião de um nossos mais reputados críticos de ópera fico a pensar se realmente o que passou em São Carlos foi a adaptação de Strauss da grande peça de Oscar Wilde ou outra coisa qualquer com o mesmo nome.
E daqui do blogue, alguém pode falar com conhecimento de causa?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nancy Gustafson em Lisboa

A partir de quinta-feira vamos ter a norte-americana Nancy Gustafson a cantar em São Carlos a Salomé de Richard Strauss, numa co-produção com o Biwako Hall do Japão. Como sabem os mais operáticos, foi esta ópera o primeiro grande sucesso de Strauss, que se inspirou na tradução alemã ( Hedwig Lachmann ) da peça homónima de Oscar Wilde.
Deixo-vos La Gustafson não no Antigo Israel, mas numa das árias mais apreciadas do mundo da ópera, e onde ela não está nada mal.