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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dos antípodas à metrópole: Frederic, Lord Leighton

Fui surpreendido por uma escultura de um atleta em luta contra uma píton na Royal Academy of Arts, em Londres: em bronze, é idêntica a uma escultura em mármore com o mesmo nome, que se encontra em na Art Gallery of New South Wales, em Sydney. O autor é Frederic, Lord Leighton.

domingo, 30 de novembro de 2008

Monet e os impressionistas - II

Estive hoje na Galeria de New South Wales, em Sydney, onde está exposta "Monet e os Impressionistas", que essencialmente apresenta a colecção do Museum of Fine Arts, de Boston (EUA). Muito balsâmica, com a constante redescoberta da luz e do movimento. Gostei particularmente do "Meadow at Giverny", talvez por não me lembrar de o ter visto antes, talvez pela impressão...

Claude Monet: Meadow at Giverny, 1886, Museum of Fine Arts, Boston

Enquanto pesquisava mais informação sobre o quadro, deparei com uma descrição do Museu de Belas Artes de Boston, que me fez lembrar a série do Luís Barata sobre "Pintar a solidão", muito em linha com a impressão ao ver o quadro:
"Meadow at Giverny" does not have an obvious focal point: no figure, structure, or natural feature attracts the viewer's attention. The high-keyed palette and, especially, the insistence on pattern further contribute to our sense of it as a decorative painting, in the best sense of the term - as a work concerned, above all, with the very qualities of color and pattern. It is also a painting of loneliness. The only element that breaks from the pattern of horizontals is the tree in the background that frees itself from its neighbors. Were the tree a human figure, it could be described as displaying itself against the sky in a gesture of defiance or triumph. A tree is not a human being, of course, yet the temptation to read the one for the other is strong. This tree is isolated, mirroring the position of the viewer looking at this deserted, if colorful, meadow.
(Museum of Fine Arts, Boston)

Infelizmente a beleza da exposição foi um pouco estremecida por alguns dos visitantes: perante duas imagens da mesma paisagem, um dos patronos comentava à mulher "o carro deve-se ter avariado, o tipo teve que pintar a mesma coisa duas vezes!"; noutro momento, uma mulher virava-se para o marido a dizer alto e bom som: "bem, eu gosto!".

Mas não há estremecimento suficiente para me tirar o sorriso de voltar a ver a obra de Monet. Talvez ainda volte antes de regressar à Europa.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um passeio pela feira da ladra de Rozelle


Este Domingo fui passear à feira da ladra de Sydney (uma das), em Rozelle. Tinha um par de amigos a vender coisas de que já não precisavam, e fui lá dar apoio moral (não que precisassem). Acabei por encontrar "The MGM Story", com pequenas narrativas de todos os filmes feitos no estúdio até finais dos anos 70, e que combina a vertente artística com o mecanismo económico da empresa (o despedimento das estrelas de outrora quando se tornam menos lucrativa é descrito de uma forma bastante crua). Encontrei também uma edição de meados dos anos 80 de "The International Book of Comics", uma narrativa da história da banda desenhada. Foi um passeio simpático num dia de Sol de Inverno e uma leitura curiosa ao pôr-do-sol.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ainda a AGNSW - Os Budas Perdidos




De 29 de Agosto a 23 de Novembro, a Art Gallery of New South Wales expõe "The Lost Buddhas", consistindo numa selecção de 35 estátuas em provenientes da descoberta em 1996 em Qingzhou, Shandong (China Oriental), de centenas de Budas criados nos séculos VI a IX (dinastias Wei e Tang). Esta descoberta tem sido comparada em termos de relevância à descoberta dos Guerreiros de Terracota de Xi'an.

Monet e os impressionistas na ARNSW



A Art Gallery of New South Wales, em Sydney, recebe de 11 de Outubro a 26 de Janeiro a exposição "Monet and the Impressionists", através da colecção do Museum of Fine Arts de Boston, EUA. A exposição aborda o período de 1860 a 1900, contemplando a obra de Monet e a sua influência nos seus contemporâneos, incluindo obras de Cézanne, Manet, Degas, Pissarro, Renoir e Sisley (terá algum dos invernos de Sisley?).

sábado, 19 de julho de 2008

Otello na Sydney Opera House


A ópera de Verdi está desde ontem em palco na Sydney Opera House. De particular destaque é a encenação de Harry Kupfer, que ganhou fama na Ópera de Viena. A acção é encenada na escadaria de um palácio sumptuoso semi-destruído (presume-se que pela guerra), com um atlas em bronze ao centro sustentando uma esfera armilar. Decorre algures no início do século XX, com os militares de uniformes reminiscentes das Grandes Guerras. Os movimentos do coro e dos figurantes estão sempre a reforçar a ideia de tempestade, em especial no início e no fim da produção, o que resulta particularmente bem como reflexos do contexto e das tormentas interiores dos personagens. A utilização da estátua omnipresente, primeiro como apoio de Desdemona, depois como amparo / bloqueio de Otello, também está bem conseguida. Cheryl Barker é uma Desdemona convincentemente alegre, surpresa, magoada e resignada / desesperada; Dennis O'Neil é um Otello a quem falta alguma estatura (figurativa e literalmente); e Jonathan Summers é um Iago asqueroso (ou seja, bem para o papel concebido por Shakespeare e revisitado por Verdi). No entanto, falta alguma chama.
Em cena em Sydney até 16 de Agosto; depois, a produção passará para Melbourne.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

WYD SYD 08


Está a decorrer em Sydney um imenso evento à la concerto de rock: as ruas estão fechadas, os parques estão rodeados de barreiras e existem polícias de controlo de multidões em todas as partes da cidade; o ruído é enorme e os meus colegas estão neste momento à janela a ver o porto de Woolloomolloo e o parque do Domain. Há palcos montados; os helicópteros circulam baixinho e de quando em vez passa um avião militar.

No entanto, a estrela esperada não se prevê que venha cantar: é o actual Papa, que vem celebrar missa para o World Youth Day, apregoado como sendo "o maior festival de jovens do mundo". Como qualquer bom evento mediático, o site oficial tem no seu artigo principal um único link: para os sítios onde se pode ver o Papa. Achei particularmente intrigante a presença de multidões italianas que vêm ver o Papa: haveria concerteza alternativas logisticamente mais fáceis...

O evento começou a 15 de Julho e decorre até 20 de Julho; esperam-se cerca de 125 000 visitantes, mais do que os que vieram à cidade durante os Jogos Olímpicos de 2000.

Para azar dos Távoras (ou do Clero), a comunicação social nas últimas semanas tem andado em polvorosa com escândalos de abusos sexuais por parte de padres católicos na Austrália e do seu encobrimento pelo actual Cardeal.

sábado, 21 de junho de 2008

My Fair Lady na Ópera de Sydney


Estive esta noite a assistir ao musical "My Fair Lady" de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe na Ópera de Sydney - por estes lados foi muito controverso que a Ópera levasse à cena um musical, peça menos nobre; até o patrocinador fez anúncios à propos da ousadia (em prol, entenda-se). Curiosamente, a sala estava absolutamente esgotada; hoje havia mais pessoas de traje a rigor que habitualmente e não havia ninguém (que eu visse) de calças de ganga.

É sempre um prazer revisitar "My Fair Lady", nas palavras do New York Times "the perfect musical". A sucessão de "Wouldn't It Be Loverly", "The Rain in Spain", "I Could Have Danced All Night", "On The Street Where You Live",... é um reencontro muito grato. Para quem cresceu com o filme, há uma comparação incontornável com a luminosa Audrey Hepburn e a estridência de Marni Nixon, ou o poder cabotino de Rex Harrison (e para quem viu o musical original na Broadway, a "injustiça" a Julie Andrews também oferece polémica). Embora não façam sombra sobre o meu imaginário, os cantores desta noite estiveram muito bem. Gostei particularmente dos personagens Alfred Doolittle e Mrs Higgins, muito bem conseguidos, porventura mais fortes que no filme. A encenação foi superior e o guarda-roupa não envergonharia Cecil Beaton.

À medida que o musical se foi desenrolando, foi fascinante ver as expressões de felicidade das pessoas à minha volta: ou meneando alegremente a cabeça, ou cantarolando muito baixinho ou, no caso de um senhor de muita idade que estava ao meu lado, segredando recordações à mulher (bem, à senhora que o acompanhava, não há que fazer presunções) e rindo. Não costuma acontecer, pelo menos de forma tão generalizada e expressiva, nas óperas "clássicas".

Por ser na Austrália e o musical tratar de sotaques, achei imensa graça ao comentário de uma criancinha (seis anos? sete?) que estava atrás de mim. Quando a Eliza vocalizou o poderoso "The rain in Spain stays mainly in the plain" no inglês correcto, diz a criança para a mãe - "mas ela disse da mesma maneira..." De facto, o sotaque australiano com o seu twang faz o sotaque cockney parecer Oxfordiano... O catálogo era notável, cheio de informação interessante sobre a passagem de "Pigmaleão" a "My Fair Lady" e à recepção na Broadway (estreado em 1956, bateu o record de longevidade na sua passagem inaugural).
Está em cena até 4 de Agosto.