Quero ir ver este filme que estreou hoje em Lisboa. Adaptação do livro de Azar Nafisi.
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quinta-feira, 10 de julho de 2025
sábado, 23 de junho de 2018
A Livraria
A Livraria é a adaptação do romance homónimo de Penelope Fitzgerald, que Isabel Coixet (de A Vida Secreta das Palavras) adaptou e realizou. O elenco conta com Emily Mortimer, Bill Nighy (magnífico como sempre) e Patricia Clarkson.
Gostei do filme, como já havia gostado do livro que li há uns aninhos.
Lisboa: Clube do Autor, 2011
Em 1959, Florence Green, viúva, residente na vila costeira de Hardborough, resolve abrir uma pequena livraria. Depois de comprar um velho edifício - a Old House -, há anos desocupado e degradado, e de vencer a resistência dos habitantes da vila, Florence encomenda 250 exemplares de Lolita, de Nabokov, e coloca-o à venda na livraria. Imagine-se o abalo que este facto provocou na pequena localidade. Há um leitor compulsivo, Mr. Brundish que vive em Holt House, a casa mais antiga da terra, que apoia Florence. Mas esta tem uma inimiga de peso...
Este livro de Penelope Fitzgerald foi publicado em Inglaterra em 1978.
Este livro de Penelope Fitzgerald foi publicado em Inglaterra em 1978.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Leituras no Metro - 193
François Busnel perguntou a Patrick Modiano (Lire, nov. 2014) qual a relação que este tem com a autobiografia, ao que o escritor lhe respondeu:
«En fait, ça perspective de l'autobiographie m'a toujours perturbé. L'écriture autobiographique m'a toujours embêté. Il est délicat de parler vraimente de choses intimes. Les écrivains qui écrivent sur eux-mêmes font souvent preuve d'aveuglement. J'ai toujours trouvé qu'il y avait quelque chose d'un peu faux dans l'autobiographie.Un ton qui est faux. On se met en valeur. Ou bien on oublie beaucoup de choses, ou bien on les cache... L'autobiographie m'a toujours paru bizarre. Suspecte. On pourrait d'ailleurs faire un apstiche des differents formes d'autobiographies. J'ai aimé en lire mais il y a toujours, Même dans les meilleurs, une forme de mensonge. Il y a lá une sorte d'impudeur. On ment parfois par omission, ou en présentent les choses sous un angle qui n'est pas celui de la vérité mais de la trahison. Tout cela est un peu bizarre. L'entreprise autobiographique m'a toujours paru une sorte de leurre. Sauf si elle a une dimension poétique, comme nabokov a pu le faire dans Autres rivages, par exemple. mais je trouve que le ton autobiographique a quelque chose d'artificiel car il implique toujours une mise en scène. Ma démarche ne consiste pas á écrire pour essayer de me connaître moi-même. Je ne fais pas d'introspection. C'est plutôt, avec les pauvres éléments de hasard qui sont les miens - ma naissance après la guerre, les parents que j'ai eus... -, essayer de trouver un peu de magnétisme à des éléments qui sont en eux-mêmes sans grand intérêt. Je tente de les réfracter à travers une sorte d'imaginaire.
«- Et Un pedigree, alors?
«- On peut classer ce livre du côté des autobiographies - c'est d'ailleurs ce que l'on a fait - mais j'ai toujours eu l'impression que ce livre se rattachait aux autres, aux romans. Dans Un pedigree, je ne racontais pas une vie, la mienne. Je parlais de choses qui m'avait été imposées. Ce n'est pas la même perspective, vous comprennez. Pas du tout la même. Je parlais de choses qui m'avait fait souffrir mais qui m'était étrangères, qui ne m'étaient pas intimes. Bien sûr, il s'agissait de mes parents. mais ces choses m'avaient été imposées par eux et étaient presque comme des corps étrangers. J'ai écrit ce livre pour me débarrasser de ces éléments étrangers, pas pour raconter ma vie. Le pedigree, comme pour les chiens ou les chevaux, renvoie aux choses dont nous ne sommes pas responsables: nos parents, par exemple.
«Mais ce livre ne relevait absolument pas d'une démarche pour essayer de me comprendre moi-même. [...]»
A autobiografia de Nabokov referida por Modiano.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Leituras no Metro - 37

Cruz Quebrada: Casa das Letras, 2007
«Daniel Barenboim, o grande pianista e maestro disse: um menino prodígio é uma criança dotada, com uns pais muito ambiciosos.» (p. 51)
«E como a forma exacta da sua morte não tinha sido registada, Mira continuava a morrer um grande número de mortes no nosso espírito e a passar por um grande número de ressurreições para morrer outra vez e outra...» (Vladimir Nabokov)
Há já bastante tempo que andava para ler este livro. Foi agora.
Sérgio Varella Cid nasceu na Rua do Salitre, 78, em Lisboa, a 5 de Outubro de 1935. Filho de músicos, muito dotado para o piano, começa a dar concertos miúdo ainda.
Pianista notável, vive em Londres, depois no Brasil. Jogador, crivado de dívidas, deita mão de todos os expedientes, até falsificando jóias. No Rio de Janeiro, conhece Hosmany Ramos (um cirurgião plástico, assistente de Ivo Pitanguy), do submundo brasileiro (chega a ser preso por tráfico de droga e é acusado de ter morto a própria mulher). Sérgio Varella Cid começa a contrabandear automóveis (Cadillac, Mercedes,...), simula roubos para extorquir dinheiros às companhias de seguros. Saiu de sua casa, em São Paulo (Rua Cuba, 161), com dois homens, num dia no final de Junho de 1981, e nunca mais apareceu. Duas pessoas afirmam tê-lo visto mais tarde, de relance, uma num aeroporto. Seria mesmo ele?
Sérgio Varella Cid nasceu na Rua do Salitre, 78, em Lisboa, a 5 de Outubro de 1935. Filho de músicos, muito dotado para o piano, começa a dar concertos miúdo ainda.
Pianista notável, vive em Londres, depois no Brasil. Jogador, crivado de dívidas, deita mão de todos os expedientes, até falsificando jóias. No Rio de Janeiro, conhece Hosmany Ramos (um cirurgião plástico, assistente de Ivo Pitanguy), do submundo brasileiro (chega a ser preso por tráfico de droga e é acusado de ter morto a própria mulher). Sérgio Varella Cid começa a contrabandear automóveis (Cadillac, Mercedes,...), simula roubos para extorquir dinheiros às companhias de seguros. Saiu de sua casa, em São Paulo (Rua Cuba, 161), com dois homens, num dia no final de Junho de 1981, e nunca mais apareceu. Duas pessoas afirmam tê-lo visto mais tarde, de relance, uma num aeroporto. Seria mesmo ele?
O que leva um pianista de fama internacional, um sedutor e uma inteligência superior (nas palavras de todos o que o conheceram), a envolver-se com marginais?
«Bem vistas as coisas, para lá dos concertos e recitais, realmente acontecidos e recenseados nos jornais e nos programas, mais os casamentos, mais os filhos, esta não é uma narrativa de factos incontestáveis e solidamente documentados. A maior parte deste quase romance biográfico não é mais do que um relatório de opiniões, um desfiar de palpites e de versões que se encontram e desencontram aqui e ali. Inclusivamente nas cartas do próprio Sérgio. » (p. 385)
«Bem vistas as coisas, para lá dos concertos e recitais, realmente acontecidos e recenseados nos jornais e nos programas, mais os casamentos, mais os filhos, esta não é uma narrativa de factos incontestáveis e solidamente documentados. A maior parte deste quase romance biográfico não é mais do que um relatório de opiniões, um desfiar de palpites e de versões que se encontram e desencontram aqui e ali. Inclusivamente nas cartas do próprio Sérgio. » (p. 385)

Rua do Salitre, 78
A casa parece hoje abandonada.
«- Esteve aqui o Heifetz.
«- Quem?
«- E o Prokofiev.
«- Porra! O Prokofiev esteve aqui?
«- E o Arrau e o Michelangeli e o Menhuin...
«- O Stravinski?
«- Muito provavelmente... o Oistrakh...
«- Estás a pintar!
«Continuávamos a falar baixo.
«- Mas quem passa aqui não sabe, não sonha...
«- O Backhaus, o Rubinstein, o Cortot...» (p. 57)
A casa merecia uma lápide a recordar todos estes visitantes.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Retrocesso?
Gosto muito de Vladimir Nabokov, e Lolita é um fabuloso romance. Depois do escândalo que rodeou a publicação do livro em meados da década de 50, inclusive com proibições nalguns países, embora logo em 1962 Stanley Kubrick o tenha adaptado, e de que maneira, para o cinema embora com alterações ( desde logo Lolita passa dos 12 anos do livro para os 15 anos... ), Lolita tornou-se consensual no sentido de ser regularmente publicado, analisado e comentado.
Pois bem, li numa revista literária que foi perguntado recentemente a vários grandes editores internacionais se hoje publicariam Lolita se a obra lhes fosse apresentada, e a maior parte deles respondeu negativamente. A grande razão é a histeria pedófila da última década, que, com muitos casos reais e outros imaginados ( entre estes, o sinistro caso Outreau em França que estragou a vida a tantos inocentes ), criou um verdadeiro tabú relativamente à sexualidade juvenil, sendo esta, no entanto, muito mais complexa do que às vezes se pensa. E a Internet prova-o à saciedade...
A ironia suprema é que, como sabem os que leram o livro ou viram o filme, a verdadeira vítima de Lolita não é um adolescente, mas sim um adulto, o desgraçado Humbert Humbert...
Pois bem, li numa revista literária que foi perguntado recentemente a vários grandes editores internacionais se hoje publicariam Lolita se a obra lhes fosse apresentada, e a maior parte deles respondeu negativamente. A grande razão é a histeria pedófila da última década, que, com muitos casos reais e outros imaginados ( entre estes, o sinistro caso Outreau em França que estragou a vida a tantos inocentes ), criou um verdadeiro tabú relativamente à sexualidade juvenil, sendo esta, no entanto, muito mais complexa do que às vezes se pensa. E a Internet prova-o à saciedade...
A ironia suprema é que, como sabem os que leram o livro ou viram o filme, a verdadeira vítima de Lolita não é um adolescente, mas sim um adulto, o desgraçado Humbert Humbert...
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