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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Leituras no Metro - 2950


Lisboa: Quetzal, 2019

Este foi o último livro que li em 2024. Tenho outros (matacões) entre mãos desde então.
No início, Patti Smith prepara-se para apanhar um avião para Paris e está a ler Accident Nocturne de Modiano, livro que nunca li, mas não esperará pela demora - é um escritor que muito aprecio.
«[...] leio, enredando-me nos labirintos de Nocturne - ruas desconhecidas, fragmentos de endereços, percursos que deixaram de ser relevantes e acontecimentos que se reduziram a nada. Tenho pena de não conseguir escrever, mas depois penso que perdermo-nos no torpor estimulante do universo de Modiano é quase como escrever. Entra-se na pele do narrador, com o seu subtil sentido de paranoia e a sua preocupação em relação aos pormenores, e o espaço à nossa volta transforma-se.» (p. 15-16)



domingo, 30 de julho de 2023

Os meus franceses - 953

Esta canção foi escolha pelo Dia da Amizade que hoje se comemora.

Patrick Modiano e Françoise Hardy no Bois de Boulogne, 1969.

«À cloche-pied sur la grande muraille de Chine»: Patrick Modiano escreveu esta letra em francês para a canção inglesa de Tony Macaulay.

Livro(s) e marcador(es) - 65

Foto Maria.

O que eu gosto deste escritor. Ver marcadores aqui e aqui.

Parabéns, Patrick Modiano!

Foto Maria.

Emily Brontë nasceu há 205 anos.


terça-feira, 30 de julho de 2019

Marcadores de livros - 1397


Parabéns, Patrick Modiano!

«De uma certa forma, Lembranças adormecidas pode ser lido como algo perto de um "testamento literário" a que juntou um maior cuidado romântico, porque condensa o que Patrick Modiano deixou espalhado pela sua obra ao longo de algumas décadas: uma luta contra o esquecimento, um sublinhar dos caminhos redentores da memória e da ficção.»
José Riço Direitinho in Público

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Leituras no Metro - 987

Porto: Porto Ed., 2015

Modiano escolheu a seguinte citação de Stendhal para epígrafe deste seu livro: «Não posso fornecer a realidade dos factos, posso apenas apresentar a sua sombra», o que é um bom mote para toda a obra deste escritor francês.
«Várias décadas passaram desde que Jean Daragane, em criança, viveu em Saint-Leu-la-Forêt. Agora, sexagenário, escritor, mal pensa nisso. Leva uma existência solitária, o telefone raramente toca, praticamente não escreve. Até que acontece um «quase nada». Como que uma picada de inseto, que a princípio parece muito leve. Esse "quase nada" é o aparecimento de uma velha agenda telefónica onde figura o nome de Guy Torstel. Arrastado para o passado, para a Paris dos anos 1950 e 1960, Daragane vai-se confrontar com a memória de Annie Astrand, que foi para ele uma espécie de mãe» (Da contracapa).
Gostei deste livro em que por um "quase nada" (uns retratos tirados numa photomaton) o protagonista tenta lembrar-se do seu passado, uma memória enevoada e melancólica.

Marcadores de livros - 1122

Parabéns a Modiano que faz hoje 73 anos.

Letra de Patrick Modiano.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Maio 68 - 19


Paris, 22 de maio de 1968, à hora de almoço, um belo rapaz de 22 anos, com dois metros de altura, entra no Hotel Meurice. Ele atravessou Paris paralisada pela greve geral e agitada pela insurreição estudantil que lhe lembra Paris da Libertação. Ele acabou de publicar na Gallimard o seu primeiro romance, cuja ação decorre na Ocupação, assombrada pelo anti-semitismo.
O Hotel Meurice foi durante a Ocupação a sede da Kommandantur e serviu de habitação ao general von Choltitz. O rapaz é Patrick Modiano, que o júri do prémio Roger-Nimier, em que participavam escritores colaboracionistas como Jacques Chardonne, Marcel Jouhandeau e Paul Morand, se apressou a consagrar com um cheque de 5000 francos.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Coincidência?

Coincidência? Acasos?... ou não, a juntar à proximidade de Paris dos últimos dias, li o livro de Patrick Modiano: No Café da Juventude Perdida.
Uma história que se lê com alento. O mito do eterno retorno, ou a constante procura da essência da vida. Apetece partir e vaguear pela capital francesa.



- É proibido olhar para as fachadas dos prédios?
O homem fixou em mim  dois olhos duros e receosos.
Gostaria de o assustar ainda mais.
E depois, para me acalmar, sentei-me num banco do passeio central, à altura do início da avenida, em frente do cinema México. Descalcei o pé esquerdo.
Sol. Deixei correr o pensamento.

Patrick Modiano, No Café da Juventude Perdida. Lisboa: Asa, 2014 (2ª edição), p. 46.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Leituras no Metro - 194

Paris: Gallimard, 1976

Muito interessante este Interrogatório que Patrick Modiano fez a Emmanuel Berl, pouco antes deste morrer. Conhecia Berl de nome, mas nunca li nada dele. Acho que vai ser uma das minhas próximas 'investidas'. Aparentado a Bergson e a Proust, conta-nos algumas coisas interessantes sobre este último. Judeu, foi amigo de Drieu La Rochelle, frequentou o grupo surrealista, colaborou no Monde (dirigido por Barbusse), foi diretor do hebdomadário Marianne (1932-1937), escreveu discursos para Pétain...

Reed. dos sete cadernos de política e literatura publicados por Berl e Drieu La Rochelle, em 1927.


A cantora Mireille (que já andou n'Os meus franceses) foi a terceira mulher de Berl.

36 rue de Montpensier, Paris


É natural que ainda aqui volte com este livro que estou a ler.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Leituras no Metro - 193


François Busnel perguntou a Patrick Modiano (Lire, nov. 2014) qual a relação que este tem com a autobiografia, ao que o escritor lhe respondeu:
«En fait, ça perspective de l'autobiographie m'a toujours perturbé. L'écriture autobiographique m'a toujours embêté. Il est délicat de parler vraimente de choses intimes. Les écrivains qui écrivent sur eux-mêmes font souvent preuve d'aveuglement. J'ai toujours trouvé qu'il y avait quelque chose d'un peu faux dans l'autobiographie.Un ton qui est faux. On se met en valeur. Ou bien on oublie beaucoup de choses, ou bien on les cache... L'autobiographie m'a toujours paru bizarre. Suspecte. On pourrait d'ailleurs faire un apstiche des differents formes d'autobiographies. J'ai aimé en lire mais il y a toujours, Même dans les meilleurs, une forme de mensonge. Il y a lá une sorte d'impudeur. On ment parfois par omission, ou en présentent les choses sous un angle qui n'est pas celui de la vérité mais de la trahison. Tout cela est un peu bizarre. L'entreprise autobiographique m'a toujours paru une sorte de leurre. Sauf si elle a une dimension poétique, comme nabokov a pu le faire dans Autres rivages, par exemple. mais je trouve que le ton autobiographique a quelque chose d'artificiel car il implique toujours une mise en scène. Ma démarche ne consiste pas á écrire pour essayer de me connaître moi-même. Je ne fais pas d'introspection. C'est plutôt, avec les pauvres éléments de hasard qui sont les miens - ma naissance après la guerre, les parents que j'ai eus... -, essayer de trouver un peu de magnétisme à des éléments qui sont en eux-mêmes sans grand intérêt. Je tente de les réfracter à travers une sorte d'imaginaire.
«- Et Un pedigree, alors?
«- On peut classer ce livre du côté des autobiographies - c'est d'ailleurs ce que l'on a fait - mais j'ai toujours eu l'impression que ce livre se rattachait aux autres, aux romans. Dans Un pedigree, je ne racontais pas une vie, la mienne. Je parlais de choses qui m'avait été imposées. Ce n'est pas la même perspective, vous comprennez. Pas du tout la même. Je parlais de choses qui m'avait fait souffrir mais qui m'était étrangères, qui ne m'étaient pas intimes. Bien sûr, il s'agissait de mes parents. mais ces choses m'avaient été imposées par eux et étaient presque comme des corps étrangers. J'ai écrit ce livre pour me débarrasser de ces éléments étrangers, pas pour raconter ma vie. Le pedigree, comme pour les chiens ou les chevaux, renvoie aux choses dont nous ne sommes pas responsables: nos parents, par exemple.
«Mais ce livre ne relevait absolument pas d'une démarche pour essayer de me comprendre moi-même. [...]»
A autobiografia de Nabokov referida por Modiano.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Leituras no Metro - 191

Comecei a ler o n.º de novembro da Lire com um grande dossier dedicado a Modiano, o qual inclui uma entrevista muito interessante.
«Les souvenirs d'enfance sont des puzzles auxquels il manque beaucoup de pièces, qui ont été peu à peu rongées para l'oubli. Remonter dans le passé est très romanesque. C'est presque comme une énigme policière: les souvenirs sont complètement morcelés, les détails ne se relient pas forcément aux autres... C'est ça qui m'a toujours intrigué. C'est sur celà qui j'écris, livre après livre. J'ai l'impression que tout ce qu'on a vécu jusqu'à trois ou quatre ans est complètement noyé dans l'oubli et qu'après surnagent des choses qui finissent presque para appartenir au domaine de l'imaginaire: l'enfant est un romancier qui ne le sait pas, il s'attache à des détails désordonnés, et son souvenir, des années plus tard, est forcément très énigmatique. Donc, oui, le souvenir est une bombe à retardement parce qu'on se pose des questions lorsqu'on vieillit, à propos de ces pièces perdues du puzzle, et qu'on essaie toujours de les retrouver. Il y a, dans les souvenirs d'enfance, quelque chose d'énigmatique et de parfois dangereux. Même si l'enfance a été paisible.» (p. 54-55)
François Busnel pergunta a Modiano quando publica as suas Memórias, ao que o escritor responde que não sabe se publicará os seus cerca de vinte cadernos: «Parce qu'on verrait tout ce qui m'a permis d'écrire mes autres livres, mes romans. Ce serait comme une machine dont on apercevrait les arrière-fonds, les fondations... Ce serait bizarre. Ce serait de voir tout le grouillement des romans... Quelle étrange impression!»
Desagradar-lhe-ia?: «Je préfère les romans tels qu'ils ont été publiés. Tous sont des espèces d'autobiographies. Mes livres sont fait de bric et de broc autobiographiques. mais publier ces carnets... Je ne sais pas.» (p. 58)
A publicação dos cadernos agradaria sem dúvida aos leitores de Modiano.

Neste n.º há umas páginas dedicadas ao livro que Jacques Tardi fez sobre os cadernos de guerra da participação de seu pai, René Tardi, nas batalhas sangrentas da Pomerania: «O pai conta, passo a passo, verticalmente, a realidade física do Reich a desmoronar-se; o filho completa, metodicamente, a narração terrífica desta guerra ignóbil, que alinha sem piedade os mortos, de Dresden a Dora.» (Julien Bisson)
O livro é posto à venda hoje em França.

Paris: Castermann, 2014 
€25,00

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Boa noite!

A deitar fora uns jornais, repesquei esta crónica de Ferreira Fernandes, quando foi anunciada a atribuição do Nobel da Literatura a Patrick Modiano...
Não sabia que o guionista de Lacombe Lucien tinha sido Modiano. Mas faz sentido...
Um dia destes, tentarei rever o filme.

DN, Lisboa, 10 out. 2014

André Claveau faz parte da banda sonora do filme de Louis Malle, assim como Django Reinhardt e Irène de Trébert.

sábado, 11 de outubro de 2014

Outras canções de Patrick Modiano

Por altura da saída do seu primeiro romance La place de l'Étoile, Modiano foi desafiado por um amigo, Hughes de Courson, antigo colega de liceu, a escrever letras para canções de Françoise Hardy.


Esta letra foi feita para a música de Jeux interdits, de Narciso Yepes.

Escreveu também duas canções para Régine  «L'amour á contre-coeur» e «Sur le taboggan», «Les oiseux reviennent» para o belga Henri Seroka e «À tous petits petons» para Myriam Anissinov, que não consegui encontrar no YouTube.


Boa noite!

Quem é o autor da letra desta canção?


Bom dia!

Logo coloco mais umas para vos dar as boas noites. :)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

"No sé si me explico"





A leitura de uma entrevista dada por Patrick Modiano ao El Pais, em 2009, e agora repescada por aquele jornal, ajuda-nos a conhecer melhor o escritor de momento. Reparem nesta descrição da forma como trabalha:

Patrick Modiano es muy alto, muy amable, algo torpe y muy tímido. Duda al hablar, le cuesta acabar las frases y su muletilla favorita es "no sé si me explico". Vive en una vieja casa a la espalda del Jardín de Luxemburgo, no muy lejos del barrio donde pasó parte de su infancia: todo un síntoma de su relación con el tiempo y la memoria. El cuarto desde el que escribe es una habitación semicircular, tapizada de libros con una ventana también muy alta que da a un jardincito interior. Hay un diván arrugado en el que se sienta a leer cuando no trabaja. Escribe dos o tres horas al día sentado a una mesa colocada frente a la ventana y al jardín. Nunca más. Asegura que si hiciera caso a su carácter, terminaría sus novelas de un tirón, sin detenerse, pero que se obliga a refrenarse y a parar cuando han pasado esas dos horas a fin de mantener una tensión que sólo él percibe pero que, según él, es esencial para que la obra culmine.

Patrick Modiano: edições em Portugal


«Avec ce Prix, j’ai la même impression qu’au moment où j’ai commencé à écrire, celle de m’introduire dans un milieu en compagnie de personnes qu’on admire, comme Borges.» 
Pierre Modiano, quando em 2010 recebeu o Prémio Mundial da Fondation Simone et Cino del Duca, que integra o Institut de France.

Ao contrário do que já tem acontecido com outros Nobel, Patrick Modiano tem alguns livros traduzidos em Portugal, de que só li, há muitos anos, os dois primeiros. Está na hora de ler (alguns d)os outros e talvez reler estes dois.
Penso que este prémio que lhe vai trazer novos leitores de mais de um livro.

Lisboa: Relógio de Água, 1987

«Tinha começado por trabalhar em boîtes russas, depois no Langer, um restaurante dos Campos Elíseos, depois no Hotel Castille, na rue Cambon [...].« (p. 15)

Hotel Castille

«Tirou do bolso uma caixinha redonda de metal, que me estendeu.
«-Quer uma pastilha Valda?» (p.170)


E onde fica a Rua das Lojas Escuras? Em Roma e chama-se Via delle Botteghe Oscure.

Lisboa: Dom Quixote, 1988
Lisboa: Dom Quixote, 1994
Porto: Asa, 1998
Porto: Asa, 2009
Porto: Asa, 2011