Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta campos de concentração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta campos de concentração. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Marcadores de livros - 3728


«Não falta, no século XX, literatura dedicada a atrocidades, mas é raro encontrar-se um relato escrito do ponto de vista de um cúmplice do crime. Regra geral, os autores envergonham-se desse papel. Mas, ao falarmos dos campos de concentração, o termo 'cúmplice' esvazia-se de sentido. A máquina é impessoal; a responsabilidade vai transitando de quem cumpre as ordens para quem lhas deu, sempre, até chegar ao topo.» (Czeslaw Milosz - A mente aprisionada. 2.ª ed. Amadora: Cavalo de Ferro, 2019, p. 159)
Esta é a introdução a um conto de um autor identificado como Beta sobre a chegada de um «transporte» a um campo de concentração. Páginas que devem ser lidas, mas com o estômago preparado.
Não tenho marcador deste livro.

Mais marcadores aqui, aqui, aqui e aqui.

sábado, 10 de dezembro de 2022

Marcadores de livros - 2420

No Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Ninguém fica igual depois de ler Se isto é um homem.


Não li nenhum destes livros com Auschwitz no título, e até duvido da qualidade deles, mas espero que, pelo menos, sirvam para deixar uma sementinha contra os totalitarismos nalgumas cabecinhas.


Porto: Livros do Brasil, 2022.

Marcador deste livro saído há pouco e apresentado como «a versão integral não censurada». A censura, neste caso, ocorreu no livro editado na União Soviética, em 1966, de que eu li a trad., no início dos anos 70. 
A edição agora publicada é a tradução do livro que Anatóli Kuznetsov (1929-1979) publicou em Londres em 1970, após ter fugido da União Soviética.
O autor nasceu em Kiev, filho de pai russo e mãe ucraniana. «Aos catorze anos, começou a registar os acontecimentos que testemunhou sobre o massacre de Bábi Iar, perpetrado pelos nazis durante a II Guerra Mundial.» 
Em 29 e 30 de setembro de 1941, mais de 33 000 judeus ucranianos foram levados para Bábi Iar, uma ravina que ficava então nos arredores de Kiev, e assassinados. Bábi Iar faz hoje parte da capital ucraniana. 
A nova edição deste livro já está na minha lista de futuras leituras.

Trad. Jorge Rosa. Lisboa: Livros do Brasil, [1970].

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Pensamento ( s )



(...) Um exercício que devemos repetir mais vezes é recordar ( voltar a trazer ao coração, literalmente ) os lugares onde experimentamos consolação. Esses lugares, amiúde inesperados, guardam um precioso ensinamento. Se quisesse eu próprio falar de um lugar de consolação recente na minha vida teria de referir o campo de concentração de Westerbork, na Holanda, onde estive em peregrinação o verão passado.Foi nesse epicentro da dor que, ao lado de milhares de outros mártires do século XX, esteve prisioneira Etty Hillesum. Recordo-me de passar um par de horas, deitado sobre a erva, a escutar o vento. Apenas isso. Mas senti uma comunhão profunda com o grito e o perdão que se pode ler quer nos escritos de Etty, quer no destino silencioso de tantas vidas. E, sem que as pudesse deter, as lágrimas lavaram-me o rosto várias vezes. As vezes necessárias para que ficasse limpo.

- José Tolentino de Mendonça, no Expresso do passado Sábado .