Faleceu no dia 17 de Outubro de 1849, aos 39 anos. Nunca faltam flores a Frédéric Chopin no Père Lachaise.Prosimetron
sábado, 17 de outubro de 2009
17 de Outubro de 1849
Faleceu no dia 17 de Outubro de 1849, aos 39 anos. Nunca faltam flores a Frédéric Chopin no Père Lachaise.Contrariando Paul Valéry ...
PARAÍSO : 3 - Carina
Quando a campainha tocou pela terceira vez, Carina percebeu que ia ter uma noite longa. Não era a primeira vez que isto lhe acontecia: uma enfermaria pacata com uma excepção à regra que atormentava as enfermeiras e os outros doentes de meia em meia hora.Demorando o seu tempo, Carina dirigiu-se à enfermaria que lhe estava a cargo. Pensava em Pedro que ainda não lhe ligara. Viria buscá-la hoje?
Carina não morava longe do Amadora-Sintra, mas preferia que Pedro a viesse buscar já que as oportunidades para estarem juntos tinham diminuído com a quantidade de noites que lhe calhavam no hospital. Sina de recém-chegada à profissão. Mas antes noites que turnos nas urgências, embora mais tarde ou mais cedo fosse esse o seu destino temporário.
À porta da enfermaria 3, recebeu uma sms: " Hoje não dá. Depois explico. "
Carina guardou o telemóvel no bolso da imaculada bata e dirigiu-se à cama 6 :
- Sr. António, o que foi agora?
- Sra.Enfermeira, estou com uma grande falta de ar, uma grande falta de ar!
- Então já somos dois, Sr.António.
Seguiu-se a já habitual litania de queixas sobre os médicos, os hospitais, a comida nestes e a vida em geral. Queixas que Carina sabia, pelas auxiliares, que também se estendiam às enfermeiras em geral. Mesmo sem ser dada a grandes reflexões, designadamente relações de causa-efeito, Carina não deixara de associar as intermináveis queixas e reclamações do paciente da cama 6 a outro facto: era ele o único doente que não recebia visitas em toda a enfermaria.
( cont. )
Citação
«A vida é demasiado curta. Proust é demasiado longo.»
Paul Valéry
Paul Valéry
Ciclo de Cinema Neo-realista Italiano
Arroz Amargo, de Giuseppe de Santis, realizado em 1949: 19 de Outubro pelas 21h30
Rua da Achada, nº 11 r/c
Lisboa
tel: 21 8877090
http://www.centromariodionisio.org/
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Sempre a aprender - 5 : O plural de refrão
Toda a vida disse e escrevi refrãos como plural de refrão. Há umas semanas, vi escrito num jornal refrães. Surgiu-me a dúvida sobre quem estava certo, eu ou a jornalista. Fui averiguar em sítio próprio e descobri que ambas as palavras estão correctas, é pois tão lícito usar uma como a outra. Aliás, um dos linguistas que se pronuncia sobre o assunto até acha que o mais correcto é refrães.100 anos de Liceu Camões
Da viagem e do regresso - 1
Começando pelo regresso, há que dizer que um dos primeiros "embates " foi o regresso à gripe A. Depois de uma semana sem ouvir falar em tal coisa, ou melhor em que quem falava éramos nós, todos ou quase todos equipados com gel desinfectante, só desde ontem é que voltei a ouvir falar do assunto: nas conversas nos transportes públicos e nos noticiários. Até uma pequena contusão me foi infligida num dedo da mão esquerda por uma senhora que ao evitar tocar numa porta de vidro me fez levar com esta.Foi bom também ver caras novas no Parlamento, mais precisamente 105 novos deputados. Muitos da vida político-partidária, mas também outros provenientes de outras lides: Inês de Medeiros e Miguel Vale de Almeida por exemplo. Espero que sejam uma lufada de ar fresco.
E ainda não há governo. Ouço alguns amigos normalmente bem informados, mas as versões são díspares quanto a quem fica e a quem entra.
PARAÍSO : 2 - Quim ou a dura vida fácil

O Quim da D.Ermelinda, como era conhecido em Santa Filomena, tinha sido o primeiro a fumar ganzas na escola, e pouco depois já vendia aos outros. Foi assim que conheceu o Amílcar e o Dread, pouco mais velhos, mas já então dealers profissionais e que apresentaram ao Quim o "negócio" como eles diziam. Achavam que ele tinha jeito para a coisa.
Já imerso no "negócio", Quim deitava-se agora de madrugada, quando a sua mãe estava a sair para a primeira parte do dia: limpezas num escritório das seis às oito. Era esta a rotina diária da D.Ermelinda, figura estimada na Torre C de Santa Filomena. Primeiro, as limpezas da madrugada, regressando a casa às dez para as suas lides caseiras. Depois do almoço, mais limpezas: uns dias em casa de um casal de professores e noutros em casa do sr.coronel, simpático viúvo que morava perto do bairro.
Mas não se pense que a vida nocturna de Quim era de indolência: quando não havia recolhas de "mercadoria" em pinhais, praias ou moinhos abandonados, havia venda no Kremlin ou no Lux.
Chegava a casa de madrugada tão esgotado como a D.Ermelinda ao fim do dia. Só a remuneração é que era diferente.
Apesar de ter dinheiro na carteira e uma BM à porta, e apreciar o respeito que lhe era demonstrado no bairro, respeito normalmente reservado a quem vive do outro lado da lei, havia algo que Quim invejava ao seu maior amigo Pedro. Invejava-lhe a doce Carina, uma namorada a sério, que nada tinha que ver com as agarradas que se ofereciam a Quim por uma dose, ou com as russas, ucranianas, moldavas e brasileiras com quem se cruzava diariamente na noite e a quem só o dinheiro fazia sorrir.
Despertou do seu sonhar acordado com o aviso de sms do telemóvel. Era Pedro : " Tenho de falar contigo. Benguela. "
( cont. )
Imagens de Lisboa - 4
Quotidianos - 21
À Virgem Santissima - Antero de Quental!
Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...
Um místico sofrer...uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
Antero de Quental in Mário Soares os poemas da minha vida, Lisboa: Publico, 2005, p.47
De nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...
Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...
Um místico sofrer...uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...
Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
Antero de Quental in Mário Soares os poemas da minha vida, Lisboa: Publico, 2005, p.47
Quotidianos - 20
Sophia de Mello Breyner Andresen
Nós falamos dos deuses mas vós sois
Exactos e perfeitos como deuses.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética Dia do Mar, Lisboa: Edição Maria Andresen de Sousa Tavares, 2005 (5ª Edição), p. 87
Exactos e perfeitos como deuses.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética Dia do Mar, Lisboa: Edição Maria Andresen de Sousa Tavares, 2005 (5ª Edição), p. 87
Juntamos a esta voz a nossa voz!

ver fotos aqui. Vamos lutar!
Exmo. Senhor Ministro da Cultura
Dr. José Pinto Ribeiro
C.c Director-Regional de LVT
C.c. Presidente do IGESPAR
C.c. Presidente da CML
C.c. Presidente da AML
C.c. Presidente da Junta de Freguesia da Sé
Vimos por este meio apresentar a V.Exa. o nosso protesto veemente por uma situação que consideramos grave e escandalosa, seriamente lesiva de um Monumento Nacional, e que pré-figura mais uma acção de vandalismo de Estado, uma vez que, ao que apurámos, é da exclusiva e inteira responsabilidade da Direcção-Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo e, portanto, desse Ministério.
Trata-se de uma intervenção de "restauro" que está a ser feita na pedra antiga junto ao portão Norte da Sé de Lisboa, sendo que anexamos fotos e breve descritivo em
http://cidadanialx.blogspot.com/2009/10/obras-de-restauro-na-se-de-lisboa.html#comments .
Antes deste protesto, consultámos o IGESPAR que nos garantiu desconhecer a situação, e a própria DRC-LVT que nos pediu que denunciássemos o caso para o seu próprio endereço de email, o que já fizemos, naturalmente.
A menos que se trate de uma intervenção justificável e reversível a breve trecho, consideramos que este episódio é sintomático sobre o estado de coisas relativamente ao património arquitectónico do país, e do entendimento que dele fazem os poderes públicos.
Já não bastava o efeito da poluição e o vandalismo anónimo que continuamente atentam contra o nosso património, para que sejam agora os próprios responsáveis pela conservação dos Monumentos Nacionais a adulterá-los.
Finalmente, e em jeito de rodapé, não podemos deixar de dar conta da nossa preocupação em relação a um projecto de intervenção profunda na mesma Sé, projecto esse a ser elaborado neste momento pelos serviços da mesma DRC-LVT, o qual, à semelhança do Terreiro do Paço, se prepara para ser anunciado à população como um facto consumado. É preciso que este projecto seja divulgado quanto antes!
Melhores cumprimentos
Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Luís Marques da Silva, Nuno Caiado, António Branco Almeida, Pedro Gomes e António Sérgio Rosa de Carvalho
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
PARAÍSO : 1 - Onde conhecemos Pedro

Pedro não parava de chorar. Os fumos do acetileno ainda se faziam sentir. Oito horas a soldar peças de automóvel tinham este efeito, apesar da máscara.
Com um pai e um avô soldadores, foi este também o destino de Pedro quando bateu o recorde de faltas na sua secundária. Que podia ele fazer se nesse último ano em que foi às aulas o Colombo abriu portas? O Funcenter, o McDonald's e as inesgotáveis montras triunfaram sobre as aborrecidas aulas.
Descobertas as faltas, seguiu-se a maior tareia da vida de Pedro, com os gritos deste ouvidos em todos os oito pisos da Torre B da Quinta de Santa Filomena, bairro que conservava o nome da antiga quinta senhorial que durante séculos existira às portas de Lisboa.
Depois, veio o encaminhamento para a fábrica onde o seu pai trabalhava desde o início da idade adulta.
Deitado no sofá da sala, com uma rodela de batata crúa em cada olho, Pedro esperava que a habitual névoa se dissipasse e voltasse a ver claramente. E, como vinha fazendo há vários dias, convencia-se de que a sua vida tinha de mudar. Não queria ser soldador o resto da vida, martirizando os olhos oito horas por dia por uns magros 700 euros no fim do mês.
Não era assim que compraria um carro, muito menos uma casa. Decidiu-se : iria falar com o Quim, o Quim era a solução.
( cont. )
Imagens de Lisboa - 3
Flower Duet, Lakmé
Auto-retrato(s) - 27
O Velho Abutre
O Velho abutre é sábio e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Mário Soares os poemas da minha vida, Lisboa: Público, 2005, p. 135
Agradecendo a ideia de A.S. achei por bem lembrar que este poema foi feito a pensar em António de Oliveira Salazar.
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Mário Soares os poemas da minha vida, Lisboa: Público, 2005, p. 135
Agradecendo a ideia de A.S. achei por bem lembrar que este poema foi feito a pensar em António de Oliveira Salazar.
Citação
«Solidão a dois é o inferno consentido.»
Michel Houellebecq
In: A possibilidade de uma ilha / trad. Isabel St. Aubyn. Lisboa: Dom Quixote, p. 61
Michel Houellebecq
In: A possibilidade de uma ilha / trad. Isabel St. Aubyn. Lisboa: Dom Quixote, p. 61
Bolero - Ravel
Não sei se já foi publicada esta versão do Bolero aqui no Prosimetron: concerto em Waldbuhne 1998. Latin American Night. A música é o estado de espírito do momento, se houver repetições sorry...
Resolvi partilhá-la para que a madrugada acorde cristalina como as estrelas acordam no céu de Van Gogh.
x
Maurice Ravel

Ravel - Bolero - Daniel Barenboim - Berliner Phil. Pt. 1
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Notte - Luciano Pavarotti

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Chiudo i miei occhi e sogni tornano,
son stelle nel crepuscolo.
Come fiamme si accendono dentro di me.
Ho speranze e desideri,
ma le mie parole non bastano più.
Notte piena di misteri,
prova a raccontarli tu.
Notte, la mia complice tu sei.
Prendi i miei respiri,
fanne melodia per lei che ascolterà.
Notte, scendi piano su di lei,
e bacia i suoi sospiri,
fa' che uno sia per me, mi basterà.
E non nascondere più l'anima
nella mia solitudine.
Lascia che sia una nuvola che se ne va.
Le speranze e i sentimenti
sono le mie ali e con te volerò,
notte amica degli amanti,
dentro te mi perderò.
Notte, la mia complice tu sei.
Prendi i miei respiri,
fanne melodia per lei che ascolterà.
Notte, scendi piano su di lei,
coprila di cielo,
così freddo non avrà e sognerà.
Lascia che il mio sogno sia.
Notte, stanote sei mia.
Notte.
Notte, scendi piano su di lei,
bacia i suoi sospiri,
fa' che uno sia per me, mi basterà.
Notte.
Auto-retrato(s) - 26
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Caravaggio: três versões de um quadro
Para a Ana com fraternidade!
Por causa de um post que me foi dedicado pela Ana, o qual agradeço, e de um comentário chamando a atenção se seria um rapaz ou rapariga a tocar o alaúde, fui procurar o Bilhete-Postal que tinha recebido do quadro do Hermitage... era o mesmo. Encontrei três versões e aqui ficam identificadas. Espero não me ter enganado.

100 cm × 126,5 cm (c. 1596)
Wildenstein Collection

96 cm × 121 cm (c. 1596)
Gloucestershire: Ex-Badminton House

94 cm × 119 cm (C. 1600)
Saint Petersburg: Hermitage Museum.
Entre os últimos a diferença mais fácil de observar é a da janela reflectida na jarra. O primeiro não tem jarra (... nem flores)!
Por causa de um post que me foi dedicado pela Ana, o qual agradeço, e de um comentário chamando a atenção se seria um rapaz ou rapariga a tocar o alaúde, fui procurar o Bilhete-Postal que tinha recebido do quadro do Hermitage... era o mesmo. Encontrei três versões e aqui ficam identificadas. Espero não me ter enganado.
As três versões do tocador de alaúde

100 cm × 126,5 cm (c. 1596)
Wildenstein Collection

96 cm × 121 cm (c. 1596)
Gloucestershire: Ex-Badminton House

94 cm × 119 cm (C. 1600)
Saint Petersburg: Hermitage Museum.
Entre os últimos a diferença mais fácil de observar é a da janela reflectida na jarra. O primeiro não tem jarra (... nem flores)!
Prémio Nobel de Literatura: Herta Müller
Pedi a uma grande amiga que fizesse um pequeno texto sobre Herta Müller para se recordar nestas páginas o Prémio Nobel de Literatura 2009
No dia em que abre a Feira de Livro em Frankfurt, pese embora a polémica à volta do convidado de honra, a China, é oportuno lembrar Herta Müller, prémio Nobel de Literatura de 2009.
O seu último livro, Atemschaukel, segue a temática de romances anteriores. Assim, partindo de uma experiência pessoal de deportação de um jovem, oriundo da minoria alemã de Hermannstadt, na Roménia, para os campos de trabalho forçado na Rússia, entre 1945 e 1950, o leitor confronta-se com a «possibilidade de interpretar o mundo de uma outra forma».
A vivência introspectiva do jovem Leo, protagonista num mundo de ficção que já antes o era na pessoa do poeta romeno Oskar Pastior (1927-2006), encontra nas frases lapidares uma transposição do real com recurso a uma imagética verbal inusitada.
Acrescente-se (em tradução livre do alemão) uma pequena citação final para reflectir: «Como se pode caminhar no mundo quando já não se sabe dizer mais, sobre si próprio, senão ter fome.»
HMJ
PS. Obrigado HMJ
No dia em que abre a Feira de Livro em Frankfurt, pese embora a polémica à volta do convidado de honra, a China, é oportuno lembrar Herta Müller, prémio Nobel de Literatura de 2009.

O seu último livro, Atemschaukel, segue a temática de romances anteriores. Assim, partindo de uma experiência pessoal de deportação de um jovem, oriundo da minoria alemã de Hermannstadt, na Roménia, para os campos de trabalho forçado na Rússia, entre 1945 e 1950, o leitor confronta-se com a «possibilidade de interpretar o mundo de uma outra forma».

A vivência introspectiva do jovem Leo, protagonista num mundo de ficção que já antes o era na pessoa do poeta romeno Oskar Pastior (1927-2006), encontra nas frases lapidares uma transposição do real com recurso a uma imagética verbal inusitada.
Acrescente-se (em tradução livre do alemão) uma pequena citação final para reflectir: «Como se pode caminhar no mundo quando já não se sabe dizer mais, sobre si próprio, senão ter fome.»
HMJ
PS. Obrigado HMJ
Auto-retrato(s) - 25

Goya, 1815
41 x 46 cm
Madrid, Museo de la Real Academia de San Fernando
A Academia de San Fernando tem mais de uma dezena de obras de Francisco de Goya, que por não estarem num Museu de grande público se encontram muitas vezes esquecidas
Fraternidade
"Uma amizade verdadeira entre pessoas que poderiam permanecer sempre distanciadas"
Jocob Anderson, 1723
Jocob Anderson, 1723
O tocador de Alaúde!
Caravaggio, O Tocador de Alaúde, c. 1596
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Para retribuir e agradecer a Jad o auto-retrato, aqui fica este tocador de alaúde com flores que gosto muito.
A.S.: Escolhas Pessoais - I
Respondendo ao desafio que alguns dos Prosimetronistas lhe fizeram Alberto Soares começa a enviar as suas "Escolhas Pessoais". Aqui fica a primeira:
Eugénio de Andrade
Numa linha que vem dos Cancioneiros, passa por Camões e Garrett, e chega até Camilo Pessanha, a poesia de Eugénio de Andrade ( ps. de José Fontinhas,1923-2005 ) continua esta tradição de palavras musicais que nunca perdem de vista nem o corpo, nem a Natureza. Mas também não esquecem a liberdade do Homem e a intervenção social.
Tive o grato privilégio de o conhecer, pessoalmente, na sua generosidade (… ”não sei usar o coração com usura” …) e desassombro, na sua gentileza e sabedoria (… “A poesia não se faz com emoções, mas com a memória.”…). E também conheci o seu orgulho e solidão feridos, às vezes, por um país pequeno e mal agradecido.
Por isso, achei que era por ele que devia começar nesta ESCOLHA muito PESSOAL que irei partilhar no PROSIMETRON, através da disponível generosidade e mediação de JAD.
Dos dois poemas de Eugénio de Andrade, por mim escolhidos, um – EXÍLIO - que é autógrafo foi incluído no livro Ostinato Rigore; o outro é o 14º de As Mãos e os Frutos.
Tentarei optar, sempre que possível, por poemas curtos, por uma questão de espaço e, também, para evitar “assassinatos por entusiasmo” …
Bom proveito!

“Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
Nem eu sei
Se sou água, rapariga
Ou algum pomar que atravessei.”

Eugénio de Andrade
Numa linha que vem dos Cancioneiros, passa por Camões e Garrett, e chega até Camilo Pessanha, a poesia de Eugénio de Andrade ( ps. de José Fontinhas,1923-2005 ) continua esta tradição de palavras musicais que nunca perdem de vista nem o corpo, nem a Natureza. Mas também não esquecem a liberdade do Homem e a intervenção social.
Tive o grato privilégio de o conhecer, pessoalmente, na sua generosidade (… ”não sei usar o coração com usura” …) e desassombro, na sua gentileza e sabedoria (… “A poesia não se faz com emoções, mas com a memória.”…). E também conheci o seu orgulho e solidão feridos, às vezes, por um país pequeno e mal agradecido.
Por isso, achei que era por ele que devia começar nesta ESCOLHA muito PESSOAL que irei partilhar no PROSIMETRON, através da disponível generosidade e mediação de JAD.
Dos dois poemas de Eugénio de Andrade, por mim escolhidos, um – EXÍLIO - que é autógrafo foi incluído no livro Ostinato Rigore; o outro é o 14º de As Mãos e os Frutos.
Tentarei optar, sempre que possível, por poemas curtos, por uma questão de espaço e, também, para evitar “assassinatos por entusiasmo” …
Bom proveito!

“Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
Nem eu sei
Se sou água, rapariga
Ou algum pomar que atravessei.”

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