Prosimetron

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Portugal dos Pequeninos em livro

É hoje lançado, pelas 18h30, na Bertrand do Chiado, o livro Portugal dos Pequeninos, que colige alguns dos escritos de João Gonçalves no blogue homónimo que consta, aliás, das nossas afinidades electivas.
Concorde-se ou não com o seu autor, e muitas vezes não estou de acordo, a verdade é que se trata de um blogue com imensa popularidade, especialmente seguido por quem se interessa pelos rumos políticos do nosso país. É uma voz incómoda, mas estas também fazem falta, muita falta.
O livro tem prefácio de Medeiros Ferreira, e será apresentado por Pacheco Pereira.

Santo António x 800

Foi inaugurada ontem, n' Arte da Terra ( R. Augusto Rosa, 40, ao lado da Sé ) a exposição Santo António - De Lisboa a Pádua... um percurso de Sabedoria, Cultura e Arte, onde estão reunidas 800 peças criadas por cerca de 90 escultores, artesãos e designers de todo o país. Afinal, Junho é também o mês de Santo António.

Uma simples oração ou uma oração simples

Ma vie n' est qu' un instant, une heure passagère
Ma vie n' est qu' un seul jour
Qui m' échappe et qui fuit.
Tu le sais, ô mon Dieu, por t' aimer sur la Terre
Je n' ai rien qu' aujourd' hui !

- Thérèse de Lisieux

Nunca liguei muito a Santa Teresa de Lisieux, talvez por achá-la um pouco simplória. No entanto, tocou-me esta sua oração que descobri hoje de manhã por mero caso e num lugar inesperado.
Parece-me que às vezes aquilo que tomamos por simplicidade, tem outro nome mais verdadeiro : inocência.

O Infante

E viu-se a terra inteira, de repente...

Pop Up : Lisboa 2009


Inauguração dia 5 (Sexta-feira), 21.30; Antigas Cavalariças do Palácio da Trindade (Rua da Trindade, n.º 18)

No seguimento de um post e de um comentário...


Lisboa: Contraponto, 1953
(A editora de Luís Pacheco)

Em louvor e simplificação de Álvaro de Campos

Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Há uma hora desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa a sair para o meio da rua

Saímos? mas sim, saímos!

Saímos: seres usuais, gente-gente, olhos, narinas, bocas,
gente feliz gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas, [varinas, caixeiros
desempregados
Uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos [mictórios para apanhar
eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, realmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua.

[…]

Não transcrevo mais porque o poema é muito grande. Mas aproveitei para o reler. O que faço frequentemente.
E Mário Cesariny teria escrito este poema sem a «Ode Marítima»?, de que aqui fica também o início:


Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.

[…]

Um pensamento para começar o dia!

"Quem tem a alma de viajante vive com a eterna inquietação de partir"

Sofia Barrocas, Notícias Magazine.

60 anos de uma nação: 1966

A imprensa cor-de-rosa delicia-se com um dos casamentos do ano: o playboy e herdeiro millionário alemão Gunter Sachs e o ídolo Brigitte Bardot casam em Las Vegas a 14 de Julho. A cerimónia dura apenas oito minutos, os noivos aparecem em guarda-roupa informal. Sachs inicia as segundas núpcias, Bardot tenta a felicidade conjugal pela terceira vez. A relação duraria apenas três anos.

O padre protestante Wilhelm Reinmuth considera o novo método contraceptivo, a pílula, uma dádiva de Deus. Tais palavras são dificilmente aceitáveis na hierarquia protestante alemã, pelo que Reinmuth é suspenso do serviço sacerdotal. O incidente reflecte a mudança na sociedade alemã: barreiras e padrões morais da era Adenauer são cada vez mais questionados. Inicia-se um debate público sobre a libertação de velhos (pré-) conceitos, a revolução sexual caminha imparavelmente para o seu clímax na segunda metade desta década.

A Áustria vence a 11ª edição do Festival Eurovisão da Canção no Luxemburgo. Merci Chérie, título vencedor composto e interpretado por Udo Jürgens, conquista também a Alemanha. Jürgens inicia uma carreira notável na Alemanha que viria a durar até aos dias de hoje.

Os Beatles em digressão pela Alemanha: a loucura é indescritível, os desmaios das fãs inquantificáveis. Os Fab Four actuam em Munique, Essen e, por fim, em Hamburgo onde, cinco anos antes, iniciaram a sua carreira no célebre Star-Club e para onde voltam como vedetas absolutas.

A Alemanha Ocidental assiste, pela primeira vez desde 1949, a um abrandamento da economia: o PIB cresce “apenas” 2,8 % em 1966, o desemprego regista um aumento de 2,2%. Redução do investimento público e privado, bem como uma saturação no mercado de consumo originam estas taxas que, à luz dos valores de anos anteriores, significam a primeira recessão do pós-guerra. Instala-se também uma crise política. Ludwig Erhard, chanceler e pai do “milagre económico” (Wirtschaftswunder), demite-se do cargo e é substituído por Kurt Georg Kiesinger do partido conservador CDU. Cabe a Kiesinger dirigir a chamada “grande coligação” (Grosse Koalition), ou seja a coligação entre os dois grandes partidos populares, os Conservadores (CDU) e os Sociais-Democratas (SPD). A oposição compete ao partido neo-liberal (FDP) de pouca expressão no parlamento alemão (Bundestag). Cresce o cepticismo público quanto ao bom funcionamento da democracia parlamentar. Rudi Dutschke, líder estudantil, cria uma oposição extra-parlamentar que viria a ter uma intervenção significativa nas revoltas nos dois anos seguintes. A contestação atinge também Kiesinger que foi membro do partido (único) durante o regime de Hitler, a NSDAP.

Imagens: Brigitte Bardot e Gunter Sachs; cena do filme "Das Wunder der Liebe" (O milagre do amor), um clássico dos anos 60 da autoria de Oswalt Kolle que, numa abordagem soft, elucida os alemães sobre a sua sexualidade; Udo Jürgens; os Beatles em Munique; Kurt Georg Kiesinger (Francis Miller, LIFE)

Bruxelas - 5


Anticyclone des Açores, especializada em livros de viagens.

Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919)


Maqueta da Sala das Sessões da Assembleia da República

Magnífica exposição sobre a obra de Ventura Terra, que projectou edifícios como os Liceus Camões, Pedro Nunes e Maria Amália Vaz de Carvalho, a Maternidade Alfredo da Costa, o Hospital de Gaia, o Teatro Politeama, o Teatro-Clube de Esposende, bem como a recuperação do Palácio de S. Bento. Foi galardoado com uma Menção Honrosa e quatro Prémios Valmor, sempre com projectos de prédios de habitação.

Palácio de São Bento até 31 de Julho de 2009
http://www.parlamento.pt/eventos/Paginas/2009_ArquitectoMiguelVenturaTerra.aspx

Uma lenda...!

Cristóvão de Morais, “O Rei D. Sebastião”, 1571,
Museu Nacional de Arte Antiga
x
"Quinta-feira, 13 de Setembro
Alcântara, Maranhão
Existe uma lenda sebastianista por estas terras. A 4 de Agosto de cada ano aparece um galeão todo iluminado nos Lençóis do Maranhão, um imenso deserto entremeado de lagoas de água doce; dele desce el-rei D. Sebastião que logo desaparece debaixo do areal onde reina numa cidade prodigiosa, rodeado de uma corte brilhante. Depois, na noite de S. João, disfarçado de touro negro, o rei deixa a sua corte subterrânea e corre pelas praias ao luar. Se alguém conseguir atingir a sua cabeça e dela fazer jorrar sangue, quebrar-se-á o encantamento e ficará vivo e presente el-rei D. Sebastião".

António Abreu Freire, Diário de Bordo na rota de Vieira, Pelos 400 anos do nascimento do padre António Vieira (1608-1697), Lisboa: Portugália, 2008, p. 210.

Rosas Bravas, António Mota.


Rosas Bravas

São pedras, tantas pedras
amontoadas.
De heras e muito musgo
Forradas.
E as telhas
escaqueiradas
cobrem aquelas pedras
alinhadas.
Tem duas janelas
esburacadas
e duas portas
empenadas.
E à beira dessas pedras
amontoadas
de heras e muito musgo
forradas
crescem duas rosas bravas.
x
in Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p. 15.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Frases para uma vida!

Às vezes passa o comboio do acaso e deve encontrar-nos de malas aviadas no cais...

Salomó Dori, A vida sexual de Fernando Pessoa, Lisboa, Palimpsesto, 2009, p. 8.

As mãos que trago - Alain Oulman


Inaugura 5.ª feira, 4 de Junho, 21h30
Museu do Fado
Largo do Chafariz de Dentro, 1
Lisboa

Uma sugestão musical - 12

E a mezzo-soprano Joyce DiDonato volta ao Prosimetron, e outra vez sob o signo de Handel. Foi recentemente lançada a integral da ópera Alcina, em que obviamente a cantora de Kansas City tem o papel principal, secundada por Maite Beaumont e Karina Gauvin. A direcção é de Alan Curtis, à frente do Complesso Barocco.

- Alcina, 3 cd Archiv, 2009, 29,66 €.

Darwin no Instituto de Ciências Sociais


Neste ano darwiniano, também o Instituto de Ciências Sociais de Lisboa dedica a sua conferência anual à Evolução, relacionando esta teoria com as Ciências Sociais.
Quem quiser saber mais, pode consultar o sítio http://www.ics.ul.pt

Citações - 26 : Sobre Oliveira Costa e não só


" (...) A lama que Oliveira Costa distribuiu na Assembleia da República vem directamente do pântano em que se transformaram muitos dos negócios das últimas duas décadas. Foi aí que nasceu o BPN, mas não está sozinho. É um pântano feito de interesses suspeitos, habilidades, jogos de interesses e promiscuidade entre a política e os negócios.
É um pântano onde alguns enriquecem subitamente, sem explicação conhecida. Onde muitos se sentem impunes, à sombra do Estado. Onde não há fronteiras partidárias, porque o dinheiro e a ganância não têm cartão de partido.
Durante sete horas, Oliveira Costa mostrou uma pequena parte desse triste mundo em plena Assembleia da República. Foi o sítio certo, para vergonha do Parlamento. Muitos desses interesses têm passado por lá. "
- Luís Marques, O banqueiro anarquista, no suplemento de Economia do Expresso do passado sábado.

60 anos de uma nação: 1965

A 19 de Agosto, é proferida a sentença no chamado processo “Auschwitz”: ao fim de 154 dias de audiências e com base em 360 testemunhas, 17 dos 20 arguidos são condenados a prisão, 6 dos quais a prisão perpétua. As provas são inequívocas. Ou por iniciativa própria, ou por participação nos massacres nas câmaras de gás de Auschwitz, os 17 guardas do campo de concentração mataram e torturaram inquestionavelmente. 20 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, inicia-se então uma discussão pública na tentativa de averiguar e compreender a dimensão do extermínio ocorrido durante o regime de Hitler. As gerações mais novas confrontam pais e avós. Poucos meses antes, foi alterada a legislação de modo a prorrogar os prazos de prescrição de crimes cometidos entre 1933 – 1945.

A princesa herdeira dos Países Baixos, Beatrix, e Claus von Amberg oficializam o seu noivado a 28 de Junho. Não obstante as atenções da imprensa cor-de-rosa, a relação gera algum desconforto junto de muitos holandeses: von Amberg, diplomata, é alemão, e as agressões do grande vizinho durante a Segunda Guerra Mundial estão longe do esquecimento, passados apenas 20 anos. O casamento no ano seguinte em Amesterdão viria a ser acompanhado de violentas manifestações.

A música Beat, sinónimo de rebeldia, tornou-se popular desde o início da década. No entanto, quer os Beatles quer os Rolling Stones marcam raramente presença em estações de televisão públicas que consideram o novo género musical pouco compatível com os padrões conservadores de um serviço público. Os fãs têm por isso recorrido ou à Radio Luxembourg privada ou a emissoras piratas. Mas os tempos mudam. A partir de Outubro, a Rádio Bremen transmite como primeira estação de televisão pública o lendário Beat Club que, durante sete anos, viria a convidar conjuntos alemães e estrangeiros a actuar perante público em estúdio.
Imagens: o processo Auschwitz; Beatrix e Claus von Amberg; Beat Club


Bruxelas - 4






Num jardim em Bruxelas.

Um livro, ao acaso.

Passei pela FNAC. "Caíu-me" nas mãos um livro que desconhecia por completo. O autor Salomó Dori - um pseudónimo colectivo para cinco autores, o oposto dos heterónimos de Pessoa - escreveu cinco narrações eróticas acerca de Fernando Pessoa (ou dos seus vários eus). O livro chama-se: A vida sexual de Fernando Pessoa.
Escrito como uma compilação de textos autobiográficos - que teoricamente aqui se dão a conhecer (pois que "até agora surpreendentemente inéditos em Portugal") - é um livro onde Freud encontraria a justificação para o pouco do que se conhece da vida sexual de Pessoa.
Alguns passos são mais do que eróticos...

A partir da frase a visão inopinada da imprudência de minha mãe fez-me provar de um trago a náusea do prazer sexual, na pena de um dos heterónimos, surge-nos o texto de Alexander Search: "Athens (Visão sacrílega duma pachacha plural)" (pp. 93-112)
Transcrevo apenas três parágrafos, o primeiro, um no meio e o último :
Lisboa, 26 de Outubro de 1907: Até àquela passagem de ano não soube que Maria Madalena Pinheiro Nogueira era, além de minha mãe, uma mulher. E soube-o numa noite da Ano Novo, como digo, entre as quatro e as quatro e quatro minutos da madrugada, muito perto da ilha de São Fernando, em pleno Atlântico tropical.
[...]
Afastou-se do criado e nesse momento dei-me conta do seu membro gigantesco. Talvez na realidade não fosse tão gigantesco como me pareceu então mas, visto com os olhos dos dez anos, e sobretudo naquelas circunstâncias, há que compreender que de facto resultasse para mim uma coisa verdadeiramente desmesurada. O criado tinha o pavio tão aceso que lhe chegava ao umbigo. A ponta vermelha palpitava com os golpes de sangue da excitação e eu assistia boquiaberto a toda aquela manifestação de fenómenos físicos que, há que reconhecê-lo, me impressionaram profundamente. E aquilo ainda não era nada, pelo que havia de vir.
[...]
Seguia pela rua e pensei em minha mãe, pensei nela, em Maria e em Madalena, em Mariamadalena, e no mistério que fazia com que uma vezes fosse Maria, e outras Madalena.

Um livro devorado em algumas horas, ao fim da noite, no "escritório"...

Magritte - 1


Sala da casa da rue Esseghem (Bruxelas) com o fogão de sala
que Magritte utilizou em algumas das suas pinturas, como em


La durée poignardée
Óleo sobre tela, 1938
Chicago, The Art Institute

Magritte - 2


A escada da casa da rue Esseghem (Bruxelas) foi utilizada em


La lecture défendue ou L'usage de la parole
Óleo sobre tela, 1936
Bruxelas, Musées Royaux des Beaux-Arts

40 Anos Após a Revolta Estudantil!

Coimbra: Portagem, figuras de Estudantes a relembrar os 40 anos da Revolta Estudantil. No balão está escrita a seguinte mensagem:
"Não aos exames de gravata", 2009




Portagem, ajuntamento de estudantes com balões a protestar por não estarem representados no governo da Universidade, 1969

Em frente ao Gil Vicente, protesto estudantil, 1969


Por toda a cidade, desde a Universidade à Baixa encontram-se figuras de estudantes com palavras de ordem contra o governo de Marcello Caetano!

Concerto de Primavera

Quarteto Viana da Mota toca
Viana da Mota (1868-1948)
Schostakovich (1906-1975)
Biblioteca Nacional de Portugal
4 de Junho 19h00 Entrada livre

Nova Iorque, a cidade considerada mais cordial num Ranking de 35 cidades!

Postal do Central Park, Nova Iorque, em 1961
“Boa Educação na mó de baixo”. Li este artigo no NS, de Sábado passado. Infelizmente Portugal não aparece bem classificado. Onde pára a educação?

« Todas as atitudes amáveis que ocasionam uma perda de tempo ou alguma forma de compromisso estão em risco de extinção”, avisa o sociólogo espanhol Alejandro Gutiérrez, citado num artigo do jornal El Mundo, que inclui a medição da amabilidade de 35 cidades, Nova Iorque é considerada a mais cordial, Bombaim, na Índia, a mais antipática e Lisboa está a meio da tabela, no 17 º lugar. Vizinhos que se cumprimentam, segurar a porta a alguém que se cruza connosco e outros gestos de atenção parecem estar cada vez mais esquecidos no relacionamento interpessoal com aqueles que não são nossos íntimos. Uma grávida ou um idoso também têm cada vez menos probabilidades de alguém lhes ceder o lugar num autocarro» J.A.Souza

Praia, Adolfo Casais Monteiro!

Praia

Voga no mar sem ondas
da quimera inofensiva
um barco de papel leve
leve dum sonho ligeiro.

Há muita gente à espera
que o barco desapareça
para lançar no mar calmo
mais um barco de papel.


Adolfo Casais Monteiro, “Praia” (Confusões, Versos, Lisboa, Edições Inquérito, 1944) in A Alma não é Pequena 100 poemas portugueses para SMS, V. N. Famalicão: CentroAtlantico.PT, 2009, p. 57

segunda-feira, 1 de junho de 2009

José Luís Peixoto!

"mãe, cada palavra que me ensinaste repete mil
vezes o teu nome."
x
José Luís Peixoto, in A alma não é Pequena, 100 poemas portugueses pt p sms, V.N. Famalicão: Centro Atlantico.PT, 2009, p.126.

Os novos Três Tenores

E os concursos de talentos, feitos um pouco por toda a Europa, continuam a revelar novas vozes. Desta vez, são três jovens italianos que interpretam uma muito famosa canção italiana.

Lembrando Dorothy Dandridge

Um enorme talento pouco aproveitado, tanto pelos constrangimentos raciais como pela instabilidade emocional, pode ser um resumo da vida de Dorothy Dandridge, actriz e cantora.Foi a primeira afro-americana a ser nomeada para um Óscar como Melhor Actriz ( em 1955, por Carmen Jones ) ,e também a primeira a ser capa da revista Life, e a actuar como estrela principal em certas salas de Las Vegas ( embora não pudesse usar a piscina e o elevador principal ... ) e de Nova Iorque. A instabilidade emocional derivada dos seus casamentos falhados, e o racismo de Hollywood levaram-na a uma crescente dependência de anti-depressivos e ao suicídio. Morreu em 1962, com 41 anos. Aqui fica a sua interpretação de Chattanooga Choo Choo com a Glenn Miller Orchestra e os Nicolas Brothers.

Digno de Cinderela ...

E aqui fica mais um "sapatinho", já que não têm aparecido aqui no blogue. Dedico esta sandália Flame à nossa M.R. e a todos os retifistas que seguem o Prosimetron. Para quem não sabe, retifista é quem tem um fétiche de cariz sexual por sapatos, e este nome clínico deriva do meu querido Rétif de La Bretonne, vá-se-lá saber porquê...
Para os interessados em pormenores, aqui fica a "ficha técnica": é um modelo da Azzaro Couture, em plexiglas e couro prateado, e o par custa 1990 € .

Uma sugestão

Não sei se alguém já fez esta sugestão que se segue, mas pelo menos na imprensa que vou lendo não a vi. Assim, desde já me penitencio por eventual "plágio". Então, que sugestão é esta? Tenho acompanhado a polémica em torno do Museu de Arte Popular/ Museu da Língua Portuguesa, já com direito a petição e tudo, e há dias lembrei-me de resolver a questão com recurso ao emblemático ( embora semi-abandonado ) Pavilhão de Portugal. Porque não deixar o Museu de Arte Popular ( que precisa de uma "volta" convenhamos ) no lugar onde nasceu e viveu, e sediar o tal Museu da Língua Portuguesa no Pavilhão de Portugal? A localização no Parque das Nações parece-me adequada e seria uma maneira de finalmente dar destino ao Pavilhão. Que vos parece?

Museu Hergé

inaugura amanhã num edifício da autoria de Portzamparc.



em Louvain-La-Neuve
a 30 km de Bruxelas

60 anos de uma nação: 1964

A Confederação da Indústria Alemã cumprimenta o milionésimo imigrante: Armando Sá Rodrigues, 38 anos, carpinteiro português, é recebido na estação ferroviária de Deutz (Colónia) com pompa e circunstância. Representantes de várias associações e de embaixadas, acompanhadas de uma pequena banda, oferecem ao recém-chegado flores e uma mota. Rodrigues, surpreendido com a recepção, viria a trabalhar durante catorze anos em Estugarda, antes de regressar a Portugal onde, vítima de cancro, viria a falecer em 1979.

Dada a falta de mão-de-obra na Alemanha ocidental, a imigração de italianos, espanhóis, gregos e, mais tarde, turcos torna-se indispensável desde o final dos anos 50. As autoridades alemãs promovem o recrutamento nos países do Sul da Europa, onde os futuros trabalhadores são seleccionados sob critérios rigorosos quanto à idade, ao estado de saúde e à aptidão.

A comunidade italiana transforma os centros das cidades alemãs: restaurantes, pizzerias e gelatarias integram-se na oferta culinária com um êxito notável. Os alemães recordam as suas férias, passadas em Itália, nestes novos espaços gastronómicos.

Imagem: Armando Sá Rodrigues; chegada de imigrantes italianos em Frankfurt

Magritte em Casa





Fotos de Roland d'Ursel

Casa-Museu Magritte



Magritte instalou-se no rés-do-chão deste prédio quando regressou de Paris, em 1930, e aqui viveu até 1954, ano em que se mudou para uma casa maior. Esta mudança coincidiu com o facto de ele ter começado a vender as suas obras. Hoje o museu ocupa todo o edifício, sendo que no piso térreo se encontra reconstituído o seu apartamento, tal como era quando habitado pelo casal Magritte. Georgette Magritte, que sobreviveu 20 anos à morte do marido, ofereceu o mobiliário que ainda possuía desta casa, para a abertura do museu. E deu informações sobre a cor das paredes, etc. Hei-de mostrar algumas pinturas de Magritte executadas nesta casa.

Aspecto da sala onde Magritte pintava.

Nos outros andares podem ver-se fotos, desenhos, correspondência, publicidade (actividade a que Magritte se dedicava com um irmão, num atelier instalado num pavilhão no jardim da casa), bem como a máquina de escrever, máquinas fotográficas e de filmar, etc., objectos que pertenceram ou relacionados com Magritte.




Estas duas fotos são de uma sala no último andar do edifício, onde
se podem ver objectos utilizados por Magritte nas suas pinturas.


Aspecto do Pavilhão existente no quintal da casa.

Quando forem a Bruxelas não deixem de visitar este local.
Rue Esseghem, 135
Bruxelas
http://www.magrittemuseum.be/

Há outra Casa Magritte, construída pelo pai pai do pintor em 1911, e que se situa na Rue des Gravelles, 95, em Châtelet. Não conheço.

Lewis Carroll e a Arte!

As Aventuras de Alice no País das Maravilhas

Todos guardamos nas nossas memórias e no nosso imaginário as histórias sobre o mundo maravilhoso das fadas, de duendes, dos elfos ou de personagens estranhas...
Alice Liddell, filha de um amigo foi a inspiradora da história mais famosa de Lewis Carroll:
As Aventuras de Alice no Mundo Subterrâneo” que viria a chamar-se “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, frequentemente reduzido para “Alice no País das Maravilhas”. É a partir desta história que se aborda a utilização da Arte nas ilustrações infantis.


Alice Lidell, não com esta fotografia, já foi postada pelo Luís em Dezembro passado. O post mostrava a pequena Alice até à idade adulta e informa do novo filme de Tim Burton: "Alice no País das Maravilhas". (Quem desejar consultar veja em Dezembro 2008)
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A figura que escolhi para demonstrar esta ideia foi a duquesa que personifica uma criatura incoerente e de mau feitio. John Tenniel ilustrador das histórias de Lewis Carroll escolheu

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Alice trava conhecimento com a Duquesa na cozinha
Quinten Massys, pormenor do retrato: An Old Woman (‘The Ugly Duchess’), c. 1513
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a pintura flamenga de autoria de Quinten Massys, já postada por Filipe Nicolau, para ilustrar a Duquesa.
Carroll gostou da ideia do seu ilustrador. Quando a Duquesa passou para o teatro e para o cinema, na época vitoriana, foi frequentemente interpretada por homens. É interessante ver como um bom ilustrador captou a mensagem do livro e procura nas artes a melhor forma de a retratar. Nasce assim, uma personagem absurda, curiosa e medonha para maravilhar os mais pequenos.

Termino deste modo, a viagem ao mundo de Lewis Carroll, espero não ter sido maçadora.
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Stphen Lovett Stoffel, Lewis Carroll no país das maravilhas, Lisboa: Quimera, 2003, (tradução de Margarida Viegas) p. 76-77.