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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Citações



(...) A ideia de que austeridade é sinónimo de derrota eleitoral é, como se vê, uma ideia ligeiramente exagerada. Pode ser ou não ser. No Reino Unido não foi. Em Espanha também não. Sobretudo depois do que está a acontecer na Grécia, os eleitores estão menos eufóricos com a ideia de mudar por mudar. Por isso, o Podemos inchou nas sondagens com a vitória do Syriza e começou a emagrecer à medida que a sua alma gémea começou a empalidecer. Até por cá António Costa mudou. Começou por se colar à vitória na Grécia e acabou nos últimos dias a acusar de tontos os dirigentes do Syriza. Afinal parece que mesmo em política, " cautelas e caldos de galinha " nunca fizeram mal a ninguém.

- Marques Mendes, na Visão desta semana .

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Citações



(...) O caso BES é também o fim de um dogma . Para aqueles que acham que tudo o que é público é mau e tudo o que é privado é bom eis mais um exemplo a recomendar que a vida não seja olhada apenas a preto e branco. Há bons exemplos no público e no privado. Como há más experiências no setor privado e no setor público. O caminho não é endeusar uns e infernizar os outros. A solução é valorizar o mérito e censurar a má gestão. Independentemente de um morar no público e a outra no privado. Ou vice-versa.

O BES foi, nos últimos anos, um caso de promiscuidade entre a política e os negócios. É um vício muito nosso. Os empresários, em regra, adoram abraçar os governos e estes, por norma, não se cansam de querem influenciar os empresários. O sucesso da sociedade, porém, está nos antípodas deste exemplo. É preciso mudar de vida . À política o que é da política, aos negócios o que é dos negócios. Sem paternalismos doentios e sem cumplicidades obsessivas, Com uma regulação forte e eficaz . Como, felizmente, começa a suceder. (...)

- Luís Marques Mendes, na Visão desta semana .

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Citações



(...) A semelhança - O discurso de François Hollande, na campanha presidencial francesa de há dois anos, continua a informar a retórica socialista doméstica. Tudo é feito em nome do crescimento. Tudo o que cheira a austeridade é banido do mapa. Se a medida é difícil, apaga-se. Só o que é atrativo pode ver a luz do dia. Não há tratado orçamental que conte nem constrangimentos financeiros que relevem. A despesa é para aumentar e a receita é para diminuir. Tudo à grande e à francesa. Lá, em França, a realidade já desmentiu categoricamente a ficção. E por cá : não será tempo de começar a exigir de todos, à direita e à esquerda, um pouco mais de respeito pela verdade e pelo rigor ?

- Luís Marques Mendes, na VISÃO desta semana.

sábado, 23 de novembro de 2013

Citações


(...) Quando o como chegar ao poder passa a ser mais importante do que saber o que se pretende fazer com o poder está tudo dito. Esta inversão de prioridades tem um sabor a suicídio - é assim que os partidos se matam a si próprios e matam a sua credibilidade.

Resolver este problema não passa, porém, por criar novos partidos. Ninguém garante que as promessas de virtudes novas não desemboquem a prazo nos vícios antigos. A solução não está também na sua autorreforma. É uma ilusão pensar que os partidos alguma vez vão tomar a iniciativa de mudar. Ultrapassar este impasse obriga a um choque político. Um choque vindo de fora para dentro. Um choque que só uma mudança do sistema eleitoral pode proporcionar. Um choque que permita aos cidadãos votarem em pessoas e não apenas em partidos. Um choque que leve os partidos a escolherem candidatos pela qualidade e não pelo clientelismo. Um choque que obrigue os deputados a responderem perante o cidadão que o elege e não apenas perante o partido que o escolhe. Fazer isto é fazer uma revolução que desagrada aos partidos. Por isso, nenhum deles propõe a mudança do regime eleitoral. Por isso também, os cidadãos pensam o que pensam dos partidos.

- Luís Marques Mendes, O novo partido, na VISÃO desta semana.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Citações



(...) Um dia vamos ter consensos. Mas só a seguir às eleições. Nessa altura, se chegar ao poder, o PS mudará tudo - o discurso, o estilo e a substância. Nos consensos passará de opositor a patrocinador e nas políticas passará de adversário a protagonista principal. Mudará algo na forma para que, no fundo, tudo continue na mesma. Invocando, sempre, tacticamente, o interesse nacional.
É pena que tenha de ser assim. Mas é o sistema político que temos. Hoje, é o interesse do PS. Amanhã será o do PSD. Só nunca é o interesse do país.

- Luís Marques Mendes, na VISÃO.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Citações



( ... ) E se não houver acordo? Também aqui não há meios termos. Todos saem a perder. Todos, sem excepção. Ninguém se safa. O País será o maior perdedor. Depois de dias de elevadas expectativas, os portugueses apanharão um choque. Mais um choque de depressão e revolta. Os níveis de autoestima voltarão a ser revistos em baixa. Muito à portuguesa, com o tradicional vício da generalização, ninguém escapará à ira dos cidadãos. Os partidos serão novamente arrasados no que já pouco resta da sua debilitada credibilidade. Os políticos em geral, e os do centrão em particular, serão alvos fáceis na primeira linha do pelotão de fuzilamento popular. E o próprio Presidente, ainda que intentando transferir responsabilidades para os partidos, dificilmente deixará de sair da iniciativa mais fragilizado e com menos autoridade.
Não sei se os protagonistas pensaram nisto. Ou se ainda vão a tempo de pensar. Mas convinha não desvalorizar as consequências. O voluntarismo é saudável. O excesso de voluntarismo é altamente perigoso. Mesmo que não mate pode deixar marcas profundas.

- Luís Marques Mendes, na Visão desta semana.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Citações



(...) podem contar-se pelos dedos de uma mão os dirigentes e responsáveis do Estado que tenham sido demitidos, punidos e responsabilizados. Alguns até são premiados e promovidos. Há sempre uma explicação formal, um expediente jurídico ou uma solidariedade política para salvar todos aqueles que integram o chamado Bloco Central de Interesses. Com a cumplicidade ativa dos governos. Este e os anteriores. (...)

- Marques Mendes, in A reforma do Estado, na Visão desta semana.

sábado, 8 de agosto de 2009

Citações - 33 : A propósito de ética na política


" (...) Diz-se agora que na próxima legislatura é que vai ser: Mas com este passado como é que alguém há-de acreditar nesta nova promessa para o futuro?
Deixemo-nos de hipocrisias. A questão de fundo é outra: os partidos teimam em fazer vista grossa à ética, aos princípios e aos valores na política. Falta-lhes coragem para pôr cobro a práticas de impunidade que estão a destruir a credibilidade da vida política. Falam de verdade e transparência, mas pactuam com a mentira e a permissividade. Só os próprios é que não percebem que esta é a melhor forma de se descredibilizarem, perdendo prestígio, autoridade e o respeito dos cidadãos. (...) "
Este é um trecho do notável artigo de Luís Marques Mendes, Basta de hipocrisia, publicado no Sol de ontem. Marques Mendes é das poucas vozes a quem reconheço absoluta legitimidade para assim falar, desde logo pelo seu projecto de lei de 2005 que foi metido na gaveta pelos partidos, desde logo o próprio PSD.
Infelizmente, nem a própria Manuela Ferreira Leite, que apregoava transparência e verdade, escapa a esta hipocrisia com as péssimas escolhas que fez em Lisboa: António Preto e Helena Lopes da Costa, dois que mais do que arguidos são já acusados, ele que vai seguir para julgamento e ela que acabou de pedir a abertura da instrução. Um grande tiro no pé por parte de Manuela Ferreira Leite.