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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Biografias e afins



Qual era o orçamento anual de Napoleão no exílio de Santa Helena ? Qual o tamanho de Longwood House ? O governador da ilha era tão cruel como reza a lenda ? A resposta a estas e a centenas de outras perguntas sobre o exílio do imperador nesta ilha perdida no meio do Oceano Índico pode ser encontrada nesta obra enciclopédica . Uma edição da Tallandier .

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Heróis da Literatura - 3

( A melhor biografia que conheço do verdadeiro D'Artagnan é esta de Jean-Christian Petitfils, notável historiador francês, e da qual foi lançada recentemente uma edição de bolso, ao preço mais simpático de €9, pela Tallandier)
( Castelo de Castelmore, em Lupiac, local de nascimento e infância do verdadeiro D'Artagnan )
( Estátua de D'Artagnan, em Maastricht, Países Baixos. )


J'ai perdu d'Artagnan en qui j'avais la plus grande confiance et m' était bon à tout. D'Artagnan et la gloire ont le même cercueil.



( Este belo epitáfio consta de uma carta escrita em Junho de 1673 por Luís XIV para a sua mulher, Maria Teresa de Áustria, após o cerco de Maastricht. )



É sempre bom começar pelo princípio, o que no caso dos meus heróis literários passa necessariamente por D'Artagnan, o quarto mosqueteiro. Infelizmente, não está em Lisboa a primeira edição dos 3 Mosqueteiros que li, e esqueci-me de a trazer, mas posso garantir-vos que está gasta pelo uso. Lida e relida. A minha paixão dumasiana, e creio que mesmo o meu grande interesse pelo Siècle de Louis XIV, para usar o título da obra de Voltaire, nasceu com a leitura desta obra-prima do prolífico e prodigioso Alexandre Dumas.
Comecemos pelos factos, antes da ficção. Foi no castelo que está acima, o castelo de Castelmore, que nasceu, entre 1611 e 1615, o verdadeiro D'Artagnan: Charles Ogier de Batz-Castelmore, filho de Bertrand de Batz e de Françoise de Montesquiou d' Artagnan, que foi para Paris ser Mosqueteiro do Rei e acabou sendo uma personagem importante no reinado de Luís XIV, já que tinha a confiança deste monarca.
Foi D'Artagnan quem prendeu Fouquet, o famoso "ministro das Finanças" caído em desgraça, tal como foi também a ele que o rei confiou a detenção de Lauzun, o amigo de Luís XIV que olhou muito alto, querendo casar com a Grande Mademoiselle, a riquíssima prima direita do rei.
Mas Charles d'Artagnan não foi apenas um homem da corte, tendo sido também um competente soldado, carreira que o levou a perecer no Cerco de Maastricht de 1673, uma das muitas e ruinosas campanhas militares do Rei-Sol.
Apesar de todos estes feitos, que lhe garantiram um lugar na história francesa, creio que seria mais um nome esquecido no meio de tantos outros que ocupam os rodapés da História.
Não fora um dia de Junho de 1843, e aqui começa a segunda vida de D'Artagnan: foi nesse ano e mês que um escritor chamado Alexandre Dumas descobriu na biblioteca de um amigo umas memórias de um antigo companheiro de armas e amigo de D'Artagnan e pediu o livro emprestado ( que nunca devolveu...) já que tinha ficado fascinado com as façanhas destes quatro mosqueteiros ( Aramis, Athos e Porthos foram baseados em reais amigos de Charles d'Artagnan ).
Como é sabido, seguiu-se uma das mais duráveis e apaixonantes trilogias literárias ( Os Três Mosqueteiros, 20 Anos Depois e o comovente O Visconde de Bragelonne ), que fez, no entanto, vários entorses à História ( D'Artagnan a ser mosqueteiro no reinado de Luís XIII, e inimigo de Mazarin, ou o pretenso romance entre Ana de Áustria e o duque de Buckingham, entre outros).
Trilogia literária esta que no século seguinte se tornou das obras mais adaptadas ao cinema, embora nem sempre com igual padrão de qualidade.
E o interesse cinematográfico não esmoreceu, já que em 2011 estreará mais uma adaptação de Os Três Mosqueteiros, segundo li muito fiel à obra, estando já disponíveis no YouTube fotografias das filmagens, que estão infra.
D'Artagnan, meu primeiro herói literário, foi o catalisador de várias outras paixões minhas: o romance histórico ( e a descoberta de Sir Walter Scott foi outra "febre"), a História de França, Luís XIV e o seu século ( e a descoberta do duque-memorialista, Louis de Saint-Simon, foi um outro coup de foudre ). Paixões que levam quase três décadas de existência, e que tiveram altos e baixos como acontece com todas as paixões, mas permanecem.



domingo, 4 de outubro de 2009

Novidades - 74 : O sonambulismo magnético

Lady Susan Hamilton, filha do 10º Duque de Hamilton, casou em 1832 com Lord Lincoln ( Earl of Lincoln ) , primogénito do 4º Duque de Newcastle. Embora o jovem casal partilhe as mesmas origens milionárias e aristocráticas e tenham tido 5 filhos, não são muito felizes: ela foi criada no seio de uma família algo boémia, enquanto que Henry Pelham-Clinton, futuro 5º Duque de Newcastle, era um homem demasiado sério e avarento.
Quando Lady Lincoln começa a manifestar estranhos comportamentos que se assemelham à loucura e os médicos britânicos se mostram incapazes de a curar, o marido decide confiá-la a dois célebres médicos franceses: os drs. Koreff e Wolowski, que se encarregam de Susan designadamente através do uso daquilo que então se chamava " sonambulismo magnético " e que hoje conhecemos como hipnose.
E são as revelações que ela faz durante a hipnose que levam a que o marido e a família a retirem abruptamente das mãos dos ditos médicos e a levem para Inglaterra.
Este livro, lançado no passado mês de Setembro , publica pela primeira vez o relatório do dr.Koreff, que foi depositado anonimamente 48 anos depois da morte do seu autor na Biblioteca Nacional de França, e fornece as explicações para este mistério médico e não só.
Uma nota final : depois de tomar conhecimento desta obra, consultei fontes genealógicas e verifiquei que o casal se divorciou em 1850, não tendo Susan Hamilton chegado a ser duquesa de Newcastle, mas tendo continuado com uma vida animada tendo sido amante de Horace Walpole e com este fugido de Inglaterra. E aqui temos mais um escândalo aristocrático britânico que dava um belo filme.

- Histoire sommaire de la maladie et du somnabulisme de lady Lincoln, Nicolas Edelman, Luis Montiel e Jean-Pierre Jeter, éditions Tallandier, 285p, 23€.