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quinta-feira, 30 de março de 2017

Onde me apetecia estar - 136

 Um desejo que acalento há anos, passar um dia no Désert de Retz, o jardim sonhado por Monsieur de Monville, François-Nicolas Henri Racine du Jonquoy, músico, compositor, arquitecto e até alquimista ...
 Rico e erudito, este grand maître des eaux et des forêts de Rouen era também grande leitor de Rousseau e sonhava com um lugar único que celebrasse a Natureza . É esta a génese destes 40 hectares ( hoje só 20, o resto foi para o golf ... ) contíguos à floresta de Marly , que o senhor de Monville começa a desenhar a partir de 1774, reinventando a paisagem com espécies vindas de todos os continentes, com templos de Pã, orangeries, falsas ruínas, pirâmides vegetais, pavilhão chinês ( que já não existe ), tenda tártara, etc .




Um sonho que vai durar até 1794, declinando a partir da Revolução, mas não sem ter sido visitado por Maria Antonieta , a Du Barry, Gustavo III da Suécia e tantos outros famosos do tempo, ano em que parte do mobiliário é vendido e 40 espécies raras são retiradas das próprias estufas ... Três anos depois, morre o criador deste espaço onírico e será preciso muito tempo até que se restabeleça a normalidade a cargo das autoridades municipais, actuais proprietários.
As visitas e outras informações podem ser obtidas na mairie de Chambourcy.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Onde me apetecia estar





Está a decorrer, e até 2 de Novembro, mais uma edição do mais interessante festival de jardinagem francês. Este ano, o tema são os Pecados Capitais e bem gostava de ver como as 26 equipas de paisagistas seleccionadas para o efeito tratam esses velhos " demónios do homem ".

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Lá fora - 176 : O génio de Le Nôtre



2013 é o Ano Le Nôtre em França, assim se homenageando o quarto centenário do nascimento do maior paisagista francês, o criador dos jardins de Chantilly, de Sceaux, de Vaux-le-Vicomte, renovador dos de Saint Germain e de Fointainebleau, e sobretudo o arquitecto-jardineiro de Versalhes.
E em Versalhes foi inaugurada recentemente esta exposição dedicada ao conselheiro fiel de Luís XIV, um dos poucos amigos do Rei-Sol ( que sabia marcar bem as distâncias face aos seus súbditos como sabemos ). Mas aquele que foi Premier jardinier du roi, administrateur et contrôleur des bâtiments e conseiller du roi, não trabalhou só em França como muitas vezes se pensa. A verdade é que, à distância como a época e a sua posição na corte francesa impunham, foi também Le Nôtre quem desenhou para Carlos Emanuel II de Sabóia os jardins de Racconigi e para Vítor Amadeu II os jardins do Palácio Real de Turim, o parque e os jardins do Palácio de Charlottenburg para Sofia Carlota de Hanover, para Guilherme III dos Países Baixos os jardins do Palácio de Het Loo e, quando este último " acumulou " por casamento a coroa britânica, os de Windsor e de Greenwich, com a particularidade de este monarca ser o maior inimigo de Luís XIV.
Um esteta e coleccionador ( telas, bronzes, medalhas, estampas ) que provinha também ele de uma dinastia ( o seu avô, Pierre Le Nôtre, foi o criador do Jardim das Tulherias em Paris, em 1566 para Catarina de Médicis, jardim este depois renovado pelo pai de Le Nôtre e por ele próprio, subsistindo ainda hoje algumas das suas criações como mostra o circuito que está agora patente ), e que em 1693 quando se aposentou aos 80 anos teve ainda um gesto surpreendente : legou ao rei as obras mais valiosas da sua colecção, pintadas por Poussin, Lorrain e Brueghel. O resto das suas colecções, confiscadas aos seus descendentes a seguir à Revolução, está hoje no Louvre.

André Le Nôtre en perspectives. 1613-2013, até 23 de Fevereiro de 2014. Mais info : www.chateauversailles.fr

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Onde me apetecia estar





Desde 24 de Abril, e até 20 de Outubro, decorre o 22º Festival International des Jardins, no belo Domaine de Chaumont-sur-Loire, o castelo e belos jardins que pertenceram a Catarina de Médicis, a várias outras famílias, e são hoje propriedade regional. Mas não se trata só de apreciar os jardins, mas antes apreciar a criação contemporânea à volta dos jardins, com criadores vindos de todo o mundo e que propõem percursos olfactivos, perspectivas sonoras, flores que se comem etc.
O presidente do júri é este ano Bernard Pivot, e há muitos eventos associados.

Todos os dias, das 10 às 20h. www.domaine-chaumont.fr

domingo, 12 de maio de 2013

Bom dia !



Encore un jour
Sans amour
Encore un jour
De ma vie

Le Luxembourg 
A vieilli
Est-ce que c' est lui?
Est-ce que c' est moi?
Je ne sais pas

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ONDE ME APETECIA ESTAR- 59 : Kerdalo

 Kerdalo, o jardim criado a partir de 1965 pela imaginação prodigiosa de Peter Wolkonsky numa antiga quinta bretã em Trézardec. São 18 hectares transformados num ambiente maravilhoso com 9000 espécies vegetais, gruta, cascatas, lagos,pérgolas, terraços e alamedas. Foi considerado o Melhor Parque de França em 2004, classificado como monumento histórico em 2005, e é tido como um dos mais belos jardins criados na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Sobreviveu à morte do seu criador, sendo propriedade da sua filha, a horticultora Isabelle Vaughan. É visitável de Abril a Agosto.





sábado, 19 de junho de 2010

Jardins - 2


John Singer Sargent (1856-1925) - No Jardim do Luxemburgo
Óleo sobre tela, 1879
Philadelphia Museum of Art



Douanier Rousseau (1844-1910) - O monumento a Chopin no Jardim do Luxemburgo
Óleo sobre tela, 1909
S. Petersburgo, Hermitage

Une allée du Luxembourg

Elle a passé, la jeune fille
Vive et preste comme un oiseau:
A la main une fleur qui brille,
A la bouche un refrain nouveau.

C'est peut-être la seule au monde
Dont le coeur au mien répondrait,
Qui venant dans ma nuit profonde
D'un seul regard l'éclaircirait!

Mais non, ma jeunesse est finie...
Adieu, doux rayon qui m'as lui,
Parfum, jeune fille, harmonie...
Le bonheur passait, il a fui!

Gérard de Nerval (1808-1855)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O que fica para a próxima ... - 2


Perguntou-me uma amiga se não gostava do Parque Citroën, já que o mesmo não tinha sido nunca aqui falado apesar de Paris ser um tema recorrente. Confessei a minha ignorância: nunca visitei este parque de 14ha sito na margem esquerda do Sena. Onde esteve durante décadas uma antiga fábrica da Citroën está há uns anos este parque urbano que conta com seis jardins temáticos, um balão de ar quente que permite uma deslumbrante vista aérea de Paris e estufas. Fica para a próxima, de preferência em tempo primaveril...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Para abrir o apetite...

- Hubert Robert, - Vue du Parc de Versailles lors de l' abattage des arbres, Óleo sobre tela, 1775.


O autor desta tela foi, além de pintor, o Dessinateur Officiel des Jardins du Roi , tendo colaborado em alterações nos jardins de Versalhes e sendo um dos autores dos jardins dos castelos reais de Rambouillet e Compiégne.
Esta tela tem um particular interesse porque mostra uma "visita dos proprietários": Luís XVI, o cavalheiro de casaca encarnada e bengala, e Maria Antonieta, de branco com as crianças, visitam uma zona do parque de Versalhes por ocasião da Grande Desflorestação de 1774, evento que marca a grande renovação do parque real- milhares de árvores e arbustos envelhecidos, datados do reinado de Luís XIV, são arrancados e substituidos por milhares de árvores e arbustos novos, cuja grande maioria são as espécies arbóreas que ainda hoje podemos ver no parque real.



Não deixa de ser impressionante esta imagem do Parque de Versalhes fornecida pelo Google Earth, já que se trata de uma área de 815 hectares. Mas se considerarmos que esta área é apenas uma parte do parque original que compreendia milhares de hectares...

Foi com a Revolução Francesa que o parque original foi amputado, perdendo uma parte muito considerável da sua área inicial: foram vendidas parcelas para exploração agrícola ou florestal, para construção de aquartelamentos militares e até para o desenvolvimento urbanístico. Felizmente, sobreviveu ainda uma parte considerável, sobretudo pelos esforços de botânicos, paisagistas e agrónomos que foram convencendo os sucessivos líderes revolucionários a limitarem os parcelamentos, tendo o parque estabilizado com o advento da Era Napoleónica.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ONDE ME APETECIA ESTAR - 7 : Château et jardins du Champ de Bataille


Apetecia-me estar no Eure, mais propriamente a visitar o castelo e o jardim de Champ de Bataille, construídos em 1659 para um general de Luís XIV, e desde 1992 propriedade do grande decorador Jacques Garcia, que em 1993, depois de uma enorme tempestade que devastou o parque de castanheiros plantado no séc.XIX, decidiu reconstruir o jardim à francesa desenhado por André Le Nõtre e desaparecido nos séculos seguintes.
Aqui fica um vídeo a dar conta desta recuperação do que é hoje um dos mais belos jardins de França:

terça-feira, 19 de agosto de 2008

ONDE ME APETECIA ESTAR - 5 : Jardins de l' Imaginaire





Apetecia-me começar o dia a deambular por este belo Jardim do Imaginário, no Périgord, perto das históricas grutas de Lascaux. É uma criação da paisagista norte-americana Kathryn Gustafson, vencedora do concurso lançado em 1991 pelo Município de Terrasson-la-Villedieu. Infelizmente só são permitidas visitas guiadas, pelo que não há grande margem para deambulações solitárias.