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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Boa noite!

John Kennedy gostava desta música. Em 29 de maio celebrar-se-á o centenário do nascimento deste Presidente dos EUA.
Frederick Loewe faleceu há 29 anos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Onde me apetecia estar



Foi ontem a estreia desta adaptação da mítica comédia musical de Jacques Demy, e vai até Domingo. Michel Legrand é o director musical, e a cabeça de cartaz é Nathalie Dessay.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Onde me apetecia estar


Na minha querida Paris, para assistir a este musical de Stephen Sondheim e James Lapine, transposto da Broadway para o Châtelet e com personagens dos eternos contos de fadas. Até dia 12 de Abril, e para o ano há filme com Meryl Streep e Johnny Depp.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Bom dia, João Soares!

Parabéns!
No coração de Nova Iorque, brilham as luzes da Broadway. E para baixo, muito para baixo, debaixo de um teatro conhecido como Sovereign (Soberano) há um espaço secreto onde um grupo de teatro se prepara para levar à cena o seu próprio espetáculo... Uma peça de teatro, escrita por Julie Andrews e Emma Walton Hamilton. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Boa noite!

Vale a pena ver e foi prolongado até final de setembro.

Elaine Stritch canta «Broadway baby» nos 75 anos de Sondheim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Wolfboy


Está em cena nos "Trafalgar Studios" em Londres até ao final deste mês o musical "Wolfboy", sobre dois adolescentes detidos num sanatório; Bernie, o típico "golden boy", por tentativa de suicídio; David, um meliante de rua, por se julgar um lobo. A relação que se vai criando entre os dois cruza-se com as visitas do irmão do primeiro e com a jovem enfermeira que os assiste (e que se envolve com o irmão, com o dilema ético associado). A peça lida com temas de desajuste, abuso, solidão e demência, com a vertente musical particularmente bem conseguida; baseia-se numa peça do canadiano Brad Fraser, e entrou para a "história" do entretenimento contemporâneo por ser a primeira interpretação em palco de Keanu Reeves (em 1984).

A adaptação musical tem música e letra de Leon Parris, com libretto de Russell Labey, que também dirige. Apresentada o ano passado no teatro Tabard em Chiswick, foi estreada no Fringe Festival de Edinburgo e chegou ao West End para uma temporada limitada no início de Julho.

O elenco conta com Daniel Boys (recentemente visto em "Avenue Q"), Gregg Lowe, Paul Holowaty e Emma Rigby.

Paul Holowaty (David) e Gregg Lowe (Bernie)

O musical funciona muito bem; cativa a audiência, choca e arrepia q.b., e as vozes estão geralmente à altura do desafio, sendo que no dueto entre Boys e Lowe os pulmões do primeiro tendem a ofuscar os talentos do segundo (sendo que as actuações são uniformemente sólidas). O espaço, um estúdio em que a audiência está literalmente a um passo dos actores, ajuda a criar um ambiente de proximidade e alguma claustrofobia; os diálogos são bem conseguidos e as músicas são muito boas. Existem alguns pequenos ajustes que se poderiam fazer para melhorar a peça como um todo (a inexistência da médica com quem o irmão conversa e que ajuda ao entendimento dos problemas cria alguma descontinuidade na história) mas como nota final é um musical altamente recomendado.


O CD felizmente existe; infelizmente tem apenas quatro canções; está disponível na Dress Circle (http://www.dresscircle.co.uk/).

sábado, 15 de maio de 2010

O “return” de Julie Andrews (4/4): o capital de estima

Julie Andrews é adorada pelo mundo fora, como se evidenciou pelo fluxo de gente que acorreu à O2 e se consegue comprovar numa pesquisa rápida pela internet, com devoção expressa por figuras como Rupert Everett ou, como sumariza o site “popeater.com”, “[S]he can just make everyone feel alright. ... She was great, and all her real fans will love her forever.

Porventura, o que as pessoas recordam e gostam são os personagens interpretados por Julie Andrews, e a aparente consistência dos valores subjacentes à actriz e aos seus personagens. Em particular, o destaque vai para os personagens de Maria, a “noviça rebelde” como lhe chamaram no Brasil, de “Música no Coração” e para o personagem titular de “Mary Poppins”; e para o público americano que ainda se recorda, a sua interpretação original como a primeira Eliza Doolittle em “My Fair Lady”, na Broadway (aliás, a substituição por Audrey Hepburn para a versão de cinema levou a discussões acesas na época, “vingadas” quando Julie Andrews conquistou o Óscar para Melhor Actriz por “Mary Poppins”, derrotando Hepburn). Todos estes papéis são musicais (como são também musicais a Lili Smith de “Darling Lili”, ou a Victoria Grant de “Victor/Victoria”) e papéis com sólidos valores de esperança, perseverança e capacidade de ultrapassar obstáculos, com raízes de humildade e um certo receio do desconhecido. Vendo bem, são personagens sem um pendor romântico forte: Mary Poppins tem um amigo limpa-chaminés, Bert, mas dificilmente será um dos romances da 7ª Arte (e o que é, é sub-texto); a ligação de Maria ao Capitão tem menos de romântico do que a de Liesl e Rolf, servindo mais de complemento à história do que de fio condutor; Eliza apaixona-se pelo Professor Higgins mais como consequência; Victoria também se envolve emocionalmente pelo King já no decurso do enredo; e apenas em Lili é a vertente romântica central ao personagem. Não são os outros personagens que fazem Julie Andrews: nem o de “Cortina Rasgada”, de Hitchcock; nem o “The Tamarind Seed”, com Omar Sharif; nem o de “10”; nem o de “Our Sons”; nem as várias versões de “Shrek”; nem a série televisiva de muito curta duração de 1992, “Julie”. São os papéis de um conjunto de musicais que fazem a Julie Andrews do imaginário colectivo.



"Wouldn't It Be Loverly" da versão teatral de "My Fair Lady"
A esperança (principalmente das crianças, tudo é possível – e naquele momento, todos na audiência são crianças) e a vitória sobre a adversidade de base humilde, cantadas (algo que foi desaparecendo da sociedade em geral no século XX, hoje em dia ninguém canta, enquanto que nos séculos anteriores se cantava nas igrejas, nas sinagogas, nos campos, nas aldeias) têm sido os motes que cativam as audiências.



"Feed The Birds" de "Mary Poppins"
Exemplos incluem “Wouldn’t It Be Loverly”, “The Rain in Spain” e “I Could Have Dance All Night” em “My Fair Lady”, “A Spoonful Of Sugar”, “Feed The Birds”, “Supercalifragilisticexpialidocious” ou “Let’s Go Fly a Kite” em “Mary Poppins”; “Whistling Away The Dark” em “Darling Lili”; e, muito especialmente, é omnipresente em “Música no Coração”: “Do-Re-Mi”, “My Favorite Things”, “I Have Confidence In Me”, “Climb Ev’ry Mountain”, “Edelweiss”. É verdade que a música e letra geniais de Rodgers e Hammerstein, Lerner e Loewe ou Henri Mancini ajudaram – mas ajudaram a criar os personagens habitados por Julie Andrews, fazem parte dos ingredientes.



"Edelweiss" de "Música No Coração"

Mercê do cinema e da gravação de imagem e som, estes personagens são eternos. E quando se vai a um “return” de Julie Andrews, quer-se ver Maria, Mary e Eliza; porventura também Victoria ou Lili. Até porque sendo eternas, o mundo multimédia permite-nos regressar com Julie Andrews. O espectáculo ideal teria tido estes personagens em clips musicais nos écrans gigantes, intercalados com outros números musicais interpretados ao vivo por Julie Andrews, acompanhada ou não pelos seus convidados, mas sempre com Julie Andrews no centro. Músicas que exijam menor alcance vocal (Barbra Streisand fez igualmente o ajuste, passando para clássico de jazz) e sem inovações de arranjo que desvirtuem as músicas iniciais (como aconteceu com “My Funny Valentine”) provavelmente seriam as que teriam resultado melhor. Até se teria achado graça ao conto infantil musicado.



"Whistling Away The Dark" de "Darling Lili"

Recomendação: que Julie Andrews faça já outro concerto – e que convide também Maria von Trapp, Mary Poppins, Eliza Doolittle, Lili Smith, Victoria Grant, Millie Dillmount, Cinderella e Guinevere. E que, a terminar, cante o tal “mean “Ol’ Man River”. Será um sucesso sem reservas.

O “return” de Julie Andrews (3/4): o concerto


Voltemos a dia 8. A arena encheu-se: e cumpriu-se a premonição das cinco gerações. Desde crianças de colo trazidas pelos pais até nonagenários de andarilhos e cadeiras de rodas, a arena brilhava com o disparar dos flashes das máquinas fotográficas e dos telemóveis, transformando-a num firmamento. Ouvia-se falar alemão, holandês, italiano, francês; vêem-se sikhs de turbante e grupos de chineses cruzavam-se com pequenos bandos de japonesas com máscaras da gripe; os saris misturavam-se com os sotaques sul-americanos do espanhol; ouvia-se português com sotaques de Portugal e do Brasil; os sotaques norte-americanos mapeavam os Estados Unidos. O primeiro anel era completamente circundado com pessoas em cadeiras de rodas, como se de uma tropa de elite se tratasse, visão algo arrepiante pela demonstração de devoção.

A leitura do programa foi decepcionante: todo o segundo acto seria dedicado ao conto infantil. Apenas o primeiro acto traria os musicais do cinema e da Broadway, mas mesmo esses não eram o que se poderia esperar de um espectáculo com Julie Andrews: Três músicas apenas de “Música no Coração”, nada de “Mary Poppins”, nada de “Darling Lili”, nada de “Millie, Rapariga Moderna”, nada de “Victor Victoria”, ou dos seus êxitos na Broadway, “My Fair Lady” ou “Camelot”. É verdade que se recuperava o “Cinderella” de Rodgers and Hammerstein de 1957, uma produção em directo para televisão que bateu todos os recordes de audiência à data. E Julie Andrews tinha interpretado “O Rei e Eu” em estúdio em 1992, com Ben Kingsley. Mas não, as canções seriam de “Oklahoma!”, “State Fair”, “South Pacific” e “Carrossel”, entre outras obras menos conhecidas. Voltando atrás, é verdade que o anúncio indicava que se interpretariam clássicos de Rodgers e Hammerstein, o que não se depreendia é que seria em exclusivo. Bem. Um pouco decepcionante, mas adiante.

O espectáculo começou auspicioso, com um clip da abertura do clássico “Música no Coração” servindo para introduzir Julie Andrews. A arena explodiu em aplauso e a ovação de pé durou e durou. Agradecendo a recepção, fez o aviso reiterado das limitações vocais pós-operações, “I no longer have the voice of that girl you saw up there on the screen”, que lhe rendeu um aplauso redobrado – ninguém esperava uma jovem de 20 anos e a fragilidade reconhecida granjeava-lhe ainda maior ternura. Mesmo assim, o aviso foi mitigado com a referência a poder trazer a casa abaixo com a sua interpretação de “Ol’ Man River”. Foram apresentadas cinco vozes do West End e da Broadway, que a coadjuvariam em palco.

Para o espanto da audiência, a partir desse momento, Julie Andrews passou para o papel de MC (mestre de cerimónias), raramente juntando a sua voz aos demais cantores (que eram bons, muito bons) e saindo frequentemente de palco (o que em termos estritos era legítimo, dado que durante longos períodos de tempo não estava lá a fazer nada).

Fora do previsto no programa, cantou duas músicas: “A Cock-Eyed Optimist” (de “South Pacific”, sobre um optimismo inabalável: “With a thing called hope / And I can't get it out of my heart! / Not this heart...”) e “My Funny Valentine” (com uma nova orquestração, infelizmente fraca e que alterava os padrões tradicionais da canção). A voz não tinha o mesmo alcance (e era minada aqui e ali por insegurança), mas era a mesma: e era por isso que a audiência lá estava. Nestes dois momentos, a arena voltou a erguer-se em aplauso – a homenagem sentida à cantora que, um pouco a medo, se atrevia a voltar cantar em palco em frente a milhares de pessoas. E o facto surpreendente é que, a voz não sendo a mesma, é muito melhor do que provavelmente Julie Andrews pensa. Ou sente.


"My Funny Valentine"


"A Cock-Eyed Optimist"



"Do-Re-Mi"


"Edelweiss"

O “return” de Julie Andrews (2/4): o anúncio e as expectativas



O espectáculo foi anunciado em finais de 2009, sob o título “An Evening With Julie Andrews”: Para entender as fúrias e as decepções, é preciso entender as expectativas. O anúncio original era literalmente o que se transcreve de seguida.

“Musical icon and beloved actress, Julie Andrews, will return to the UK stage for the first time in 30 years with a special performance in The Gift of Music.

The event will be hosted at The O2 arena on Saturday, 8 May and will consist of gifts of music old and new - performances of Rodgers and Hammerstein classics, as well as the musical adaptation and her live narration of "Simeon's Gift", the best selling children's book written by Julie and her daughter, Emma Walton Hamilton.

Accompanied by the Royal Philharmonic Orchestra and conductor Ian Fraser, Ms. Andrews will be joined on stage with an ensemble of 5 performers who have graced the West End and/or Broadway. Together they will take the audience on a nostalgic trip featuring clips, memories and songs of great musical theater that will include material from "The Sound of Music", "The King and I", "South Pacific" and "Carousel".

Dame Julie has captivated audiences throughout her legendary career, from her stage performances in "The Boy Friend", "My Fair Lady", and "Camelot" to unforgettable roles in "Mary Poppins" and "The Sound of Music" right through to her most recent projects, "The Princess Diaries", the "Shrek" films and "Eloise at the Plaza". Her latest films, "Tooth Fairy", and the animated "Despicable Me" will all be released in 2010. She is one of the most recognized performers in the world and has an extraordinary fan base of 5 generations.

In addition to her accomplishments on stage and in filmed entertainment, Dame Julie has become an accomplished best selling author of children's books, several co-written with her daughter. There are 25 books that have been published to date in The Julie Andrews Collection.

Julie said of her new concert in London: "To perform once again in my homeland on the London stage will be a wonderful moment - it is where it all began for me, and I am so excited to be able to share a brand new work with audiences."


Pouco depois, Julie Andrews em entrevista avisava que já não tinha o mesmo alcance vocal de outrora, mercê de uma operação às cordas vocais que correra mal nos anos 90.

O “return” de Julie Andrews (1/4): uma polémica curiosa

Julie Andrews regressou aos palcos no passado Sábado, dia 8, em Londres, depois de mais de trinta anos sem actuar em público na sua terra natal.

Este regresso faz ecoar as palavras da imortal Norma Desmond, quando Joe Gillis lhe diz que não sabia que Norma estava a planear um “comeback”: “I hate that word. It's a return, a return to the millions of people who have never forgiven me for deserting the screen.” Foi para esse “return” que se dirigiram dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo, confluindo para a O2 Arena em Londres.

No dia seguinte, as primeiras críticas na imprensa começavam por descrever que Julie Andrews tinha sido acompanhada por cantores a interpretar músicas da Broadway, que a O2 Arena estava cheia, que apesar da operação às cordas vocais a estrela anunciara que ainda fazia ribombar um “Ol’ Man River” (música de assinatura de “Show Boat”, geralmente considerado o primeiro musical da Broadway) e que a entrada e saídas de palco tinham recebido uma ovação de pé.

No mesmo dia, abriam-se as comportas, com títulos como “The Night Julie Andrews lost the Sound of Music” ou “The Tills Are Alive With the Sound of Fury”, com múltiplos espectadores a pedirem a devolução do dinheiro e com o site “News Media Images” escrevendo que “Whilst an anemic Liz Taylor didn’t demand her money back, a sad resigned look on her face told all.

Durante alguns dias, seguiu-se uma disputa cibernética e de imprensa sobre se a audiência se sentiu defraudada ou não, com uma diferença apaixonada de reacções e de retrato do que foi esse espectáculo, desde a BBC ao “Malaysian Times”, do “Daily Mirror” à Wikipédia ou ao “The New York Times”. Os extremos vão desde o aplauso sem reservas ao pedido de restituição do valor dos bilhetes.

A resposta à questão sobre se a audiência se sentiu defraudada é “Sim, mas não faz mal.” É sobre esta bizarra polémica que se debruça uma entrada em quatro partes neste blog, sendo utilizados como idiomas o português e o inglês, sendo este último empregue pela dificuldade de tradução de certas inflexões de idioma (por exemplo, entre “return” e “comeback”), pelo nome de músicas, filmes e musicais que não são de tradução fácil ou reconhecida e para preservar a integridade do anúncio original.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

The Best of Times

Para (meu) último post de 2009 -- dedicado a 2010 e aos seguintes, retomando o post do Luís Barata sobre o musical "La Cage aux Folles." Bom Ano Novo!

O meu serão de ontem

Não almocei no Rossio ontem, mas à noite estive por perto, mais propriamente na Rua das Portas de S.Antão. Fui ver ao Politeama, com casa cheia, a versão do La Féria de La Cage aux Folles e recomendo vivamente: pelo trabalho dos actores ( destacando desde logo o José Raposo, que apenas conhecia da televisão e que tem um desempenho notável, mas também os veteranos Carlos Quintas, Rita Ribeiro e Joel Branco- este também surpreendente como um político reaccionário do Porto, o pai da noiva neste texto que todos conhecemos, pelo menos do cinema.), pela caracterização, pelo guarda-roupa e pelas eficazes coreografias. É uma adaptação muito bem conseguida, com algumas piadas da política e da actualidade nacionais bem enxertadas nos diálogos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Agradecendo

A grande Julie Andrews em concerto no Japão em 1977. Uma canção já mítica - Somewhere do musical West Side Story.
Obrigado!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

De Madrid para a Broadway

Mulheres à beira de um ataque de nervos, o filme que deu a Pedro Almodóvar fama internacional, vai ser adaptado como comédia musical. A estreia ocorrerá a 12 de Abril na Broadway.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

1939 - "O Feiticeiro de Oz"/"The Wizard of Oz" hoje às 19:30 no São Jorge em Lisboa


"When I first saw The Wizard of Oz it made a writer of me", Salman Rushdie

A primeira aventura da MGM em "Glorious Technicolor", imortalizada por uma vasta iconografia desde Judy Garland e "Over the Rainbow" (a canção que esteve eliminada por ser supérflua e veio a ser considerada a melhor canção de sempre do cinema pelo American Film Institute), ao espantalho (que queria um cérebro), ou o homem de lata (que queria um coração), ou o leão cobarde (que queria coragem), a "there's no place like home", passando por sapatos de rubi, a bruxa verde e má, "I think we're not in Kansas anymore", Munchkins, uma "yellow brick road", papoilas soporíferas, tornados, "tigers and lions and bears", ...



Enredo

A jovem Dorothy Gale (Judy Garland) vive com os tios numa quinta no Kansas, sonhando com um lugar "para lá do arco-íris". Um tornado atinge a casa e Dorothy vê-se (juntamente com a casa e o seu cão Toto) transportada para num mundo de fantasia chamado Oz, aterrando literalmente em cima da temível Bruxa Má do Leste. Querendo regressar a casa, é aconselhada pela Bruxa Boa do Norte, Glinda (Billie Burke) a seguir a estrada dos tijolos amarelos para se dirigir à Cidade Esmeralda, onde o Feiticeiro de Oz a poderá ajudar.

Pelo caminho, encontra um Espantalho (Ray Bolger), um Homem de Lata (Jack Haley), e um Leão Cobarde (Bert Lahr), que se lhe juntam com as suas esperanças específicas (respectivamente, obter um cérebro, um coração e coragem). A viagem é atribulada, com Dorothy a ser alvo de perseguição por parte da Bruxa Má do Oeste (Margaret Hamilton) que quer recuperar os sapatos de rubi da sua irmã, que Glinda lhe oferecera.

Apesar das dificuldades, Dorothy chega à Cidade Esmeralda, onde se defronta com o poderoso Feiticeiro de Oz (Frank Morgan)...


Notas de Produção

Todas as cenas em Oz foram filmadas em 3-strip Technicolor ("Glorious Technicolor!"; as cenas passadas no Kansas são a preto e branco (sépia). Louis B. Mayer tinha resistido à modernice da cor, apenas cedendo a experimentar o novo meio depois do enorme sucesso financeiro de "A Branca de Neve e os Sete Anões", dois anos antes.

O argumento baseia-se nas aventuras escritas por Frank L. Baum, e contou com inúmeras versões e contribuidores; aliás, é um filme de múltiplas contribuições e substituições: o Homem de Lata originalmente era Ray Bolger, que pediu para ser o Espantalho; o candidato seguinte foi Buddy Ebsen, que sofreu uma violenta alergia ao pó de alumínio e teve que ser hospitalizado, sendo substituído por Jack Haley; a bruxa má era originalmente Gale Sondergaard -- não querendo fazer um papel que exigia que parecesse feia, foi substituída por Margaret Hamilton. Também a realização teve vários timoneiros: Norman Taurog foi o primeiro homem do leme, sendo substituído ao fim de algumas semanas por Richard Thorpe. Também este foi considerado pouco adequado e entra em cena George Cukor, mas apenas por alguns dias: dado o compromisso de que iria filmar "E Tudo o Vento Levou", é substituído por Victor Fleming (que foi quem acabou por filmar o épico sulista) e este é finalmente substituído por King Vidor para filmar as cenas finais de "O Feiticeiro de Oz".

As filmagens decorreram de Outubro de 1938 a Março de 1939, marcadas por múltiplas dificuldades. Para além da dança das cadeiras na realização, encontrar mais de cem actores para interpretarem os diminutos Munchkins não foi fácil, nem aplicar maquilhagem a tão vasto elenco; as cenas perigosas fizeram vítimas, incluindo queimaduras graves em Margaret Hamilton.

A pós-produção foi lenta e obteve um produto final com cerca de duas horas -- depois de vários testes de audiência, cortaram-se números de dança e reprises musicais. Uma das canções que esteve quase a não constar do filme foi "Over the Rainbow". Os produtores consideravam que as cenas no Kansas já estavam muito longas e o que interessava era manter as cenas a cores (além de que era degradante ter Judy Garland a cantar... num celeiro). No final, a intervenção de Victor Fleming e dos produtores Mervyn LeRoy e Arthur Freed fez com que a canção permanecesse.



Reacções

O filme foi um sucesso moderado, conseguindo um pequeno lucro face aos custos de produção (na altura, USD 3 milhões de receitas contra USD 2.8 milhões de custos). Só quando se fez a reedição em 1949 é que os lucros dispararam.

O filme passou a integrar grande número de Top 10 Best Movies, tendo a sua iconografia entrado no dia-a-dia.

O filme foi considerado "culturally significant" pela Biblioteca do Congresso dos EUA, que o seleccionou para preservação no National Film Registry em 1989. Em 1998, o AFI considerou-o o 6º melhor filme americano de sempre. Em Junho de 2007, a UNESCO seleccionou o fime para integrar o Memory of the World Register. Em Junho de 2008, o AFI considerou-o o melhor filme americano na categoria de Fantasy.

A canção "Over the Rainbow" conquistou o Óscar para Melhor Canção, tendo sido considerada em 2004 a melhor canção de sempre do cinema pelo American Film Institute. A banda sonora também conquistou o Óscar de 1939. A banda sonora foi considerada a melhor de sempre pelo "The Observer".

O recipiente do prémio Booker of Bookers, Salman Rushdie, escreveu para o British Film Institute um ensaio sobre o filme e a sua influência na cultura popular em que interpreta a força das crianças na resolução de problemas face à incapacidade dos adultos que me pareceu muito inteligente.

Judy Garland conquistou o Óscar para Melhor Actriz ou Actor Juvenil.

Três citações mereceram eleição no "AFI's 100 Years…100 Movie Quotes" em 2005:
- "Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore" (4ª)
- "There's no place like home" (23ª)
- "I'll get you, my pretty, and your little dog, too" (99ª)

Os sapatos de rubi também fizeram história: em 1970, num leilão da MGM, um par vendeu-se por USD 15.000. Outro leilão, em 2000, obteve USD 666.000. Mais recentemente, um par foi furtado do Judy Garland Museum, em Minnesota.

A 23 de Setembro de 2009, vários cinemas nos EUA exibiram o filme em homenagem ao seu 70º aniversário, numa versão de alta definição. O Cinema São Jorge, em Lisboa, exibe hoje o filme às 19:30 -- desconheço a versão.

sábado, 15 de agosto de 2009

Happy Songs! "I Could Have Danced All Night", de "My Fair Lady"

Do musical de Lerner & Loewe, de 1956. Três versões:

- Uma de homenagem aos autores, interpretada por Julie Andrews, que imortalizou o papel na Broadway, acompanhada de Richard Burton, Robert Goulet, Maurice Chevalier e Stanley Holloway.



Uma segunda, do filme de 1964 de George Cukor, com Audrey Hepburn como Eliza Doolittle (voz de Marni Nixon para toda a canção, excepto para a frase "Sleep, sleep, I couldn't sleep tonight...", em que é a voz de Ms. Hepburn).

Uma terceira, trabalhada para ter a versão em filme como se fosse integralmente cantada por Audrey Hepburn (maravilhas da tecnologia!).


"My Fair Lady", Libretto e letra de Alan Jay Lerner; Música de Frederick Loewe. Baseado na peça de George Bernard Shaw, "Pygmalion".

"My Fair Lady", 1964, realizado por George Cukor.