Eliseu Visconti - Instrução (Solidariedade Humana), 1910
Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional
«Na Biblioteca Nacional - o prédio, as pinturas de Eliseu Visconti, Modesto Brocos, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo, as esculturas de Correia Lima e Rodolfo Bernardelli, e principalmente as estantes cheias de livros causavam em José um grande enlevo - José podia satisfazer o seu vício, a leitura, que então já era incurável e do qual nunca conseguiu se livrar, tendo se tornado ainda mais exacerbado com a idade. [...]
«Todos os dias José passava uma parte do seu tempo lendo na Biblioteca, e mesmo ao entrar para o curso ginasial, quando trabalhava durante o dia e estudava à noite, conseguia arranjar tempo para ir lá. Nas ocasiões em que tinha muita pressa, para voltar ao trabalho ou ao colégio, que também ficava no centro da cidade, ele preenchia rapidamente uma ficha de pedido de livro, sentava-se numa das cadeiras marrons do imenso e acolhedor salão de leitura, e enquanto aguardava o livro, que era entregue por um funcionário, entretinha-se a olhar as fileiras de estantes sobrepostas até o teto, que na época podiam ser vistas do salão, e sentia como era bom viver. Ficar, por menor que fosse o tempo, no meio daquela infinidade de livros do mundo inteiro era, para José, como estar no paraíso.»
Rubem Fonseca - José. Porto: Sextante, 2012, p. 40, 42.

_%E2%80%93_Painel_da_Biblioteca_Nacional.jpg)






























.jpg)
















.jpg)
.jpg)