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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!



Filme para ver este Natal: "Mrs. Santa Claus", musical de Jerry Herman de 1996, com Charles Durning, Angela Lansbury e Michael Jeter.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Idiomas - traduzir ou não traduzir, eis a questão

La confusion des langues, Gustave Doré, 1865

Li com interesse os comentários anónimos a um artigo recente que fiz sobre uma visita a Nova Iorque que, entre outras coisas, criticavam o uso do idioma inglês nos títulos (presumo que em prol do português). A imagem que me surgiu foi a da tradução dos nomes; realmente, utilizamos "Isabel II" para designar a monarca britânica, ou "Bento XVI" para o actual Papa -- por estar a olhar para a capa de um DVD, surgiu-me no espírito o nome Isabel Alfayate (Elizabeth Taylor), derivando por sua vez para as referências que tinha feito.

Deliciado, e com o auxílio do Babelfish, apercebi-me que tinha visto a peça "Aldeola" ("Hamlet"), de Guilherme Shakespeare (Sacode-a-Lança?), interpretado pelo actor Judeu Lei (Jude Law), seguida de "Uma Chuva Constante" ("A Steady Rain"), com Daniel Penhasco e Hugo Homemmarinheiro (Hugh Jackman); "Ao Lado do Normal" ("Next to Normal"), com Alice Ripley (tenham paciência) e Araão Tveit (uma pequena aldeia na Noruega, infelizmente não conheço a tradução para português e mantive o original); e "Uma Pequena Música da Noite" ("A Little Night Music"), de Estêvão Sondheim (outra vez, uma pequena localidade -- desta vez, na Baviera, na Alemanha), com Angela Lansbury e Catarina Zeta-Joanina (uma liberdade -- Jones deriva de John, o João inglês).

O momento de maior indecisão (transcrever ou não transcrever era a questão) prendeu-se com "Aldeola". Creio que o Babelfish não esteve à altura e deveria ter sido "Telmo". Passo a explicar: "Hamlet" era o nome do príncipe, cujo anagrama é "Thelma". Ora "Thelma" já se traduz muito facilmente por Telma, sendo que a versão masculina é Telmo. Nesse caso, vi a peça "Telmo", na mesma com Judeu Lei.

Também hesitei com "Uma Pequena Música da Noite"; não seria "Um Pouco de Música Nocturna" (e com ou sem 'c')? Parece no entanto que ainda ninguém se deu ao trabalho de traduzir a obra do Estêvão Josué Sondheim (pois), o que é maçador, pelo que deixo ficar a referência do Babelfish.

No cinema, "A Princesa e o Sapo" ("The Princess and the Frog") e "Preciosa - Baseado no Romance "Empurrão" por Safira" ("Precious - Based on the novel "Push" by Saphire") também foram alvo de referência.

Quanto à visita ao MoMA, dei por mim no MdAM (pode ler-se Madame, mas não aconselho), a ver uma exposição sobre Timóteo Burton (voltando às terrinhas, esta era de Leicestershire, em Inglaterra; Claro que agora teria que mais apropriadamente referir-me a que era do Condado de Leicester, sendo que também, para minha pena, ignoro a sua tradução para português); vi os "Lírios de Água" de Cláudio Monet e uma retrospectiva da "Casa do Edifício".

Por fim, relativamente ao comentário que começa "isto o que é lá de fora é que bom", considero-o uma extrapolação curiosa (e visionária, que aprecio), dado que no artigo em questão me limitei a elencar as obras sem oferecer opinião (que pode ser consultada nos artigos subsequentes).

Tudo isto sendo dito, o que me mantém mesmerizado é o nome de Isabel Alfayate (obrigado, Peixe de Babel).

PS - A ilustração poderia estar legendada como "A Confusão dos Idiomas", por Gustavo Dourado, 1865

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Quatro peças na Broadway


A encenação de “Hamlet” revela a peça como obra maior da literatura de terror, dimensão da qual nunca me tinha apercebido. Geraldine James (“Gandhi” e “A Jóia da Coroa”) é superlativa como Gertrude, sendo que a peça pertence merecidamente a Jude Law no papel principal, que arrasta a audiência inexoravelmente para o caminho da insanidade.



A Steady Rain” apresenta uma peça com apenas dois actores (e personagens): dois polícias de Chicago, amigos de infância, com interesses românticos pela mesma mulher e complicações graves com um dos casos que se lhes depara. Os dois são muito sólidos, e surpreendentes fora dos registos mais conhecidos de James Bond e Wolverine / van Helsing e afins.



Next to Normal” foi o prato principal: um musical improvável, sobre a depressão bipolar numa mãe de família. Improvável, e perfeitamente bem conseguido, elevando o espectador e fazendo-o partilhar da montanha russa em que a família embarca. Destaque para Alice Ripley, que aliás conquistou o Tony de Melhor Actriz este ano, e para Aaron Tveit, que faz de Gabe (que tem vindo a receber grande atenção, quer por este seu papel, quer por ter estreado “Catch Me If You Can” neste Verão).


A Little Night Music” foi a pièce de résistance. Marca a estreia de Catherine Zeta-Jones na Broadway (mas não em musicais, a sua carreira começara no West End antes de passar ao cinema). O musical de Stephen Sondheim, baseado no filme de Ingmar Bergman, recebe um revival em que a matriarca é magistralmente interpretada por Angela Lansbury (aliás, quando Angela Lansbury veio agradecer, a sala explodiu para uma standing ovation electrizante). O musical é conhecido por conter a canção “Send in the Clowns”, interpretada pelo personagem de Zeta-Jones (para minha pena, pelo texto pensei que pudesse ser Lansbury). A própria admitiu numa entrevista à ABC no dia seguinte a eu ter visto a peça que não pretendia competir com as grandes vozes que imortalizaram a canção, e que pretendia interpretá-la no contexto intimista na cena. Consegue-o, mas por pouco… A nota alta vai para o humor e o magnetismo da grande dama da Broadway, Angela Lansbury, nota altíssima para terminar esta imersão.
Post escrito (mas não publicado) do lounge de Newark, com o iPod em modo repetição com o álbum “Dear World”, de Jerry Herman. Este fim-de-semana escapuli-me para Nova Iorque para uns dias de descanso e imersão em teatro, para retemperar energias depois de uns meses de trabalho particularmente desgastantes.

Tive a boa fortuna de conseguir entradas para a exposição de Tim Burton no MoMA, e, por ordem cronológica, para “Hamlet”, na produção do britânico Donmar Theatre, com Jude Law (que o Filipe Vieira Nicolau tão eloquentemente expôs a 18 de Julho) e com Geraldine James; “A Steady Rain”, com Daniel Craig e Hugh Jackman; Kandinsky e “Memory” de Anish Kapoor no Guggenheim, “Next to Normal”, com Alice Ripley e Aaron Tveit (já apresentado neste blogue), o novo filme da Disney em exibição limitada, “The Princess and the Frog”, o filme “Precious – based on the novel “Push” by Saphire” e “A Little Night Music”, de Stephen Sondheim, com Catherine Zeta-Jones e Angela Lansbury. Além de ver Nova Iorque em manto natalício, com sul, chuva e neve, desde as montras do Macy’s (dedicadas ao filme “Miracle on 34th Street”), o ringue de patinagem em Rockefeller Centre, sob a égide da estátua dourada de Prometeu, Times Square ao rubro de luz e cor (e já com o calendário para as celebrações de 2010), as lojas engalanadas como se fosse um ano de grande prosperidade e a repassar as clássicas músicas de Natal. Vou fazer umas breves notas sobre a viagem.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Happy Songs! "It's Today" de "Mame"

O mote matinal do Filipe de "Walking back to happiness" impeliu-me a escutar uma série de "Happy Songs", pelo que tomei a liberdade de introduzir uma nota musical pela tarde. Eis uma pérola impossível: um vídeo do Youtube de uma gravação da audiência de "It's Today", do revival de 1983 de "Mame", com Angela Lansbury.

"Mame", Libretto de Jerome Lawrence e Robert E. Lee; Letra de Jerry Herman; Música de Jerry Herman.

Revival de 24 de Julho de 1983 a 28 de Agosto de 1983, no George Gershwin Theatre, NY, EUA.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ravissante! Angela Lansbury


Angela Lansbury é uma actriz e cantora britânica.

Nascida a 16 de Outubro de 1925, estreou-se no cinema como a criada no superlativo ''Gaslight'', de George Cukor, ao lado de Charles Boyer e Ingrid Bergman (sendo nomeada para o Óscar de Melhor Actriz Secundária nesse seu primeiro passo na Sétima Arte). No ano seguinte, nova nomeação com "O Retrato de Dorian Gray". De entre os seus outros filmes, merecem destaque "The Manchurian Candidate" (1962), "Se a Minha Cama Voasse"/"Bednobs and Broomsticks" (1971), nas mega-produções das obras de Agatha Christie "Morte no Nilo" (1978) e "The Mirror Crack'd" (1980), e "A Companhia dos Lobos" (1984). Só volta a actuar no cinema em 2006, em "Nanny McPhee", embora os seus personagens de animação se tenham destacado, em especial a sua criação de Mrs. Potts no filme da Disney "A Bela e o Monstro" (1991).

Nos anos 50, começara a actuar na Broadway e na televisão.

Na Broadway, estreou-se em "Anyone Can Whistle" de Stephen Sondheim (1964), tendo a sua interpretação de "Mame" ao lado de Bea Arthur conquistado o primeiro dos seus Tony, em 1966. "Mame" esteve em cena 1508 vezes. O teatro nova-iorquino voltou a tê-la como estrela em "Dear World", em 1969, no revival de "Gypsy" em 1974, e como Mrs. Lovett em "Sweeney Todd", de Sondheim, em 1979. Todos estes papéis conquistaram Tonys, sendo o quinto conquistado este ano, em "Blithe Spirit" (que se encontra em cena).

Nos anos 80, tornou-se imensamente popular como Jessica Fletcher, a escritora-detective amadora de Cabot Cove, em "Crime, Disse Ela" ("Murder, She Wrote"), que passou na televisão entre 1984 e 1996 num notável total de 12 temporadas (a que se seguiram quatro filmes feitos para televisão).

A sua carreira está coroada com cinco Tony, seis Globos de Ouro, três nomeações para os Óscares da Academia e doze nomeações para os Emmy.

É ravissante por conseguir gerar sorrisos espontâneos de afecto quando se vislumbra o seu rosto ou a sua voz, seja em que contexto for.

domingo, 19 de julho de 2009

Melodias da Broadway: Bosom Buddies (de "Mame")

Hoje a Broadway esteve muito no meu espírito, redobrando a minha pena por não haver praticamente registos das temporadas triunfais de "Mame", com Angela Lansbury e Bea Arthur. Aqui fica, registado num taxi a caminho de Gaia, "Bosom Buddies", numa aparição especial que aparentemente terá tido lugar no espectáculo dos Tony de 1987.

Fica dedicado a um par de amigos com quem não falo há muito tempo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Convidada para jantar

De "A Bela e o Monstro/Beauty and the Beast" (1991), realizado por Gary Trousdale e Kirk Wise, com argumento de Linda Woolverton. Produção de Don Hahn. Música de Alan Menken e Howard Ashman. Belle (voz de Paige O'Hara) é recebida para jantar no castelo da aldeia, e Lumière (voz de David Ogden Stiers) lidera todos os serviçais (incluindo uma chaleira com a voz de Angela Lansbury) num número de boas-vindas.


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tony Awards 2009

Os Tony Awards de 2009 foram atribuídos a 7 de Junho no Radio City Music Hall. Estes prémios reconhecem as produções teatrais da Broadway da temporada 2008-2009, claramente marcada com um sticker de revival season... mas que season!

Entre os grandes vencedores, "Billy Elliot: The Musical" (10 prémios de 15 nomeações, incluindo Melhor Musical, Melhor libretto de um Musical, Actor - repartido pelos três jovens actores que desempenharam o papel - e realização para Stephen Daldry, que também tinha realizado o filme homónimo), "God of Carnage" (incluindo Melhor Peça e Melhor Actriz numa Peça, para Marcia Gay Harden) e "Next To Normal" (Melhor Música e Melhor Actriz num Musical, para Alice Ripley). Nota ainda para a vitória de Angela Lansbury (de "Crime, Disse Ela" e "Gaslight"), que conquistou o seu quinto Tony em "Blithe Spirit".

O anfitrião foi Neil Patrick Harris (de "O Menino Doutor" e "Dr. Horrible's Sing-Along Blog"), e o número de abertura merece ser visto, pelo mérito de conjunto e pelas actuações de Elton John, Dolly Parton, Liza Minnelli, Aaron Tveit, Allison Janney, Stockard Channing e os elencos de "Hair", "Guys and Dolls", "West Side Story", "Shrek the Musical" e "9 to 5: The Musical".





O encerramento esteve a cargo do anfitrião, que transformou "Tonight" de "West Side Story" num épico absolutamente genial de homenagem aos vencedores da noite.

Go see a Broadway show!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Grandes filmes (esquecidos?): 2 - Gaslight

"Gaslight", de George Cukor, narra a descida de uma mulher para a loucura (verdadeira ou falsa, com a fronteira a esbater-se lenta mas inexoravelmente como uma corrente subterrânea).

Paula Alquist (Ingrid Bergman) é a sobrinha e herdeira de uma cantora de ópera inglesa que é assassinada na casa em que ambas vivem, numa square de Londres. Viajando para Itália para esquecer o choque e seguir as pisadas da tia no mundo da ópera, conhece e apaixona-se por Gregory Anton (Charles Boyer), com quem casa. Ao regressar a Londres para a mesma casa de Thornton Square, começa a ficar "esquecida"... peças perdidas, memórias trocadas, passos que se ouvem num sótão trancado, quadros que desaparecem e candeeiros a gás cujas chamas bruxuleantes criam sombras misteriosas, um relógio roubado... No meio de dias e noites que se tornam progressivamente mais estranhos, com uma Paula mergulhada em self-doubt, estão um marido incomodado, que começa a isolá-la de terceiros para a proteger, um inspector da polícia (interpretado por Joseph Cotten), uma criadita (estreia triunfal de Angela Lansbury) e uma vizinha metediça (uma luminosa Dame May Whitty).

O redemoinho torna-se inescapável - até ser desvendado. Poderia ter sido Hitchcock, mas foi George Cukor, o "realizador de mulheres", que dirigiu este entrecruzar de tramas entre tia, sobrinha, criada, inspector e marido para um climax notável. Criou-se uma expressão para este thriller psicológico: "gaslighting".

Nomeado para 7 Óscares de 1944, incluindo Melhor Filme, ganhou dois: Ingrid Bergman como Melhor Actriz e Direcção Artística (Preto e Branco).

"If only I were not mad, I could have helped you..."
Paula Alquist Anton