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domingo, 15 de abril de 2012

Resposta ao desafio do Luís - alguns dos livros que recebi

Escolher entre os livros que recebi e me tocaram é uma tarefa difícil, não caberiam nesta postagem. Assim, comecei com A Princesinha, de Frances Burnett, uma oferta do meu pai.


O Pequeno Lord, de Frances Burnett, uma oferta da minha mãe que fez as minhas delícias. Li muitos outros desta colecção. Destaco Os Desastres de Sofia da Condessa de Ségur que também foi dado pela mãe.




A Princesa dos Sete Castelos, de Fernanda de Castro, foi um presente da tia que também deu O Principezinho de Saint-Exupéry. Obviamente gostei mais deste do que os outros até aqui referenciados. Optei por não colocar a imagem.





A Divina Comédia, traduzida por Vasco Graça Moura com desenhos do Pomar, foi uma dádiva do amigo que partilho há mais anos.


O Livro do Desassossego foi-me oferecido pelo mesmo amigo.



A Bíblia ilustrada por Gustave Doré foi um livro oferecido por um amigo mais recente.




Há tantos outros que poderiam estar aqui digo só mais um A Montanha Mágica. Vou parar... (Imagens retiradas do google)

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Voz e o Texto

A Voz e o Texto era uma colecção de discos de poesia, editados pela Decca. Reproduzo as capas dos que tenho. Acrescem ainda outros de Alexandre O'Neill, Vitorino de Nemésio e David Mourão-Ferreira, mas não têm capas. 
Nos cinco primeiros, os autores dizem a sua própria poesia. Nos últimos três, Maria Barroso diz poesia de Políbio Gomes dos Santos, Álvaro Feijó, Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira; e Norberto Barroca diz António Botto, António Gedeão, Manuel Alegre, Reinaldo Ferreira, J. C. Ary dos Santos, Alexandre O'Neill e Cesariny.
Os discos que mais ouvi foram o de O'Neill e o de Maria Barroso. Fernanda de Castro e Sena dizem francamente mal.
As datas referem o ano em que ou os comprei ou mos ofereceram.


1970 
1970 
1969 
1969 
1969 
1965 
1970 
1970

domingo, 1 de janeiro de 2012

PENSAMENTO(S) - 217

Anita Malfatti, Fernanda de Castro, 1922, óleo sobre tela, 73,5x54,5, Col. Marta Rossetti Batista, São Paulo.

Haverá alguém tão pobre de alma, tão infeliz, que seja capaz de fazer mal neste primeiro dia do ano, quando tudo é promessa, alvoroçada esperança?

- Fernanda de Castro, in Ao Fim da Memória, Memórias, I ( 1906-1939 ), Editorial Verbo, 1988, p.108.

domingo, 13 de junho de 2010

Citações - 92 : Preferências no Céu

(...) Será possível ter preferências no Céu? (...) S.Francisco é o meu preferido, admiro São Tomás e Santa Teresa d' Ávila, gosto de Santa Clara, o Lírio de S. Damião, mas, confesso, tenho um fraquinho pelo nosso Santo António, por este ser, simultaneamente, Doutor da Igreja em Roma e santinho dos bairros populares em Lisboa, e ainda por razões de família: pelo lado do pai, o José Fernando, meu primo direito, descende em linha recta dos Bulhões.

- Fernanda de Castro, Ao Fim da Memória, I vol. (1906-1939), Editorial Verbo, 2ªed, 1988, p.163.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Lisboa: Rua João Pereira da Rosa, n.º 6


Outra foto da casa da Calçada dos Caetanos, onde habitaram: Ramalho Ortigão, nas águas-furtadas; Oliveira Martins e sua mulher Vitória; Fernanda de Castro e António Ferro; José Gomes Ferreira e sua mulher, Ingrid Hestnes; Bernardo Marques e Ofélia Marques.
Não deve haver muitos prédios em Lisboa, com habitantes tão ilustres.
Foto de Eduardo Portugal
Lisboa, Arq. Fotográfico da CML, B094509

Onde se fala de Ofélia e Bernardo Marques - 2

Ainda das memórias de Fernanda de Castro :

" (...) Não foram os comprimidos que a mataram, foi a solidão! É preciso dizer que, nessa altura, ela e o Bernardo já estavam separados há imenso tempo e que o Fred Kradolfer e o Zé Gomes Ferreira também já se tinham mudado e que, portanto, ela agora vivia sozinha. As suas únicas companhias, fora as visitas que já não eram muitas, era uma criadita, a Maria, que entrava de manhã e saía à tarde, e o seu gato, que nunca a abandonava e que, estranhamente, estava enroscado a seus pés quando a encontraram inanimada na manhã da sua morte. Soube-se mais tarde que ela sempre tivera a mania do suicídio e que fizera a primeira tentativa aos 14 anos! Não teve pois nada que ver com o Bernardo o suicídio da Ofélia, assim como não teve nada que ver com Ofélia o suicídio do Bernardo, ocorrido algum tempo depois e com o qual algumas pessoas sensacionalistas tentaram estabelecer ligação. "

E por aqui me fico sobre Ofélia Marques, uma vez que a nossa M.R. já anunciou que se lhe irá dedicar brevemente.

Onde se fala de Ofélia e Bernardo Marques

" Pensando nos momentos maus, lembro-me daquela noite triste e chuvosa, que nunca esqueci nem poderei esquecer. Seriam 10 horas da noite. Os pequenos dormiam e eu acabava de ler, na sala, um livro que não me apetecia largar. De repente, alguém bateu à porta. Não era o António, que só voltava do S.N.I. por volta das duas horas da manhã. Era a Ofélia Marques, mulher do Bernardo Marques, a minha vizinha do segundo andar, que vinha molhada, muito abatida e com um ar friorento. Disse-lhe para entrar, levei-a para a sala e ofereci-lhe café que tomou e agradeceu, dizendo-me que era exactamente o que lhe apetecia naquele momento.
Conversámos de várias coisas, falámos do retrato, que ela estava a pintar, da mulher do Olavo d' Eça Leal, retrato que mais tarde lhe valeu o Prémio Sousa-Cardoso no concurso anual do S.N.I., mas vi perfeitamente que, apesar dos esforços que fazia para parecer natural, estava tensa e com certeza pouco feliz. Por volta das 11 horas despediu-se, dizendo:
- Estou cansada e além disso sei que você costuma deitar-se com as galinhas.
Eu protestei, mas ela insistiu em ir-se embora. Despedimo-nos, fechei a porta, fui deitar-me e adormeci rapidamente, como de costume. Contudo, antes de adormecer, ouvi correr água na casa de banho que ficava por cima da minha e pensei: « A Ofélia vai tomar um banho quente e faz bem porque tinha ar de estar gelada.» No dia seguinte, à hora do costume, por volta das nove, quando me levaram à cama o pequeno-almoço, a Jacinta entrou no meu quarto muito aflita, dizendo repetidas vezes::
- Ai que desgraça, que grande desgraça! A senhora Dona Ofélia morreu!
Fiquei tonta, desmoralizada, e perguntei-lhe:
- O quê?! Quando? Como?
A Jacinta, com muitas pausas e muitas hesitações, acabou por me dizer:
- Foi a Maria que a encontrou. Ela tem as chaves da casa e quando entrou à hora habitual e levou o café à senhora, viu logo que ela estava morta, porque estava gelada e não respirava. -E a Jacinta continuou: - Parece que tomou um banho antes de se deitar, vestiu uma camisa muito bonita e deitou-se com o gato aos pés, como era seu costume.
Eu levantei-me, arranjei-me o mais depressa que pude e fui lá acima para ver se precisavam de mim ou do telefone para alguma coisa. Já lá estavam duas ou três pessoas de família e uma amiga que me disse em voz baixa, quase ao ouvido:
- Matou-se! Tinha um tubo de comprimidos vazio em cima da cama. (...) "
- Fernanda de Castro, Ao Fim da Memória, II vol. , 1939-1987, Editorial Verbo, 1987.


Para a M.R. e para a Ana que me fizeram lembrar desta passagem das memórias de Fernanda de Castro.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PENSAMENTO DO DIA

A nossa inimiga mais fiel é a Dor. Às vezes ausenta-se mas podemos estar certos de que volta, de que não nos esquece nem nos deixa esquecê-la.

- Fernanda de Castro

Foi do que me lembrei depois dos telejornais de ontem à noite: do sofrimento causado pela Gripe A entre nós à sobrevivente do naufrágio nas Filipinas que esteve 24h sozinha na água até ser resgatada. E a autora deste pensamento também sofreu bastante, como mulher, mãe e avó, e nos padecimentos do seu próprio corpo. Sabia bem do que falava, tanto da dor psíquica da morte de entes queridos, como da dor física que lhe foi restringindo os movimentos.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mais uma voz esquecida

" Morremos e ressuscitamos em cada hora, porque as sementes germinam na terra, porque as estrelas cintilam no céu, porque as árvores se cobrem de folhas na Primavera, porque a esperança é uma rosa com tantas pétalas quantos os dias da nossa vida. "

- Fernanda de Castro , Ao Fim da Memória, II vol. (1939-1987) , Verbo, 1987, 70.

Intervalando as leituras de férias, reli o segundo volume das belas memórias de Fernanda de Castro, mulher de cultura e cidadã hoje praticamente esquecida. Das comoventes páginas sobre a morte do seu marido, António Ferro, até ao surpreendente convívio com Natália Correia e José Carlos Ary dos Santos, fica-nos um fascinante retrato do que foi a vida desta poetisa, dramaturga, tradutora e romancista.