Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Gore Vidal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gore Vidal. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de março de 2017

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Leituras no Metro - 102

Roma, 8 abr. 2005. Foto Max Rossi/Reuters

«Assim que resolvi deixar de me interessar por obituários, o Papa e Saul Bellow morreram. O luto pelo Papa parece bizarramente irreal. Fala-se muito das conversões que ele fez em África, onde a sua severa proibição de contracetivos encheu o céu dos católicos de anjos africanos. Entretanto, e como de costume longe da verdade, os meios de comunicação norte-americanos tratam-no como trataram Marlon Brando, outra superestrela que também nunca representava senão o seu próprio papel.»
Gore Vidal
In: Navegação ponto por ponto / trad. José Luís Luna. Cruz Quebrada: Casa das Letras, 2006, p. 97

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Boa noite!


«À meia-noite, [Howard Austen] punha-se a cantar. Leto, que fora um prodígio do piano em Manila, acompanhava-o ao piano do andar de baixo. Considerava a voz de Howard melhor que a de Andy Williams, o que era realmente. Howard tinha sido cantor profissional até realizar, tristemente, que era um retardatário menor a essa época dourada de cantores liderados por Frank Sinatra e Tony Benett. Ao contrário da maior parte das grandes estrelas no topo da lista, Howard nunca perdeu a voz embora o enfisema reduzisse o seu volume. Antes de nos conhecermos, ele trabalhava em publicidade, trabalhando oito anos num centro comercial perto do Paramount Theater em Times Square para pagar os seus estudos na universidade de Nova Iorque. Ainda cantava: tinha um reportório de várias centenas de canções e, apesar das recentes operações e alucinações, nunca se esqueceu das letras. Cole Porter,  Sondheim e a sua favorita, Our love is here to stay, ecoavam pela casa no final da sua vida.» 
Gore Vidal
In: Navegação ponto por ponto / trad. de José Luís Luna. Cruz Quebrada. Casa das Letras, 2006, p. 92

Que primor de tradução. :(

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Leituras no Metro - 100

Trad. de José Luís Luna.
Cruz Quebrada: Casa das Letras, 2007

O meu livro do Metro tem sido estas memórias de Gore Vidal. A tradução é fraca - nada na linha da citação de George Steiner que APS ontem publicou no Arpose. 
E o que me irritou sobremaneira foi a tradução de um nome. Vejam: 
«Julian, o meu regresso ao romance, não era exatamente um crepitante e sexy livro de aeroporto: esta narrativa refletiva debruçava-se sobre as origens do cristianismo e a tentativa falhada do imperador Julião [sic] para estabelecer a tolerância religiosa em lugar do absolutismo cristão instalado pelo seu parente, Constantino. Tinha escrito um livro manifestamente inadequado à lista acanalhada dos sucessos. literários.» (p. 63) Santa Ignorância! A raiz é a mesma, mas chama-se Juliano. Em inglês é que ambos os nomes são Julian. O mesmo acontece com outros nomes próprios.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Gore Vidal (1925-2012)


Gore Vidal faleceu no dia 31 de julho. Dele li apenas duas biografias: Juliano e Lincoln. Gostei especialmente desta última, talvez pelo biografado. Um dia hei-de ler algum dos seus romances sobre a América e Palimpsesto, a autobiografia.
2.ª ed. Rio de Janeiro, 1986
Custou-me 750$00, num alfarrabista.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Grandes filmes (esquecidos?): 7 - Suddenly, Last Summer


"Suddenly, Last Summer/Bruscamente, no Verão Passado" é um filme de 1959, baseado na peça homónima de Tennessee Williams, com argumento deste e de Gore Vidal. A realização esteve a cargo de Joseph L. Mankiewicz, com interpretações de Katharine Hepburn, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor.
Violet Venable (Hepburn) é uma matriarca rica cujo filho único (e a luz dos seus olhos) morrera bruscamente no Verão passado, enquanto passava férias acompanhado da sua prima Catherine (Liz Taylor). Mrs. Venable contacta um neurocirurgião, contando-lhe a história da sobrinha: no seguimento dessas férias, Catherine enlouquecera; está num asilo; precisa de uma lobotomia para ficar calma. A história que vai desfiando é incontornavelmente a do filho, Sebastian "My son Sebastian and I", dos seus poemas (apenas escrevia um, um cada Verão) que a mãe quer imortalizar, do calor opressivo da estufa de plantas carnívoras, das narrativas de viagem (a terrível descrição das tartarugas recém-nascidas que corriam para o mar e eram devoradas no caminho), todos os Verões, sempre com Violet... excepto no Verão passado. A mãe e o irmão de Catherine cedem à pressão de Violet, cujo testamento é uma poderosa moeda de troca; resta Catherine, cujas incoerências sobre a morte do primo levam Violet a querer... acalmá-la. O filme galopa para um climax quando Catherine, sob o efeito de medicamentos, recorda perante o médico e a família o que se passou nesse Verão, em Cabeza de Lobo... sob um rosto de Violet que se vai transformando e descontruindo à medida que a narrativa se conclui.
O filme foi um dos Top 10 do box office norte-americano; foi nomeado para 3 Óscares, incluindo Katharine Hepburn e Elizabeth Taylor para Melhor Actriz (igualmente nomeadas para os Globos de Ouro de Melhor Actriz, arrebatado por Taylor).