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sábado, 7 de junho de 2025

Livro e marcador - 186

Livro sem cinta, livro sem cinta e livro com cinta e marcador.

Verso e reverso.
Fotos Cláudia.

Gostei muito deste livro que li noutra ed. Aprecio muito Semprún, cuja vida lhe deu muita (e variada) matéria para a escrita.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Leituras no Metro - 1068


Acho deliciosa a história de como Jorge Semprún se tornou um adepto de futebol, quando estava clandestino em Madrid e fazia horas entre dois encontros, numa taberna: 
«Estava ao balcão, e o meu vizinho diz-me de repente: "Que achou de Di Stefano, ontem?" [...] E repete: "Que achou de Di Stefano, ontem?". Volto-me para ele: "Di Stefano? Quem é? Quién és?" E então ouvi cristalizar, coagular, o silêncio mortal nessa taberna onde só havia homens, como é evidente, porque na Espanha de 1954, às 11 horas da manhã numa taberna, nunca haveria nenhuma mulher. Cerca de quarenta tipos viraram-se para mim, para o marciano que não sabia quem era Di Stefano. Então disse para comigo: se queres continuar a sobreviver na clandestinidade, tens de conhecer os nomes dos jogadores, as equipas, os resultados... Tomei consciência de que não saber quem eram Di Stefano, Gento, Suárez, me desmascararia um dia como estrangeiro, alheio à vida de Espanha.
«Comecei a ler a imprensa desportiva. De repente, passei a interessar-me, primeiro profissionalmente, se assim se pode dizer, e, depois, fui os jogos e tornei-me adepto, ganhei gosto pelo desporto. [...] Pouco a pouco ganhei-lhe gosto e até hoje. Na primeira terça-feira de cada mês, quando temos a reunião do Goncourt, encontro-me com Bernard Pivot e começamos a falar de futebol. A primeira troca de palavras consiste em comentários sobre o último jogo ou os campeonatos que decorrem. Só depois é que falamos do livros... Não estou a brincar!» 
Jorge Semprún - A linguagem é a minha pátria. Lisboa: Bizâncio, 2013, p. 106-107

sábado, 31 de outubro de 2020

Leituras no Metro - 1067

Lisboa: Bizâncio, 2013

Sou uma grande leitora e fã de Semprún, desde que li A longa viagem e que num Natal longínquo recebi La deuxième mort de Ramón Mercander (Paris: Gallimard, 1969).
Não tinha lido A linguagem é a minha pátria que comprei há dias numa banca no metro do Marquês e que são conversas com o seu amigo Franck Appréderis que atravessam a vida do escritor e que deram origem a um programa de televisão.
De exilado a resistente e a deportado em Buckenwald, de clandestino comunista a escritor premiado e a ministro da Cultura da Espanha democrática, tudo perpassa nestas conversas.

«Com uma energia incrível, Jorge Semprún andava, desde os dezasseis anos, num vaivém. Entre Espanha e França, entre Madrid e Paris, entre o espanhol e o francês, entre o exílio e o regresso, entre a clandestinidade e as honras, entre o cinema e o romance, entre a poesia e o poder, entre a escrita e a vida. E quando não andava nesse vaivém, situava-se no prolongamento. A Resistência como extensão da guerra de Espanha, o comunismo como efeito dos combates da Resistência e dos horrores da deportação, a literatura como reconstituinte após o veneno do silêncio e as utopias mortais. No percurso de Jorge Semprún, tudo parece ao mesmo tempo caótico e lógico. A convivência com a morte conferiu-lhe uma formidável fome de viver. [...]
«O seu estilo reproduz admiravelmente as ocorrências da vida e os caprichos da memória, se é que não são antes os caprichos da vida e as ocorrências da memória.» (Do pref. de Bernard Pivot)


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

quinta-feira, 5 de abril de 2018

As memórias de Costa-Gavras


As memórias de Costa-Gavras são hoje postas à venda em Paris.
Nascido na Arcádia, em 1933, numa Grécia destruída pela ocupação e guerra civil, Costa-Gavras nunca poderia ter imaginado levar-nos «onde é impossível de ir».
Imigrou sem dinheiro para Paris em 1955. O seu sonho era estudar. Vai descobrir a Sorbonne, a Cinemateca de Henri Langlois, e vai tornar-se, depois de ter feito o Idhec, assistente dos melhores realizadores: René Clair, René Clément, Jacques Demy, Henri Verneuil, Jean Becker e Jean Giono.
O primeiro filme que ele realizou foi Compartiments tueurs (1965), a que se seguiram uma série de sucessos internacionais como Z, A Confissão ou Missing.
Para além de referências sobre o papel fundamental que Costa-Gavras desempenhou na Cinemateca Francesa, estas memórias estão cheias de detalhes sobre a vida de Hollywood, sobre as filmagens. Para além de muitas alusões a realizadores e atores, como Luis Buñuel, John Ford, Romy Schneider, Jessica Lange, Jean Seberg, Jack Lemmon, Marlon Brando, John Travolta ou Dustin Hoffman. Mas, mais importante, este livro dá vida a uma família do pensamento: Yves Montand, Simone Signoret, Jorge Semprun, Salvador Allende, Arthur e Lise London, Chris Marker, Romain Gary – para se perceber que Costa-Gavras foi estimulado pelos maiores sonhos do nosso tempo, assim como pelas suas batalhas mais difíceis.
Estou candidata a ler este livro.

Não me lembro de ter visto este filme de Costa-Gavras.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Tempo de Memória: Les Deux Memoires de Jorge Semprún

A Filmoteca espanhola restaurou, no ano passado, a película de Jorge Semprun, Les Deux Mémoires (1974), produzida em 1972. Este documentário assenta numa série de entrevistas que relatam a memória dos dois lados da Guerra Civil Espanhola. Escritores, historiadores, atores falam e alguns deles mostram como as divisões da esquerda contribuíram para vitória de Franco.
Depoimentos de Santiago Carrillo, Federica Montseny, Gabriel Jackson, Ian Gibson, María Casares, Yves Montand, Costa Gavras, Dionisio Ridruejo, José Peirats, José María Gil-Robles e Juan Goytisolo (último Prémio Cervantes), entre outros.
O filme passa hoje às 21h30 na Cinemateca, inserido no CineFiesta.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Biografias e afins




Artigos de Jorge Semprun, Sophie de Vilmorin ( última companheira de Malraux ), Marc Jimenez, Thierry Dufrêne e Louis Bertagno ( que foi seu psiquiatra ), entre outros, que abordam a carreira literária e política de André Malraux mas que não deixam de abordar os pesados acontecimentos familiares e mais íntimos que marcaram a vida do grande escritor: filho de pais divorciados ( e o que isso representava à época... ),  os suicídios do avô ( 1909 ) e do pai ( 1930 ), a morte acidental da amante Josette Clotis ( 1944 ) e finalmente a morte dos filhos Gauthier e Vincent no mesmo acidente de viação ( 1961 ). Alguém pode censurar a Malraux os internamentos psiquiátricos e a dependência de psicotrópicos?

sábado, 18 de junho de 2011

Jorge Semprún (1923-2011)

Só ontem soube da morte de Jorge Semprún, ocorrida no dia 7 em Paris. Fiquei chocada porque, para além de ser um escritor e um homem que eu apreciava, fui ver uma exposição em Paris, Archives de la vie littéraire sous l'Occupation, e lembrei-me dele.
Jorge Semprun Maura  nasceu em Madrid. A sua família republicana (era sobrinho de Miguel Maura) exila-se em França, em 1937. Em 1941, adere à Résistance des Francs Tireurs et Partisans e, no ano seguinte, ao Partido Comunista Espanhol. Em 1943 é preso pela Gestapo e enviado para Buchenwald, regressando a Paris em 1945.
A partir de 1953 coordena as actividades clandestinas do PCE no exílio, integrando as suas comissões central e política.
Entre 1957 e 1962, anima o trabalho clandestino do PCE em Espanha, sob o pseudónimo de Frederico Sánchez, experiência que relatará no seu livro Aubiografia de Federico Sánchez.
Publica A grande viagem, um romance autobiográfico, que recebe o prémio Formentor, em 1963. No ano seguinte sai do PCE por divergências, consagrando-se então à escrita.
Em 1969, recebe o prémio Femina por A segunda morte de Ramon Mercader, uma biografia do assassino de Trotsky.
Entre 1988 e 1991 foi ministro da Cultura, em Espanha.
Em 1994 recebe o Prémio da Paz dos editores e livreiros alemães.
A escrita ou a vida, reordações, recebe o prémio Fémina Vacaresco 1994 e o Prix Littéraire des Droits de l'Homme 1995, bem como o prémio da cidade de Weimar e o prémio Nonino (Itália) em 1999.
Eleito para a Academia Goncourt em 1996.
(Só referi os livros de Semprún que li.)