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sábado, 24 de agosto de 2019

Os meus franceses - 707


«Ousarei confessar-te que estou feliz e orgulhoso por te ter tido como amiga e colega?» - escreve Serge Reggiani a Simone Signoret.
E sobre Casque d'Or, em português Aquela Loura: «os produtores não me queriam: procuravam, para fazer o papel de Manda, um jovem galã - que eu nunca tinha sido. O meu aspeto taciturno e robusto assustava-os. Jacques Becker e tu insistiram tanto que eles acabaram por ceder. Nunca te agradecerei o suficiente: se tive uma pequena hipótese de deixar uma marca na história do cinema, é a esse papel que eu o devo. Um júri não designou Aquela Loura como o terceiro melhor filme francês da história, depois de Les Enfants du Paradis e Le Jour se Lève [...]
«A série de cenas que Jacques Becker desejava rodar em primeiro lugar incluíam as famosas valsas do princípio do filme., na tasca de Joinville. Como dançar a valsa com gesso na perna, o braço esquerdo bastante hirto ao longo do corpo, como queria a moda da época? Eu poderia ter contado contigo e deixar-me guiar, mas foi impossível. Já bastante apaixonada por Yves Montand, que filmava então, no Cantal, O Salário do Medo, de Clouzot, escapavas-te sempre que podias para ir ter com ele, cortando conscienciosamente as nossas lições de valsa. No plateau, confiavas... em mim! Felizmente, o teu vestido comprido escondia-te os pés, que, na realidade, mal tocavam o chão: eu pegava literalmente em ti com o meu único braço direito e rodávamos, rodávamos... Sem dúvida que é por isso que Manda tem um ar tão rígido e tão digno!»
Serge Reggiani - Último correio antes da noite. Porto: Campo das Letras, 1996, p. 55-56

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

quinta-feira, 5 de abril de 2018

As memórias de Costa-Gavras


As memórias de Costa-Gavras são hoje postas à venda em Paris.
Nascido na Arcádia, em 1933, numa Grécia destruída pela ocupação e guerra civil, Costa-Gavras nunca poderia ter imaginado levar-nos «onde é impossível de ir».
Imigrou sem dinheiro para Paris em 1955. O seu sonho era estudar. Vai descobrir a Sorbonne, a Cinemateca de Henri Langlois, e vai tornar-se, depois de ter feito o Idhec, assistente dos melhores realizadores: René Clair, René Clément, Jacques Demy, Henri Verneuil, Jean Becker e Jean Giono.
O primeiro filme que ele realizou foi Compartiments tueurs (1965), a que se seguiram uma série de sucessos internacionais como Z, A Confissão ou Missing.
Para além de referências sobre o papel fundamental que Costa-Gavras desempenhou na Cinemateca Francesa, estas memórias estão cheias de detalhes sobre a vida de Hollywood, sobre as filmagens. Para além de muitas alusões a realizadores e atores, como Luis Buñuel, John Ford, Romy Schneider, Jessica Lange, Jean Seberg, Jack Lemmon, Marlon Brando, John Travolta ou Dustin Hoffman. Mas, mais importante, este livro dá vida a uma família do pensamento: Yves Montand, Simone Signoret, Jorge Semprun, Salvador Allende, Arthur e Lise London, Chris Marker, Romain Gary – para se perceber que Costa-Gavras foi estimulado pelos maiores sonhos do nosso tempo, assim como pelas suas batalhas mais difíceis.
Estou candidata a ler este livro.

Não me lembro de ter visto este filme de Costa-Gavras.

terça-feira, 8 de abril de 2014

In Secret


Uma nova adaptação, desta vez americana, do romance Thérèse Raquin (1867), de Émile Zola, vai estrear para a semana nos cinemas portugueses. Inicialmente, intitulado Thérèse.

Em 1953, Marcel Carné realizou um filme do livro de Zola, com Simone Signoret e Raf Vallone. Não me lembro de o ter visto. Deste filme, apenas encontrei uma canção no YouTube.


Li o livro de Zola há muitos anos e voltei a lê-lo, pelo menos, mais uma vez.
Trad. de João Gaspar Simões.
Lisboa: Arcádia, 1964. (BAB: 38)

«Ao fundo da rua G´négaud, vindo do cais, fica a viela do Pont-Neuf, espécie de corredor estreito e sombrio, que liga a rua Mazarine à rua de Seine. Esta viela tem trinta passos de extensão e dois de largura, quando muito; o pavimento é de lajes pardacentas e gastas, desconjuntadas, que ressumam uma humidade ácida; o tejadilho envidraçado que o cobre , em ângulo reto, é negro de sujo.» (p. 15) Assim começa o romance de Zola, numa rua ali para trás da Biblioteca Mazarine. 
Zola escreveu um prefácio para este livro, talvez para a sua 2.ª edição, porque a crítica o acolheu «com uma voz brutal e indignada».
«Na Teresa Raquin quis estudar temperamentos e não caracteres. Nisso está o livro inteiro. Escolhi personagens soberanamente dominadas pelos seus nervos e pelo seu sangue, desprovidas de livre arbítrio, arrastadas a cada ato da sua vida pelas fatalidades da sua carne.» (p.7-8)

Boa noite!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Requiem Cinema King

O cinema Vox, na cave do edifício da Av. Frei Miguel Contreiras, 52-A e Rua Bulhão Pato, obra do arq. Aníbal Barros Fonseca, abriu as suas portas a 16 de abril de 1969 com a estreia deste filme de Curtis Harrington.
Nos anos 80 (ou 90?) do século passado, o Vox passa a intitular-se King Triplex - três salas de cinema e um bar-livraria. Durante anos, fui quase semanalmente, à 2.ª feira, ao fim da tarde, ao King.

Encerrou no sábado. Mais uma vítima do aumento das rendas.

V: Margarida Acciaiuoli - Os cinemas de Lisboa. Lisboa: Bizâncio, 2012

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os meus franceses - 297

 
Paris: 15, place Dauphine
Neste prédio viveram Simone Signoret e Yves Montand

Simone Signoret na casa da place Dauphine



Boa noite com duas canções deste magnífico disco.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O segredo da felicidade...


«Le secret du bonheur en amour, ce n'est pas d'être aveugle mais de savoir fermer les yeux.» 
Simone Signoret

domingo, 25 de março de 2012

Leituras no Metro - 86

Foto de Jane Brown, 1966

«1986: Simone Signoret passe dans l'emission littéraire de Pivot un an après sa mort. C'est vrai qu'elle est formidable, comme elle joue bien la star, simple, directe et bonne enfant. Mais la malice dans ses yeux laisse percer le mépris qu'elle porte à toutes ses consoeurs actrices de cinéma. Je me suis toujours demandé pourquoi elle seule détenait la vérité et pourquoi elle croyait qu'il fallait se conduire comme elle, naturelle et jamais arrangée, les ongles ras et le tabac au coin des lèvres.
«Les femmes soignées ont également du succès et du prestige, souvent une tête, de la jugeote et du talent et, sans le montrer, quelques fois du coeur. Alors vive la discrétion.»
Roland Petit - J'ai dansé sur les flots. Paris: Bernard Grasset, 1993. p. 65

Simone Signoret faria hoje 91 anos.