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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

7 de Dezembro de 1970

Há precisamente 50 anos, Willy Brandt, chanceler da República Federal da Alemanha, visitava a Polónia por ocasião da assinatura do Tratado de Varsóvia. O documento determinava a inviolabilidade da linha geográfica dos rios Oder e Neisse como “fronteira ocidental da República Popular da Polónia”. A Alemanha Ocidental e a Polónia renunciavam a exigências territoriais antigas – um passo decisivo na normalização de um relacionamento entre ambos os estados, marcado pela agressão alemã durante a Segunda Guerra Mundial em território polaco.

Todavia, este acordo, já em si de importância histórica, viria a tornar-se emblemático por um acontecimento inesperado: diante do monumento em honra às vítimas do Ghetto de Varsóvia, Willy Brandt ajoelhou-se espontaneamente durante alguns segundos. A atitude comovente foi captada numa imagem que entrou na História.

Mais tarde, Brandt declarou ao semanário Der Spiegel: “Em nome do nosso povo, quis expiar um crime que atingiu milhões, cometido em nome alemão que, por sua vez, foi abusivamente utilizado para este fim. Há que actuar assim, se quisermos começar de novo e excluir uma repetição dos horrores do passado.”

Nem todos os alemães estavam de acordo: 48 % dos alemães, inquiridos numa sondagem, consideravam este gesto exagerado.
A comunidade internacional viria a reconhecer a atitude de Willy Brandt um ano mais tarde, através da atribuição do prémio Nobel da Paz.
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Willy Brandt (1913-1992)

Esta foto do Willy Brandt, cujo centenário hoje se celebra, está numa estante, aqui atrás de mim.

«A paz é algo mais do que a ausência de guerra, embora algumas nações pudessem hoje estar contentes só por isso. Um sistema de paz duradouro e equitativo requer oportunidades iguais de desenvolvimento para todas as nações.»
Willy Brandt



Em geminação com o Arpose.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Em viagem: De uma Alemanha à outra


No dia 1 de Janeiro de 1990, Günter Grass começou a redigir um diário que manteve durante treze meses. Ao longo desse período ocorre a reunificação alemã, que se torna a sua principal preocupação. Nesse mesmo ano, Grass desenha, reflete, escreve, dialoga, lê, cozinha, faz jardinagem e viaja… viaja de uma Alemanha para a outra, da RFA para a RDA, da Alemanha de ontem para uma Alemanha renovada, com visitas à sua Gdansk natal, à Dinamarca, a Portugal, a Praga e a Paris, onde escreveu O Tambor. Foi tempo também de retratar intelectuais e políticos com quem se reuniu por diversas ocasiões. Sente-se, neste seu diário, um processo de divórcio com o seu próprio país, com anotações que revelam controvérsias, fontes de desespero, mas também a sua singularidade literária. Com dezanove ilustrações do próprio autor.
(Da nota de imprensa distribuída pela editora)

É hoje posto à venda.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

60 anos de uma nação: 1974


A Volkswagen apresenta um novo modelo, o Golf, que substitui o saudoso carochinha ao fim de três décadas. Novidades tecnológicas bem como um desenho desportivo tornam a viatura num caso de sucesso, sobretudo numa época em que a Volkswagen se ressente do choque petrolífero do ano anterior.

O escândalo em torno do espião Günter Guillaume abala o mundo político em Bona. Guillaume mudou-se da RDA para a RFA em 1956. Rapidamente ascendeu na hierarquia partidária social-democrata, até integrar o gabinete de assessoria de Willy Brandt em 1972. As suspeitas dos serviços secretos da RFA confirmam-se: Guillaume actuou sob ordens da RDA, a espionagem atingiu o mais alto nível político. O incidente, já em si pouco benéfico quanto ao relacionamento inter-alemão, é agravado pelas reacções ambíguas por parte do chanceler: Brandt diz não recordar-se da dimensão de informações confidenciais a que Guillaume terá tido acesso. Por outro lado, o chanceler parece pouco confortável com detalhes de um relatório policial interno que dá conta de affairs extra conjugais. Brandt considera tais pormenores como “produto de uma fantasia florescente”. As repercussões que a “traição” de Guillaume poderá comportar na segurança interna da RFA, são ainda dificilmente mensuráveis. Levam todavia Brandt a demitir-se do cargo. Helmut Schmidt do partido social-democrata sucede como quinto chanceler da jovem república.


A Alemanha Ocidental é anfitriã do campeonato mundial de futebol. A equipa da RFA destaca-se pela negativa nos primeiros jogos: “cúmulo da vergonha” é a derrota frente à RDA que se orgulha de vencer o rival altivo. No entanto, o destino mostra-se benevolente com os alemães ocidentais no decorrer do torneio: após as vitórias contra a Suécia, Jugoslávia e Polónia, os jogadores da RFA sob a égide de Franz Beckenbauer qualificam-se para a final contra os Países Baixos. O jogo decisivo começa com um golo holandês ao fim de apenas dois minutos. Mas a primeira parte termina já com um resultado de 2:1 a favor dos alemães que resistem aos ataques da equipa Oranje ao longo da segunda metade. A RFA consagra-se campeã mundial pela segunda vez. Franz Beckenbauer é coroado com o título “Der Kaiser” (O Imperador).


Imagens: VW-Golf; Guillaume vs Brandt; Helmut Schmidt; "Der Kaiser"

quarta-feira, 10 de junho de 2009

60 anos de uma nação: 1971

Uma onda de consternação atravessa a Alemanha Ocidental: o semanário Stern publica o artigo “Wir haben abgetrieben” (trad. abortámos), em que 374 mulheres confessam ter voluntariamente interrompido a gravidez – entre elas, nomes conhecidos como os das actrizes Romy Schneider e Senta Berger, mas também mulheres anónimas de todas as camadas sociais. Alice Schwarzer, defensora incontornável da causa feminista alemã, lidera esta iniciativa e exige a anulação do § 218 do Código Penal que penaliza o aborto. Segue-se um debate público, profundamente dividido entre as opiniões a favor e contra a despenalização: os slogans dos diferentes quadrantes vão desde A minha barriga só a mim pertence a Aborto é homicídio. A coligação entre os sociais-democratas e o partido neo-liberal viria a reformar o código três anos mais tarde. Tal reforma viria, no entanto, a ser chumbada pelo Tribunal Constitucional (Bundesverfassungsgericht).

O Prémio Nobel da Paz de 1971 é atribuído a Willy Brandt. O comité norueguês distingue o chanceler alemão com o prémio “por pôr em prática a 'Ostpolitik', na República Federal da Alemanha, que estabeleceu uma nova atitude em relação aos países de leste, e, em especial, à República Democrática Alemã" . Já durante o seu cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, Brandt iniciara a reconciliação com os vizinhos de leste. Levara a cabo os tratados com a União Soviética, a RDA e a Checoslováquia, assinados em anos anteriores, o que viria a atenuar a tensão da Guerra Fria. Símbolo mais emblemático deste empenho fora a visita de Brandt ao monumento às vítimas do Ghetto de Varsóvia um ano antes. A política de “normalização” (Entspannungspolitik) sob a iniciativa de Brandt viria a marcar o fio condutor da política externa da Alemanha Ocidental durante toda a década.
“Se no balanço da minha actuação constar que eu ajudei a abrir caminho para um novo senso de realidade na Alemanha, então eu terei cumprido uma das esperanças da minha vida", assim discursa Brandt na cerimónia oficial em Oslo.

Imagens: capa do semanário Stern; Brandt ao receber o Prémio Nobel da Paz

terça-feira, 9 de junho de 2009

60 anos de uma nação: 1970

A crónica deste ano é dedicada a um único acontecimento em homenagem a Willy Brandt.
O chanceler visita a Polónia em Dezembro de 1970 por ocasião da assinatura do Tratado de Varsóvia. O documento determina a inviolabilidade da linha geográfica dos rios Oder e Neisse como “fronteira ocidental da República Popular da Polónia”. A Alemanha Ocidental e a Polónia renunciam a exigências territoriais antigas – um passo decisivo na normalização de um relacionamento entre ambos os estados, marcado pela agressão alemã durante a Segunda Guerra Mundial em território polaco.

Todavia, este acordo, já em si de importância histórica, viria a tornar-se emblemático por um acontecimento inesperado: diante do monumento em honra às vítimas do Ghetto de Varsóvia, Willy Brandt ajoelha-se espontaneamente durante alguns segundos. A atitude comovente é captada numa imagem que entra na História.
Brandt declara ao semanário Der Spiegel: “Em nome do nosso povo, quis expiar um crime que atingiu milhões, cometido em nome alemão que, por sua vez, foi abusivamente utilizado para este fim. Há que actuar assim, se quisermos começar de novo e excluir uma repetição dos horrores do passado.”

Nem todos os alemães estão de acordo: 48 % dos alemães, inquiridos numa sondagem, consideram este gesto exagerado.
A comunidade internacional viria a reconhecer a atitude de Willy Brandt um ano mais tarde.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

60 anos de uma nação: 1969

Um ano após o primeiro transplante de um coração pelo sul-africano Christiaan Barnard, é feita a primeira cirurgia da especialidade num hospital alemão: Rudolf Zenker, Director da Clínica Universitária Cirúrgica de Munique, dirige uma equipa durante oito horas. No entanto, o paciente sobrevive apenas poucas horas. O coração da doadora que falecera num acidente de viação poucos dias antes, comportava danos, resultantes desse acidente. O primeiro transplante de coração bem sucedido viria a registar-se em 1981. Na RDA, tal vitória viria a ser alcançada em 1986.

O partido democrático cristão sob a direcção do chanceler Kiesinger vence as eleições legislativas de 28 de Setembro. No entanto, o adversário social-democrata Willy Brandt inicia, para surpresa de todos os quadrantes políticos, negociações com o líder do partido neo-liberal, Walter Scheel. Conceitos comuns no que respeita à política externa, em particular ao relacionamento com a RDA e a União Soviética, são os alicerces para uma coligação entre estes dois partidos. O primeiro desafio à "sobrevivência" da coligação dá-se a 21 de Outubro: com apenas dois votos de maioria, Brandt é eleito o primeiro chanceler social-democrata, pondo termo a vinte anos de governação do partido conservador. Na sua primeira declaração diante do Bundestag, Brandt profere a célebre fórmula Mehr Demokratie wagen (trad. ousar mais democracia). A nova constelação política reflecte o processo de profundas mudanças em que a sociedade alemã ocidental se encontra. Inicia-se uma nova era de renovação política e social.


Em Novembro de 1969, termina o projecto revolucionário “Kommune 1”. Dois anos antes, 9 homens e 9 mulheres, acompanhados de uma criança, formaram uma comunidade num apartamento de Berlim de cariz muito especial: definem-se como modelo oposto à família tradicional que, no entender da Kommune 1, alimenta a ascensão de tendências fascistas. Em protesto a estes conceitos considerados conservadores e burgueses, praticam uma liberdade de relacionamento total e incondicional, defendem a igualdade de direitos para homem e mulher e organizam atentados “pacíficos”, ao atirar alimentos contra altas visitas estrangeiras. Saturação e problemas de toxicodependência, entre outros motivos, originam o fim desta experiência inédita dois anos depois. A Kommune 1 viria a ser exemplo para muitas comunidades que se constituíram ao longo dos anos 70.
Imagens: Christiaan Barnard; Willy Brandt; Kommune 1

sábado, 30 de maio de 2009

Willy Brandt

No seguimento do post de ontem do Filipe, resolvi colocar esta foto de um dos homens que mais admiro: Willy Brandt. Era burgomestre de Berlim quando Kennedy visitou essa cidade. Seis anos mais tarde tornar-se-ia chanceler da RFA.