Prosimetron

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Há santos e santos...


Geralmente, pelo menos para mim, os comunicados da CMVM, instituição que regula o nosso mercado bolsista, são pouco interessantes. Mas houve um recente que me chamou a atenção:
A CMVM informa que a Fundação Portuguesa de Santo António e Todos os Santos e o seu presidente, António Lourenço Tavares, não estão autorizados a desenvolverem qualquer actividade de intermediação financeira em instrumentos financeiros em Portugal.
E a entidade reguladora especificava seguidamente quais os produtos financeiros "proibidos" com nomes tão pomposos como suspeitos...
Quem quiser espreitar a Fundação em causa veja aqui: http://www.fundacaoportuguesa.org/

De Camille

Camille Claudel, La Petite Châtelaine, mármore, 1897, Museu Rodin.


Porque ontem li um artigo sobre esta enorme escultora, lamentando o autor a quantidade de peças que ela destruiu.

Louis-Michel van Loo - Retrato de Diderot, 1767

«[...] il n' y a qu'un devoir, c'est d'être heureux [...].»
Diderot - Essai sur la vie de Sénèque le philosophe [...], 1778

Ao APS
.

Livros de cozinha - 27

Vou escolher uns folhetos com receitas, normalmente oferecidos por marcas, para colocar nesta secção. Como estamos na Primavera, começo com este da Margarina Chefe.
Mas, se fizerem o bolo, substituam a margarina por outra gordura mais saudável.



Lisboa: Fábrica Nacional de Margarinas, 1959

O Dom das Lágrimas - Crónicas de João Bénard da Costa

Esta crónica de João Bénard da Costa foi escrita no início do Outono. Transcrevi-a agora por causa da proximidade da visita do Papa Bento XVI, pois ela remete-nos para uma reflexão sobre as mudanças operadas na Igreja. Para não ser maçadora escolhi os excertos mais significativos. Achei especial graça porque ainda ouvi a missa em latim apesar de ter feito a catequese após o Vaticano II.
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Artemisia Gentileschi, Maria Maddalena, circa 1616. Galleria Palatina, Firenze.

"O livrinho que, agora, Manuel Rosa me pôs nas mãos e que daqui tanto lhe agradeço - é uma antologia de orações da antiga liturgia cristã, escolhidas e traduzidas por José Tolentino Mendonça e Joaquim Félix de Carvalho. Tem na capa (cabeça, busto e braço ) da Madalena de Artemisia Gentileschi que está no Pitti (o que eu gosto desse quadro!) e chama-se O Dom das Lágrimas*. (...)

José Tolentino evoca sobretudo a espiritualidade dos Padres do Deserto e dos místicos. Evagro, o Pôntico, que explicou a acédia como a dureza das almas que resistem às lágrimas. São Gregório de Nazianza, São Gregório de Nissa, o Diácono Efrém. Fala de Orígenes e da«tristeza segundo Deus», «sede da alma», «húmido silêncio espiritual». «As lágrimas são uma fala estimada», «uma chuva de ouro», «um alagado lençol de piedade sobre o mundo». E recito ainda outra citação do Poeta, esta de Cioran:« As lágrimas são aquilo que permite a alguém ser santo, depois de ter sido homem».
Por isso, a partir do século VIII e IX, através das chamadas Missas de Alcuíno, como aprendi com a erudita introdução de Joaquim Félix de Carvalho, surgiram nos códices medievais, formulários de missas « pro petitione lacrimarum». Essas missas rezaram-se até ao Vaticano II, que acabou com elas, na reforma litúrgica que acabou com tantas outras coisas que nunca deviam ter acabado.
São belíssimas as orações da antologia, publicadas em latim e na tradução portuguesa.

Transcrevo estas duas, que no livro levam os números XII e VII:

Deus omnipotente
considera favorável estas orações
e alaga nossos olhos com rios de lágrimas
que apaguem as flamas dos incêndios merecidos

[...]

digna-te dar abundância
luz da inteligência verdadeira a estes submissos sevos
lágrimas aos olhos
contrição no coração
até que purificados do actual luto e da tristeza espiritual
da morte eterna nos afastemos como de uma ruína"

*Colecção Gato Maltês, edição Assírio & Alvim, 2002

João Bénard da Costa, Crónicas: Imagens Proféticas e outras, 1º Volume, Lisboa: Assírio & Alvim, 2010, p.71-74.

Prelúdio e Fuga nº 1, BWV 846, de "O cravo bem temperado" de Joahnn Sebastian Bach Cravista-Helmut Walcha


domingo, 2 de maio de 2010

«Do retrós e do retro»


Rua da Conceição, antiga Rua dos Retroseiros
Foto Armando Serôdio, 1963
Arq. Fot. CML, PT/AMLSB/AF/SER/S01852

«Quando se fala da animação da Baixa de Lisboa, da necessidade de música e de lojas, restaurantes e hotéis de charme, espanto-me sempre - sim, ainda - por nunca se falar do carácter nostálgico, encantatório e museológico das gerações de ademanes, penduricalhos e apêndices que se exibem e comercializam nos retroseiros. Espanto-me por não surgir, entre os que se anunciam arquitectos de intervenções savíficas, a ideia de criar uma espécie de oficina de intervenções artesanais naquela rua, um sítio onde se possa mandar coser botões, fechos, tricotar cachecóis, subir bainhas, apertar saias, aplicar cotoveleiras. Um lugar onde, mesmo que a maioria dos clientes já não saiba o que é um retrós (descodificado no dicionário como "fio de seda torcido geralmente usado na costura"), se possa celebrar e viabilizar a existência de retrosarias. E fazer mais infinito, torcer e retorcer o prazer que elas são.»
Final da crónica de Fernanda Câncio «Do retrós e do retro» (In: Notícias Magazine, 2 Maio 2010)

Acho que uma das funções das câmaras municipais deveria ser preservar algumas das suas lojas, como edifícios e espaços de interesse municipal.

Palácio de Queluz: Sala do Toucador



Fotos de Flávio Lopes e Francese Monfort
In: Maravilhas de Portugal. Rio de Janeiro: Salvat, 1989


Para a Ana, retribuindo as suas violetas e porque gosta de espelhos.

Às nossas mães

Ás MR e Ana e às mães dos nossos companheiros de blogue e dos nossos leitores, que não morrem nunca, um "bouquet de Liz" e um poema
Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
in 'Lição de Coisas'

Para MR!

Obrigada MR e bom dia da Mãe.


«O menino de sua mãe»


Pintura lacada vietnamita.
Fonte: Ebay

Raspanete em directo...

Este momento de televisão já tem uns anitos (2003), mas é delicioso e um excelente exemplo dos perigos de entrevistar a própria mãe... Ele é Anderson Cooper, grande jornalista, uma das estrelas da CNN, que é filho de um ícone norte-americano- Gloria Vanderbilt- e pergunta a esta sobre presentes adequados para o Dia da Mãe, mas ele não estaria à espera certamente de tantos reparos ( visitas-me pouco, o cartão que me mandaste não foi escrito à mão etc )...

Um quadro por dia - 57

Frederick, Lord Leighton of Stretton(1830-1896), Mother and Child (Cherries), 1865 , óleo sobre tela.
Lord Leighton, como é conhecido, que foi aliás o primeiro pintor britânico a receber um título ( Barão Leighton de Stretton ) é um dos mais apreciados pintores vitorianos. Há-de voltar a estas páginas, provavelmente pelos auto-retratos.

Para a minha

Hoje como ontem, o teu é o maior e o melhor amparo. O amor maternal é realmente o arquétipo do amor incondicional e quem dele beneficia ou beneficiou sabe do que falo.


Flores - Diego de Rivera 2

Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez nasceu em Guanajuato, no México foi um comunista activo. Os seus trabalhos reflectem a influência da pintura russa ligada ao neo-realismo. Foi casado com Frida Khalo também pintora e já aqui colocada.
Diego Rivera tem numerosas pinturas que retratam as vendedoras e os carregadores de flores. Esta segunda escolha recai outra vez sobre os jarros. O link indica donde foi retirada a imagem. Encontrei poucos dados sobre as telas e na Webmuseum of Rivera não encontrei nada.
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Diego Rivera, A vendedora de jarros


Canção


Tinha um cravo no meu balcão;
xxxxxveio um rapaz e pediu-mo:
xxxxx- mãe, dou-lho ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
xxxxxveio um rapaz e pediu-mo:
xxxxx- mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
xxxxxsó não dei o coração;
xxxxxmas se o rapaz mo pedir:
xxxxx- mãe, dou-lho ou não?

Eugénio de Andrade

Luís Miguel Cintra no D. Maria II


Congresso Os médicos e a República

Sociedade de Geografia de Lisboa / Secção de História da Medicina
Entrada livre

20 Maio, 5.ª feira
Abertura
09H30 – Entrega de documentação
10H00-10H30 – Mesa de abertura
I Painel (Moderador Almirante Luíz Gonzaga Ribeiro)
10H30-10H50 – Miguel Bombarda: morte na Revolução
Dr. Vítor Freire, HMB
10H50-11H10 – Luíz Cebola: a República e o Estado Novo
Doutor Aires Gameiro, OHSJD, SHM-SGL
11H10-11H30 – Reynaldo dos Santos: o Homem e o Médico
Coronel Médico Carlos Vieira Reis, SHM-SGL
11H30-12H00 – Debate
12H00-14H00 – Almoço livre

II Painel (Moderador Dr. João Pedro Xavier de Brito)
14H00-14H20 – O Dr. Anastácio Gonçalves e o coleccionismo em Portugal
Dr. José Alberto Ribeiro, CMAG
14H20-14H40 – Prof. Reynaldo dos Santos e a Casa das Memórias:
A memória de um Médico humanista
Dr.ª Assunção Júdice, CMC
14H40-15H00 – Jaime Cortesão Médico
Almirante Luíz Gonzaga Ribeiro, SHM-SGL
15H00-15H30 – Debate
15H30-15H50 – Intervalo

III Painel (Moderador Dr. António Meyrelles do Souto)
15H50-16H10 – Carolina: por entre os itinerários da Memória e da Ciência
Doutora Isabel Lousada, CESNOVA
16H10-16H30 – Adelaide Cabete: uma alma notável da I República
Dr. João-Maria Nabais, SHM-SGL
16H30-17H00 – Debate


21 Maio, 6.ª feira
IV Painel (Coronel Médico Carlos Vieira Reis)
10H30-10H50 – Dr. António Mendes Lages: ciência e devoção
na República
Doutor Augusto Moutinho Borges, MSJD, CEIS20-UC, SHM-SGL
10H50-11H10 – Fernando Matos Chaves: o percurso de um médico
Prof. Doutora Madalena Esperança Pina, FCM-UNL, CEHFCI, SHMSGL
11H10-11H30 – D. Tomaz de Mello Breyner: entre a Monarquia
e a República
Dr. António Meyrelles do Souto, SHM-SGL
11H30-12H00 – Debate
12H00-14H30 – Almoço livre
V Painel (Moderadora Prof.ª Doutora Madalena Esperança Pina)
14H30-14H50 – Ricardo Jorge e a Saúde Pública em Portugal
na 1.ª República
Doutora Rita Garnel, CESNOVA
14H50-15H10 – Doutor José Alberto Faria: Director-Geral da Saúde
Prof. Doutor Pereira Miguel, INSDRJ, SHM-SGL
15H10-15H30 – Debate
15H30-15H50 – Intervalo

VI Painel (Moderador Doutor Augusto Moutinho Borges)
15H50-16H10 – Egas Moniz: o político na sombra do cientista
Mestre Manuel Correia, CEIS20-UC
16H10-16H30 – Médicos Sócios da Sociedade de Geografia de Lisboa,
na 1.ª República (1910-1926)
Maria Luísa Villarinho Pereira, SHM-SGL
16H30-17H00 – Debate
17H00 – Encerramento

Poema à Mãe - Eugénio de Andrade

Adoro este poema e julgo que já o coloquei em tempos. Agora deixo a declamação embora, não saiba quem é o autor. Havia uma declamação fantástica de Nuno Miguel Henriques mas não se deixava copiar.

1910 - 16



Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira nasceu há 100 anos em Alogoas (Brasil). Foi um dos maiores filólogos de língua portuguesa, autor do Novo dicionário de língua portuguesa, conhecido como Dicionário Aurélio.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aur%C3%A9lio_Buarque_de_Hollanda_Ferreira
ver mais:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dicion%C3%A1rio_Aur%C3%A9lio

No Quartel do Carmo








Exposição sobre a GNR: pequena, mas engraçada.
Até dia 4 de Maio.

A todas as mães!

Uma viagem pelas memórias...
"Bethânia, Caetano e Dona Canô cantam Oração da Mãe Menininha"

A Terra das Ameixas Verdes - Herta Müller

Herta Müller nasceu, em 1953, na aldeia de Nitzkydorf, na Roménia. Viveu 5 anos num campo de trabalho na actual Ucrânia. Estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara. Depois de tirar o curso trabalhou como tradutora numa fábrica de Timisoara. Foi demitida (1979) por não colaborar com a polícia política de Nicolae Ceaucescu e em 1987 abandonou o país e foi para a Alemanha.

Herta Müller foi laureada com o Prémio Nobel da Literatura em 2009. A Terra das Ameixas Verdes é o título que ando ler com muito agrado. O livro narra as memórias do silêncio e do medo impostos pela ditadura de Ceausescu. Escolhi este trecho para ilustrar o que a personagem idealiza para lá das muralhas do silêncio. É um livro sobre a resistência e a impotência face a um regime aniquilador, asfixiante e desumano.
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"Os livros da casa de campo tinham sido contrabandeados para dentro do país. Estavam escritos na língua materna em que o vento se deitava. E não na língua estatal, como aqui no país. Mas também não era a língua do o-ó infantil das aldeias. Nos livros havia a língua materna, mas o silêncio de aldeia que proibe o pensar, esse não constava nos livros. Lá de onde os livros vinham, todos pensam, pensávamos nós. Cheirávamos as folhas e dávamos connosco a ganhar o hábito de cheirar as nossas mãos. Pasmávamos, as mãos não ficavam negras ao lermos como do negro da impressão de jornais e livros do país.
Todos os que percorriam a cidade com a terra às costas cheiravam as mãos. Não era que conhecessem os livros da casa de campo. Mas queriam ir para lá. Lá de onde estes livros vinham, havia calças de ganga e laranjas, brinquedos fofos para crianças e televisões portáteis para os pais e meias de vidro finíssimas e rimmel a sério para as mães".
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Herta Müller, A Terra das Ameixas Verdes, Lisboa: Difel, 2009, p.46

Parque Eduardo VII, Lisboa


Nunca vi esta estátua. Alguém a viu? Onde está ou onde esteve? Ou foi a baixo quando tiraram o grande lago?
Ou está na zona das esplanadas?
E quem é o seu autor?

sábado, 1 de maio de 2010

Era boa?


xxxxxBoa noite!

Lisboa: Onde se pode encontrar um bibliófilo ao sábado à tarde?


http://www.nossoskimbos.net/CalcadaPortuguesa/images/l1_MercadoRibeira01_jpg.jpg

Flores, Diego Rivera - 1º de Maio.

Seguindo o mote de MLV fui à procura de flores que fizessem lembrar os trabalhadores e homenageassem o mês das flores.
Diego Rivera, El Venedor de Alcatraces
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Ainda bem que está sol...


Ainda bem que está sol, porque vou agora fugir de casa, não por "alergia " à organização supra, que domina grande parte do meu horizonte, ou ao Dia do Trabalhador, mas sim porque o ruído ( especialmente os bombos...) está a ficar um bocadinho incomodativo... E os discursos ainda nem começaram.

Mês das flores

Como Maio é o mês da Primavera dedico a primeira vinheta do mês às flores. O cacto Schlumbergera Truncata embora comum entre nós tem origem no Brasil e é um exemplar apreciado pelas suas flores, de várias cores, que lembram um camarão. O nome cacto surgiu do termo "cactus" (flores com espinhos) dado pelo grego Teofrasto, discípulo de Aristóteles e considerado o Pai da Botânica, por ter sido o primeiro a formular uma terminologia descritiva das plantas. Segundo o Feng Shui os cactos são plantas purificadoras do ambiente agindo como uma barreira contra os raios gama emitidos pelos equipamentos electrónicos.

Cantiga de Maio

Adoro esta Maio Maduro Maio do Zeca Afonso, e confesso que hesitei bastante sobre qual das versões ia postar aqui: se a da Nara Leão, ou a também belissíma dos Madredeus. Este ano "ganhou" a Nara.

Chaplin - Tempos Modernos!

1º de Maio, Dia do Trabalhador, com o humor satírico de Chaplin.


«As mulheres coram por ouvirem falar daquilo que não receiam de modo algum fazer.»
Montaigne (1533-1592)

Esta vida é de enganos


Esta vida é de enganos
Ganha quem pode ganhar
Eu, para o peixe crescer
Muito tenho de soprar


Lisboa: vendedeira de peixe

Emma Goldman, a propósito do 1.º de Maio


Lisboa: Assírio & Alvim, 2008

«[...] a 1 de Maio de 1886, uma imensa onda grevista assolou o país. Só em Chicago, que encabeçava o movimento, paralisaram incialmente vinte e cinco mil trabalhadores mas, três dias passados, a grande cidade estava em greve geral. Entretanto, ocorriam por todo o lado confrontos sangrentos entre a polícia e mercenários e os trabalhadores. O ataque mais brutal foi sobre os grevistas da McCormick Harvester Company de Chicago, onde a polícia e os Pinkertons desfecharam deliberadamente rajadas matando quatro trabalhadores e ferindo outros em elevado número.

http://www.boisestate.edu/socwork/dhuff/us/EXTRA%20IMAGES/haymarket%20(Small).jpg
«Contra este assassínio a sangue-frio, foi convocada uma reunião maciça de protesto para o dia 4 de Maio, em Haymarket Square, que decorreu pacificamente. Apesar de o próprio Mayor de Chicago, Carter Harrison, ao sair do local, ter informado o chefe da polícia de que tudo se estava a passar ordeiramente, pelas dez horas da noite, já com o último orador – Samuel Fielden – na plataforma e muitas pessoas a dispersar, o Capitão Ward irrompeu por entre os manifestantes que restavam com uma força policial, batendo impiedosamente em homens e mulheres. Então, inesperadamente, algum objecto voou a zunir pelo ar: era uma bomba que explodiu matando um polícia e ferindo vários. Os tiros de resposta sobre a multidão em fuga acabaram por matar mais seis polícias e muitos civis. O número total de mortos foi de sessenta e sete, a maioria devido a ferimentos de balas e não a estilhaços da bomba. Não se descobriu o bombista, nem a polícia fez grandes esforços para o identificar; em vez disso, prendeu todos os oradores e uns tantos anarquistas conhecidos. A polícia e os jornais inflamaram a opinião pública contra os trabalhadores contra os políticos de esquerda, contra os anarquistas em particular.
«De volta a casa, Emma Goldman estava certa do que sempre suspeitara: George Engel, Samuel Fielden, Adolph Fischer, Louis Lingg, Óscar Neebe, Albert Parsons, Michael Schwab, August Spies – ameaçados com a pena máxima – e os outros homens de Chicago estavam inocentes. Tinham sido apanhados numa armadilha. No entanto, uma dúvida permanecia. Greie falara deles como socialistas, mas os jornais acusavam-nos de perigosos anarquistas bombistas. Afinal o que era o anarquismo?» (p. 30, 33)

Desenho de Walter Crane, 1894

sem comentários


Foi publicada pelo Diário de Notícias.

Isto é história?

O campeonato do mundo em futebol
«Na segunda metade de Julho de 1966, realizou-se, nos estádios da Grã-Bretanha, a parte final do Campeonato Mundial de Futebol, em que o nosso país obteve um ressonante terceiro lugar. O interesse do público transferiu-se para os grandes encontros em que a selecção lusa participou. Dir-se-ia que os restantes aspectos pouco ou nada contaram para as multidões que se reviam, em Portugal, nos actos que mais acendiam a vibração nacional. [...].»
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal (1960-1968). Lisboa: Verbo, 2010, p. 222

Hoje na FNAC, abri este livro 'ao calhas' e comecei a ler o que atrás transcrevi. Depois, andei um pouco para trás e li umas quantas linhas sobre a crise académica de 1962, qualquer coisa semelhante a umas páginas autobiográficas.

Sessão da Noite do último dia do mês


Terminou há pouco, no canal Hollywood, a exibição de um lindíssimo filme dirigido por Steven Spielberg: Império do Sol. O filme muito criticado pelos habituais detractores do realizador, que acabaram por se lhe render, relata uma história da segunda guerra mundial, vivida na China invadida pelos japoneses, onde um miúdo inglês de 11 anos sobrevive devido às suas inteligência e coragem e nos mostra os horrores da guerra, da violência dos japoneses à bomba de Hiroshima e Nagasaki. Mas também a amizade entre o jovem prisioneiro e um jovem piloto kamikaze.



Neste filme foi revelado um jovem actor, Christian Bale, o protagonista,que faz um papel extraordinário. Bale, é um dos poucos actores que foram lançados em criança e prossegiu a sua carreira na idade adulta, aliando um grande talento à beleza física, em filmes tão diferentes como Henrique V , Psicopata Americano,Batman ou Inimigos Públicos, mostrando a sua versatilidade.
A par da actuação de Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson e Nigel Havers, há a destacar a fotografia e a lindíssima banda sonora.
Rever este filme foi uma noite bem passada, neste final de Março.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Não Tenho Avesso - As Noites Afluentes (IV)

Julgo que muitos políticos deviam ler este poema.
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Detalhe da pintura de José Daniel Abrunheiro


NÃO TENHO AVESSO

Sou como sou, não tenho avesso,
nem outro rosto por detrás
deste que te olha do interior de mim.

A minha voz é o pensamento revelado
sem meandros nem sombras.
Quando falo estou em equação com os outros,
sou um número exacto, não a incógnita.

Quem me quiser basta olhar-me de frente,
dizer ao que vem com palavras de dentro
e a porta se abrirá como um abraço.

Mas se a porta ficar fechada,
volta apenas quando
os meus olhos não tropeçarem
na voz enganosa que me chama.

António Arnaut, As Noites Afluentes, Coimbra: Coimbra Editora, 2001, p.145

São servidos?


Só de uma, porque já há poucas.

«Foi uma ideia que lhe surgiu pela hora do jantar»...

Assim se explicou a juíza-presidente do Tribunal de Matosinhos, justificando a decisão de condenar um homem, que sufocou a filha de sete anos, a 16 anos de prisão. A pena máxima não foi aplicada porque «o tribunal ficou sem saber qual a motivação» para o homicídio.
Li isto na crónica de Carla H. Quevedo, no Metro de hoje.
E qual poderia ser a motivação para matar uma filha de sete anos?