Prosimetron

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sábado, 31 de agosto de 2013

Bom pequeno-almoço - 20


Casa Anne Frank, uma visita imperativa!

Visitar a Casa Anne Frank, mais propriamente o escritório e a fábrica onde fica o Anexo em que a família viveu durante a ocupação Nazi, em Amesterdão, é um imperativo. Impressiona a forma desumana como um esconderijo se torna prisão para preservação da vida...

Vista para a sala refeitório da Casa Anne Frank

«Grande comoção no Anexo! será que este é o início da esperada libertação? A libertação da qual falamos tanto, que ainda parece boa demais, semelhante demais a um conto de fadas para ser verdadeira? Será que este ano, 1944, nos trará a vitória? Ainda não sabemos. Mas onde há esperança há vida. Ela enche-nos de coragem renovada e torna-nos fortes outra vez. Talvez, como diz Margot, eu até possa mesmo voltar para a escola em setembro ou outubro.»
(6 de Junho de 1944).

Trecho do Diário de Anne Frank retirado do livro: Casa Anne Frank. Um Museu com uma história. Amesterdão: Anne Frank House, (tradução para português de Eliana Stella) edição de 2012, p. 114.

Este trecho foi escrito no dia em as forças Aliadas desembarcaram na  Normandia, uma esperança coartada. Na adolescência li o Diário que se tornou leitura inesquecível.
A Casa Anne Frank recorda as atrocidades contra a humanidade e impõe a reflexão sobre o holocausto. Viver sem esquecer o passado com vista a que no futuro nunca mais aconteça.

A fila para a visita da Casa é longa, demora-se cerca de uma hora para entrar. O circuito termina num espaço aberto com écrans gigantes onde surgem questões colocadas com três respostas prováveis acerca de intolerância religiosa e política. As questões podem ser respondidas por votação imediata e convertidas em estatística com as opiniões dos visitantes sobre a atualidade política e a intolerância que persiste no mundo. Um espaço interessante. 
Dentro do museu não é permitido tirar fotografias.


A Casa situa-se em Prinsengracht nº 263, junto a um canal muito bonito.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Boa noite!

Chá às quatro

Autoria: Kate Ward

Não há bela sem senão

A empresa de transportes Metro do Porto vai receber o prémio "Veronica Rudge Green Prize" atribuído pela escola de design da universidade de Harvard. Este galardão distingue assim o potencial desta infraestrutura de mobilidade, bem planeada e executada para transformar a cidade e a região. Pena é que a distinção fique de certo modo ensombrada pelo "buraco" financeiro nas contas daquela transportadora pública, que ascende a mais de 800 milhões de euros.

O «Tesouro dos remédios da alma» - 18

Matéria médica tibetana
Magnólia branca, 1731-1743

A luncheon

James Tissot - A luncheon, 1868
Óleo sobre tela


Todos ao Adamastor


Mais uma novidade lisboeta : o miradouro do Adamastor, em Santa Catarina, já está reabilitado e visitável. Novos bancos, agora em pedra, mais zonas pedonais e estacionamentos. Uma das melhores vistas de Lisboa, espero é que haja um subsequente esforço de conservação...

Cinenovidades



Estreou anteontem no Festival de Veneza este Gravity com George Clooney e Sandra Bullock.

Restauro de Vitória de Samotrácia

O Museu do Louvre vai lançar um apelo a doações para financiar o restauro da estátua "Vitória de Samotrácia", esperando arrecadar um milhão de euros até ao final do ano para juntar aos três milhões já conseguidos através de vários patrocínios. O restauro visa limpar uma das mais famosas esculturas do mundo, datada do início do século II antes de Cristo e que foi descoberta na ilha de Samotrácia em 1863. Aproveitando esta intervenção, aquele museu vai também restaurar a escadaria Daru, no topo da qual se encontra a estátua, sem nunca fechar este acesso, usado por sete milhões de pessoas por ano. "Vitória de Samotrácia" deverá regressar ao local de exposição no verão de 2014, prevendo-se que a reparação da escadaria esteja terminada em março de 2015.

Da Baixa à Costa do Castelo, no novo elevador


A partir de amanhã, sábado 31 de agosto, vai ser possível viajar de elevador entre a Baixa e Costa do Castelo. Basta apanhar o elevador no edifício recuperado dos números 170/178 da Rua dos Fanqueiros e sair no Largo do Caldas. Depois, subir no elevador panorãmico do antigo Mercado do Chão do Loureiro, até à Costa do Castelo. Ao contrário do que inicialmente estava previsto, o uso do elevador será grátis.

O «Tesouro dos remédios da alma» - 17


Londres, Museu de História Natural
Hortus Malabaricus
Amorphophallus bulbifer, voodoo lily 
(Fleming Indian Drawings Collection, ca 1795-1805)

Humor pela manhã



O melhor cartaz das autárquicas 2013 que vi até agora é este, dos candidatos a uma Junta de Freguesia do concelho de Barcelos.

Lá fora - 169



Uma exposição, com venda a 5 de Setembro, de objectos fora do comum na Christie's de Londres : dos pincéis de Francis Bacon ( 23 000 - 29 000 euros ) a um crânio de triceratops descoberto numa propriedade privada nos EUA ( 175 000- 300 000 euros ). Todos os dias, até ao dia da venda, em South Kensington. Para ver e quem sabe comprar :)

Bom dia !



Rameau, La Poule .

Andar de Metro com Horace Taylor

1924
1924
1924
1926

Sempre a ouvir

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Boa noite!

Good evening!

Foto de Jerry Driendl

Biografias e afins


Uma história de um dos mais emblemáticos monumentos parisienses, 850 anos depois da decisão do bispo Maurice de Sully de edificar uma catedral digna da capital do reino, tendo sido aproveitada a presença em Paris do Papa Alexandre II que benzeu o estaleiro. Décadas de trabalhos, séculos de manutenção e restauro, inspiração para muita música e literatura.

Notre-Dame de Paris. Neuf siècles d' histoire, Dany Sandron e Andrew Tallon, éditions Parigramme, €17.

Citações



(...) Escrevo três dias depois da notícia do assassínio de centenas de crianças ( entre outras vítimas ), por armas químicas, na capital da Síria. No grito de dor que vem de lá e nos atinge a todos, não há lugar para hesitações. Bashar al-Assad devia ser julgado por crimes contra a humanidade.
E, para já, que os Estados Unidos e a União Europeia intervenham em força para parar o genocídio que se comete na impunidade mais escandalosa, sob os nossos olhos de Ocidentais descomprometidos.

- José Gil, na VISÃO desta semana.

Tulipomania

Em Amesterdão respira-se o gosto pelas flores. Nos canais, nos barcos, nos jardins, nas janelas há sempre um apontamento que nos faz repousar a vista. 
Um dos locais que visitei foi o Museu das Túlipas em Prinsengracht, nº 116. O conceito do museu é peculiar. Entra-se pela loja do museu e desce-se à cave onde tem pequenas salas que narram a história da túlipa na Holanda. As salas e corredores mostram fotografias, reproduções de pintura quer a óleo quer no azulejo, quer na estampagem em tecido, ou seja tudo onde se aplicou e aplica a dita flor. Em todas as salas há projetores que focam um ou outro pormenor interessante.

Notas com as espécies de cada flor

O expositor a duas dimensões, do qual se mostra uma pequena parte, narra a história da introdução da planta em meados do século XVI. O gosto pela túlipa surgiu durante o Império Otomano.

Charles de L'Écluse (em latim Carolus Clusius) foi o botânico que a estudou e a introduziu no Jardim Botânico da Universidade de Leiden


A tulipomania atingiu o seu auge no século XVII e é revelada por histórias de pequenos furtos da flor em jardins particulares. O gosto exagerado pela túlipa mais exótica levou algumas casas ricas a abrir falência. 
Na imagem pode avaliar-se a subida dos preços dos bolbos das plantas no século XVII

A balança indica-nos o valor de um bolbo raro, chegava a custar o preço de uma casa! Tornou-se, pois, um negócio lucrativo e preponderante na economia holandesa.

A importância que a tulipomania adquiriu na economia em setecentos, particularmente o colapso de fevereiro de 1637, é comparável ao crash da bolsa no século XX. Os  amantes acérrimos da planta perderam casas e bens. Avalie-se o que pode ter custado na história das famílias.

O negócio da túlipa foi considerado pelos pintores como o negócio dos macacos.

Brueghel, o jovem, O Negócio dos Macacos, Frans Halsmuseum, Haarlem

Na arte, a tulipa manifesta-se em diferentes suportes como se pode ver na fotografia: pintura, azulejaria, cerâmica, em particular, de Delft. Poderia colocar algumas telas que vi no Rijks Museum mas já me alonguei bastante. Neste museu têm também, uma cópia da Flora de Rembrandt ilustrativa da importância da flor.

Cópia a óleo de Winderkammer- Still life

Na secretária espera-nos um livro ilustrado com as diferentes espécies. levantando o auscultador temos uma breve explicação.  
A túlipa nos países que a cultivam e a industrializam e a explicação através do filme.

Utensílios e explicação dos processos de plantação atuais

Túlipas para os prosimetronistas e para todos os visitantes

BOM DIA ! :)

Números



40 000

hectares de área ardida em Agosto, em Portugal.

Todos os anos é esta depredação, não só de área florestal, mas de culturas, de instalações e até de vida animal. Também passa por aqui a crescente desertificação do interior.

El caballero de la mano en el pecho





EL CABALLERO DE LA MANO EN EL PECHO(EL GRECO)

Este desconocido es un cristiano
de serio porte y negra vestidura,
donde brilla no más la empuñadura,
de su admirable estoque toledano.

Severa faz de palidez de lirio
surge de la golilla escarolada,
por la luz interior, iluminada,
de un macilento y religioso cirio.

Aunque sólo de Dios temores sabe,
porque el vitando hervor no le apasione
del mundano placer perecedero,

en un gesto piadoso, y noble, y grave,
la mano abierta sobre el pecho pone,
como una disciplina, el Caballero.


Manuel Machado
nasceu em Sevilha em 29.8.1874

Bom dia !



Do novo álbum, One Breath, e em Dezembro podemos ouvi-la cá ( 16, no Porto, e 17 em Lisboa ).

Marcadores de livros - 106

Outro dos marcadores ingleses, em pele. Estava num livro.

9 em cada 10 estrelas usam Lux - 10

O Primeiro de Janeiro, Porto, 1957

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Inspirado por uma foto...

não resisti a transcrever o poema de Soares de Passos


O NOIVADO DO SEPULCRO

BALADA

Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D'entre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

«Mulher formosa, que adorei na vida,
«E que na tumba não cessei d'amar,
«Por que atraiçoas, desleal, mentida,
«O amor eterno que te ouvi jurar?

«Amor! engano que na campa finda,
«Que a morte despe da ilusão falaz:
«Quem d'entre os vivos se lembrara ainda
«Do pobre morto que na terra jaz?

«Abandonado neste chão repousa
«Há já três dias, e não vens aqui...
«Ai, quão pesada me tem sido a lousa
«Sobre este peito que bateu por ti!

«Ai, quão pesada me tem sido!» e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.

«Talvez que rindo dos protestos nossos,
«Gozes com outro d'infernal prazer;
«E o olvido cobrirá meus ossos
«Na fria terra sem vingança ter!

– «Oh nunca, nunca!» de saudade infinda
Responde um eco suspirando além...
– «Oh nunca, nunca!» repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c'roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.

«Não, não perdeste meu amor jurado:
«Vês este peito? reina a morte aqui...
«É já sem forças, ai de mim, gelado,
«Mas inda pulsa com amor por ti.

«Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
«Da sepultura, sucumbindo à dor:
«Deixei a vida... que importava o mundo,
«O mundo em trevas sem a luz do amor?

«Saudosa ao longe vês no céu a lua?
– «Oh vejo sim... recordação fatal!
– «Foi à luz dela que jurei ser tua
«Durante a vida, e na mansão final.

«Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
«Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
«Quero o repouso de teu frio leito,
«Quero-te unido para sempre a mim!»

E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrada, d'infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.

Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.

Boa noite!

Bases de copos - 25

Frente e verso.

Esta secção, que tem sido quase diária, vai descansar uns dias. Uf!!, dizem vocês. :-)