Prosimetron
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Onde me apetecia estar
Em Paris, para ouvir esta noite, na Salle Pleyel, a segunda parte da maratona Bach por grandes virtuosos do piano de várias gerações : Martha Argerich, Michel Dalberto, Nicholas Angelich, David Kadouch, Khatia Buniatishvili etc.
"País de Pedra"
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Citações
With the exception of love, there is nothing else by which people of all kinds are more united than by their pleasure in a good view.
- Lord Clark
Um pensamento que vale seguramente para o Lake District de Inglaterra.
A minha pilha de livros - 9
Uma oferta que tive - e gostei muito -, pendurada junto dos meus livros de bailado.
Finalmente lá acabei esta autobiografia de Yvette Chauviré. E demorei tanto tempo porque não é muito interessante. Fala dos seus bailados, das companhias por onde passou e dos bailarinos com quem dançou.
Uma bailarina fantástica, mas um livro dececionante.
Desta bailarina tinha há muitos anos este livrinho.
Números
500.000.000
Desconsiderada por muitos nos seus primeiros anos, a verdade é que se tornou hoje incontornável nem que seja para fornecer referências básicas ou primeiras sobre um tema qualquer que depois cada um poderá explorar recorrendo a outras fontes. E continua gratuita, financiada apenas por doações ( 25 milhões de dólares recolhidos em 2012 ), e com cada vez mais e melhores colaboradores.
É actualmente o sexto sítio mais visitado na Internet, com 500 milhões de visitantes por mês.
Um jovem grande intérprete de Chopin
Rafal Blechacz é um jovem pianista que nasceu em Nakło nad Notecią, na Polónia em 30 de Junho de 1985. Venceu a décima quinta edição da Competição Internacional de Piano Frédéric Chopin. No dia 21 de Outubro de 2005, tornou-se no único vencedor de todos os cinco primeiros prémios desse concurso, conseguindo o Primeiro Prémio e os prémios de melhor interpretação de polonaise, mazurca, sonata e concerto.(in Wikipédia) É editado pela Deutsche Grammophon
in Wikipédia
in Wikipédia
Os livros dos Luynes
Manter um castelo como o de Dampierre, mandado construir pelos duques de Luynes em meados do séc.XVII, não é fácil mesmo rentabilizando ao máximo o aluguer de espaços para eventos, as visitas, os espaços de restauração etc. Calculo que seja esse o motivo pelo qual está a ser vendida a esplêndida biblioteca acumulada pelos vários duques, especialmente pelo 8º ( Honoré d'Albert, 1802-1867 ) que foi um verdadeiro erudito, arqueólogo e mecenas, um dos raros a comprar as fotografias tiradas por Salzmann em 1854 no Médio Oriente e que deu trabalho a muitos sábios encomendando-lhes estudos sobre monumentos que lhe interessavam.
Começa amanhã e continua na quarta a segunda parte do leilão, na Sotheby's de Paris, que vai do lote 365 a 679, e são muitos os tesouros, especialmente sobre toda a bacia mediterrânica, que vão à praça : livros, aguarelas, gravuras e desenhos.
Triste comparação
Foi na manif de sábado que apareceu este infeliz cartaz, sendo que para mim o pior de tudo é a relativização que isto faz do sofrimento dos que realmente estiveram em Auschwitz.
domingo, 20 de outubro de 2013
Um dia sem história
Cansado escuto os três apitos indicando que um barco vai partir. Vou até à janela e vejo partir o navio italiano que todo o dia ocupara o cais. Conseguem-se escutar as mensagens com as indicações do programa (italiano, inglês e francês) que vai saindo pelos altifalantes. E eu que tenho tanto, tanto, que fazer, navego também naquelas águas ... e senti uma imensa saudade.
Saudade de uma viagem sem preocupações, sem contar "o tempo" e sem sentir a sua falta. Estamos num tempo sem esperança. E quando não existe esperança não existe triunfo, nem futuro.
Li a entrevista de Sócrates, os meios de comunicação social fizeram mais fumo do que fogo. As frases isoladas parecem impróprias, mas no contexto ficam brandas e quase suaves. É a entrevista de um homem que se sente injustiçado. E quem é que nunca se sentiu injustiçado?
Sobre a esquerda, sobre a direita, sobre a moderação diz uma frase em que me revejo: "Aos idiotas que andaram apaixonados por coisas que tiveram de negar faz-lhes muita impressão um tipo que sempre foi a merda de um moderado! Como dos dois lados. Sempre achei que o compromisso é a base da democracia! Era um daqueles tipos que aos 16 anos achava que a revolução, como método político, não fazia sentido! Não gosto de radicalismos, da atitude de sim ou sopas! Os que dizem que metade de um prazer não é prazer não sabem que metade de um prazer ainda é prazer. E que o caminho do reformismo é o caminho".
Sim, sei que a revolução pode ajudar, pode dar o empurrão, mas é preciso que se saiba e conheça o caminho. Acredito que cada geração deveria de aprender com os erros das gerações passadas e ser-se sempre, sempre, mais tolerante, mais humano., mas não mais humilde!
Sim, sei que a revolução pode ajudar, pode dar o empurrão, mas é preciso que se saiba e conheça o caminho. Acredito que cada geração deveria de aprender com os erros das gerações passadas e ser-se sempre, sempre, mais tolerante, mais humano., mas não mais humilde!
Falou da "falsa humildade" de muitos que batem com a mão no peito ("cultura católica"). Como eu o compreendo! Diz: "Aqueles gajos que se achavam a aristocracia pensavam que eu tinha que ir lá pedir, pedir se podia, pedir autorização. E eu pensei, raios vos partam, vou vencer-vos a todos! E foi o que fiz!"
Mas esta nossa independência paga-se e custa muito... Se não nos vencem... criam-nos sombras, ditos..., e quase chegamos a acreditar no "mostrengo".
Cansado, sem vontade de trabalhar, mas não querendo entregar tudo ao Outro, sinto que tenho que lutar, que tenho de ter esperança.
Tal como no poema de Pessoa, O Mostrengo, é preciso não temer. Voltar ao trabalho e dizer "aqui [...] sou mais do que eu".
Escuto uma música que me volta a dar serenidade: Grosse Sonate A-dur (1832) de Richard Wagner. A que escuto, em casa, é tocada por aquele que acho o melhor interprete, para piano, de Wagner: Stephan Möller. Uma gravação mais velha do que eu, tocada num disco que tem quase tantos anos como os meus. "E mais que o mostrengo, que me a alma teme [...] manda a vontade" (Fernando Pessoa).
Auto-retrato(s) - 190
Columbano já esteve presente em duas postagens no tema "auto retratos" do Prosimetron. Neste hoje aparece ao espelho, segurando a paleta (como acontecia com o que pintara em 1884 e que pode recordar aqui.
Columbano : Retrato de José Pessanha, 1885
Óleo s/ madeira 35 x 27 cm.
Lisboa: Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea
A luxúria do poder
1995 — Snake and Forbidden Fruit — Image by © Don Mason/CORBIS
Clara Ferreira Alves, na sua pluma caprichosa, que eu raramente leio, faz uma síntese da chegada ao poder de Pedro Passos Coelho: como a luxúria pode levar à pobreza. "O resto como se diz é história"... mas a mentira ficará para a História. Uma mentira que custa milhões todos os dias! A crónica tem por título A História Universal da Infâmia (que é um título emprestado).
Barcos de Avintes / No Areinho
Silva Porto, 1880
Porto, Museu Nacional de Soares dos Reis
Este quadro, com um barco de Avintes (e onde se pode observar o traje urbano em contraste com o traje regional) foi pintado em Areinho, no Douro, embora com inspiração de Manet, companheiro do artista, em Paris. Estes barcos, chamados Valboeiro, com toldo, serviam de barco de passeio, embora a sua função inicial fosse a da pesca do sável e de transporte da carga das padeiras de Avintes.
«... as barqueiras de Avintes, que fariam o encanto e a admiração do Tamisa, regalando n'ele como no rio Douro, e remando em pé com os seus longos remos, semelhantes aos das gôndolas venezianas, tão pesados, tão difíceis de manobrar!» Ramalho Ortigão - Jonh Bull, 1887.
“Desciam a rampa, que antecede o portão, alguns bandos de gente do povo, rindo, cantando, em plena festa; iam em direção ao rio. As barqueiras de Avintes aproximavam os barcos da margem para os receber; outras, ainda a grande distancia, chamavam, com toda a força daqueles pulmões robustos, as pessoas que vinham por terra. Cruzavam-se os barcos, movidos pelos vigorosos braços d'estas engraçadas e joviais remeiras, e carregados com os frequentadores das diversões campestres do Areinho e da pesca do sável. Tudo era riso e cantigas no rio.” Júlio Dinis - Uma Família Inglesa, 1868. ( Para a edição de 1875).
“Desciam a rampa, que antecede o portão, alguns bandos de gente do povo, rindo, cantando, em plena festa; iam em direção ao rio. As barqueiras de Avintes aproximavam os barcos da margem para os receber; outras, ainda a grande distancia, chamavam, com toda a força daqueles pulmões robustos, as pessoas que vinham por terra. Cruzavam-se os barcos, movidos pelos vigorosos braços d'estas engraçadas e joviais remeiras, e carregados com os frequentadores das diversões campestres do Areinho e da pesca do sável. Tudo era riso e cantigas no rio.” Júlio Dinis - Uma Família Inglesa, 1868. ( Para a edição de 1875).
A Miss Tolstoi, dedico esta página.
Recebi um livrinho, amoroso no formato e no cuidado gráfico, em que se publica a parte em que Albrecht Dürer ensina a arte de gravar as letras romanas. Tem como título Do desenho das letras, e é uma publicação da Almedina (2013).
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Barqueiras de Avintes,
Júlio Dinis (1839-1871),
Miss Tolstoi,
Museu Nacional de Soares dos Reis,
Ramalho Ortigão (1836-1915),
Rio Douro,
Silva Porto (1850-1893)
Livros de cozinha - 74
Barcarena: Marcador, 2013
O tempero da Morena, da autoria de Eunice Meneses e Sónia Trigueirão, dá-nos mais de 150 receitas tradicionais da gastronomia africana, acompanhadas de histórias e recordações - uma viagem através de memórias e paladares.
Ontem se tivesse encontrado uma galinha de cabidela teria marchado. Assim, vou fazê-la para a semana, seguindo esta receita.
Já tenho feito moamba, mas não por esta receita. Um dia experimentarei esta.
Pensamento ( s )
La tâche du commentaire ne peut jamais être achevée. Le commentaire fait naître, audessus du discours existant, un autre discours, plus fondamental. Mais chaque discours s'adresse à cette prime écriture dont il promet et décale en même temps le retour.
- Michel Foucault, na obra supra.
O regresso de Sócrates
Pela primeira vez em muitos anos estou de acordo com José Sócrates. Também preferia ter uma " vida boa " em Paris. Quanto ao resto da entrevista ao Expresso, é tanta a adjectivação sobre terceiros, é tanto o ressentimento, tanto o passa-culpas, que fiquei francamente enjoado.
Bom dia !
O jovem que ganhou o nome artístico nas fanfarras de Nova Orleães, e depois tocou com Lenny Kravitz, B.B. King e mesmo Eric Clapton ou os U2, tem uma carreira a solo há uns anos.
Igreja de Santa Maria de Belém
Quantas vezes já olhou para esta torre sineira (a maior das que aparecem na imagem) da Igreja e de Santa Maria de Belém.
Sabe de quando é? (o comentário de MR está certo; finais do séc. XIX, mas pode só ter sido acabada nos começos do século XX).
Antes era assim:
(Os acrescentos com outra cor, assim como a gravura de 1840, foram colocados nesta postagem a 20-10-2013, 09:38 h).
Nestas duas imagens não existe a ligação coberta (junto da porta Leste da Igreja) entre a igreja, o claustro e o Museu.
Sabe de quando é? (o comentário de MR está certo; finais do séc. XIX, mas pode só ter sido acabada nos começos do século XX).
Antes era assim:
(impresso em 1840-1841)
Sim, esta gravura está certa. Repare que tudo o que hoje está construído para Leste, depois da torre sineira, é um programa do fim do século XIX. E mesmo essa construção mandada fazer por D. Fernando II caiu parcialmente (derrocada em alguns segmentos) e foi refeito com novas fantasias arquitetónicas (como por exemplo, a entrada principal do Museu Nacional de Arqueologia). Quase tudo quanto se observa hoje do chamado "mosteiro" dos Jerónimos de Belém é desenho e obra de cantaria da segunda metade do século XIX.
(Os acrescentos com outra cor, assim como a gravura de 1840, foram colocados nesta postagem a 20-10-2013, 09:38 h).
Nestas duas imagens não existe a ligação coberta (junto da porta Leste da Igreja) entre a igreja, o claustro e o Museu.
Almada - 500 anos do Foral Manuelino
Não sei a data certa em que apareceu este selo evocativo dos 500 anos do foral dado a Almada, pelo rei D. Manuel I (julgo que foi a 7 de Junho de 2013). Ofereceram-me hoje um exemplar.
Estes selos de emissão paralela [às emissões comemorativas ditas oficiais] têm, filatelicamente falando, o mesmo valor dos selos que se vendem em todas (ou quase todas) as estações do correio. É um recibo criado para o pagamento de um serviço, pré-comprado: o transporte de uma carta.
Hoje parece-me ser difícil, para não dizer impossível, ter a coleção de selos de Portugal (isto é a coleção de todos os selos que podem fazer chegar ao destinatário, de uma forma sem ser necessário pagar mais nenhuma taxa ou imposto, um objeto) emitidos durante o ano. Qualquer pessoa, qual instituição, pode criar, oficialmente, o selo que desejar. Até pode fazer um selo com a própria mão ou o próprio pé!
E para grande espanto, não foi só o selo que os correio proporcionaram. Conheço já dois carimbos diferentes para carimbarem "oficialmente" as peças que forem enviadas da "Estação de Correios" que, provisoriamente, presta serviço em determinados lugares. O primeiro, dos carimbos, diz "500 anos do foral manuelino" e tem como data 2013.06.07; o segundo, como data de 2013.10.19, para além de repetir a mesma inscrição diz ainda "A.R.P.C.A. - 7.ª Mostra de filatelia e colecionismo" e é ilustrado com um "boneco" inspirado no que pensaram ser o retrato de D. Manuel I (que também aparece no selo). Na verdade, "o retrato" que ilustra o selo é um desenho feito no século XIX (para a I.ª série de Retratos e biographias das personagens illustres de Portugal, impressa em 1840-1841) a que foi dada uma coloração.
Felizes (convencidos que tinham uma representação "real"- isto é verdadeira - do Rei) fizeram um bilhete postal. Criaram um postal-máximo-triplo, em que o elemento figurativo do selo, do postal e do carimbo é igual. Mas nada disto é oficial (embora seja tudo oficioso). O selo é impresso por ordem dos Correios de Portugal (mas não aparece na listagem dos selos de Portugal), circula e paga "o frete" ou serviço de transporte da peça (mas não foi autorizado por portaria oficial, pelo Ministério correspondente), o carimbo cumpre a sua função, mas é tudo um serviço, "por favor".
Obrigado a quem me ofereceu esta peça, para a minha coleção.
sábado, 19 de outubro de 2013
De repente, não mais que de repente...

Soneto de Separação
DE REPENTE do riso fêz-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fêz-se espuma
E das mãos espalmadas fêz-se o espanto.
De repente da calma fêz-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fêz-se o pressentimento
E do momento imóvel fêz-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fêz-se de triste o que se fêz amante
E de sozinho o que se fêz contente.
Fêz-se do amigo próximo o distante
Fêz-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Moraes, in 'O Operário em Construção'
in Citador
Vinícius de Moraes nasceu em 19 de Outubro de 1913
Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci
Em especial para MR.
Bom dia.
Ilustração do livro de cozinha de Bartolomeo Scapi, o livro de cozinha "secreto" do Papa Pio V (ver a nota da mesma)
SOPA DE UVAS
Cozer em conjunto tantos bagos de uva quantos se conseguir arranjar, e não é preciso acrescentar água, pois já contêm que baste. Passa-las depois pelo coador, acrescentar alguns ovos batidos e um pouco de mel e aí está a sopa de uvas.
O meu amigo Gaudio Sporgere diz que este prato é um desperdício e que não irá permitir a utilização das suas uvas para este fim.
Shelagh e Jonathan Routh, Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci. Lisboa: althum.com, Setembro de 2013, p. 235-236
Lá fora - 175 : Retratos do mundo
Gustavo Lacerda, Série Albinos :
Num dos mais recentes museus parisienses, o do Quai Branly, mas também nos seus jardins e em seis outros locais ( Fondation Cartier, Galerie Baudoin Lebon ), decorre a quarta edição do Photoquai. O tema deste ano é o retrato, com 400 fotos provenientes de 28 países.
Photoquai, até 17 de Novembro, Musée du Quai Branly. www.photoquai.fr
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