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quinta-feira, 13 de março de 2025

Leituras no Metro - 2956

Alfragide: Dom Quixote, 2020.

Gustave Caillebotte - Rue de Paris, temps de pluie, 1887.

Há uns temos pus um marcador de Caillebotte e parece-me que a Maria falou deste livro, que não conhecia. Resolvi lê-lo porque gosto bastante das pinturas de Caillebotte. Gostei do livro: uma ficção em que os familiares de Caillebotte são as personagens e a época o pano de fundo.
O que eu conhecia de Caillebotte são pinturas com cenas do quotidiano de Paris e dos seus arredores.

Mulher no toucador, 1873

«"Quero desenhar-te." [...] Gustave arrasou um banquinho de madeira e fechou a portinhola, regulando a luz. [...] Gustave sentou-se, tomou o caderno e o lápis. Não procurou nenhuma pose. Fixou-a como a encontrara, as mão segurando a saia num gesto interrompido, que a posteridade registaria como dúbio.» (p. 85)  

Nu sur un canapé, 1880.

«Foi tão difícil convencer [a empregada] Léah a posar de novo, desta vez nua, estendida num divã [...]. Um pano azul tapou a parede clara, compondo uma espécie de cenário. Gustave reclinou a modelo de lado, ergueu-lhe os braços acima do rosto. A beleza do corpo da rapariga era tocante na sua realidade. Não era Vénus.» (p. 86)
O livro é uma ficção!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Marcadores de livros - 3308


Gustave Caillebotte - Raboteurs de parquets, 1875
Musée d'Orsay

Gustave Caillebotte - Rue de Paris: temps de pluie, 1877
Chicago, The Art Institute of Chicago
O par caminha pela Place de Dublin, então [1877] conhecida como Carrefour de Moscou.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Leituras no Metro - 1145

Porto: Sextante, 2016

«Edmund de Waal nasceu em 1964, em Nottingham, Inglaterra. É um prestigiado oleiro inglês, professor de Cerâmica na Universidade de Westminster. Quando herdou uma coleção de 264 pequenas esculturas japonesas, em madeira e marfim, chamadas netsuke, decidiu escrever a extraordinária história da família que as colecionou e de como elas atravessaram os séculos.» (Da sinopse.)
E quem foi essa família? 
Charles Ephrussi (1849-1905), que inspirou a Proust o personagem de Swann, foi o patriarca de uma das maiores famílias da burguesia judaica do século XIX. Amigos de Schnitzler e de Hofmannsthal, mecenas dos impressionistas (teve uma das primeiras coleções de pintura impressionista), os Ephrussi, vindos de Odessa, viajaram durante anos entre Viena e Paris, até que a a guerra os precipitou na tragédia. Desse tempo nada sobreviverá a não ser uma coleção de netsuke, entre as quais a miniatura que se encontra na capa deste livro, A lebre de olhos de âmbar.

«Odessa ficava na Zona de Residência, a área das fronteiras ocidentais do império russo em que os judeus eram autorizados a estabelecer-se. Famosa pelas suas sinagogas e escolas rabínicas, rica em literatura e música, a cidade era um íman para os empobrecidos shtetls da Galícia. A sua população de judeus, gregos e russos duplicava a cada dez anos; era uma cidade poliglota de investidores e especuladores financeiros, com docas cheias de intrigas e de espiões, em constante crescimento. Charles Joachim Ephrussi tinha transformado uma pequena firma de comércio de cereais numa enorme empresa que controlava totalmente o mercado do trigo. Comprava o grão a intermediários que, em carroças decrépitas, o traziam por estradas esburacadas dos férteis campos ucranianos, os maiores do mundo, até ao porto de Odessa, onde era armazenado nos seus entrepostos e finalmente embarcado a caminho do mar Negro, Danúbio e Mediterrâneo.
«Em 1860 a firma da família era o maior exportador mundial de cereais. [...] os Ephrussi eram [conhecidos por ...] os reis do trigo.» (p. 33-34)

Renoir - Le déjeuner des canotiers, 1881
The Phillips Collection

«[...] o cenário do espetacular quadro de Renoir, Le déjeuner des canotiers. Uma tarde de boémia simpática na Maison Fournaise, um restaurante á beira-Sena, num subúrbio recentemente ligado por comboio a Paris. Para lá dos salgueiros prateados avistam-se barcos á vela e um barco a remos. Um toldo às riscas vermelhas e brancas protege o grupo da torreira do sol. Estamos no fim do almoço no novo mundo de Renoir, um mundo de pintores, mecenas e atrizes, onde todos são amigos. Os modelos fumam, bebem e conversam entre as garrafas vazias e os restos da refeição deixados nas mesas em total à-vontade.
«A atriz Ellen Andrée, com uma flor no chapéu, leva o copo aos lábios. O barão Raoul Barbier, antigo governador da Saigão colonial, com o seu chapéu de coco castanho puxado para trás, fala com a jovem filha do proprietário. O irmão dela, com o chapéu de palha dos remadores profissionais, está de pé em primeiro plano, controlador. Caillebotte, descontraído e musculado, de camiseta branca e chapéu de remador, senta-se a cavalo na sua cadeira, a olhar para a jovem costureira Aline Charigot, amante e futura mulher de Renoir. O artista Paul Lhote passa um braço proprietário por cima da atriz Jeanne Samary. Um viveiro de namoricos e de conversas sorridentes.
«E Charles está presente. É o homem lá ao fundo de chapéu alto e fato preto, visto de lado. Mal lhe vemos o perfil, mas distinguimos a barba castanho-ruiva. Fala com um [Jules] Laforgue de rosto aberto e mal barbeado, vestido como um poeta que se preza, com um boné de operário [...].» (p. 84)


Depois do comentário que fez, a Maria enviou esta foto (25 fev. 2023):

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Rua de Paris em dia de chuva


Na capital francesa, vivem-se tempos de profundas transformações, com a abertura dos grandes bulevares e o despertar de uma nova corrente artística, o Impressionismo, que irá alterar o olhar dos indivíduos sobre a arte e o mundo. Mas que história de amor à distância poderão experimentar o protagonista deste romance – um diletante chamado Gustave Caillebotte, amigo e mecenas de pintores como Monet e Renoir e, afinal, ele próprio um artista de primeira linha – e a sua Autora, que há anos persegue a história deste milionário triste e decide agora escrever sobre ela? E que papel desempenha nessa relação a enigmática Helena, uma professora de história da arte que parece saber tudo sobre Caillebotte? 
Da newsletter da Dom Quixote

Como sou fã do quadro da capa do livro e do seu autor, quero folhear este livro e talvez lê-lo. A sua publicação estava prevista para março passado, mas vai ser posto à venda em junho.

Gustave Caillebotte - Rue de Paris, temps de pluie, 1877 
Art Institute of Chicago

sábado, 24 de setembro de 2016

Em uma tarde de Outono

Gustave Caillebotte - Barcos à vela em Argenteuil, 1888

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

Olavo Bilac

domingo, 6 de abril de 2014

Para Domingo...

... uma boa mesa.

Gustave Caillebotte, Still Life com Lagostim, 1880-82, Colecção privada 
(Wikipaintings)
Still Life with Crayfish - Gustave Caillebotte

Bom Domingo!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um quadro por dia


Gustave Caillebotte, Les dahlias, jardin du Petit-Gennevilliers, óleo sobre tela.

A casa do artista, vendo-se também as estufas onde dava lugar à sua paixão pela jardinagem.

sábado, 20 de abril de 2013

Um quadro por dia



Gustave Caillebotte, Le Déjeuner, 1876, óleo sobre tela, col.particular.

A mãe do pintor almoça com outro filho, René, servidos pelo valet de chambre Jean Daurelle.

domingo, 29 de julho de 2012

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

E o que vai ser o jantar?

Caillebotte - Hors d'oeuvre, ca 1881-1882
Col. particular

Não serão exactamente estes, mas...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Jardins - 15


Gustave Caillebotte - Les Roses, jardin du Petit Gennevilliers
Óleo sobre tela, ca 1886
Col. particular

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Especialmente para a Ana

Gustave Caillebotte, Les Périssoires, 1878, óleo sobre tela, 155x108cm, Museu de Belas Artes de Rennes.


 É uma das 40 telas do mano Gustave que fazem contraponto com as 150 fotografias do mano Martial na exposição patente no Jacquemart-André de que a Ana já falou.
E já apetece andar pelos rios e lagos...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Exposições, viagens, Paris

Depois das postagens do Luís e de MR que focam Paris, aqui fica mais um evento que se passa na cidade da luz e uma exposição que gostava de ver:

Os irmãos Caillebotte: Gustave, pintor, e o fotógrafo Martial Caillebotte numa exposição intitulada -Os irmãos Caillebotte, na intimidade” - a decorrer em Paris de 25 de Março até 11 de Julho, no Museu Jacquemart-André.


Fotografia de Martial Caillebotte ao piano, colecção particular

retirado daqui




Gustave Caillebotte, Auto-retrato com paleta, 1879, Brooklyn Museum




Jovem pianista (daqui )



Retirada daqui


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Neva em Paris


Claude Monet - Boulevard des Capucines, 1873


Gustave Caillebotte -Vue de toits, effet de neige, 1878


Camille Pissarro - Les boulevards extérieurs: effect de neige, 1897

LA BLANCHE NEIGE

Les anges les anges dans le ciel
L'un est vêtu en officier
L'un est vêtu en cuisinier
Et les autres chantent

Bel officier couleur du ciel
Le doux printemps longtemps après Noël
Te médaillera
D'un beau soleil.

Le cuisinier plume les oies
Ah! tombe neige
Tombe et que n'ai je
Ma bien-aimée entre mes bras

Guillaume Apollinaire

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jardins impressionistas

Esta exposição, que se encontra organizada em quatro núcleos, deve ser uma maravilha.

Os Precursores

Camille Corot - O Parque dos Leões em Port-Marly
Óleo sobre tela, 1872
Madrid, Museo Thyssen-Bornemisza


O Jardim como espaço social

Berthe Morisot - No Bosque de Bolonha
Óleo sobre tela, ca 1879
Estocolmo, Nationalmuseum


O Jardim Decorativo

Gustave Caillebotte - Dálias, jardim de Petit-Gennevilliers
Óleo sobre tela, 1893
Col. particular


O Jardim Produtivo

James Ensor - O jardim da família Rousseau
Óleo sobre tela, 1885
Ohio, The Cleveland Museum of Art


Museo Thyssen-Bornemisza
Madrid
Até 13 Fev.