Prosimetron
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Suzanne Valadon, modelo
Suzanne Valadon, pintora
Soneto de Luís de Camões, escolhido por Eugénio de Andrade!
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
Este meu breve e vão discurso humano!
x
Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
Perde-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.
x
Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece,
Mil vezes caio, e perco a confiança.
x
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda parece,
Da vista se me perde e da esperança.
x
Sonetos de Luís de Camões (1524?-1580)
(escolhidos por Eugénio de Andrade)
Canto Quarto: Luís Vaz de Camões!

x x

terça-feira, 9 de junho de 2009
Paris: Eglise Saint-Germain-des-Prés
Rossini: Petite Messe solennelle
Maestro: Patrice Sauquet
Coros Vicent d'Indy
Piano: Eriko Ishikawa
Orgão: Jorris Sauquet
Soprano: Catherine Manandaza
Contralto: Anna Daniela Sestito
Tenor: Pierre Vaello
Baixo: Bertrand Grünenwald
Valeu a pena!
Esplanadas de Lisboa - 2

BnF : Bibliothèque nationale de France
de manhã:

© aviewoncities
© 1998-2009 Xavier Lacot 
© blog.bnf.fr
de tarde:

© savoirs.essonne.fr
60 anos de uma nação: 1970
A crónica deste ano é dedicada a um único acontecimento em homenagem a Willy Brandt.O chanceler visita a Polónia em Dezembro de 1970 por ocasião da assinatura do Tratado de Varsóvia. O documento determina a inviolabilidade da linha geográfica dos rios Oder e Neisse como “fronteira ocidental da República Popular da Polónia”. A Alemanha Ocidental e a Polónia renunciam a exigências territoriais antigas – um passo decisivo na normalização de um relacionamento entre ambos os estados, marcado pela agressão alemã durante a Segunda Guerra Mundial em território polaco.
Todavia, este acordo, já em si de importância histórica, viria a tornar-se emblemático por um acontecimento inesperado: diante do monumento em honra às vítimas do Ghetto de Varsóvia, Willy Brandt ajoelha-se espontaneamente durante alguns segundos. A atitude comovente é captada numa imagem que entra na História.
Brandt declara ao semanário Der Spiegel: “Em nome do nosso povo, quis expiar um crime que atingiu milhões, cometido em nome alemão que, por sua vez, foi abusivamente utilizado para este fim. Há que actuar assim, se quisermos começar de novo e excluir uma repetição dos horrores do passado.”
Nem todos os alemães estão de acordo: 48 % dos alemães, inquiridos numa sondagem, consideram este gesto exagerado.
A comunidade internacional viria a reconhecer a atitude de Willy Brandt um ano mais tarde.
Place du Tertre
Retrato com flores: Anthony Van Dyck !
Ian McEwan, um libreto para ópera!
Michael Berkeley é um compositor britânico que fez parte do coro da catedral de Westminster.
Ian McEwan é um escritor britânico. Passou parte da sua infância no Extremo Oriente, na Alemanha e no Norte de África porque o pai era um oficial do Exército Britânico.
A primeira das suas obras publicadas foi a colecção de relatos Primeiro amor, últimos ritos (1975). Em 1998, e causando grande controvérsia, recebeu o Prémio Man Booker pela novela Amesterdão. Gostei deste livro. Só hoje conheci este libreto quando me veio parar às mãos.
Então, decidi procurar no youtube e aqui estão os autores a falar da sua obra.
Por Ti, (libreto para ópera de Michael Berkeley)
II Acto
Canção
Na fronteira entre a memória e o sonho
vi um casal numa ponte de Londres.
Havia uma tempestade de neve e era o início da tarde.
De mãos dadas, loucamente apaixonados,
com planos e gritos de alegria
passaram para outro lado.
(…)
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Paris: La Sainte Chapelle
Esplanadas de Lisboa
Em qualquer ponto da cidade há uma (boa) esplanada que espera por nós. A prová-lo está um extenso trabalho publicado na edição de Junho da Time Out, que divulga as 50 melhores esplanadas da capital e não só. Da Lisboa antiga à zona ribeirinha são muitas e variadas as propostas para um café, almoçar ao fim-de-semana ou estar com os amigos. Nos próximos dias trarei aqui cada um desses fantásticos recantos... Lá fora - 31 : Da vida romântica


Não pude visitar este museu de Paris, aquando da minha última visita à Cidade-Luz, pois que o tempo era escasso, mas ficou "agendado". Além das colecções, são organizadas exposições-estando agora patente esta sobre o "diálogo de ateliers" entre Picasso e Crommelynk, bem como leituras, concertos no Verão e uma bela casa de chá, tudo enquadrado na atmosfera romântica que domina este palacete que foi a casa do artista Scheffer.
60 anos de uma nação: 1969
O partido democrático cristão sob a direcção do chanceler Kiesinger vence as eleições legislativas de 28 de Setembro. No entanto, o adversário social-democrata Willy Brandt inicia, para surpresa de todos os quadrantes políticos, negociações com o líder do partido neo-liberal, Walter Scheel. Conceitos comuns no que respeita à política externa, em particular ao relacionamento com a RDA e a União Soviética, são os alicerces para uma coligação entre estes dois partidos. O primeiro desafio à "sobrevivência" da coligação dá-se a 21 de Outubro: com apenas dois votos de maioria, Brandt é eleito o primeiro chanceler social-democrata, pondo termo a vinte anos de governação do partido conservador. Na sua primeira declaração diante do Bundestag, Brandt profere a célebre fórmula Mehr Demokratie wagen (trad. ousar mais democracia). A nova constelação política reflecte o processo de profundas mudanças em que a sociedade alemã ocidental se encontra. Inicia-se uma nova era de renovação política e social.
Em Novembro de 1969, termina o projecto revolucionário “Kommune 1”. Dois anos antes, 9 homens e 9 mulheres, acompanhados de uma criança, formaram uma comunidade num apartamento de Berlim de cariz muito especial: definem-se como modelo oposto à família tradicional que, no entender da Kommune 1, alimenta a ascensão de tendências fascistas. Em protesto a estes conceitos considerados conservadores e burgueses, praticam uma liberdade de relacionamento total e incondicional, defendem a igualdade de direitos para homem e mulher e organizam atentados “pacíficos”, ao atirar alimentos contra altas visitas estrangeiras. Saturação e problemas de toxicodependência, entre outros motivos, originam o fim desta experiência inédita dois anos depois. A Kommune 1 viria a ser exemplo para muitas comunidades que se constituíram ao longo dos anos 70. Matisse no Museu Thyssen-Bornemisza!
Podia ser uma festa dos dias de hoje!

domingo, 7 de junho de 2009
Séneca : Errare humanum est...
Errare humanum est, sed perseverare diabolicum
Séneca, o jovem
Cavalo de Tróia num bar da ilha de Patmos, Grécia.
Carminho
Flower Power
O elenco de artistas é notável, incluindo, entre outros nomes, Abraham Brueghel, Henri Matisse, Paul Klee, Joseph Beuys, Andy Warhol e Yves Saint-Laurent.
Flower Power, Villa Giulia (Verbania, Lago Maggiore, Itália), até 11 de Outubro de 2009.
ONDE ME APETECIA ESTAR - 18 : Giverny





É em Giverny que está sediada a Fondation Claude Monet, na bela propriedade onde viveu o grande mestre impressionista. Além da casa de Monet, onde estão expostas as estampas japonesas que este coleccionou, é de visitar o Museu dos Impressionistas, também sito na propriedade. Mas irresístiveis, e foram eles que me chamaram a atenção, são os jardins de Monet. Um deslumbramento, a que as fotografias supra não chegam a fazer justiça. São hectares de esplendorosos jardins- vale a pena procurar mais fotos na net.
Pensamento de Paul Valéry!
Culto do Chá 2, Wenceslau de Moraes!
“Eu bem pressinto que nada disto é para mim e que apenas se me concebe o direito de sorver-lhe a sedução num só relance de olhos, que pesa sobre a minha individualidade de forasteiro, em que apesar do quimono que visto, não me naturaliza e apenas me apresenta em tristes ares de mascarado”.“O Japão é a terra das camélias: camélia japónica, lá diz o latinório dos botânicos. Quando nos fins de Novembro, começam os frios e as geadas e pouco tarda que as neves alvejem nos dorsos das montanhas, quando cessam as últimas florescências dos jardins, é então que começam ostentando-se as belas flores desta esplêndida família das camélias. (...) vêm as flores cuidadas, de luxo, variando em inúmeras formas, variando em inúmeros tons, desde o branco de leite até ao róseo quase negro. Então igualmente desabrocha a pequenina flor do chá, que também é uma camélia... ”
pág. 28 da obra citada.
"No Japão, toda a gente toma chá - ricos e pobres, nobres e plebeus - : bebe-se na ocasião das refeições e a toda a hora, a pequeninos goles. No lar, quando entra o visitante, oferece-se-lhe, após as reverências, uma almofada de regalo e uma chávena de chá."
Wenceslau de Moraes, O Culto do Chá, Lisboa: Padrões Culturais Editora, 2007 (1ª edição), p. 7 e 19, 32-33.

















