Prosimetron

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Azul Ar

Praia da Falésia, Algarve

Ao encontro de O'Neill e os anos 7o.

AZUL AR

azul mais azul que todo o azul do mar
azul mais azul que todo o azul do mundo
que azul tão azul tinha
ali o azul do céu
para onde azulou o passarinho meu

Alexandre O'Neill, Anos 70 poemas dispersos, Lisboa: Assírio & Alvim, 2005, p. 85

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Boa noite!


O Chapéu de Palha de Itália vai estar no palco do Teatro São Carlos, de 14 a 21 de Maio de 2011, no ano do centenário do nascimento de Nino Rota.

Homenagem a Lagoa Henriques



A exposição de homenagem ao homem, ao poeta e grande escultor português que foi o Mestre Lagoa Henriques, destacando o exercício pedagógico que foi o seu percurso de vida.
No ensino artístico, a influência do Mestre foi construída ao longo dos anos pela forma inovadora de entender o processo criativo e o exercício do olhar. Também no Atelier de Arte da Fundação LIGA, a sua colaboração foi ao encontro de afectos e de aprendizagens, capacitando pessoas que estavam à margem e abrindo caminhos de descoberta através da arte.
O projecto museológico da exposição tem como intuito abranger transversalmente um público heterogéneo e envolve três núcleos expositivos: a Obra Artística, distinguindo a escultura, o desenho, a poesia e o diálogo entre elas; a Acção Pedagógica, especificando a comunicação visual e a educação do olhar nas escolas de Belas Artes e meios de comunicação, e a relação com a fundação LIGA.
Rua do Sitio ao Casalinho da Ajuda
Lisboa

O que a vida une, a morte não separa!

(foto roubada)

Carlos Amado (1936-2010) reencontrou-se com Lagoa Henriques (1923-2009), na Ilha de Orfeu.

Escritor fantasma

A pedido de Miss Tolstoi, coloco esta imagem e este poema. Em nome do Prosimetron agradeço a colaboração.

Charles Allen Gilbert (1873 - 1929) : All is Vanity (1892)

Vanitas Vanitatum
All the flowers of the spring
Meet to perfume our burying;
These have but their growing prime,
And man does flourish but his time:
Survey our progress from our birth;
We are set, we grow, we turn to earth.
Courts adieu, and all delights,
All bewitching appetites!
Sweetest breath and clearest eye,
Like perfumes, go out and die;
And consequently this is done
As shadows wait upon the sun.
Vain ambition of kings
Who seek by trophies and dead things
To leave a living name behind,
And weave but nets to catch the wind.
John Webster (ca 1580-ca 1634)

Outono


Léon de Smet (1881-1966) - Paisagem de Outono
Óleo sobre tela, s.d.
Londres, Alon Zakaim Fine Art Ltd.

Arrumando fotografias - 2



«Hier, à la Villa, pensé aux milliers de vies silencieuses, furtives comme celles des bêtes, irréflechies comme celles des plantes, bohémiens du temps de Piranèse, pilleurs de ruines, mendiants, chevriers, paysans logés tant bien que mal dans un coin de décombres, qui se sont succédés ici entre Hadrien et nous.» (Marguerite Yourcenar - Carnets de notes de Mémoires d'Hadrien)



Canopo - «Nous sommes encombrés de statues, gorgés de délices peintes ou sculptées, mais cette abondance fait illusion; nous reproduisons inlassablement quelques douzaine de chefs-d'oeuvre que nous ne serions plus capables d'inventer. Moi aussi, j'ia fait copiere pour la Villa d'Hermaphrodite et le Centaure, la Niobide et la Vénus. J'ai tenu à vivre le plus possible au milieu de ces mélodies de formes.» (Marguerite Yourcenar - Memórias de Adriano)


Vila Adriana, 12 Set. 2008

Cit. retiradas de Nicoletta Lanciano - Villa Adriana: entre ciel et terre. Roma: Apeiron, 2007

Julee Cruise

Esta Falling integra a extraordinária banda-sonora da série de culto Twin Peaks. Um regresso a 1990 (!) quando o mundo andava a interrogar-se sobre Quem matou Laura Palmer?.

Um quadro por dia - 106


Diego Rivera, Dia dos Mortos, 1924, óleo sobre tela, Ministério da Educação, Cidade do México.
Neste Dia de Fieis Defuntos, de Finados ou de Todos-os-Mortos, no calendário cristão (mais celebrado, porém, pelos ramos católicos e menos pelos protestantes) , uma tela de um grande pintor mexicano, sendo o México um país onde este dia é feriado e por toda a parte se celebra efusivamente o Dia de Los Muertos.

Agora é a três...


Não é a primeira vez que surge um terceiro partido nos EUA, pois já existiram partidos comunistas, muito reprimidos antes e depois da Guerra Fria, e outros partidos mais ou menos verdes, mas há muito tempo que não se via, se é que alguma vez se viu, o surgimento de uma terceira força política com a dinâmica do Tea Party, o Partido do Chá cuja etimologia remete para os primórdios da independência dos EUA. Mais do que um partido, é uma coligação de libertários, radicais de direita, fundamentalistas, clubes políticos, blogues e associações. Um pouco assustador para os nossos padrões europeus, mas que apela a muitos norte-americanos. Vamos ver qual a sua verdadeira implantação nestas eleições intercalares.

Cinenovidades - 150 : Querido Hitler...



Bollywood, a Hollywood indiana, é uma gigantesca máquina de fazer filmes como sabemos, com produtos maioritariamente destinados ao subcontinente e raramente vistos na Europa ou nas Américas. Mas há um filme indiano que está a dar muito que falar: Dear Friend Hitler, sobre a vida amorosa de Adolf Hitler, mas focado nos últimos 10 dias da sua vida se bem percebi o enredo. O filme vai buscar o título a uma carta de Gandhi para Hitler, correspondência fundada em interesses comuns: ódio ao domínio britânico e consequente independência da Índia. E Hitler, tal como muitos nazis, tinha fascínio pelo país dos verdadeiros arianos e das suásticas.
Fiquei a saber tanbém por artigos online que o Mein Kampf vende-se muito bem na Índia, como se vê nesta foto de uma livraria de Nova Delhi, e o antigo líder nazi é visto como um grande líder político embora com falhas.

Aqui fica um vídeo de uma sessão de apresentação do filme em questão, cuja estreia foi adiada porque entretanto, devido a várias pressões e controvérsias, o actor principal decidiu abandonar o projecto.

O Jardim da Morte


Hugo Simberg (1873-1917) - O Jardim da Morte
Aguarela e guache, 1896
Helsínquia, Ateneum


Hugo Simberg (1873-1917) - O Jardim da Morte
Fresco, 1906
Finlândia, Tampere, Catedral


Interior da Catedral de Tampere, com frescos de Hugo Simberg.
(Esta foto foi colocada um pouco lateralmente ao objectivo do post.)

APS colocou em tempos um quadro deste pintor simbolista finlandês, no seu ARPOSE.

Vanitas Vanitatum

"vanitas vanitatum omnia vanitas" (em português: "vaidade das vaidades, tudo é vaidade") Biblia: Eclesiastes 1:2


Sebastian Stoskopff (1597-1657)
Vanitas-Stilleben (1630)
Basel: Öffentliche Kunstsammlung, Kunstmuseum

«Sobre a morte não temos nenhum poder, é ela que chega e comanda, iniludível e irremediavelmente. E todos morremos, mas a morte é sempre única e singular: cada um morre a sua própria morte.» Anselmo Borges, Diário de Notícias, 30.X.2010, p. 62

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Boa noite!

Bolinhos dos Santos


http://media.a25decorfestas.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/5e06319eda06f020e43594a9c230972d/o/c/oculos_abobora.jpg

1 kg de abóbora menina, amarelinha
0,5 kg de farinha de milho, peneirada
250 g de farinha de trigo
200 g de açúcar amarelo
1 ovo grande
1 dl de azeite ou óleo
1 cálice de aguardente
1 colh. chá (bem cheia) de erva doce
1 colh. chá (mal cheia) de canela
sumo e raspa de 1 laranja e raspa de 1/2 limão

Para o fermento:
50 g de fermento de padeiro
125 g de farinha de trigo
1 dl de água tépida

são ainda necessários:
125 g de figos secos cortados em bocadinhos
100 g de casca de laranja cristalizada, igualmente cortada
2 colh. sopa de pinhões
miolo de 12 nozes, cortado miudinho


Limpe e descasque a abóbora, corte-a em pedacinhos e, em lume moderado, coza-a só com 1/2 chávena de água e com 1 colher (café) de sal, para cozer só no vapor do próprio suco; uma vez por outra sacuda o tacho.
Entretanto prepare o fermento: dissolva o fermento de padeiro com 1 dl de água tépida e amasse-o com 125 g de farinha ou mais um pouco, se necessário. faça uma bola, polvilhe-a com farinha e deixe-a crescer até abrir bem.
Deite a farinha de milho num alguidar e, quando a abóbora estiver cozida, escorra-a, espreme-a e deite-a assim a ferver sobre a farinha de milho para a escaldar; mexa imediatamente com uma colher de pau para desfazer tudo, junte-lhe em seguida a farinha de trigo e continue a amassar. Depois junte os ovos, amasse de novo e junte depois a raspa e o sumo de laranja, a aguardente, a erva doce, a canela, o açúcar e o azeite, o fermento e a raspa do meio limão. Amasse tudo muito bem, batendo e cortando a massa, para que fique como a do pão, até se descolar do alguidar. Se for preciso, polvilhe-a com farinha. Por último, junte-lhe as frutas, amasse bem, faça uma bola com a massa, coloque-a num alguidar polvilhado com farinha, cubra com um pano e deixe levedar em lugar quente, até quase duplicar de volume.
Depois retire-a, volte a amassá-la um pouco e divida-a em oito partes iguais. Com cada uma, forme um bolo sobre o comprido, bem liso, e coloque-os num tabuleiro polvilhado com farinha; cubra-os com um pano leve, deixe levedar para que cresçam um pouco, aí cerca de 30 minutos, e depois leve-os a cozer em forno bastante quente 35 minutos aproximadamente. Verifique se estão cozidos, retire, descole-os do tabuleiro e deixe-os arrefecer.

Chefe Silva
In: Tele-culinária e doçaria, Lisboa, n.º 240, 26 Out. 1981, p. 6-7

Para a Ana.
Vi outras receitas na net: uma com batata doce e outras que não levam nem abóbora, nem batata doce. Deve variar de região para região.

Para agendar... dia 12 de Novembro





C O N V I T E

Museu de Arte Antiga, Lx. | 12 Nov. 2010 | 22.15H

EM LOUVOR DE BACO

O grupo de Música Antiga IL DOLCIMELO apresenta excertos do programa de concerto O BANQUETE:

música vocal e instrumental renascentista centrada no poético tema do vinho.

Por essa ocasião decorrerá também no Museu uma – não menos artística – prova de vinhos.

Entrada livre (R. das Janelas Verdes)

+ info em:

http://dolcimelo.com.sapo.pt/

Do profano...

Abóbora,
Surripiada da net

O belíssimo post de Filipe Vieira Nicolau fez-me recordar uma tradição de Coimbra ligada à véspera do Dia de Finados: os "Bolinhos e Bolinhós". Não será só da cidade, pois, em algumas vilas do centro do país também se segue este costume.
Não se sabe bem a sua raiz. É um uso que vem do século passado. Consta que começou por ser uma actividade das crianças mais desfavorecidas da cidade.
O Bolinho e Bolinhós é uma cantilena feita pelas crianças que vão de porta em porta a pedir o Bolinho... Mascaram-se e trazem abóboras enfeitadas e iluminadas. Estes dados são de tradição oral.
A cantoria é a seguinte:

Bolinhos e Bolinhós

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Que estão mortos enterrados.
À porta da bela cruz,
Truz, truz…
A senhora está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de vir à porta
P’ra nos dar um tostãozinho ou um bolinho.

Se os donos da casa derem os tais bolinhos… canta-se:

Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.


(e voltava-se a cantar o refrão, "bolinhos e bolinhós...")

Caso contrário, se não derem, a cantilena é assim:

Esta casa cheira a alho
Aqui mora algum espantalho.
Esta casa cheira a pão
Aqui mora algum papão.


(e voltava-se a cantar o refrão, "bolinhos e bolinhós...")

Cá em casa estamos sempre preparados para receber o grupo de mascarados mas, em vez dos bolinhos, há rebuçados, caramelos, gomas e chocolates porque eu não sei fazer os ditos bolinhos.

Agradecendo as Rosas

Miriam Gauci / final de Suor Angelica (Puccini)


Suor Angelica - Miriam Gauci
Orquestra Sinfónica Portuguesa -
Maestro Giuliano Carella -
Coro do Teatro Nacional de São Carlos -
Lisboa - 1997 Transmissão RTP2 -
Produção Teatro Nacional de São Carlos

Arrumando fotografias - 1




Vila d'Este, 12 Set. 2008

Manuel Teixeira Gomes: entre dois séculos e dois regimes

Algumas fotos da exposição sobre Teixeira Gomes que esteve patente até ontem em Portimão.


Aspecto geral.




Embaixador em Londres.


O exílio em Bougie, na Agélia.

Para Miss Tolstoi.

A vida e a morte segundo J. S. Bach

Johann Sebastian Bach, figura cimeira da cultura ocidental, compôs, entre as muitas peças de música sacra, três cantatas relacionadas com a efemeridade humana, a morte e a esperança: as cantatas BWV 56 “Ich will den Kreuzstab gerne tragen” (Quero carregar com alegria o madeiro da cruz), BWV 82 “Ich habe genug” (Já tenho o suficiente) e BWV 158 “Der Friede sei mit dir” (A paz esteja contigo).

Concluídas nos anos em que Bach já detinha o cargo de “Kantor” na Igreja de São Tomé de Leipzig (isto é, a partir de 1723), estas três obras em geral e a cantata BWV 82 em particular, centram-se no desejo pela morte e na esperança na salvação – tema principal da liturgia do dia 2 de Fevereiro, conhecido por Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Purificação, que recorre ao Evangelho segundo São Lucas e que conta da apresentação do Menino Jesus no templo de Jerusalém. Do ancião Simeão, homem “justo e piedoso”, provêm as palavras “Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo...”, após ter tomado o menino nos seus braços, tendo-se cumprido a profecia que Simeão não morreria sem ter visto o Messias.

É neste sentido que a cantata BWV 82, composta para barítono e orquestra, deverá ser entendida na sua primeira ária: Ich habe genug, ou seja, “Já tenho o suficiente/bastante, tenho o Salvador, a esperança do crente, em meus ansiosos braços, já O vi, minha fé tocou o coração de Jesus, desejo agora, com alegria, daqui despedir-me”. A segunda ária, sugere-nos o desaparecimento lento de Simeão: "Adormeçam, olhos cansados, fechem suaves e tranquilos!" Quase exagerada, parece-nos a abordagem da última ária: Ich freue mich auf meinen Tod, isto é, "Alegro-me com a minha morte, ah!, pudesse ela vir já". A peça, ao contrário do que esperado, termina assim em compassos rápidos e alegres. O oboé, as cordas e o cantor solista sublinham o espírito de júbilo.


Esta visão é-nos incompreensível à luz dos padrões de hoje. Num ambiente em que a (eterna) juventude, o corpo e o visual dominam muitas das nossas preocupações, Bach e a sua obra representam a antítese do “way of life” contemporâneo. Enfim, os estimados leitores farão a sua análise nestes dias de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, num contexto religioso ou profano, pois não quero naturalmente "impor" estas reflexões de índole católica...
Para iniciar o mês de Novembro de forma calma, segue então um registo da ária “Ich freue mich auf meinen Tod”, não interpretada por um baixo barítono, mas sim pela excelente soprano Natalie Dessay, acompanhada do conjunto Le Concert d’Astrée sob a direcção de Emmanuelle Haïm.
Imagens: Vitral com o retrato de Bach e túmulo com os restos mortais do compositor na Igreja de S. Tomé em Leipzig

Mário Cesariny na BMRR

Duas rosas


Lisboa, Set. 2010.

[...]
A ti puseram-te Rosa,
Não te fizeram favor;
A rosa quem há que a veja
Bandeando, sem gostar?
Mas por mais linda que seja
A rosa quando se embala,
Não te ganha nem iguala
A ti em indo a andar!
[...]

João de Deus
In: Campo de flores. Amadora: Bertrand, 1974, t. 1, p. 282

Para o Jad.

Rosa

Há uns dias comprei uma rosa e ela deu-me a alegria das pequenas coisas. Todas as rosas são belas: as brancas, as amarelas, as vermelhas, mas a rosa é a mais bela.
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Ultimamente tenho-me cruzado mais de perto com o fado. Em nome de todas as Rosa(s):

Mariza, Rosa Branca

domingo, 31 de outubro de 2010

E qual será a ementa?


Nada de receitas do livro de S. Cipriano! :) Fiquem-se pelo bolo de chocolate, pelo doce de abóbora, pelas pevides de abóbora, pela sopa servida na abóbora, etc. - tudo receitas portuguesas.
E se tiverem jeito para enfeites, podem desenhar ou modelar caveiras, bruxas, aranhas, etc., em bolos. A bem do divertimento.
Bom jantar! para quem festejar este dia. E para quem não celebrar, também.

A bruxa

A bruxa de chocolate

Numa tarde de chuva

Numa tarde de chuva, as três vozes fazem sorrir...

LAGRIMA - Lidia Pujol, Dulce Pontes y Mayte Martin

A bruxa mais famosa do planeta

Abóbora


Natureza-morta com abóbora e outros frutos, em fundo negro.
Foto de Petr Kratochvil
Copyright: Public domain image.
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Doce de abóbora-menina
(Beira Litoral)
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Abóbora-menina - q.b.
Acúcar - q.b.
canela - q.b.
Nozes - q.b.
Limpa-se das pevides e da casca uma abóbora-menina de tamanho médio. A polpa da abóbora corta-se aos quadrados e pesa-se. Junta-se-lhe metade do peso em açúcar, um pouco de canela em pó e deixa-se assim ficar de um para o outro. No dia seguinte lrva-se ao lume e deixa-se cozinhar até ficar com a consistência de ovos-moles.
Durante a cozedura vai-se desfazendo a abóbora com a ajuda de uma colher de pau. Depois de pronto o doce junta-se-lhe miolo de nozes partido aos epdacinhos e um pouco mais de canela se for necessário e vaza-se em que se deseja servir. Serve-se frio e acompanhado de natas batidas.
M.A.M. - Cozinha do mundo português. Porto: Tavares Martins, imp. 1962, p. 626-627
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Lisboa : Bertrand, 1955
Aquilino dedica este livro, que tem o subtítulo de Polémica e crítica, a Jaime Cortesão:
«Dê-me licença, querido amigo, que lhe ofereça esta carrada de abóboras. Dou o que tenho. Faça de conta que lhe trago... o quê? os pomos de oiro das Hespérides.
«Abóboras?! Pois então! Como os bons e pobres cultivadores da minha serra, agora que chegou o meu Outono, sinto que é a altura de tirar as abóboras do campo e pô-las de barriga ao léu, o ar estupefacto, a inocência rósea, o esforoidal caprichoso em cima do telhado.
«As autênticas cucurbitáceas, enquanto estão na terra, por via de regra acaçapadas entre o milho, dir-se-ia têm por obrigação dormir. Dormem como as bolas de pedra em toda a parte em que as há, sobretudo nos adros das igrejas e portas dos fidalgos. Dormem e crescem. Crescem sem licença de Deus e todavia não são sôfregas no comer como as couves galegas e os calondros. E são generosas. Uma gota de orvalho convertem-nas em odres de ambrósia. Ambrósia aboboral, já se deixa ver, mas nem por isso a transubstanciação é menos notável. [...]
«Os telhados, quando se vão embora as andorinhas dos beirais, ficariam vazios e confusos sem a presença inefável. Depois delas o dilúvio. Entretanto, a sorrirem ao longe e ao perto, quedam ali, tal as almas dos santos padres no limbo, com seu ar inconsútil e bronco de eternidades à espera de quem? Do facalhão da dona de casa que as corte em talhadas para a sopa de feijão burro adubada a salpicão e orelha de cerdo, dessas gloriosas e peninsulares sopas que têm de urrar para ser genuínas? [...]
«Que debruçadas do alpendre exalam uma outonal melancolia, que dúvida! [...]»
Tenho pena de não poder transcrever todo a dedicatória de Aquilino a Cortesão. Mas quem tiver ficado com apetite, pegue no livrinho e leia-o.
Eu sou fã de Aquilino e destas Abóboras no telhado.

Dia das Bruxas


O Google comemora assim o Halloween. E como não me deram tempo de o lembrar, aqui fica.

Flor de Outono, Flor da Memória


Uma camélia nova, híbrida da camellia sasanqua (vermelho forte) e da camellia oleifora (amarela), baptizada há dias como camellia Françoise Dorléac, em memória da actriz precocemente desaparecida. Não é difícil adivinhar quem foi a madrinha desta bela camélia rosa...

Em português - 48

Uma canção de Dorival Caymmi interpretada pelo Paulo Flores, uma das vozes ( e compositor tb) mais interessantes de Angola.

Ainda Vargas Llosa


Apesar do Nobel da Literatura deste ano já ter aparecido nestas páginas recentemente, não resisto a citá-lo a partir de uma entrevista que concedeu há dias ao El País Semanal :
A verdade é que nunca parei. E não penso parar enquanto tiver ilusões e curiosidade, e enquanto a cabeça funcionar- por agora, acho que continua a funcionar. A velhice não me assusta desde que possa continuar a deslocar-me. Aproximo-me da morte sem pensar nela, sem a temer. Enquanto estou a trabalhar, sinto-me invulnerável.

Cinenovidades - 149 : A Princesa de Montpensier

É o mais recente filme de Bertrand Tavernier, e transporta-nos para a França das Guerras de Religião, mais propriamente durante o reinado de Carlos IX, com um fundo de amores contrariados entre a princesa que dá o título ao filme, apaixonada pelo líder dos católicos mais radicais, o Duque de Guise, mas forçada a casar-se com alguém mais fiel à periclitante coroa dos últimos Valois. O elenco é de luxo: Mélanie Thierry, Lambert Wilson, Gaspard Ulliel, entre outros. Estreia nas salas francesas a 3 de Novembro.

Bom dia!

Para entrarmos no espírito do Halloween, festividade com grande tradição no mundo anglo-saxónico (GB, EUA, Canadá, Irlanda ) mas que se foi globalizando, aqui está um divertido vídeo que conjuga memórias do Universo Disney e tem uma divertida banda-sonora:

No Porto


Quem quiser uma Noite das Bruxas pode ir até ao Clube Literário do Porto.