Prosimetron
terça-feira, 16 de julho de 2013
Um quadro por dia
La mer clapotante, 1902-1905, óleo sobre tela, 60x81cm, col.particular. Uma tela do neo-impressionista francês Henri Edmond Cross ( 1856-1910 ), grande amigo de Matisse.
Gabinete Fernando Pessoa: uma exposição insólita
Em setembro de 1932, Pessoa candidatou-se ao lugar de bibliotecário-conservador do Museu Condes Castro Guimarães. Não foi escolhido.
Agora, o Museu imagina o que poderia ter sido o gabinete do bibliotecário-conservador Fernando Pessoa, caso ele o tivesse desempenhado.
Até 31 de dezembro
Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães
Cascais
Cinenovidades
Há livros de ficção científica que quando os lemos pensamos que dariam filmes fantásticos. A tecnologia actual já quase permite adaptá-los todos. Até o Ender's Game do Orson Scott Card, que tem quase 30 anos.
O filme estreia em Novembro, com Harrison Ford, Ben Kingsley e muitas crianças claro.
Mais elegâncias
Mais elegâncias de outras eras, no caso as Sete Irmãs Sutherland e os seus fantásticos cabelos longos. Vá lá que a barba do irmão era mais contida :)
Humor pela manhã
A omnipresença dos telemóveis, sejam iphones ou não. Já tenho visto até estarem numa pista de dança e continuarem a marcar as teclas.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Parabéns, Palavras Daqui e Dali!
Parece-me que ultimamente ando sempre atrasada a dar os parabéns. Vi há pouco que o blogue Palavras Daqui e Dali fez ontem dois anos.
Parabéns ao blogue e à Isabel que o faz!
Quotidianos - 109
Há uns anos bebi um limoncello feito por uma amiga italiana. Estava tão bom que lhe pedi a receita. Este ano - finalmente! - resolvi fazê-lo. Comecei-o hoje. Dentro de 40 dias terminá-lo-ei. E 40 dias depois poderá ser engarrafado e consumido. Fiz uma pequena quantidade para ver como fica. Se sair bem, para o ano repetirei e poderão então experimentar.
Para a sobremesa
Uma novidade do chef José Avillez : Cheesecake com coulis de cerejas do Fundão. Bolacha crocante, espuma de natas, queijo-creme e iogurte, e, no topo, coulis de cereja do Fundão e folha de mangericão. Uma generosa porção que dá para duas pessoas, se não forem muito gulosas :)
Onde me apetecia estar
Na ilha de Naoshima, Japão, para visitar o fantástico Chichu Museum of Art, um museu desenhado por Tadao Ando e parcialmente subterrâneo. Parcialmente subterrâneo, mas ainda assim tão genialmente concebido que é a luz natural que ilumina a colecção de obras de Monet, bem como as instalações permanentes de Walter De Maria ou James Turell. O jardim replica muitas espécies presentes nas telas do pintor francês.
Um quadro por dia
John Collier ( 1850-1934 ), A Glass of Wine with Caesar Borgia, 1893, óleo sobre tela, Ipswich Museum and Art Gallery.
Depois do post da Ana sobre Lucrécia, apesar de tudo a mais inofensiva do clã :)
Le ballet de l’Opéra de Paris
Uma exposição sobre o ballet da Ópera de Paris, organizada pela BnF, pode ser vista até 1 de setembro, na Ópera Garnier.
Tendo visto (eu e outros prosimetronistas) outras exposições, neste espaço, imagino que esta deve ser fantástica.
Música para a madrugada
A canção do guitarrista dos Queen, Brian May, Who wants to live forever para a banda sonora do filme Highlander, interpretada por esse fabuloso grupo musical e magistralmente pelo violinista alemão David Garrett.
domingo, 14 de julho de 2013
Para Miss Tolstoi, com algum atraso
Com um dia de atraso, aqui ficam os votos para um ano feliz. Como me fui esquecer?! (Soube quando abri o Arpose, há pouco.)
Espero que goste do Bana.
Café em Aix-en-Provence
Fotografia de Walter Bibikow
Como diria o Luís, eu não me importava de estar a tomar um café em Aix-en-Provence. :)
Provérbios, Desastres da Guerra e Caprichos
A Fundação D. Luís I apresenta, no Centro Cultural de Cascais, três importantes séries (Provérbios, Desastres de la Guerra e Caprichos) num total de 178 de gravuras, de Goya, «suficientes para testemunhar a genialidade com que o Mestre espanhol da passagem de Setecentos para Oitocentos tratou todos os seus temas, incluindo os mais realistas, como é o caso de Desastres de Guerra, espécie de reportagem da Guerra de Independência contra os ocupantes napoleónicos: a dimensão trágica destas obras é insuperável e continua a exercer um poderoso efeito sobre o observador.»
http://www.fundacaodomluis.com/index.php?option=com_content&view=article&id=399&catid=72Até 8 de setembro.
Luis, como vê, há muitas e boas exposições para irmos até Cascais.
Histórias do quotidiano
Comprei hoje um livro que desconhecia: Louças da China ao gosto ocidental : Algumas notas, escrito por José Bouza Serrano. É uma edição de 2000, de mil exemplares. Julgo que é edição de autor (pelo menos não indica editor, apenas que teve o patrocínio da Eurocabos).
Voltemos ao livro Louças da China ao gosto ocidental : Algumas notas. A segunda parte são «notas pessoais» que se leem com maior curiosidade. A n.º 13 (p. 207-208), tem como título «porcelana e etiqueta». Nela conta alguns dos bastidores que antecederam o "casamento do senhor Dom Duarte", acrescentando «esta questão está hoje perfeita e felizmente resolvida". E apresenta o menu de um jantar em casa de Duarte Pinto Coelho (1923- ), em Madrid, onde o mesmo assunto fora debatido. E a história era só para contar que, nesse jantar, a Princesa Yolanda de Cröy lhe tinha explicado que a razão de determinado pires, de uma chávena de chá, ser tão grande residia no facto de ter sido moda em muitos salões, nos séculos XVIII e XIX, "sorverem o chá directamente do pires, pelo que tinha idêntica capacidade à da chávena". E porque é que apresenta o menu do jantar? Por uma curiosidade: ser escrito, á mão, em papel timbrado com as Armas de Malawi (de que Duarte era Cônsul honorário)... Mas o mais interessante vêm a seguir: «o papel de carta ("muito chique, tenho resmas", Duarte dixit) ainda o usa às vezes, com os amigos, acrescentando à mão "Ex.-" antes de Cônsul do Malawi».
O livro é composto por duas partes. Uma história, bem construída, do fabrico das peças que são o tema do livro, contada e ilustrada com as peças maravilhosas (grande maioria da sua coleção). E nos comentários e descrição das peças existe, quase sempre, uma pequena história que torna tudo mais fascinante.
Um pequeno exemplo do que acabo de dizer é a história que envolve a «Tigela para pingos em "grisaille" com vermelho de ferro e dourado». Trata-se de uma pequena peça (12 cm de diâmetro, por 6 de altura) datada de circa 1775 (dinastia Quing: 1644-1912), com uma pintura que se pode observar:
Transcrevemos, da p. 116, o comentário:
"Zéfiro oferece uma flôr [sic] em botão a Flora, que segura uma grinalda. Filho de Aurora e Astreo, era irmão dos restantes três ventos Euro, Noto e Borea.
Zéfiro era muito amigo de Hiacinto, um efebo espartano de beleza admirável, que conquistara a amizade de Apolo, com quem jogava ao lançamento do disco na margem dum rio.
Zéfiro tinha ciúmes do amor de Apolo e um dia em que ambos jogavam ao seu jogo predilecto, Zéfiro fez desviar com um sopro o disco atirado por Apolo, de modo que este foi bater na cabeça de Hiacinto, matando-o. O desespero e a mágoa de Apolo foram imensas e, para atenuar a sua dôr [sic], tornou Hiacinto imortal, transformando o seu sangue na flôr do mesmo nome, de cheiro intenso, que renasce cada Primavera.
Flora era uma antiga divindade itálica, deusa da vegetação e da agricultura. Flora tinha em Roma, como sacerdote, um dos flamínios menores (in flamen floralis) e celebravam-se festas em sua honra, de 28 de Abril a 1 de Maio - as Floralia.
(Nota: Ayers atribui a cena aos amores de Vénus e Cupido, com base numa peça de Meissen do British Museum que reproduz uma cena inspirada na mesma gravura (J. C. Philips, China Trade Porcelain, p. 47). No entanto, as asas fazem ver que se trata realmente da representação de Zéfiro)".
Sinceramente não consigo ver a história na representação. Vejo mais a história de Cupido e Psiquê (e lembre-se que Cupido também tem asas... mas isso já são outras histórias).
Voltemos ao livro Louças da China ao gosto ocidental : Algumas notas. A segunda parte são «notas pessoais» que se leem com maior curiosidade. A n.º 13 (p. 207-208), tem como título «porcelana e etiqueta». Nela conta alguns dos bastidores que antecederam o "casamento do senhor Dom Duarte", acrescentando «esta questão está hoje perfeita e felizmente resolvida". E apresenta o menu de um jantar em casa de Duarte Pinto Coelho (1923- ), em Madrid, onde o mesmo assunto fora debatido. E a história era só para contar que, nesse jantar, a Princesa Yolanda de Cröy lhe tinha explicado que a razão de determinado pires, de uma chávena de chá, ser tão grande residia no facto de ter sido moda em muitos salões, nos séculos XVIII e XIX, "sorverem o chá directamente do pires, pelo que tinha idêntica capacidade à da chávena". E porque é que apresenta o menu do jantar? Por uma curiosidade: ser escrito, á mão, em papel timbrado com as Armas de Malawi (de que Duarte era Cônsul honorário)... Mas o mais interessante vêm a seguir: «o papel de carta ("muito chique, tenho resmas", Duarte dixit) ainda o usa às vezes, com os amigos, acrescentando à mão "Ex.-" antes de Cônsul do Malawi».sábado, 13 de julho de 2013
Lucrécia Bórgia - Leituras de Verão
Dosso Dossi ou Giovanni Nicolò de Luteri, (1490-1542), possível retrato de Lucrécia Bórgia quando jovem,
National Gallery of Victoria, Melbourne Victoria
Ando a ler Lucrécia Bórgia de Funck-Bretano (historiador e bibliotecário). Comprei o livro na Livraria Lumière depois de ver o seu título no respetivo blog. Era uma biografia que gostava de ler. Não é um livro "científico" mas tem referências e notas de historiadores e cronistas da época e da atualidade. O único senão é não ter uma bibliografia descritiva a não ser nas notas de rodapé. Está muito bem escrito e distancia-se de ideias panfletárias e pré-concebidas. Dá relevo à personagem despindo-a com moderação e honestidade intelectual, registando relatos de cronistas da época a favor e contra os Bórgia.
Em suma, Lucrécia vai sendo desvendada através do aproveitamento político a que foi sujeita e que os três casamentos comprovam. Comecei a lê-lo ontem e faltam poucas páginas para terminar.
Possível retrato de Lucrécia Bórgia atribuído a Bernardino di Bretti, conhecido por Pinturicchio (1454-1513) [Wikipedi, cortesia do Google] O meu livro tem esta gravura na capa.
Sobre a viagem de Lucrécia de Roma até Spoleto, Marradi Labronio, poeta italiano, escreveu, já em nossos dias, um bonito poema qe foi taduzido por Emmanuel Rodocanachi:
Sobre a estrada ardente de Spoleto
cavalgava vagarosamente sob o sol de agosto
Dona Lucrécia em brilhante cortejo
De padres e de cortesãos.
A beleza fulva da sua cabeleira abundante
Enchia de sombra o esplendor de seus olhos semi-cerrados.
Fatigado, o senador ia calado
Ao lado da duquesa, assim como
O último dos filhos de Vanozza (Jofré);
Aborrecidos, os padres lembravam-se
Da frescura do Vaticano... (1)
(1) Emm. Rodocanachi, Une cour princière, p. 228. in Funck-Bretano, Lucrécia Bórgia. Porto: Livraria Tavares Martins, 1947, p.85
Bibliocuriosidades - 7
Os 10 livros mais vendidos do mundo :
1- Dom Quixote de La Mancha ( Miguel de Cervantes ) - 500 milhões
2- História de Duas Cidades ( Charles Dickens ) - mais de 200 milhões
3- O Príncipezinho ( Antoine de Saint-Exupéry ) - 200 milhões
4- O Senhor dos Anéis ( J.R.R. Tolkien ) - mais de 150 milhões
5- Harry Potter e a Pedra Filosofal ( J.K. Rowling ) - 120 milhões
6- As Dez Figuras Negras ( Agatha Christie ) - mais de 100 milhões
7- O Sonho da Câmara Vermelha ( Cao Xuequin ) - mais de 100 milhões
8- O Hobbit ( J.R.R. Tolkien ) - 100 milhões
9- O Código Da Vinci ( Dan Brown ) - 80 milhões
10- O Alquimista ( Paulo Coelho ) - 65 milhões.
( Não foram considerados nesta listagem a Bíblia, o Corão, e o Livro Vermelho do Presidente Mao, que são na verdade os campeões dos livros vendidos ). Fonte : Visão.
Li 7 destes 10, e confessando a minha ignorância acho que nunca tinha ouvido falar do que está na sétima posição.
Onde me apetecia estar
Junto à baía de Somme, e aproveitando o cenário da Abadia de Saint-Riquier, começou há dias mais um Festival de Saint-Riquier. Na abadia, a exposição " D' une rive, l' autre " que junta marinhas de pintores ingleses e franceses do séc.XIX. A parte musical está também virada para o Reino Unido, com música de Dowland a Britten, mas também para o mar com fonte de inspiração de Haendel a Debussy.
Mais info : www.ccr-abbaye-saint-riquier.fr
Hollywood em Cascais
Quem já viu esta exposição que está no Centro Cultural de Cascais até 1 de setembro, gostou. Fotografias da Fundação John Kobal.
A praia
Alfred Victor Fournier - A praia
Esta semana as idas à praia têm de ser adiadas. Com esta humidade, nem para dá para ir ler um livrinho, fazer renda ou conversar, tal como o faz o trio retratado no quadro.
Um bébé muito aguardado
Parece que será hoje o nascimento do Baby Cambridge, o aguardado primeiro filho dos Duques de Cambridge. E os rumores dizem que será uma menina. Se for uma menina será então um nascimento histórico : pela primeira vez, depois da alteração recente das regras de sucessão, poderá herdar o trono sem ser afastada pelo nascimento subsequente de um irmão.
Frase da semana ( que passou )
Portas é um talento sem coragem, Passos é um corajoso sem talento.
- Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, no respectivo editorial.
Que flor é esta?
Vejam se conhecem esta flor.
Colhi-a na Quinta das Lágrimas.
Flores amo, não busco. Se aparecem
Flores amo, não busco. Se aparecem
Me agrado ledo, que há em buscar prazeres
O desprazer da busca.
A vida seja como o sol, que é dado,
Nem arranquemos flores, que, arrancadas
Não são nossas, mas mortas.
16-6-1932
Ricardo Reis, Poemas (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.) Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994.
- 163.
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