«Por volta da uma e meia [Lucio Torres] descia [do arquivo] até à rua e comprava uma fatia de pizza numa tavola calda que havia no mesmo passeio onde passava as horas de pesquisa. Geralmente comprava duas fatias médias, para dar alguma variedade ao seu almoço, das doze especialidades que havia nas vitrinas. Acompanhava a comida com uma lata de birra e, como sobremesa, um espresso.»
In: Peter Harris - O enigma Vivaldi. Queluz de Baixo: Presença, 2006, p. 67
Vivaldi morre em Viena a 28 de julho de 1741, não sei antes ter enviado uma partitura cifrada a um seu companheiro da organização Fraternitas Charitatis, «cujo fim primordial era ser a guardiã de um tipo de conhecimento que não se devia perder, mas que também não devia ser difundido» (p. 60). O preste rosso, como era conhecido o autor das Quatro Estações por ser ruivo, também lhe enviou o código da cifra, mas ambos desapareceram. Duzentos e cinquenta anos depois um músico chega a Veneza para fazer investigações no arquivo do antigo Ospedale della Pietà. Lucio Torres «chegava a perder a noção do tempo entre as paredes do aprazível espaço onde estava guardada a documentação sobre a instituição que tinha preenchido muitos anos da atividade de Vivaldi e que tinha sido, nos séculos XVII e XVIII, um dos mais importantes centos da vida musical veneziana.» (p. 37)
O que se vai passar? Só posso dizer que raramente se pode contar o que se encontrou nos arquivos - os investigadores não são de confiança. 😂
Ontem o jornalista e comentador de futebol Rui Santos apresentou esta frase-imagem, muito bem imaginada, no seu programa de televisão. Resolvi aproveitá-la para a nossa vinheta.
Trabalhadores em andaimes no Estádio Internacional de Khalifa, 18 nov. 2018, em Doha.
Foto da AFP.
Estima-se que morreram 6500 migrantes nas obras para a realização do Mundial de Futebol. Os acidentes ocorridos nessas obras podem ter atingido 15000 pessoas.
«A FIFA não pode usar o espetáculo do Campeonato do Mundo para se esquivar às suas responsabilidades. Tem o dever claro para com as centenas de milhares de trabalhadores que sofreram enquanto construíam os estádios e as infraestruturas necessárias para o torneio. Um compromisso público para com um fundo de compensação representaria um grande passo em frente.»
Steve Cockburn
«Apesar das importantes reformas feitas pelo Qatar até à competição, centenas de milhares de trabalhadores migrantes enfrentaram vários abusos, como o pagamento de taxas de recrutamento ilegais, salários em atraso ou não pagos, lesões e, nos piores casos, até mesmo a morte. Ao passo que alguns trabalhadores já receberam compensações pelos abusos, a grande maioria ainda aguarda para que essas sejam garantidas por parte do Qatar e da FIFA.»
Excerto do texto da petição da Amnistia Internacional. Leia aqui.
Li com gosto estas memórias de Domingos Lopes, pelas quais ficamos a saber que Marcelo Rebelo de Sousa, em 1974, não era leninista, «considerava-se apenas marxista». Que novidades!...
«Fiquei espantado com o desabafo e a rápida conversão de Marcelo ao marxismo,
«Com efeito, bastava estar ao lado do jovem aspirante a fazer carreira como professor e político para se sentir o marxismo de Marcelo a destilar por todos os poros. [...]
«Marcelo, já em 1974, tinha no seu ADN esta faceta de ser o que é preciso em cada momento para surfar sem ir ao fundo, mesmo renegando o que era.» (p. 91-92)
Duas exposições na temporada que o Museu Guimet dedica ao Afeganistão.
Por ocasião do centenário da Delegação Arqueológica Francesa no Afeganistão (criada em 1922), o MNAAG apresenta uma vasta exposição dedicada a este século de descobertas e relações com o Afeganistão. Graças à partilha dos objetos das escavações, constituíram-se em Paris as melhores coleções afegãs do Ocidente. A exposição mostra um panorama das numerosas investigações realizadas, sublinhando a importância do património arqueológico e das colecções de museus, mas também do património construído deste país, sobre o qual paira uma ameaça latente desde o regresso ao poder dos Talibãs em 15 de agosto de 2021.
A DAFA iniciou as primeiras investigações arqueológicas num jovem Estado independente. Durante os anos 1945-1982, a vontade afegã em matéria de controlo do seu património e da sua identidade nacional permite uma instalação permanente da DAFA em Cabul. O período de conflitos de 1979 a 2001 foi marcado pela cessação das investigações arqueológicas no terreno, a partida da DAFA de Cabul em 1982, as pilhagens e a destruição do museu de Cabul. A partir de 2003, as investigações recomeçaram, com a reabertura da DAFA em Cabul e o regresso pontual de outras missões arqueológicas estrangeiras.
Buda, século III.
Enquanto a sombra dos talibãs se estende novamente sobre o Afeganistão, são visíveis mensagens artísticas e culturais de resistência da sociedade civil. O MNAAG, através das criações da casa de moda Zarif Design e da sua fundadora Zolaykha Sherzad, interessa-se pela transmissão dos conhecimentos têxteis, mas também pela ética que esta casa artesanal tem.
A casa de moda Zarif Design, criada em 2005 por Zolaykha Sherzad, em Cabul, contribui para reviver o know-how e as competências ameaçadas de extinção, que constituem uma verdadeira cultura técnica e artística baseada numa história milenar.
José Saramago faria hoje 100 anos. São seis marcadores. Quem quiser concorrer só precisa de o dizer num comentário até dia 27 de novembro. Depois meterei os nomes num saquinho e tirarei o papelinho com o nome do vencedor. Nada mais simples.
Se alguém tiver lido Saramago, diga qual o livro dele de que mais gostou. É mesmo só interesse meu, nada tem a ver com o sorteio.
Para quem, como eu, não vai ver esta exposição, pode segui-la no dossier de imprensa disponível aqui. Pode também ler ou descarregar o folheto da expo em francês, inglês ou espanhol. Os arquivos nacionais franceses têm este serviço público muito meritório, de apoio às exposições.
Na introdução «Às leitoras» do segundo livro, a autora escreve que «Depois do sucesso obtido, pelas muitas edições [pelo menos 11, a última de 1967], do livro Guia da cozinheira familiar, resolvi completar essa interessante e útil obra com A doceira familiar, livro este compilado de várias obras da especialidade, e revisto em sucessivas edições.
Todas as receitas foram experimentadas «com sucesso». Sugere que «as donas de casa pouco experientes, na maneira de fazer doces» comecem pelas receitas mais simples. É de bom senso.
O livro tem receitas de doces, biscoites, bolos, pudins, geleias...
Conheço 8 edições deste livro, sendo a última de 1964.