Prosimetron

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A. S. : Escolhas Pessoais II

Juan Van der Hammen ?, séc. XVII
[Não consegui encontrar a localização do quadro]


Francisco de Quevedo

Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645), um dos grandes poetas castelhanos de sempre, foi criador precoce e prolífico de obras de diversa índole, e que vão da poesia à sátira, da hagiografia à história. Homem de cultura muito ampla - “Sumamiente apasionado al estudio, leía en el coche, durante la comida (…) era diestro en armas, de atrevido corazón.”- , foi polemista fogoso e temido, e teve com Gongora acerbas disputas literárias (“…Untarei as minhas obras com toucinho, / para que tu não as mordas, Gongorilla / …”).
Não esquecendo a obra pícara “El Buscón”, o que dele mais aprecio é, sem dúvida, a obra poética que constitui “ El Parnaso Español”, que reagrupa os seus poemas e que foi impressa, postumamente, em 1648. A poesia de Quevedo caracteriza-se, numa das vertentes mais reiteradas, por reflexões obsessivas sobre a morte e a decadência física (“…a boca pelos anos saqueada / olhos doentes em noite sepultados…”), sob um registo conceptista muito próprio e de grande liberdade expressiva, com um domínio genial das palavras e jogos malabares de múltiplos sentidos. Exemplificativo é o soneto “A una nariz”: "Era um homem a um nariz colado, / era um nariz superlativo, / era um nariz saído e pontiagudo, / era um peixe-espada bem barbudo"…).
Quevedo foi amigo e correspondeu-se com Francisco Manuel de Melo (carta L da "Centúria Segunda" das Cartas Familiares) que usou o seu nome como interlocutor crítico nos diálogos de Hospital das Letras.
Transcrevem-se, de Quevedo, em tradução de David Mourão-Ferreira, duas quadras de um soneto que ele compôs na Torre de Juan Abad, em tempo de exílio e isolamento.:

Da Torre

Retirado na paz destes desertos,
com poucos, porém doutos livros juntos,
vivo em conversação com os defuntos,
com os olhos escuto a voz dos mortos.
Se nem sempre entendidos, sempre abertos,
Emendam ou fecundam meus assuntos;
e em musicais silentes contrapontos
ao sonho de viver falam despertos
.“
[…]
Post de Alberto Soares

Auto-retrato(s) - 29

Hans Baldung Grien: auto-retrato (1526)
Strasbourg: Musée des Beaux-Arts.

Benjamin Rabier - 2

Mais dois, de entre os muitos cartazes que Rabier desenhou para a publicidade:

Ca 1886-1890.


Príncípios do século XX.

O Flautista

Manuel Maria Bordallo Pinheiro, «O flautista», in Athena nº3, 1924


"Soldado voluntario da causa liberal, pintor, gravador, esculptor, desenhista de costumes e figurinos de theatro, companheiro e collaborador artistico de herculano, garret e Castilho, amigo intimo do rei artista que era D. Fernando, Manuel Maria Bordallo Pinheiro foi, além de tudo isto, uma victima sacrificada pelo meio estreito e pela época dura em que viveu."
Athena, Revista de Arte , nº3, Lisboa: Imprensa Libanio da Silva, 1924 [Edição facsimilada, Lisboa: Contexto Editora, 1983], pp. 123 e 125

A Biblioteca Nacional em fotografia

terça-feira, 20 de outubro de 2009


«[…] quem se ocupar da história portuguesa há-de sepultar-se nos arquivos públicos, e descobrir entre milhares de pergaminhos, frequentemente difíceis de decifrar, aquele que faz ao seu intento: há-de indagar nos monumentos estrangeiros onde é que se encontram passagens que ilustrem a história do seu país: há-de avivar as inscrições, conhecer os cartórios particulares das catedrais, dos municípios e dos mosteiros; há-de ser paleógrafo, antiquário, viajante, bibliógrafo, tudo.»
Alexandre Herculano
In: «Advertência da primeira edição da História de Portugal» (1846)

Les filles de Cadix


Joan Sutherland canta Delibes, acompanhada ao piano por Richard Bonynge, seu marido.
Delibes compôs esta canção em 1885-1886 para um poema de Alfred de Musset.

O meu serão de ontem - 1

Foi um serão fílmico, assistindo ao soberbo Séraphine, filme sobre a vida da pintora francesa conhecida como Séraphine de Senlis, sobre quem a nossa MR já aqui escreveu. Um grande filme sobre a ténue fronteira entre a loucura e o génio e a comunhão com a natureza, essencial para perceber a obra desta autodidacta iluminada. O filme recebeu 7 Césares ( o maior galardão cinematográfico francês ) e um deles foi para Yolande Moreau, a protagonista. Suspeito que outro tenha ido para a fotografia que é deslumbrante. Está no King.

Till then

Os irmãos Mills foram um dos grandes grupos vocais das décadas de 30 e 40, e esta Till then de 1944, ainda em tempo de guerra, foi um dos seus maiores sucessos, tendo sido gravada nas décadas seguintes por vários outros grupos e artistas. Hoje, ouvi-a inesperadamente e tocou-me como acontece sempre que a ouço.

Cinenovidades - 63 : A Papisa Joana


Estreia esta semana na Alemanha mais um filme, desta vez uma produção made in Germany, sobre uma lenda (será apenas uma lenda? ) medieval: a Papisa Joana. Todos aqui no blogue conhecem certamente o tema, pelo que dispensarei esclarecimentos. O filme é protagonizado pelo norte-americano John Goodman e pela alemã Johanna Wokalek, e adapta o best-seller de Donna Woolfolk.

Inacreditável

Inacreditável

Composição de um aluno de 9ºano

"O Pipol e a Escola"

Se não entenderem à 1ª tentem uma 2ª vez!!!!!!!!

Geração Phonix e Zonix + vodafnix + Uzix + Tmnix

(Texto verídico retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa,
realizada por um aluno do 9º ano, numa Escola Secundária das Caldas da
Rainha (para ler, estarrecer e reflectir...!!!)
)

Era hilariante, não fosse tratar-se de um aluno Português a escrever
na sua língua materna....

REDAXÃO

'O PIPOL E A ESCOLA'

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem
Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver
q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente
motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.

Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto
Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem
um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?

E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os
Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas
q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.

Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos
profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os
jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a
sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é
q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é
livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???

O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço
de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de
xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar
um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?

Chegou por e-mail. Obrigado António PL.

Auto-retrato(s) - 28

- Jean Frédéric Bazille, Autoportrait, óleo sobre tela, 1865-1866, Art Institute of Chicago.

A evocação que a Ana fez do malogrado pintor francês Bazille levou-me a querer saber mais sobre ele, tendo descoberto via wikipedia este auto-retrato de que gostei. É mais um para a colecção.

Manhã com chuva... Vivaldi

http://images.paraorkut.com/img/papeldeparede/1280x1024/c/chuva-5497.jpg

Manhã com chuva …
Lisboa acordou com chuva. Batia forte e não era oblíqua. Enredada nesta sonata foi dos piores amanheceres que tive, pois no corre-corre para apanhar o Metro dei uma valente queda e senti o frio intenso que a água pode assumir.
Desejo que venha o sol.
Vivaldi, Outono

PARAÍSO : 6 - Territórios

Apesar dos meses já passados na capital, Pedro ainda se surpreendia com a noite lisboeta, especialmente quando ia à "maricagem" como o Quim dizia.
Ele bem tentara que Quim fosse rodando com ele os apetecíveis Lux, Kremlin e os novos sítios em Santos, mas o outro era inflexível : " Se não queres a maricagem, vai outro lá e tu vais às discotecas dos pretos. Ou também não gostas de mulatas? ". Frase sempre acompanhada de uma prolongada gargalhada.
Assim, Pedro continuou a fornecer a "maricagem" de ecstasy, coca, ketamina e tudo o mais que fosse procurado.
E era realmente neste território nocturno lisboeta que deparava com algumas surpresas: travestis lindos e de seios opulentos com vozes mais grossas do que a do pai de Pedro,gajos com mais maquilhagem do que a sua namorada costuma usar, ou mesmo encontrar o Nelson do boxe na marmelada com outro gajo como tinha acabado de acontecer.
Obviamente, ao ver Nelson desviar o olhar, Pedro fez questão de lhe ir falar. E falaram, tendo Pedro ficado a saber que o "amigo" do Nelson era polícia. Mais complicado foi explicar o que estava ele próprio ali a fazer, já que o Nelson não era do bairro, desconhecendo pois a nova vida de Pedro.
Nelson e o "amigo" trocaram um olhar cúmplice quando Pedro disse uma das palavras mais codificadas : "curiosidade".
Na verdade, Pedro até não desgostava de fazer o circuito do Príncipe Real. A música era boa, e sentia-se como uma criança num jardim zoológico observando as várias espécies: os betos, os musculados, os emos, os góticos e uma mol indiferenciada de brasileiros. É claro que já tinha tido que dar uns empurrões em dois ou três tipos mais afoitos, mas o pior era a falta de gajas. Mesmo que fosse só para ver e fazer conversa, já que Pedro continuava a resistir aos avanços que lhe eram feitos desde logo pelas meninas da pensão, sempre prontas a oferecer "uma borla" a " um gajo novo e giro como tu ".
Ou melhor, a falta de gajas disponíveis, porque fufas havia muitas, mais e mais giras do que Pedro pensava antes de começar a frequentar estes estabelecimentos.
Se bem que o incomodavam menos as carícias entre elas trocadas do que ver cenas com gajos, ainda achava um "desperdício de bom material", como dizia o Quim, toda esta coisa da fufice.
Depois de recusar um convite para uma "cena de fumos e depois logo se vê " e ter passado pela casa de banho dos empregados como passara a fazer desde que uma noite tinha dado um soco a um turista mais atrevido na casa de banho dos homens, Pedro deu por encerrada a noite. Não sem antes dar ao porteiro o habitual "brinde", que não sabia nem lhe interessava se era para consumo próprio ou para revenda.
Tinha despachado tudo, pelo que os bolsos das calças estavam cheios de notas. Pelas suas contas, quase mil euros.
Já no Rato, pareceu-lhe ver Quim e Vladimir dentro de um carro com dois outros gajos com cara de "leste". Estava cansado e sem vontade de fazer conversa, pelo que virou a cara e seguiu no seu Smart rumo ao Marquês e à Duque de Loulé, rota habitual até casa. No dia seguinte, se se lembrasse, perguntaria a Quim o que andava ele a fazer no Rato às três da manhã.

Bom dia!


Ouvi esta canção e não resisti a colocá-la.

Flores 4 - Jean Frèderic Bazille!

Jean Frèderic Bazille, Flores, 1868
Óleo sobre tela, 130 x 88 cm
Jean Frèderic Bazille (1841- 1870) foi um pintor francês que conviveu com pintores ligados ao impressionismo. Nasceu numa família da média burguesia, em Montpelier. Morreu a combater na guerra Franco-Prussiana.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Os meus franceses - 77


Foi um prazer colocar este "pedido" de Alberto Soares.
Há muito tempo que não ouvia esta canção, uma das mais belas de Léo Ferré.

Sempre e sempre o Medievo

" (...) Era o canto onde se erguia, insólita e inútil, a azenha que dera o nome à casa e o prestígio ao lugar. Descia-se por três degraus para um patamar onde corria o fio de água que era vestígio nostálgico do ribeiro que por ali passara, em tempos. Podia ser um lugar de medos e espantos, mas guardo-o como um território mágico, o espaço de representação de uma tragicomédia infantil de que ainda não consegui acordar: a da História medieval. Qual História? Ora, a História de histórias, a dos romances de cavalaria e das cantigas de tovadores, das coifas veladas das damas da corte e das couraças futuristas dos guerreiros. Essa foi, para mim, a revelação da História.
Sentado num degrau húmido e coberto de musgo, mesmo ao pé da azenha que há muito deixou de rodar, pouco a pouco, como no meio de uma neblina de Verão, vejo regressar Joana d' Arc e, a partir dela, tudo o que evoca esses tempos de sonho e aventura, as catedrais góticas com o seu calafrio de sombras em banda desenhada, o Príncipe Valente e o seu traje comprido de saia e espada, os da Távola Redonda em corcéis brancos, o perfil esplêndido de Jean Marais num filme de Marcel Carné, o sorriso irrepresentável de Leonor de Aquitânia no seu encontro fulminante com Bernard de Clairvaux. E o corcunda de Notre-Dame, a entrada do Delfim em Reims, o monge de Cister; Egas Moniz de baraço ao pescoço e a padeira de Aljubarrota; Abelardo e Heloísa, Rolando em Roncesvales, a coroa de Carlos Magno. (...) "

- António Mega Ferreira, A História in O QUE HÁ-DE VOLTAR A PASSAR, Assírio&Alvim, 2003.

Para o Saul António Gomes, sempre gentil, sempre generoso.

Novidades - 75 : O fim do mundo ( já em 2012 )

Há um prosimetronista que tem andado a ler umas coisas sobre as profecias apocalípticas do ano 2012. Quando dei pelo lançamento deste livro sobre o tema, não hesitei : tinha de vir aqui para o blogue. Aqui fica a nota de imprensa do editor :

" In the End of Time, award-winning astronomer and Maya researcher Anthony Aveni challenges various media-hyped 2012 doomsday prophecies. He explains their origins and measures them objectively against evidence unearthed by Maya archeologists, iconographers, and epigraphers. He probes the latest information astronomers and earth scientists have gathered on the likelihood of an impeding cataclysm and the oft-proposed link between the Maya long-count cycle and the precession of the equinoxes. With intelligent,engaging writing this book is a must read for anyone wishing to understand the 2012 predictions and our pop culture fascination with an idea of an inevitable apocalypse. "

- The End of Time, The Maya Mytery of 2012, Anthony Aveni, University of Colorado Press, 2009.

Os meus franceses - 76


http://www.alainsouchon.net/

Bestiário-mistério

Painel de Azulejos: Bestiário, século XVII, Palácio Fronteira

Imagem retirada de Lisboa Livro de Bordo, p.50

"Longe, noutra Lisboa, São Domingos de Benfica, existe um bestiário-mistério guardado em palácio há mais de trezentos anos.Está envolvido em jardins e floresta na base da Serra do Monsanto e tem um aval de marqueses ilustrados a dar-lhes majestade. Palácio Fronteira, eis o lugar. (...) Pascal Guignard descreveu-o em corpo inteiro na novela «A Fronteira». Senhor de Jaume, de seu nome e, pelo que se sabe, entre assassino à traição e demónio das alcovas, não houve força que o travasse na sua cavalgada de sedutor. Os anjos libertinos cobriam-no com as suas asas protectoras, é um facto, mas, sádicos por devoção, num golpe de sarcasmo lançaram-no depois à desgraça e o cavaleiro acabou castrado pela única mulher dos seios vegetais.
Ponto final, não. Porque, só escarnecido, o garanhão castrado foi pedir clemência ao Senhor do palácio e logo ali recebeu abrigo até aos seus últimos dias. É nesse tempo de misericórdia que alguém de traço escarninho e jamais identificado desenhou não a tragédia do Cavaleiro de Jaume mas a sociedade que ele frequentou.
Lá a temos. é um fabulário de relações farsantes que está figurado nesses azulejos. ali as personagens humanas têm rostos de macacos compenetrados de sapiência e os animais assumem-se como humanos nas expressões e nas atitudes. Há gatos palacianos a estudar música com um mestre de solfejo e com umfrade de mono, e há outros em cadeira de barbeiro com um homem-símio aos pés. Num gabinete de curandeiro um bichano de bigodes austeros e olhos frios estendeuma pata à observação do físico que encobre toda a sua ignorância com um monóculo posto à pressa (...)"

José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998, p.51-52.

IN MEMORIAM : Irving Penn ( 1917-2009 )











Muitas vezes conhecemos famosos retratos de "famosos", mas desconhecemos os seus autores. Provavelmente, todos conhecemos estes retratos de Sophia Loren, Marlene, Marcel Duchamp e Picasso, sem sabermos que se devem a Irving Penn, um dos grandes fotógrafos do séc.XX, falecido há 12 dias.
Se o seu ganha-pão principal foi a fotografia de moda, com inúmeras capas na Vogue e afins, o seu talento como retratista levou a que tivesse sido procurado durante décadas para fotografar celebridades das artes e das letras. Grande viajante, são também famosas as suas fotografias tiradas em África e na América do Sul.
Os mais atentos já terão reparado que postei 5 retratos e apenas identifiquei 4. O quinto, aliás primeiro do elenco supra, é de Lisa Anderson(fal. 1992 ) uma das primeiras supermodelos do séc.XX, que dominou as capas de revistas e os desfiles de moda entre os anos 30 e 1950 quando casou com aquele que a fotografara muitas vezes: o agora falecido Irving Penn.



IN MEMORIAM : Stephen Gately

Desfeitas as dúvidas sobre a inesperada morte de Stephen Gately aos 33 anos de idade, dúvidas que alguns aproveitaram para escrever mais umas páginas de homofobia, resta-nos recordar o seu talento. RIP

O Man Booker de 2009

A escritora e crítica literária britânica Hilary Mantel foi a vencedora do Booker Prize deste ano, o mais importante prémio literário do Reino Unido, com o romance histórico Wolf Hall, passado no reinado de Henrique VIII, designadamente quando este envida esforços para se separar de Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena. Como é sabido, o braço direito do rei em tais propósitos e depois noutros foi o eclesiástico Thomas Cromwell, sendo a vida deste um dos fios condutores do romance.

Tintin na Avenida de Roma

Por enquanto, o Espaço Tintin é só café e bar, mas brevemente irá ser também loja dedicada ao universo do "intrépido repórter". Durante a semana, é mais calmo e tom é o do easy listening, ao fim de semana há mais animação, festas e os ritmos aceleram um pouco.
Fica no nº 39 da Avenida de Roma.

Seg. a Qui : 8h30 - 23h, Sex e Sáb : até à 1h, Dom : 14h-19h.

Encerrou ontem...


Flores 3 - Charles Rennie Mackintosh!

Charles Rennie Mackintosh foi um arquitecto, designer e aguarelista escocês ligado ao movimento Arts and Crafts e à Arte Nova.
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Procurando não ser repetitiva, resolvi colocar nesta rubrica flores tudo que envolvesse a sua aplicação na arte. Assim, irão aparecer desenhos, pinturas, jóias que de algum modo estejam marcados pelas flores.
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Charles Rennie Mackintosh, Rose and Teardrop 1923

kimono de seda japonês (1920s)

PARAÍSO : 5 - A Estrela da Avenida

Passara um mês desde a primeira visita à Ericeira. Um mês em que a vida de Pedro mudara radicalmente. Vivia agora numa pensão da Almirante Reis, a pensão da D.Odete, antiga mulher da vida que amealhara o suficiente para fazer sua a pensão onde durante quase duas décadas tinha estudado os tectos dos quartos várias vezes por dia.
Pedro não tinha grandes saudades do bairro, mas ia lá uma vez por semana ver a mãe, sempre a horas em que o pai não estava.
Tinham sido trocadas duras palavras quando anunciou que ia sair da fábrica e procurar outro emprego. E quando pouco tempo depois foram dizer ao Sr.Alfredo que o Pedro passava os dias a sair e a entrar do bairro com o " Quim da D.Ermelinda ", ainda mais duras palavras foram ditas- ou Pedro voltava para a fábrica ou tinha de sair de casa.
Ultimato definitivamente decidido no dia seguinte quando Pedro disse ao Sr.Alfredo que estava a ganhar mais numa semana do que o pai num mês.
Essa noite foi já dormida em casa de Quim, tendo Pedro ido a casa dos pais na manhã seguinte buscar os seus pertences, sem esquecer os novos Nike, as novas Levi's e o ipod.
A mesma manhã em que foi conhecer, levado por Quim que nela tinha boas clientes, a pensão da D.Odete.
Mas se Pedro se adaptou bem à D.Odete e à rotina da pensão, embora não apreciasse muito os olhares lúbricos da proprietária, cinquentona de cabelo e unhas flamejantes sempre prestes a rebentar dentro de vestidos justos, o mesmo não acontecera com Carina que dizia que ele vivia numa pensão de putas.
A jovem enfermeira recusava entrar na " Pensão A Estrela da Avenida ", nome oficial da pensão da D.Odete, pelo que a intimidade entre eles, nas folgas de Carina, decorria noutra pensão da Almirante Reis.
Intimidade que se mantinha apesar da proibição decretada pelos pais dela. Que a filha namorasse um soldador já era pouco agradável, que o mesmo estivesse desempregado, era a versão de Carina, atingia os limites.
Carina apenas impusera a Pedro uma condição: que ele não consumisse. Assim, depois de se despirem, Carina inspeccionava-lhe os braços, as pernas, as plantas dos pés, as narinas e o couro cabeludo. Pedro submetia-se ao exame com uma imobilidade total, apesar do desejo crescente.
Com o tempo, o exame ritualizou-se e passou a ter a qualidade de prelúdio ao acto amoroso propriamente dito.
Nos braços de Carina, ele esquecia as noites frias da Ericeira esperando na areia a chegada dos botes, as idas ao aeroporto para ir esperar as "mulas" e aguardar que elas evacuassem os "pacotinhos" que tinham engolido em Marrocos e sobretudo as "cobranças difíceis" em que por vezes acompanhava Quim e Vladimir, este um brutal moldavo em quem se percebia o gosto pelo sangue. Até agora, Pedro só presenciara "avisos" sob a forma de narizes e cabeças partidas, mas tinha a certeza de que Vladimir era capaz de muito mais.

(cont.)

Carmina Burana - II


Mais um espectáculo dos Carmina Burana... no dia seguinte aos dois no Coliseu.
Este comemorativo dos 100 Anos do Liceu Camões. Envio um abraço a uma companheira de Paleografia que dá pelo nome de Margarida SC.

Citação

«O nacionalismo, como todos os credos intolerantes pelo facto de serem irracionais, tem por objectivo a unidade, através da divisão da sociedade em eleitos e réprobos.»
Alberto Moravia
In: Uma ideia da Índia. Lisboa: Tinta-da-China, 2008, p. 55

Benjamin Rabier - 1


Imagem criada cerca de 1925 para a marca de queijos La Vache Qui Rit por Benjamin Rabier (1864-1939), o ilustrador de O romance da raposa.
Em
http://www.lavachequirit.com/la-vache-rouge/fr/tout-sur-la-vache-2/ils-adorent-la-vache-qui-rit/galerie-affiches-de-star.html
poderá ver todos os cartazes que Benjamin Rabier fez para A Vaca Que Ri e outros desta marca.

Será de Leonardo da Vinci? Polémica em torno duma tela em pergaminho.

Retrato de Uma Mulher de Perfil / rebaptizado La Bella Principessa por Martin Kemp
Nesta belíssima pintura, atribuída a um pintor alemão do século XIX, foi encontrada uma impressão digital de Leonardo da Vinci. Como é que se chegou a este pintor?
As deduções foram feitas a partir de três métodos:
1 - Datação pelo método do Carbono 14;
2 - Análises com raios infravermelhos da técnica do artista;
3 - Impressão digital captada por uma câmara multiespectral da empresa Lumière Technology.
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"Segundo Peter Paul Biro, um perito forense em arte do Canadá, a impressão digital corresponde a ponta do dedo indicador e é «muito parecida» com a encontrada num São Jerónimo do pintor renascentista italiano que se conserva no Vaticano.
A obra em questão foi leiloada com o título Jovem de Perfil com vestido do Renascimento, mas Martin Kemp (professor emérito de História de Arte da Universidade de Oxford) rebaptizou-a como La Belle Principessa, e crê que a tela representa o rosto de Bianca Sforza, filha de Bernardina de Corradis e Ludovico Sforza, duque de Milão, para o qual Da Vinci trabalhou durante vários anos. Kemp acredita que o quadro terá sido realizado por volta de 1496, quando Bianca, então com 13 anos, casou com Galeazzo Sanseverino. A jovem viria a morrer três meses depois. (...)".
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DN de 14 de Outubro, 2009, J.M.
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O quadro foi leiloado em 1998, em Nova Iorque, por 19 mil dólares (c. 12 800 euros) e, se for do pintor renascentista, poderá alcançar os 150 mil milhões de dólares (101 500 milhões de euros). Informação retirada do DN de 14 de Outubro 2009.
Será de Leonardo da Vinci?

domingo, 18 de outubro de 2009

Claudio Magris


A 61ª Feira do Livro de Frankfurt encerrou com a tradicional entrega do Prémio da Paz da Associação Alemã do Comércio Livreiro. A condecoração desta edição foi atribuída ao filólogo, ensaísta e romancista italiano Claudio Magris.

A convivência entre culturas diferentes é tema central da obra de Magris. Enquanto ensaísta e colunista do Corriere della Sera, Magris marcou e marca uma posição claramente a favor de uma política de imigração mais humana em Itália. Membro fundador da Associação Liberdade e Justiça, criada juntamente com Umberto Eco e outros intelectuais em 2002, tem vindo a observar criticamente a política de Berlusconi. As medidas recentes do governo de Roma, “histéricas e brutais” segundo o escritor, constituem barreiras novas, representativas de políticas na Europa e no resto do mundo que conduzem a uma terceira guerra mundial, cujas vítimas caem rapidamente em esquecimento.
Na qualidade de autor, Magris destacou-se pelo seu bestseller “Danúbio – Biografia de um rio” de 1988, uma reflexão literária e filosófica profunda em busca das origens da Europa Central.

Magris, germanista de formação, vive em Trieste, conhecendo assim bem a afluência e convergência de línguas e culturas, provenientes da Itália, Áustria, Eslovénia e Croácia. Professor de Língua e Literatura Alemãs na universidade desta cidade, contribuiu significativamente para a tradução de obras literárias de Arthur Schnitzler e Georg Büchner para o italiano.

O prémio Nobel da Paz!


Li no DN, de 16 de Outubro, a notícia à volta da escolha polémica do prémio Nobel da Paz. Deixo aqui o excerto que me fez mais confusão:

«(Aagot Valle, socialista) admitiu ao Verdens Gang que "esperava mais debate", em especial sobre o que considera "problemático, a guerra no Afeganistão". Recorde--se que, no mesmo dia em que foi anunciado o prémio, Obama se preparava para presidir a um conselho de guerra sobre o aumento das tropas americanas naquele país».
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DN, 16 de Outubro 2009, Susana Salvador
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Como sempre as pressões políticas funcionaram, Obama acabou por ser escolhido.
Li no mesmo jornal, confesso que não me recordava, que:
- Henry Kissinger, secretário de Estado norte-americano, "venceu o Nobel da Paz, em 1973, por ajudar a estabelecer um cessar-fogo com o Vietname (que não veio depois a manter-se)."
- Em 1978 Menachen Begin, primeiro-ministro israelita recebeu juntamente com Mohammed Anwar Al-Sadat, "o Nobel, depois de ambos os países terem negociado a paz. Contudo, acabou por promover a guerra noutros locais: em 1982 Israel invadiu o Libano".
- Yasser Arafat partilhou em 1994, o mesmo prémio com os israelitas Shimon Peres e Ytzhak Rabin «pelos seus esforços para alcançar a paz no Médio Oriente», apesar de ser considerado um terrorista. (Deste lembrava-me).

Tirem-se as ilações que se quiserem. Gosto de Obama fiquei contente com a sua vitória e com as mudanças que a sua eleição significou para os E.U.A. No entanto, julgo que foi demasiado prematura a decisão deste Nobel da Paz.

PARAÍSO : 4 - O café Benguela

Os enormes televisores do Café Benguela estão permanentemente sintonizados na Sport TV. Melhor dizendo, um na Sport TV1 e o outro na Sport TV2.
O Sr.Fontes e a D.Júlia saíram de Angola, como constantemente repetem, " com uma mão à frente e outra atrás " , o que não os impediu de serem actualmente os proprietários do melhor e maior café do bairro de S.Filomena e de terem construído "uma bela casa lá na terrinha " como também gostam de repetir.
Pragmaticamente, como muitos outros "retornados", e dadas as alterações étnicas do bairro na última década, são já mais moderados a falar da "pretalhada". Como costuma dizer a D.Júlia, " o que interessa é que paguem a conta ".
Na mesa mais recuada da porta, Pedro e Quim conversam. Alheados das conversas sobre Jesualdo, Ronaldo ou dos comentários sobre as irmãs deste. Indiferentes também a alguns crónicos beneficiários do rendimento social de inserção que folheiam a Caras ou o Record e que pedem o jantar à D.Júlia: " Uma meia de leite e uma tosta mista ". Nalgumas mesas estão crianças que deveriam estar já na cama ou a serem deitadas.
Através de um dos enormes vidros, algumas cabeças espreitam o carro-patrulha da PSP, infalível na hora a que passa no bairro.
Quim levanta-se e sai do café, telemóvel na mão. Volta cinco minutos depois para junto de Pedro.
- Os gajos disseram para a gente lá ir mas já.
Saem do café, seguidos pelos olhos dos mais atentos frequentadores do estabelecimento. Todos conhecem o "Quim da BM " e qual o seu ramo de actividade.
Uma hora depois, chegam à Ericeira. Não à vila propriamente dita, mas a uma das localidades que a rodeiam. Uma placa dá o nome à aparentemente abandonada moradia: "Vivenda Sonho dos Nossos Filhos". Outra placa indica que é preciso recear os cães. E estes logo aparecem com a aproximação de Quim e Pedro. Dois enormes doberman pretos, silenciosos mas de olhos fixos nos dois visitantes.
Pedro vai conhecer a "malta".

O que se poderá fazer?

À janela pendurada não se encontra apenas roupa, agora pululam nesta e noutra as antenas parabólicas. O que se poderá fazer para que a paisagem urbana não sofra a mudança dos tempos?
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Rua do Século, Lisboa
A mesma rua, outra perspectiva.


Crosby, Stills, Nash and Young - Teach Your Children

Ontem, vi um documentário sobre a digressão de Crosby, Stills, Nash and Young, em 2006, em Atlanta e a sua intervenção contra a guerra do Iraque!
Achei graça porque num encontro do Prosimetron se tinha falado no Prémio Nobel da Paz. A minha opinião pessoal é que o prémio deixou de ter a carga simbólica que tinha há uns anos atrás. Gosto de Obama mas ainda não efectuou trabalho que merecesse esta distinção. Terá tempo para o demonstrar, agora com um título na mão!

O novo trono de Nefertiti

Angela Merkel reinaugurou o Novo Museu (Neues Museum) de Berlim na passada sexta-feira. 600 convidados assistiram à cerimónia no vizinho Museu de Pérgamo, em que a chanceler se manifestou com entusiasmo sobre este novo espaço: “A reabertura representa um grande dia para a Cultura”.

A reconstrução completa assim o conjunto de cinco museus, situados na chamada Museumsinsel (ilha dos museus), rodeada do rio Spree: Altes Museum (Antigo Museu), Alte Nationalgalerie (Antiga Galeria Nacional), Pergamonmuseum (Museu de Pérgamo), Bode-Museum (Museu Bode) e, por fim, o Neues Museum (Novo Museu). Renasceu o complexo cultural, considerado Património Cultural da Humanidade pela Unesco, em todo o seu esplendor do neo-classicismo prussiano.
O Neues Museum, da autoria de Friedrich August Stüler e inaugurado em 1855, não escapou ao fatal destino das restantes edificações próximas: em vésperas da Segunda Guerra Mundial, foram encerrados os cinco museus. Cerca de 70% da área foi destruída durante bombardeamentos até 1945. O espólio de peças distribuiu-se por vários esconderijos com consequências parcialmente nefastas para a sobrevivência do acervo.
A RDA deu preferência à reconstrução do Antigo Museu e do Museu de Pérgamo. Já na Alemanha reunificada, surgiram de novo a Alte Nationalgalerie em 2001 e o Bode-Museum em 2006.

O arquitecto britânico David Chipperfield, responsável pela concepção do Novo Museu desde 2003, optou por uma recuperação original parcial, deixando então visíveis alguns dos vestígios da destruição sofrida. O projecto ambicioso ascendeu a um custo de 212 mio de euros.
Quatro pisos com uma área total de 8.000 m2 proporcionam espaço suficiente para 9.000 peças. Acolhem o Museu Egípcio e a Colecção de Papiro, como também o Museu da Pré e Proto-História.
Cerca de 10.000 pessoas terão visitado o Neues Museum desde sexta-feira. As atenções concentraram-se seguramente no tesouro mais apreciado: o busto de Nefertiti (ou Nofretete, como os alemães preferem designar). As belas feições da rainha egípcia não perderam o seu fascínio – mantiveram-se quase intactas ao longo de de 3.300 anos ...

Citações - 43 : António Coimbra de Matos

A propósito do Dia Internacional da Depressão, que passou ontem, aqui fica um excerto da entrevista feita a António Coimbra de Matos, um dos decanos da psiquiatria portuguesa e psicanalista, publicada na Visão desta semana:

- Os problemas mentais, hoje, são diferentes dos que se diagnosticavam antigamente?

- Quando comecei, tratava-se mais as neuroses. Agora, são as depressões e psicoses. Antes, predominava a patologia da culpa; hoje, são punidos aqueles que não têm sucesso. Passou-se da sociedade da culpa para a do êxito, que promove o traço depressivo. Veja-se os suicídios na France Telecom...

Os animais, a memória e nós - Adenda

Quem quiser saber mais sobre a história do leão Christian, já falecido, pode fazê-lo lendo o livro publicado pela Presença, escrito pelos dois australianos hoje sexagenários - John Rendall e Anthony Bourke, que tendo ficado incomodados ao verem um leão de 4 meses numa pequena jaula à venda no Harrods o levaram para o apartamento com jardim que partilhavam em Chelsea.