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sábado, 28 de outubro de 2023
quinta-feira, 25 de novembro de 2021
No meu sofá a ler... - 11
Paris: le cerche midi, 2011
Quanto a mim, François Mitterrand tinha razão ao afirmar: «De Gaulle é um herói semelhante aos jovens generais da Revolução, mas foi também o homem qu confiscou a Resistência.» (p. 48)
Margaret Tatcher falava correntemente francês, mas com um forte acento inglês, o quw fazia sorrir Mitterrand que um dia sussurrou com malícia ao ouvido de Dumas: «Se fecharmos os olhos, pensamos estar a ouvir a Jane Birkin.» (p. 54)
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Leituras no Metro - 1048
Paris: Alexandrines, 2019
Neste livro, Michèle Cotta passeia-se mais pela vida de Mitterrand do que pelos passeios que o ex-Presidente fazia na sua amada Paris: pela cidade (Champ de Mars, Ponte Alexandre III, bd Saint-Germain), livrarias (« tout livre en vitrine excite mon formidable appétit de lettres »), restaurantes, locais (Panteão); e seguindo as obras da sua presidência: Pirâmide, o Grande Arco, a Ópera da Bastilha, o IMA ou a Biblioteca que hoje tem o seu nome.
Um Presidente que entra na coleção «Le Paris des écrivains» porque, para além de ter deixado uma obra memorialística, gostaria de ter sido escritor: « J’aime écrire [...]. Je pense que si je n’avais pas été absorbé par ma vie politique, j’aurais aimé consacrer une partie de ma vie à construire une œuvre littéraire. En avais-je le talent ? En tout cas j’en avais le goût… Comment écrire ? Il faut l’unité de l’esprit. Le téléphone qui vous déchire l’oreille, la visite impromptue… L’homme politique toujours arraché à lui-même a de la peine à devenir écrivain…»
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Hoje e amanhã
A venda, na casa Piasa, em Paris, da biblioteca de François Mitterrand, grande bibliófilo, interessado pelo papel, pelas encadernações, pelos tipógrafos, visita frequente de livreiros e alfarrabistas.
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
8 de janeiro de 1996 - 7 de janeiro de 2016
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Mário Soares: memorabilia - 2
O 'cozinheiro' Mário Soares, aqui acompanhado por dois amigos 'futebolistas': Felipe González e François Mitterrrand.
Também tenho um Mário Soares transformado em rei, com uns calçonitos à D. Sebastião: um espetáculo! Aqui há tempos meti-o numa caixa porque tive medo que se partisse: a estante onde ele se encontrava estava muito cheia e o barro estava um pouco periclitante.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Mitterrand: Journal pour Anne
Paris: Gallimard, 2016
€45,00
Este Journal, que é hoje posto á venda em França, foi escrito durante sete anos, entre 1964 e 1970, por François Mitterrand, em 22 blocos de papel de carta, que ele enviava, uma vez terminados, a Anne Pingeot. São mais de 700 folhas ilustradas por recortes de fotografias, publicidades, desenhos e artigos de jornais, cruzados com reflexões manuscritas do autor. François Mitterrand revela-se nessas páginas tanto no seu amor por Anne como na leitura que faz da sociedade que o envolve. os imprevistos são apaixonantes para compreender aquele que toda a vida gozou da reputação de impenetrável. Em primeiro lugar, ficamos a conhecer as suas estratégias para conseguir, pouco a pouco, reunir uma esquerda que se encontrava dispersa. Todos os documentos foram cuidadosamente recortados e colados, acompanhados de um comentário. O resultado é, do ponto de vista plástico, fascinante, revelando Mitterrand como um homem apaixonado e cheio de humor. O conjunto é um documento extraordinário, com enorme importância histórica, dado que de outro modo nunca poderíamos conhecer tão intimamente o espírito de François Mitterrand.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Leituras no Metro - 255
Esta foi a minha última leitura no Metro: uma boa entrevista ao Boss, a propósito da publicação da sua autobiografia Born to run, que vai ser uma das minhas próximas leituras. E todos gostaríamos de saber a resposta a «Para onde vai a América?». O dossier Bruce Sprinsteen inclui ainda alguns depoimentos sobre ele, de pessoas como Sean Penn ou Don Winslow.
Ressalto uma entrevista a Michaël Foessel, da revista Esprit, que afirma: «Sim, a esquerda tem futuro». E lá vi a página que APS reproduziu no seu Arpose sobre a exposição de Magritte no Centro Pompidou.
Entretanto a capa do número de L'Obs, nas bancas a partir de hoje, é dedicada às cartas de Mitterrand a Anne Pingeot, que serão postas à venda no dia 13 de outubro, com a chancela da Gallimard.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
sábado, 7 de março de 2015
Parabéns M.R . !
Um bolo , crémeux au chocolat sous un baba moelleux et une panna cotta à la vanille, le tout surmonté de tours en chocolat noir et d'un pavage de streusel cacao, e que vem da maravilhosa casa Thoumieux de Paris.
E um livro para acompanhar. Uma antologia deliciosa que deve ser muito do agrado da aniversariante :)
( Sobre Margaret Thatcher : Elle a les yeux de Staline et la voix de Marilyn Monroe, ou sobre Chirac : Si Chirac voyage tant, le pauvre, c'est parce qu'il ne peut rester en tête à tête avec lui même ... , e sobre tantas outras figuras francesas e internacionais )
sábado, 14 de junho de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
Livros de cozinha - 75
Rennes: Éd. Ouest France, 2012
Este livro de Éric Birlouez é interessantíssimo, quer pela temática quer pelo modo como é apresentado. Conta histórias relacionadas com a cozinha, desde o tempo dos faraós até aos Presidentes da 5.ª República Francesa.
Luís XV apreciava a comida e gostava de cozinhar. Por outro lado, Napoleão não era dado aos prazeres da mesa e Mitterrand, um grande gourmet, não gostava de comer sozinho.
Na página da esquerda, ficamos a saber que Stalinas Leszczynski, rei da Polónia, esteve na origem da criação do Babá ao Rum, enquanto que os bouchées à la Reine foram criados em honra da sua filha Maria Leszczynska. Madame Pompadour era uma grande apreciadora de champanhe e de trufas.
Dentro de envelope, encontra-se um menu e, na página da direita, receitas: Filetes de linguado à Pompadour, Bouchées à la Reine e Madalenas.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Os sabores do Eliseu
Hortense Laborie é uma cozinheira que é escolhida para preparar as refeições pessoais do Presidente da República (interpretado por Jean d'Ormesson).
O filme baseia-se nos dois anos que Danièle Mazet-Delpeuch passou no Eliseu como cozinheira de Mitterrand, que era um gourmet.
O Presidente do filme afirma, numa conversa com a cozinheira, ter sido um grande leitor de livros de cozinha, sendo o seu preferido este Édouard Nignon, publicado em 1933, que ele um dia oferece a Hortense Laborie.
Ed. 1992, pref. por Sacha Guitry.
Paris: Bayard, 2012
Gostei imenso do filme.
sábado, 24 de agosto de 2013
Humor pela manhã
Uma das amizades mais improváveis de François Mitterrand foi seguramente a de Jean d'Ormesson, aristocrata, grande escritor, grande conversador. Para se ter uma ideia da confiança recíproca apesar de tudo o que os dividia, basta dizer que foi ele quem Mitterrand escolheu ter consigo nas suas últimas horas no Palácio do Eliseu, das 9 às 11h da manhã do dia de Maio de 1995 em que se deu a posse de Chirac.
E é o escritor quem conta esta deliciosa história, que além do mais pode ser pedagógica se algum leitor vier a ocupar algum alto cargo :
Il y a une histoire de Mitterrand que j'adore. Un camarade socialiste lui dit : " Je t' ai toujours tutoyé, ça ne te gêne pas que je continue? " Et Mitterrand lui aurait répondu : " Mais c' est tout naturel, faites comme vous voulez ! "
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Recordando Mitterrand - 3
Este post era para ter sido publicado no passado dia 8, em continuação de outros dois. Guardei-o para hoje, quando passam 38 anos sobre o assassinato de Amílcar Cabral. Vão perceber porquê.
Pref. Mário Soares; trad. Geminiano Cascais Franco. Lisboa: Bertrand, 1983
Foi o segundo livro de Mitterrand que li. O primeiro, El golpe de Estado permanente, li-o numa edição espanhola (Madrid: Cuadernos para El Dialogo, 1968).
Estas Janelas da memória são uma selecção de textos dos dois livros de Mitterrand, abaixo reproduzidos. Gostei tanto destas janelas (Mitterrand escrevia muito bem) que li de seguida La paille et le grain e L'abeille et l'architecte.
Segunda-feira, 22 de Janeiro [de 1973]
«Coube a vez a Cabral. Acabo de saber da sua morte [a 20 de Janeiro], assassinado sobre a soleira da sua porta em Conacri. Sekou Touré acusa Portugal. Caetano nega. Não tenho elementos para julgar. Só posso dizer que Cabral morreu, como tantos outros antes dele que lutavam pela mesma causa. Quem matou Félix Moumié [assassinado com tálio, em 3 Nov. 1960]? Ele jantara em Genebra com um agente francês dos serviços secretos. Depois da refeição, rolou-se no chão, contorceu-se de dor, com o ventre dilacerado por um veneno subtil, e levou algumas horas a morrer. O inquérito não teve consequências. Uma vítima, mas o assassino, esse, ficou naturalmente incógnito. Quem matou o general Humberto Delgado, cujo corpo foi encontrado decomposto no fundo de um recesso de terreno perto da fronteira portuguesa? Quem matou Eduardo Mondlane, um dos chefes dos movimentos rebeldes de Moçambique, despedaçado em dar-es-Salam por uma encomenda com armadilha?
«Amílcar Cabral era meu amigo. Se bem que tivesse sido proibido de permanecer em França, decerto que a rogo do Governo português, eu convidara-o a passar alguns dias em minha casa nas próximas férias da Páscoa. Ele aceitara com satisfação, de tal modo amava o nosso país, cuja língua falava com ductilidade. Por ocasião da minha recente viagem à Guiné, não nos havíamos praticamente separado e ele confiara-me as suas lutas, as suas esperanças. Dissera-me que os seus companheiros ocupavam dois terços da Guiné-Bissau, onde se efectuaram eleições no ano passado e se instalou uma Assembleia, esperando para breve a designação de um executivo provisório. As tropas portuguesas já não penetravam nas zonas libertadas. O movimento de libertação dispunha de escolas espalhadas no mato, de hospitais de campanha e de estruturas administrativas. Quem ouviu Amílcar Cabral jamais o esquecerá. A brandura das palavras aliava-se à argúcia de um pensamento que se mantinha disponível em torno de um ponto fixo: a liberdade, essa conquista.
«Portugal perde com ele o adversário mais sensível, melhor formado nos seus valores. A estupidez visou bem, revestindo assim tal crime de um horror suplementar.» (Janelas da memória, p. 65-66)
Paris: Flammarion, 1980. (Le livre de poche)
Paris: Flammarion, 1983. (Le livre de poche)
Um dia trarei aqui dois livros de conversas do antigo Presidente da República Francesa: um, com Elie Wiesel; o outro, com Marguerite Duras.
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