Prosimetron
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Boa noite!
Dia Nacional dos Castelos
Frutas - 29
Finalmente!

Mário Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura!
Irmãos Unidos

Foto Eduardo Portugal, s.d.
Arq. Fot. CML, PT/AMLSB/AF/POR/060322
O restaurante encerrou em 1970, tendo a sua área sido anexada pela Camisaria Moderna. Ainda existe um resquício do restaurante com o nome de Adega Irmãos Unidos, na Praça da Figueira, 2.
Pensamento

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Fico pensando, às vezes, por momentos,
Que a alma dentro em nós, é uma fonte
Onde bebem os nossos pensamentos!
[...]
Alfredo Guisado
In: Distância. Lisboa: Livr. Ferreira, 1914
Para Jad, porque há dois dias se falou de Alfredo Guisado.
No Centenário - 2
- O Infante D.Manuel, futuro D. Manuel II. (Adenda- Solucionado o desafio infra, aqui fica a informação em falta: o retrato é da autoria de Amadeo de Souza-Cardoso, o maior, e o mais monárquico, pintor português das primeiras décadas do séc.XX, e está exposto no Museu Amadeo Souza-Cardoso em Amarante. )Foi com surpresa que vi ontem, e graças ao aviso de um prosimetronista, o documentário de Eduarda Maio que passou depois do noticiário das 20h na RTP1, em horário nobre (!), sobre o último Rei de Portugal.
P.S.- Um doce, ou melhor uma caixa para não me chamarem sovina, a quem adivinhar quem pintou o retrato que está acima. Uma pista- é um grande nome da pintura portuguesa.
1945 : Perry Como
Um quadro por dia - 95
Gari Melchers (1860-1932), Mother and child, 1904, óleo sobre tela, Museum of Fine Arts, Boston.Embora menos conhecido que os seus contemporâneos John Singer Sargent ou Mary Cassatt, Melchers é um pintor norte-americano que merece atenção. Apesar de ter começado a minha procura de uma tela maternal para hoje na Velha Europa, desde logo uma das várias mães pintadas por Renoir, foi Melchers quem captou a minha atenção.
As primeiras chuvas II
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Boa noite!

Gustave Moreau (1826-1898) - Salomé (pormenor), 1874-1876
SALOMÉ
Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo...
Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro! A minha alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...
Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:
Mordoura-se a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...
Lisboa 1913 - novembro 3.
Mário de Sá-Carneiro
In: Poemas completos. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001

Gustave Moreau (1826-1898) - Salomé (pormenor), 1876
BALADA DE SALOMÉ
Meus bailados endoidecem,
Adormecem,
São riscos, que os meus sentidos
Com tules de ânsia vestidos,
Traçam no ar...
Endoidecem...
Plumas que caem no mar...
Anda ao redor do meu Corpo,
Triste, exangue...
Sou uma bruma de mim...
Sou uma gota de sangue
Numa espada de marfim...
Dedos de silêncios velhos...
Breves sombras do meu Corpo
A dançarem nos espelhos...
Meus olhos, portas abertas
E desertas,
Portas para jardins pagãos...
Leves repuxos de cores...
São conventos profanados
Onde morreu uma freira...
E são palcos, minhas mãos,
Onde meus dedos-actores
Andam cantando bailados
Duma outra bailadeira...
Minha sombra, voz que escuto
Numa sala dum castelo.
Sonho de Mim. Meu cabelo,
Caudas de faisões de luto
Em parques de outros Orientes...
O meu Corpo, um girassol
Virando a todo o momento
Para o Sol
Dos meus sentidos doentes.
Sou o talismã dum mago.
E são meus olhos inquietos,
Muito pretos,
Cabeças dentro de pratos...
Sou silêncios debruçados,
Gritos de mim, ecos, tudo...
Os meus bailados são patos
Ao longe, junto dum lago,
Laços de sangue, pintados
Num pescoço de veludo...
Alfredo Guisado
In: Tempo de Orfeu. Coimbra: Angelus Novus, 2003
Poemas - 14

Fernando Guimarães, Algumas das palavras- Poesia Reunida 1956-2008, Edições Quasi, 1ªed, Dezembro de 2008.
A arte do retrato - 5
Brassaï (1899-1984), Anais Nin, 1923.Estava na altura de aparecer um retrato fotográfico nesta série. Escolhi o maior fotógrafo húngaro, embora grande parte da sua vida tenha decorrido em França, do século passado e um dos seus retratos que julgo mais impressivos: o da escritora Anais Nin, cuja vida sob o signo da liberdade sempre me fascinou.
1959 : Bobby Darin
Elegâncias - 49
O Início
(O Início)
1
De antanho a era
em que o vazio existia,
nem areia ou mar
nem ondas revoltas;
por forjar a Terra,
Por cobrir o Céu:
um abismo aberto,
sem folha de relva.
2
Os Grandes Deuses então
deram início à labuta,
o maravilhoso mundo
mui bem construíram.
Vindo do Sul, o Sol
dos mares saído
reluzia sobre a relva
verdejando nas manhãs.
(...)
Começa assim, com estas estrofes, a Lenda de Sigurad e Gudrún, de J. R. R. Tolkien. Do autor li O Senhor dos Anéis e o Hobbit.
J. R. R.Tolkien, A Lenda de Sigurd e Gudrún, Lisboa: Edições Europa-América, 2009, p. 59 (tradução de Rita Guerra)
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Efemérides
Aconteceu para lembrar a passagem do dia 1 de Outubro.... o outro nome recordado, para esse dia, foi o de Luísa Todi, que morreu a 1 de Outubro de 1833.
Entretanto, no Brasil houve eleições.
Citações - 123
O meu 5 de Outubro
1910 : Harry McDonough
Dia Mundial da Arquitectura
- Rotonda.
- Villa Cornaro.Lembrando Alfredo Keil
No Centenário - 1

Estes são os 3 últimos parágrafos do notável ( não exagero no adjectivo) ensaio de quase 3 páginas que Rui Ramos, que nem sequer é monárquico, escreveu no Expresso intitulado A Iª República como objeto histórico.
Da minha biblioteca - 11
Ainda bem que as profusas celebrações de um certo Centenário serviram para chamar à colação esta obra magistral, que é um verdadeiro guia filatélico nacional. Eu, aprendiz de filatelista, muito beneficiei dela.P.S. - Aproveito para agradecer os "mimos", e tomei boa nota do belo ensaio para um selo de D.Manuel II. Pode ser que ainda um dia venha a ser emitido...
Animação...
O centenário de Fifi Antunes
Mas realmente não chegava a tempo.
A senhora Júlia com o mesmo sorriso com que lhe apresentava todos os meses o recibo do senhorio, logo à entrada depunha-lhe nos braços uma espécie de cabritinho esfolado que esperneava e vagia numa encantadora promessa de noites em branco.
- É rapaz ou rapariga?
- Menina... e há-de ter coragem como o pai - disse a senhora Júlia na mira de outros dez tostões.
- E então a senhora? Como está ela? - e referia-se ao génio da Ludovina, antevendo a descompostura que ia levar pela demora.
- Esta a descansar... Não se apoquente. Estava eu cá... Porteira ou parteira é quase a mesma coisa.
[....]
Desenho de Alberto Sousa, A Capital, 7-Outubro-1910Foi recriada por Armando Ferreira, em 1934, na sua comédia Lisboa sem camisa.
Moisés Antunes, ou melhor, Moisés Martim Antunes (porque o Moisés ainda é um Martim) foi obrigado a casar com a criada lá de casa (que nem sabia ler nem escrever...) de nome Ludovina.
A comédia de Armando Ferreira é editada pela «Livraria Editora Guimarães» que ainda hoje tem a sua sede na R. da Misericórdia, n.os 68-70, em Lisboa. Todos os extractos saíram do vol. I: O casamento da Fifi Antunes.
Natureza morta com busto da república
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Aconteceu há 100 anos (VII)
A senhora Júlia lembrou que talvez ele pudesse, agora que tudo estava sossegado, ir à farmácia do bairro e trazer pacotes de algodão e sublimado.
- Se o senhor tem receio, eu chego lá num instante...
-Eu, receio? Vou já... Pode ser até que o farmacêutico saiba dalgum médico ou parteira aqui perto...
Na escada, Moisés pensou no acto de coragem que ia empreender, avançando para o negrume da noite. Começava o seu calvário pelo «Filho», sentia-o bem.
Puxou a gola do casaco para cima, a aba do chapéu para os olhos e, rente às paredes, caminhou apressado... Ao longe, recomeçava a troar o canhão, e Moisés acelerou o passo. Vultos passavam a fugir... A farmácia estava fechada. Bateu, mas ninguém respondeu de dentro... E ia a reflectir: «as revoluções deviam ser todas no campo, e deixarem as famílias sossegadas» quando perto dele o estrondo duma bomba estremeceu o ar.

O poder e o povo
Não admira que a República nunca se tenha conseguido consolidar. De facto, nunca chegou a ser um regime. Era um “estado de coisas”, regularmente interrompido por golpes militares, insurreições de massa e uma verdadeira guerra civil. Em pouco mais de 15 anos morreu muita gente: em combate, executada na praça pública pelo “povo” em fúria ou assassinada por quadrilhas partidárias, como em 1921 o primeiro-ministro António Granjo, pela quadrilha do “Dente de Ouro”. O número de presos políticos, que raramente ficou por menos de um milhar, subiu em alguns momentos a mais de 3000. Como dizia Salazar, “simultânea ou sucessivamente” meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.
E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam “carbonários”, vigilantes de vário género e pêlo e a “formiga branca” do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos “direitos do homem e do cidadão” que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de “suspeitos” (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)? Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do “outro” mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o “5 de Outubro” trouxe a Portugal?
Ensaio para um selo de D. Manuel II
"Podemos definir ensaio como a impressão de um desenho não aprovado oficialmente, quer no todo, quer em qualquer parte, ou que, embora aprovado, não chegou a ser emitido".
A. H. de Oliveira Marques, Provas e Ensaios de Portugal e Colónias : I Parte - Continente, LIsboa, Publifil, 1980, p. [VII]
4 de Outubro de 1910 : Os selos de Correio
Lisboa, colecção A. H. de Oliveira Marques"Os selos surgiram na data marcada, constituindo uma das mais belas séries da colecção portuguesa. Desenho, gravura, cores, são primorosos. Só há a lamentar o papel em que foraam impressos, o esmalte, que torna os selos muito quebradiços, embora contribua para lhes dar, quando novos, uma superfície acetinada e brilhante.
As cores estavam muito bem escolhidas e houve o cuidado de imprimir os baixos valores (2 1/2 a 80) numa única cor sobre papel branco, os médios valores (100 a 300) numa só cor mas sobre papel colorido e os altos valores (500 e 1000) em duas cores.
Os desenhos eram dois: um para as taxas de 2 1/2 a 300 e o último para as de 500 e 1000 réis.
O denteado foi 14x15 em folhas de 100 (10x10) e o papel esmalte, exceptuando os valores de 100 a 300, impressos sobre papel porcelana colorido."
A. H. de Oliveira Marques, História do Selo Postal Português, 2.ª ed., Lisboa, Planeta Editora, 1996, p.261-264 .
Um quotidiano centenário (VI)

- O amigo Moisés, desculpe, mas hoje é um dia único, histórico. E sua esposa melhorzinha?
- Assim, assim...
- Isto está demorado, hein? Cheira-me que ainda há-de correr muito sangue esta noite...
-Credo, senhor Lopes, longe vá o agoiro! - Replicou Moisés a pensar na revolução que tinha lá por casa.
- Diziam os revolucionários que era coisa para duas ou três horas e já lá vai um dia...
[...]
(Logo mais, ou amanhã, esclareço quem escreveu este relato, de 4 de Outubro de 1910).
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