Foujita - Autorretrato, 1926
Prosimetron
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
O riso...
Frans Hals the Elder, Three Children with a Goat Cart, c. 1620,
Wikipedia
Wikipedia
O choro, como o bocejo, é contagiante. O riso, como a batata doce, é uma partilha de cumplicidades. Chorar é público. Rir é particular. E por isso que conseguir que se ria pública e colectivamente é um feito glorioso e irrelevante.
Miguel Esteves Cardoso a propósito de Ricardo Araújo Pereira no Público de hoje.
Leituras no Metro - 191
Comecei a ler o n.º de novembro da Lire com um grande dossier dedicado a Modiano, o qual inclui uma entrevista muito interessante.
«Les souvenirs d'enfance sont des puzzles auxquels il manque beaucoup de pièces, qui ont été peu à peu rongées para l'oubli. Remonter dans le passé est très romanesque. C'est presque comme une énigme policière: les souvenirs sont complètement morcelés, les détails ne se relient pas forcément aux autres... C'est ça qui m'a toujours intrigué. C'est sur celà qui j'écris, livre après livre. J'ai l'impression que tout ce qu'on a vécu jusqu'à trois ou quatre ans est complètement noyé dans l'oubli et qu'après surnagent des choses qui finissent presque para appartenir au domaine de l'imaginaire: l'enfant est un romancier qui ne le sait pas, il s'attache à des détails désordonnés, et son souvenir, des années plus tard, est forcément très énigmatique. Donc, oui, le souvenir est une bombe à retardement parce qu'on se pose des questions lorsqu'on vieillit, à propos de ces pièces perdues du puzzle, et qu'on essaie toujours de les retrouver. Il y a, dans les souvenirs d'enfance, quelque chose d'énigmatique et de parfois dangereux. Même si l'enfance a été paisible.» (p. 54-55)
François Busnel pergunta a Modiano quando publica as suas Memórias, ao que o escritor responde que não sabe se publicará os seus cerca de vinte cadernos: «Parce qu'on verrait tout ce qui m'a permis d'écrire mes autres livres, mes romans. Ce serait comme une machine dont on apercevrait les arrière-fonds, les fondations... Ce serait bizarre. Ce serait de voir tout le grouillement des romans... Quelle étrange impression!»
Desagradar-lhe-ia?: «Je préfère les romans tels qu'ils ont été publiés. Tous sont des espèces d'autobiographies. Mes livres sont fait de bric et de broc autobiographiques. mais publier ces carnets... Je ne sais pas.» (p. 58)
A publicação dos cadernos agradaria sem dúvida aos leitores de Modiano.
Neste n.º há umas páginas dedicadas ao livro que Jacques Tardi fez sobre os cadernos de guerra da participação de seu pai, René Tardi, nas batalhas sangrentas da Pomerania: «O pai conta, passo a passo, verticalmente, a realidade física do Reich a desmoronar-se; o filho completa, metodicamente, a narração terrífica desta guerra ignóbil, que alinha sem piedade os mortos, de Dresden a Dora.» (Julien Bisson)
O livro é posto à venda hoje em França.
Paris: Castermann, 2014
€25,00
Marcadores de livros - 199
O marcador em metal está preso a um papel com indicações sobre a obra de Harry Clarke em que se inspirou.
Não me lembro de ter visto estas ilustrações de Harry Clarke quando visitei há anos a National Gallery, em Dublin. Fui então procurar esta ilustração e encontrei ainda outra que ele fez para o mesmo conto de Andersen, «O Rouxinol».
Um quadro por dia
Pierre Proudhon, A Justiça e a Ira Divina perseguindo o Crime, 1808, óleo sobre tela, Museu do Louvre, Paris.
Humor pela manhã
Se calhar é demasiado cedo para as " viúvas e órfãos " do " Engenheiro ", mas não resisti . Farto de engolir em seco durante anos. Sempre quero ver o que dirá agora Ascenso Simões, que há escassas semanas exigia a Cavaco que condecorasse Sócrates ...
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Boa noite!
Chopin tocando piano no palácio berlinense do príncipe Radzwill.
Pintura de Henryk Siemiradzki, 1887
Para o nosso lanche
Close up of chestnuts with two jars of chestnut jam
Close up of raspberries with two jars of raspberry jam
Close up of two jars of plum jam
Fotos de P. Martini
Qual é o melhor? O que nos sugere o MLV?
Parabéns MLV
MLV,
Um dia muito feliz!
Parabéns.
Para juntar às sua orquídeas. :))
Martin Johnson Heade, detalhe, Cattleya Orchid and Three Hummingbirds, 1871,
National Gallery of Art, Washington, D.C
National Gallery of Art, Washington, D.C
Parabéns a você
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Um livro a ler para compreendermos este nosso povo
Lisboa: Tinta da China, 2008
Um livro que devia ser de leitura obrigatória no nosso Ensino. Para ver se compreendemos onde começa e por que permanece esta mentalidade inquisitorial que não despega deste nosso povo.
Está aqui tudo, neste livro escrito em 1871.
A nossa vinheta
Peritos da UNESCO que avaliaram a candidatura do Cante Alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade deram parecer positivo, no final de outubro. O Comité Internacional que vai decidir reúne a partir de hoje e até sexta-feira, em Paris.
«O parecer diz que a candidatura reúne todas as condições», afirmou o coordenador do processo, Paulo Lima, pelo que «temos fundadas esperanças de que o cante alentejano seja inscrito na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade».
Ainda segundo Paulo Lima, também director da Casa do Cante, em Serpa, o parecer do grupo de especialistas costuma ser «bastante vinculativo para a decisão final» da Comissão Internacional da UNESCO.
Aguardemos, serenamente...
domingo, 23 de novembro de 2014
Casos do 14
O Elias
Elias tinha uma tara
qual era ninguém sabia.
Tinha atracção por gravatas
grenás e às pintinhas brancas
e engraxava os sapatos
sempre encostado às esquinas.
Trabalhava ai trabalhava
sentado e todo dobrado
com a mão a servir de pala
por causa da luz do sol
que entrava pelo gabinete
onde a preencher documentos
era como ele dizia
um autêntico portento.
Mal acabava o trabalho
sumia-se pelas vielas
caminhando empertigado
sacudindo o pó dos ombros
do seu casaco azulado
e para esticar os punhos
da sua camisa branca
levava as mãos aos sovacos
e logo de imediato
num gesto bem computado
puxava os punhos com os dedos
com tão grande precisão
que fosse qual fosse a mão
quando tinha que os puxar
os punhos obedeciam sem falhar.
E assim era o Elias
no seu vulgar dia a dia.
Até que um dia
a empregada da pensão
onde vivia o Elias
vai dar com ele de pé
em frente à televisão
de cuecas e em peúgas
numa grande convulsão
na altura que o Santo Padre
em plena praça de S. Pedro
de costas e em saiote
abrindo os braços benzia
uma enorme multidão.
Eduardo Valente da Fonseca, Casos do 14. Porto: Cadernos do Caos, p. 57-59.
Conheci o escritor/jornalista através da Livraria Lumière e achei que o retratado no poema ligava bem com o retrato pintado por Jean Fouquet.
Boa tarde!
Jean Fouquet- Portrait of the Ferrara Court Jester Gonella
qual era ninguém sabia.
Tinha atracção por gravatas
grenás e às pintinhas brancas
e engraxava os sapatos
sempre encostado às esquinas.
Trabalhava ai trabalhava
sentado e todo dobrado
com a mão a servir de pala
por causa da luz do sol
que entrava pelo gabinete
onde a preencher documentos
era como ele dizia
um autêntico portento.
Mal acabava o trabalho
sumia-se pelas vielas
caminhando empertigado
sacudindo o pó dos ombros
do seu casaco azulado
e para esticar os punhos
da sua camisa branca
levava as mãos aos sovacos
e logo de imediato
num gesto bem computado
puxava os punhos com os dedos
com tão grande precisão
que fosse qual fosse a mão
quando tinha que os puxar
os punhos obedeciam sem falhar.
E assim era o Elias
no seu vulgar dia a dia.
Até que um dia
a empregada da pensão
onde vivia o Elias
vai dar com ele de pé
em frente à televisão
de cuecas e em peúgas
numa grande convulsão
na altura que o Santo Padre
em plena praça de S. Pedro
de costas e em saiote
abrindo os braços benzia
uma enorme multidão.
Eduardo Valente da Fonseca, Casos do 14. Porto: Cadernos do Caos, p. 57-59.
Conheci o escritor/jornalista através da Livraria Lumière e achei que o retratado no poema ligava bem com o retrato pintado por Jean Fouquet.
Boa tarde!
Números
15 milhões
O número de dormidas de turistas estrangeiros em estabelecimentos hoteleiros portugueses no último Verão ( de Junho a Setembro )..
Frases ( da semana que passou )
Eu concebo o amor entre dois homens, o que me causa perplexidade é o desejo.
Achei interessante esta frase do arq. Saraiva, director do Sol, porque muitas vezes assistimos é precisamente à expressão pública do seu contrário, a compreensão do desejo mas a negação do sentimento amoroso.
Biografias e afins
Uma biografia envolta nalguma controvérsia, ou não fosse o biografado o " comandante Paulo ", protagonista da rede bombista do Verão Quente de 75 e confesso homicida do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes. Uma edição da Quetzal .
Um quadro por dia
Este Danseuse, hiver 1914-15, do italiano Gino Severini ( 1883-1966 ), tinha sido comprado directamente ao artista em 1916 por um horticultor de Poitiers apaixonado de arte, que várias vezes trocou flores por quadros. Foi vendido na Christie's de Paris, no passado 24 de Outubro, a um coleccionador americano por 2,5 milhões de euros.
Leituras no Metro - 190
Liège: Éd. C.L.P.C.F. 1991
Michel Lemoine inventaria e analisa, nesta obra, toda a produção simoniana de juventude (cerca de 90 romances), escrita sob 19 pseudónimos. Segundo Lemoine, é nestas obras populares que se poderá conhecer melhor o escritor da maturidade: «É verdade que estas obras se destacam por uma estética do cliché e do lugar comum e não correspondem, de modo nenhum, às exigências narrativas profundas que regem a obra assinada mais tarde com o nome de Simenon. Todavia, o escritor nunca negou esta produção abundante que lhe permitiu a mais frutuosa das aprendizagens. Foi aí, com efeito [...] que Simenon aprendeu a construir um romance: foi nesse terreno fecundo que germinou uma da produções romanescas mais importantes do século [XX].» (p. 7)
Essa obra de juventude integra-se em três géneros: o romance ligeiro, de humor fácil; o romance sentimental; e o romance de aventuras.
Exemplos de pseudónimos utilizados por Simenon: Georges Sim (o mais conhecido), Gom Gut, Christian Brulls, Luc Dorsan, Jean du Perry...
Luc Dorsan - Les tabourets du Cliquet's Bar: Conte galant
Dois livros assinados Jean du Perry
sábado, 22 de novembro de 2014
Um retrato...
Patrimonio Nacional, Monasterio de las Descalzas Reales, Madrid.
Apesar de ter visto este retrato in loco, gostei muito de o rever na Exposição da Fundação Calouste Gulbenkian:
A História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha.
D. Sebastião com onze anos de idade. Um retrato para uma mãe saudosa.
Para além do retrato do jovem D. Sebastião, as telas que mais apreciei foram de Caravaggio e de El Greco. A primeira já foi colocada por MR.
Boa tarde!
“Caridade de Santa Isabel de Portugal” é um dos três quadros de Goya expostos na Gulbenkian.
A História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha.
D. Sebastião com onze anos de idade. Um retrato para uma mãe saudosa.
Para além do retrato do jovem D. Sebastião, as telas que mais apreciei foram de Caravaggio e de El Greco. A primeira já foi colocada por MR.
Boa tarde!
“Caridade de Santa Isabel de Portugal” é um dos três quadros de Goya expostos na Gulbenkian.
O novo livro de Roberto Saviano
Carnaxide: Objectiva, 2014
«Quando começou há cinco anos uma investigação sobre o negócio da cocaína, o escritor e jornalista italiano pensava que a máfia se aproveitava do sistema financeiro. Hoje acredita que é o contrário. É que a liquidez proporcionada pelo tráfico desta droga não tem comparação [com nenhum outro 'negócio']. E avisa que se um dia houver um conflito entre a máfia italiana e os cartéis mexicanos, a Península Ibérica será o palco.» De uma entrevista que César Avô fez a Roberto Saviano (Sol, Lisboa, 10 out. 2014)
«-Tem conhecimentos das máfias italianas que atuam em Portugal?
«- A n'drangheta, a calabresa, que ata em portugal e usa a costa atlântica. Em Lisboa toda a gente sabe quais são os restaurantes que fazem lavagem de dinheiro da n'drangheta. Admiro muito na política portuguesa o facto de se ter descriminalizado o consumo. Mas onde está o dinheiro da droga, se Portugal foi entre 2000 e 2006 a principal porta de entrada? Está em Andorra? E como é que os bancos portugueses, alguns que estão agora mal, nunca tocaram nesse dinheiro? Impossível. [...]
«- Como se pode resolver o problema da cocaína?
«- A legalização seria a única solução, embora não me agrade. Não gosto que se legalize nenhuma droga, mesmo as mais leves, mas é a única via. E legalizar não e autorizar; permite antes controlar. Uma droga ilegal reprime-se, mas é muito mais difícil impedir o seu uso. O tabaco ataca-se com campanhas.»
Tinha esta entrevista guardada para ler; fi-lo há dias.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
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