Prosimetron
domingo, 15 de setembro de 2024
sexta-feira, 7 de julho de 2023
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
Passeio por Cascais III
terça-feira, 12 de junho de 2012
Sapatos
Aves
Para APS
quinta-feira, 1 de março de 2012
Uma história com a Livraria Portugal em fundo
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Klássicos
sábado, 18 de setembro de 2010
Guerra Junqueiro e João Penha

http://i44.tinypic.com/21lvccl.jpg
(Despique, numa noite de boémia académica, na bodega do Campos da Baixa - do Homem do Gás - em Coimbra.)
PENHA:
Iam caminho de Sintra,
Montados num só jumento,
Um vate e um dandy pelintra,
Soltando canções ao vento.
Pára o burro; é como chumbo.
Diz-lhe o bardo: «Ó gâmbias podres!»
Responde o triste: «Sucumbo
Sob o peso de tais odres.»
... ... ...
Junqueiro, que vens de junco,
Tu, que és pássaro bisnau,
Não abres o bico adunco?
Pois não me sentiste o pau?
JUNQUEIRO:
O Penha borracho
Corria, cantando,
No dorso dum macho,
Mas eis senão quando
A besta o estira
Na lama da praça.
Quebrou-se-lhe a taça,
Quebrou-se-lhe a lira,
Quebrou-se-lhe tudo
E o pobre Oliveira
Só não diz asneira
Quando fica mudo.
PENHA:
Afinaste a veia chata,
Bebeste o copo dum borco,
E a cidade, estupefacta,
Ouviu o grunhir dum porco.
JUNQUEIRO:
Porco és tu, meu animal,
Porque as vermelhas canções,
Que sacas do teu bestunto,
São vermelhos salpicões,
Não são versos, são presunto.
PENHA:
Acertou-te a pedra, e de arte
Que te fiz na testa um galo,
E forcejas por vingar-te
Como se vinga um cavalo.
JUNQUEIRO:
Dou-te um conselho, Oliveira,
Como estás com muita pressa,
Vai coser a borracheira,
Meu menestral de tripeça!
... ... ...
In: Obras de Guerra Junqueiro. Porto: Lello & Irmão, s.d., p. 1043-1045
Nota: João Penha chamava-se João de Oliveira Penha Fortuna.
Um dia destes ponho um conto, adaptado por Junqueiro e que faz parte dos Contos para a infância - não dou com o livro, que inclui uma cabra.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Oração à Luz

J. M. W. Turner - Norham Castle, Sunrise, ca 1845
Londres, Tate
Claro mistério
Do azul etéreo!
Sonho sidéreo!
Luz!
Da terra dorida
Alento e guarida!
Fermento da vida,
Luz!
[...]
Fiat harmónico e jucundo,
Verbo diáfano e profundo,
Alma do Sol, corpo do mundo,
Luz!
Luz-esp'rança, luz rútila da aurora,
Vida vibrando na amplidão sonora,
Vida cantando pela vida fora,
Luz!
Luz que nos dás o pão, ó luz amada!
Luz que nos dás o sangue, ó luz doirada!
Luz que nos dás o olhar, luz encantada!
Bendita sejas, luz, bendita sejas!
Sejas bendita, em nós, ó fonte de harmonia!
Sejas bendita em nós, ó urna de alegria!
Bendito seja o filho teu, o alvor do dia!
Perpetuamente, ó luz, ó mãe, bendita sejas!
[...]
Guerra Junqueiro
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Uma citação que me apraz de um homem que partiu neste dia.
Guerra Junqueiro faleceu a 7 de Julho de 1923.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
A. S. : Escolhas Pessoais IX
Guerra Junqueiro (1850-1923) e António Nobre (1867-1900) foram os primeiros poetas que li. Se Junqueiro é, hoje, uma remota recordação no tempo, Nobre, pelo contrário, revisito-o muitas vezes. E, para tomar de empréstimo a Vitorino Nemésio algumas palavras, diria, com ele : “Queremos falar criticamente do «Só», e ele recusa-se, foge do terreno crítico como uma recordação de família que não suporta outra estima senão a do coração”.
Mas sobre a criação poética, em Nobre, tenho alguma coisa a dizer a propósito do soneto 13 (da primeira edição do “Só” ) que passou a ser o 12º na segunda edição.
De Paris, e a 2 de Fevereiro de 1891, o Poeta escreve, ao seu grande amigo Alberto de Oliveira, uma carta em que refere: “Ó Alberto! manda-me notícias! Jornais aos montes (…) crivados de pormenores, com a cópia de quantos telegramas têm nestes dias atravessado os fios de arame que eu vejo além, meu Deus! sob um lindo céu cheio de sol, atacadinhos de pardais de todo alheados do «pronunciamento», nem por isso lhe oscilando as patas – Revolução! 30 mortos! 100 feridos!... - que passam”. Esta sofreguidão de António Nobre por notícias prendia-se com os factos ocorridos com a intentona do 31 de Janeiro de 1891, no Porto, em que participara, pelo menos, um dos seus amigos: Sampaio Bruno.
Cerca de nove meses mais tarde e na passagem pela Alemanha, em Colónia (possivelmente a 10 de Novembro de 1891), esta carta vai “transformar-se” no soneto 13 da primeira edição do “Só”.
Reproduz-se este soneto através das provas para a 2ªedição, com as emendas feitas pela mão de Nobre, no seu exemplar.
Este soneto deve ter deixado, também e posteriormente, marcas de leitura num poema de Alexandre O’Neill, intitulado “A Central das frases”. O contágio de Nobre reflecte-se também, no paralelismo da doença e no agrado pelo coloquial, em alguma da poesia de Manuel Bandeira. E não só.
Como disse Vitorino Nemésio, a arte de António Nobre é portadora de grande “astúcia estética” que lhe permitiu sobreviver ao seu tempo e deixar marcas para o futuro.
Além do afecto que tenho pelo “Só”, é com imenso gosto que lembro, hoje, o seu autor e o escolho.
Post de Alberto Soares
domingo, 6 de setembro de 2009
«o Junqueiro bric-à-braquista»
Escultura de Leopoldo de Almeida.
Uma buganvília.
Casa-Museu Guerra Junqueiro
Rua D. Hugo, 32
Porto
terça-feira, 19 de maio de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O Papão, Guerra Junqueiro.
Do papão que as espera, hediondo, atrás das portas,
Para as levar no bôlso ou num capuz dum frade.
Não te rias da infância, ó velha humanidade,
Que tu também tens mêdo ao bárbaro papão,
Que ruge pela bôca enorme do trovão,
Que abençôa os punhais sangrentos dos tiranos,
Um papão que não faz a barba há seis mil anos,
E que mora, segundo os bonzos teem escrito,
Lá em cima, detrás da porta do infinito!
*Guerra Junqueiro, A Velhice do Padre Eterno, Porto: Lêlo & Irmão, Lda, sd (1ª edição), p.43-44
sábado, 21 de março de 2009
VISITA À FLORESTA

meuslivros.weblog.com.pt/arquivo/floresta.jpg
Que frescura meu Deus, e que deslumbramento!
[…]
Ó clareiras do bosque! Ó penumbras sagradas!...
Como o Sol entra aqui a rir às gargalhadas,
E como a Natureza é virginal e é pura!
A alma se me esvai, fundida de ternura,
Em murmúrios d’amor, em êxtase de crente!...
Como isto moraliza e diviniza a gente!
Dá-me vontade de ir subindo essas encostas,
Ajoelhando, a beijar a terra de mãos postas!
Eu quisera enroscar-me aos robles como a hera,
Ser perfume no lírio e ser vigor na fera,
Desfazer-me, diluir-me em luz, em ar, em cores,
Semearem-me e nascer todo o meu corpo em flores,
Com as águias voar no oceano do infinito,
Ser tronco, ser réptil, ser musgo, ser granito,
De forma que eu andasse, em átomos disperso,
No céu, no mar, na luz, na terra, – no Universo!
[…]
Guerra Junqueiro
De Musa em Férias
Colocado em comentário por Miss Tolstoi. Resolvi postá-lo porque gosto muito de Junqueiro. E percebi que é mais um poeta que as três mulheres que mais escrevem no Prosimetron têm em comum. Espero que goste da ilustração que escolhi. Obrigada, Miss Tolstoi!
quarta-feira, 18 de março de 2009
Morena, Guerra Junqueiro!

Não negues, confessa
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Dois poetas no olhar de Lagoa Henriques

Estátua de Guerra Junqueiro, inaugurada em 1968.
Encontra-se na Praça de Londres, de frente para a Av. Guerra Junqueiro.
www.lifecooler.com

Monumento a Antero de Quental, pedra e aço,
no Jardim do Príncipe Real em Lisboa, 1991.
http://www.lagoahenriques.com
domingo, 13 de julho de 2008
Junqueiro: Quantos...
Quantas ondas tem o mar?
Quantos mares no meu peito!...
Quantos céus no teu olhar!
Guerra Junqueiro
(In: Guerra Junqueiro,Obras, Porto: Lello & Irmão, 1974, p. 810)














