Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra Junqueiro (1850-1923). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra Junqueiro (1850-1923). Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Marcadores de livros - 2721

Junqueiro morreu há cem anos!
O terceiro e o quarto já estão no Panteão; o segundo entra lá no final de setembro. Esperemos que chegue o dia para Camilo.
E ainda: Mário Cesariny faria 100 anos no próximo dia 9 de agosto.

As datas de nascimento e morte de Camilo estão erradas: 1825-1890. Uma gralha que vão emendar.


Em geminação com a Livraria Lumière.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Passeio por Cascais III


Janelas em Cascais             Janelas da Câmara Municipal de Cascais

Uma janela com vida 
              Janela próxima da Cidadela
Marcas do tempo                                                               Janela e varanda sobre a baía * 

Pérgola um local para um chá adiado - pormenor da varanda

O edifício da Marinha embeleza o fim da terra e o começo do mar. 
O mar límpido e atrativo encanta: leia-se a citação de Guerra Junqueiro


*[A Christies vende um andar neste prédio. Confesso que esta é a minha janela]

terça-feira, 12 de junho de 2012

Sapatos

Mestre desconhecido dos Países Baixos - O casamento da Virgem
Óleo sobre madeira de castanho, 1475-1500
MNAA, col. Guerra Junqueiro

Para Jad.

Aves

Mestre valenciano desconhecido - S. Francisco recebendo os estigmas, ca 1475-1500
Têmpera sobre madeira de pinho
MNAA, col. Guerra Junqueiro

Para APS

quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma história com a Livraria Portugal em fundo

No início de 1997, fui à Livraria Lello, na Rua do Carmo, levava dez contos na carteira para comprar esta obra de Guerra Junqueiro. Quando lá cheguei, lembrei-me que poderia esperar pela Feira do Livro - semprei poupava uns cobres. De seguida, fui à Livraria Portugal para comprar um livro que costumava estar numas prateleiras debaixo da escada. Fui ver, não havia e vim-me embora. Mas reparei num homem com ar suspeito que não desatrelava de lá e não parecia interessado em nenhum livro.
Quando cheguei ao Metro, onde estava a carteira, com o dinheiro e cheia de cartões? Lembrei-me logo do "homem com ar suspeito". Fui à Portugal, nada; fui à Lello, nada. E pensei: nem livro, nem dinheiro - grande poupança! :)
No dia seguinte, de manhã, telefonaram-me da Pastelaria Suíça. Tinham encontrado a bolsa na casa-de-banho dos homens. Sem dinheiro, mas com os cartões. Mais uma vez se cumpriu o que me tinham dito uma vez na polícia: se tiver dinheiro é natural que apareça; se não tiver, o ladrão fica furioso e escavaca a carteira.
Em maio, comprei as obras de Junqueiro na Feira do Livro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

sábado, 18 de setembro de 2010

Guerra Junqueiro e João Penha


http://i44.tinypic.com/21lvccl.jpg

(Despique, numa noite de boémia académica, na bodega do Campos da Baixa - do Homem do Gás - em Coimbra.)

PENHA:

Iam caminho de Sintra,
Montados num só jumento,
Um vate e um dandy pelintra,
Soltando canções ao vento.

Pára o burro; é como chumbo.
Diz-lhe o bardo: «Ó gâmbias podres!»
Responde o triste: «Sucumbo
Sob o peso de tais odres.»

... ... ...

Junqueiro, que vens de junco,
Tu, que és pássaro bisnau,
Não abres o bico adunco?
Pois não me sentiste o pau?

JUNQUEIRO:

O Penha borracho
Corria, cantando,
No dorso dum macho,
Mas eis senão quando
A besta o estira
Na lama da praça.
Quebrou-se-lhe a taça,
Quebrou-se-lhe a lira,
Quebrou-se-lhe tudo
E o pobre Oliveira
Só não diz asneira
Quando fica mudo.

PENHA:

Afinaste a veia chata,
Bebeste o copo dum borco,
E a cidade, estupefacta,
Ouviu o grunhir dum porco.

JUNQUEIRO:

Porco és tu, meu animal,
Porque as vermelhas canções,
Que sacas do teu bestunto,
São vermelhos salpicões,
Não são versos, são presunto.

PENHA:

Acertou-te a pedra, e de arte
Que te fiz na testa um galo,
E forcejas por vingar-te
Como se vinga um cavalo.

JUNQUEIRO:

Dou-te um conselho, Oliveira,
Como estás com muita pressa,
Vai coser a borracheira,
Meu menestral de tripeça!

... ... ...

In: Obras de Guerra Junqueiro. Porto: Lello & Irmão, s.d., p. 1043-1045

Nota: João Penha chamava-se João de Oliveira Penha Fortuna.

Para o Jad, enquanto não aparece o poema da cabra.
Um dia destes ponho um conto, adaptado por Junqueiro e que faz parte dos Contos para a infância - não dou com o livro, que inclui uma cabra.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Oração à Luz


J. M. W. Turner - Norham Castle, Sunrise, ca 1845
Londres, Tate

Claro mistério
Do azul etéreo!
Sonho sidéreo!
Luz!

Da terra dorida
Alento e guarida!
Fermento da vida,
Luz!

[...]
Fiat harmónico e jucundo,
Verbo diáfano e profundo,
Alma do Sol, corpo do mundo,
Luz!

Luz-esp'rança, luz rútila da aurora,
Vida vibrando na amplidão sonora,
Vida cantando pela vida fora,
Luz!

Luz que nos dás o pão, ó luz amada!
Luz que nos dás o sangue, ó luz doirada!
Luz que nos dás o olhar, luz encantada!
Bendita sejas, luz, bendita sejas!

Sejas bendita, em nós, ó fonte de harmonia!
Sejas bendita em nós, ó urna de alegria!
Bendito seja o filho teu, o alvor do dia!
Perpetuamente, ó luz, ó mãe, bendita sejas!

[...]

Guerra Junqueiro

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma citação que me apraz de um homem que partiu neste dia.

"Quando a alma, ao termo de mil hesitações e desenganos, cravou as raízes para sempre num ideal de amor e de verdade, podem calcá-la e torturá-la, podem-na ferir e ensanguentar, que quanto mais a calcam, mais ela penetra no seio ardente que deseja."

Guerra Junqueiro faleceu a 7 de Julho de 1923.
Retirei a citação do Citador

terça-feira, 8 de dezembro de 2009


Edição do jornal Público, coordenada por Henrique Manuel S. Pereira, sobre a poesia musicada de Guerra Junqueiro, com dois CDs.
Uma das músicas incluídas nesta edição: «A Moleirinha», na voz de Maria de Lurdes Resende.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A. S. : Escolhas Pessoais IX

António Nobre

Guerra Junqueiro (1850-1923) e António Nobre (1867-1900) foram os primeiros poetas que li. Se Junqueiro é, hoje, uma remota recordação no tempo, Nobre, pelo contrário, revisito-o muitas vezes. E, para tomar de empréstimo a Vitorino Nemésio algumas palavras, diria, com ele : “Queremos falar criticamente do «Só», e ele recusa-se, foge do terreno crítico como uma recordação de família que não suporta outra estima senão a do coração”.
Mas sobre a criação poética, em Nobre, tenho alguma coisa a dizer a propósito do soneto 13 (da primeira edição do “Só” ) que passou a ser o 12º na segunda edição.
De Paris, e a 2 de Fevereiro de 1891, o Poeta escreve, ao seu grande amigo Alberto de Oliveira, uma carta em que refere: “Ó Alberto! manda-me notícias! Jornais aos montes (…) crivados de pormenores, com a cópia de quantos telegramas têm nestes dias atravessado os fios de arame que eu vejo além, meu Deus! sob um lindo céu cheio de sol, atacadinhos de pardais de todo alheados do «pronunciamento», nem por isso lhe oscilando as patas – Revolução! 30 mortos! 100 feridos!... - que passam”. Esta sofreguidão de António Nobre por notícias prendia-se com os factos ocorridos com a intentona do 31 de Janeiro de 1891, no Porto, em que participara, pelo menos, um dos seus amigos: Sampaio Bruno.
Cerca de nove meses mais tarde e na passagem pela Alemanha, em Colónia (possivelmente a 10 de Novembro de 1891), esta carta vai “transformar-se” no soneto 13 da primeira edição do “Só”.
Reproduz-se este soneto através das provas para a 2ªedição, com as emendas feitas pela mão de Nobre, no seu exemplar.

Este soneto deve ter deixado, também e posteriormente, marcas de leitura num poema de Alexandre O’Neill, intitulado “A Central das frases”. O contágio de Nobre reflecte-se também, no paralelismo da doença e no agrado pelo coloquial, em alguma da poesia de Manuel Bandeira. E não só.
Como disse Vitorino Nemésio, a arte de António Nobre é portadora de grande “astúcia estética” que lhe permitiu sobreviver ao seu tempo e deixar marcas para o futuro.
Além do afecto que tenho pelo “Só”, é com imenso gosto que lembro, hoje, o seu autor e o escolho.

Post de Alberto Soares

domingo, 6 de setembro de 2009

«o Junqueiro bric-à-braquista»

Para além do Junqueiro poeta, «houve um Junqueiro político; o Junqueiro bric-à-braquista; o Junqueiro filósofo; o Junqueiro sábio; o Junqueiro ferozmente anticlerical; o Junqueiro sim ou não convertido; o Junqueiro tolstoiano; o Junqueiro lavrador de Barca de Alva; o Junqueiro causticamente irónico de Lisboa e do Porto.» (João de Barros)




Edifício construído no século XVIII, atribuído a Nicolau Nasoni, para habitação de Domingos Barbosa, cónego da Sé do Porto. Foi adquirido pela filha do poeta, em 1934 e doado à CMP para albergar os objectos que Junqueiro coleccionou ao longo da vida, recriando o ambiente da sua casa.
A Casa-Museu apresenta notáveis colecções de artes decorativas.




Escultura de Leopoldo de Almeida.


Uma buganvília.

Casa-Museu Guerra Junqueiro
Rua D. Hugo, 32
Porto

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Papão, Guerra Junqueiro.

Acordei a pensar na Humanidade e na Fraternidade.
Um papão que não faz a barba há seis mil anos,
E que mora, segundo os bonzos tem escrito,
Lá em cima, detrás da porta do infinito!

Ilustração de Leal da Camara (fotografia* p. 44)
O Papão
As crianças teem mêdo à noite, às horas mortas,
Do papão que as espera, hediondo, atrás das portas,
Para as levar no bôlso ou num capuz dum frade.
Não te rias da infância, ó velha humanidade,
Que tu também tens mêdo ao bárbaro papão,
Que ruge pela bôca enorme do trovão,
Que abençôa os punhais sangrentos dos tiranos,
Um papão que não faz a barba há seis mil anos,
E que mora, segundo os bonzos teem escrito,
Lá em cima, detrás da porta do infinito!

*Guerra Junqueiro, A Velhice do Padre Eterno, Porto: Lêlo & Irmão, Lda, sd (1ª edição), p.43-44

sábado, 21 de março de 2009

VISITA À FLORESTA


meuslivros.weblog.com.pt/arquivo/floresta.jpg

Que frescura meu Deus, e que deslumbramento!
[…]

Ó clareiras do bosque! Ó penumbras sagradas!...
Como o Sol entra aqui a rir às gargalhadas,
E como a Natureza é virginal e é pura!
A alma se me esvai, fundida de ternura,
Em murmúrios d’amor, em êxtase de crente!...
Como isto moraliza e diviniza a gente!
Dá-me vontade de ir subindo essas encostas,
Ajoelhando, a beijar a terra de mãos postas!
Eu quisera enroscar-me aos robles como a hera,
Ser perfume no lírio e ser vigor na fera,
Desfazer-me, diluir-me em luz, em ar, em cores,
Semearem-me e nascer todo o meu corpo em flores,
Com as águias voar no oceano do infinito,
Ser tronco, ser réptil, ser musgo, ser granito,
De forma que eu andasse, em átomos disperso,
No céu, no mar, na luz, na terra, – no Universo!
[…]

Guerra Junqueiro
De Musa em Férias

Colocado em comentário por Miss Tolstoi. Resolvi postá-lo porque gosto muito de Junqueiro. E percebi que é mais um poeta que as três mulheres que mais escrevem no Prosimetron têm em comum. Espero que goste da ilustração que escolhi. Obrigada, Miss Tolstoi!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Morena, Guerra Junqueiro!


Morena

Não negues, confessa
Que tens certa pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena.
Pois eu não gostava,
Parece-me a mim,
De ver o teu rosto
Da cor do jasmim.
Eu não... mas enfim
É fraca a razão,
Pois pouco te importa
Que eu goste ou que não.

Mas olha as violetas
Que, sendo umas pretas,
O cheiro que têm!
Vê lá que seria,
Se Deus as fizesse Morenas também!

Tu és a mais rara
De todas as rosas;
E as coisas mais raras
São mais preciosas.

Há rosas dobradas
E há-as singelas;
Mas são todas elas Azuis, amarelas,
De cor de açucenas,
muita outra cor;
Mas rosas morenas,
Só tu, linda flor.

E olha que foram
Morenas e bem
As moças mais lindas
De Jerusalém.
E a Virgem Maria
Não sei... mas seria Morena também.

Moreno era Cristo.
Vê lá depois disto
Se ainda tens pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena!
Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Dois poetas no olhar de Lagoa Henriques


Estátua de Guerra Junqueiro, inaugurada em 1968.
Encontra-se na Praça de Londres, de frente para a Av. Guerra Junqueiro.
www.lifecooler.com


Monumento a Antero de Quental, pedra e aço,
no Jardim do Príncipe Real em Lisboa, 1991.
http://www.lagoahenriques.com

domingo, 13 de julho de 2008

Junqueiro: Quantos...

Quantos astros tem o céu?

Quantas ondas tem o mar?

Quantos mares no meu peito!...

Quantos céus no teu olhar!


Guerra Junqueiro

(In: Guerra Junqueiro,Obras, Porto: Lello & Irmão, 1974, p. 810)