Prosimetron

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quarta-feira, 13 de maio de 2009


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60 anos de uma nação: 1951

Quer na Alemanha Ocidental, quer na RDA, é tempo de reconstruir: infra-estruturas, fábricas e sobretudo a habitação são prioritárias. A importância do aço e do carvão na época dá origem à assinatura do Tratado de Paris que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) com seis países fundadores, nomeadamente a Alemanha, França, Itália, Bélgica, o Luxemburgo e os Países Baixos. As atenções centram-se na extracção do carvão e produção do aço em França e na Alemanha (ocidental) que submetem as duas actividades económicas a um órgão de supervisão supra-nacional com sede no Luxemburgo, de acordo com o plano anterior do Ministro dos Negócios Estrangeiros francês Schuman. A “colectivização” das indústrias chave deverá assegurar um relacionamento pacífico entre ambos os estados. A CECA marca o início do processo de integração europeu.
A adesão da Alemanha a este tratado permite a extracção do carvão na região Ruhr em condições vantajosas, o que contribuirá significativamente para a retoma económica durante esta década.

A vida quotidiana dos alemães (ocidentais) volta, pouco a pouco, à normalidade no seguimento da introdução do marco e da reforma monetária em 1948. A oferta de bens alimentares satisfaz as necessidades do dia-a-dia. Alguns produtos, considerados de luxo como o café, continuam, contudo, de acesso difícil e caro.

A Alemanha Ocidental assiste ao primeiro escândalo cinematográfico do pós-guerra. O filme Die Sünderin (A pecadora) aborda tabus como prostituição, eutanásia e suicídio. Mas a cena decisiva da película, alvo de consternação, conta apenas poucos segundos: a actriz principal, a jovem Hildegard Knef, aparece, a uma distância pouco clara conforme nos mostra a imagem, quase toda despida. Este acontecimento, inédito à luz dos padrões de então, gera um debate público. São convocadas manifestações em prol e em detrimento desta nova liberdade de expressão. Às entradas de cinemas com o filme em cartaz, encontram-se padres católicos a exigir o boicote das salas. Apesar do - ou por causa do - escândalo, Die Sünderin torna-se num êxito de bilheteira na jovem república.
Imagens: Assinatura do Tratado de Paris; Slogan "Moeda nova - preços novos"; "Die Sünderin" com a "escandalosa" Hildegard Knef em background

Zélly

Prosseguindo no mundo das farinhas... e não só...




As farinhas alimentícias Zélly são importadas e embaladas pela Favorita Bolhão, mercearia portuense da Rua Fernandes Tomás, fundada em 1934. Mantêm as embalagens originais dos anos 30: a Farinha de Arroz é «recomendada com bastante frequência na alimentação das crianças e dos convalescentes, pelo seu alto valor nutritivo.»


A Fécula de Batata «é extraída da polpa da melhor batata que se cultiva na Holanda. Este precioso tubérculo, originário da América, foi introduzido na Europa, cerca de 1534 como planta ornamental, passando depois a ser usado na alimentação, graças a parmentier, no século XVIII, depois deste haver constatado o seu considerável valor alimentício, visto que até ali só era dado na alimentação dos presos daquele país.»

Bolo Económico
«Prepara-se um delicioso bolo com a seguinte receita:
«5 ovos – 6 colheres de sopa de açúcar – 5 ditas deste pão [ralado] – 1 cálice de vinho do Porto – 1 colher de chá de crescente.«Batem-se as gemas com o açúcar e uma colher de canela mal cheia; junta-se o pão, vinho do porto, crescente e por fim as claras em nuvem. Em seguida vai ao forno numa forma previamente untada.»


A Cevada Virgem «satisfaz inteiramente as exigências dos sãos e doentes.»

Todas as citações foram extraídas das embalagens, bem como a receita.

A Custódia de Belém regressa ao Museu de Arte Antiga, após seis meses de restauro!

Li ontem, no Público, um artigo muito interessante sobre o restauro da Custódia de Belém lavrada por Gil Vicente.
Após seis meses de restauro ela regressa ao Museu Nacional de Arte Antiga irá estar exposta a partir de dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus. Nos próximos dias irei colocar uma pequena história desta magnífica custódia encomendada por D. Manuel I.

"Histórias do Bom Deus", Rainer Maria Rilke!

O Mendigo e a Altiva Donzela

Era em Florença. Lourenço di Medici, jovem ainda não soberano, acabava de compor o poema “Trionfo di Bacco ed Arianna” e já todos os jardins o ecoavam. Havia poesia viva nessa época. Da escuridão do Poeta levantavam-se as vozes e nelas, vogavam, arrojadas, como em canoas prateadas, rumo ao desconhecido. O poeta começava uma canção e todos que a cantavam concluíam. No “Trionfo”, como na maioria das canções daquela época, a vida, esse violino de cordas luminosas e cantantes, era exaltada, bem como o seu fundo obscuro: o murmurar do sangue. As longas estrofes, incomparavelmente extensas, sobem numa alegria louca; mas aí, onde fica ofegante, surge um refrão simples e breve, que se lança de alturas vertiginosas e com medo do abismo, parece fechar os olhos. Dizia assim:


‘‘Quant’è bella giovinezza,
che si fugge tuttavia!
chi vuol esser lieto, sia:
di doman non c’è certezza…”

Que bela é a juventude que nos alegra!
Mas quem quer retê-la? Ela foge e arrepende-se
E se alguém quer ser alegre que hoje o seja,
E para amanhã não há qualquer certeza.

Rainer Maria Rilke, Histórias do Bom Deus, Vila Nova Famalicão: Quasi, 2008, p.87.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Exposição


Inaugura dia 15 de Maio, às 18h30
Fundação Cupertino de Miranda
Vila Nova de Famalicão
Aberta até 10 de Julho

Berlim

no seguimento de um comentário assinado J.



Em Agosto de 1990, um amigo enviou-me este postal de Berlim, que conservo na minha estante: «Esta imagem já pertence ao passado. Praticamente já não há muro. E o pouquinho que existe é destruído pelos turistas. Berlim é lindo.» Diante do postal coloquei um bocadinho do muro.
Nunca fui a Berlim! Mas já por duas vezes estive quase... quase...

60 anos de uma nação: 1950


A retoma económica e as ajudas financeiras vindas do plano Marshall permitem à Alemanha Ocidental a importação de bens alimentares suficientes. Torna-se assim desnecessário o racionamento destes bens. As senhas que registavam o consumo de cada cidadão pertencem ao passado. Algumas vozes críticas receiam que o racionamento volte com o termo do plano Marshall em 1952. No entanto, as receitas das exportações, motor da retoma económica, registam um crescimento astronómico de tal ordem que qualquer escassez de bens essenciais é compensada sem dificuldades maiores.

A RDA conseguirá abolir o racionamento apenas em 1958, senhas para a compra de batata e de carvão continuarão em vigor até 1966.


Os armazéns mais famosos de Berlim (sector ocidental) reabrem as portas ao público: o KaDeWe (abreviatura para Kaufhaus des Westens, trad. literal: os armazéns do ocidente) simboliza um começo novo, rumo a tempos melhores. Mais de 180.000 pessoas “invadem” os dois pisos nos primeiros dias e são atendidos por 600 empregados. Após anos de privações, os berlinenses reagem naturalmente com deslumbramento e encanto à quantidade e à qualidade da oferta. Na sua grande maioria, terão poucas possibilidades financeiras de comprar artigos no KaDeWe.

A selecção de futebol alemã (RFA) joga a sua primeira partida do pós-guerra. Confronta-se com a equipa da Suíça. 103.000 espectadores assistem ao jogo no estádio de Estugarda. Ouve-se apenas o hino suíço. Sem hino oficial, os adeptos alemães iniciam um minuto de silêncio (a RFA viria a ter um hino oficial um ano mais tarde). Burdenski marca o primeiro golo da nova era aos 43 minutos. Em 1950, a RFA é excluída do campeonato mundial em retaliação às agressões durante a Segunda Guerra Mundial.
Quatro anos mais tarde, viria a participar no torneio e consagrar-se campeão mundial.


O elegante Kurhaus de Baden-Baden é palco da primeira eleição Miss Germany. A mulher mais bela da Alemanha Ocidental chama-se Susanne Erichsen. Estas eleições, iniciadas em 1927, foram descontinuadas em 1933 com a ascensão de Hitler ao poder que considerava tal acontecimento pouco compatível com a ideologia nazi e com o “ideal” da mulher alemã. A Miss Germany de 1950 representa o regresso da Alemanha aos padrões do mundo do consumo e da moda ocidentais.
Imagens: Natal de 1950, fim do racionamento na RFA; KaDeWe na reabertura; Susanne Erichsen, Miss Germany 1950

Livros de cozinha - 18


Não sei quem é esta Rosa Maria, de que ontem postei uns folhetos. Este é o seu livro mais conhecido, que foi pela primeira vez editado pela Empresa Literária Universal, talvez no final dos anos 30 do século XX. Hoje faz parte do catálogo da Livraria Civilização e já teve, pelo menos, 32 edições. Aqui deixo as
«Tigelinhas espanholas. – Oito gemas de ovos e duas claras, 250 g. de açúcar. Bate-se tudo e deita-se em formas untadas de manteiga, que vão ao forno a cozer.»
Não experimentei.

Farinha 33

Depois da Maizena... a




Há pouco tempo, um amigo disse-me que não conhecia a Farinha 33.
Comprei-lhe um pacote. Não sei se experimentou...

Peter Paul Rubens: "O Rapto da Europa"!

Na tela pode observar-se Zeus, disfarçado de touro, junto ao mar Mediterrâneo enamorado pela filha do rei Agenor, Europa. Os cúpidos envolvem a paixão de Zeus e Europa.
Pieter Paul Rubens, O Rapto de Europa, 1628-1629

Óleo sobre tela, 181 x 200 cm, Museu do Prado, Madrid

"Onde Vivi e Para Que Vivi", Henry David Thoreau!

Henry David Thoreau (1817-1862) foi um ensaísta, filósofo e poeta norte-americano. Neste livro Henry faz a apologia da solidão e da vida bucólica expondo a sua experiência solitária em contacto com a natureza, nas proximidades do lago Walden.

Quando escrevi estas páginas que se seguem, ou, mais precisamente, grande parte delas, vivia sozinho, nos bosques, a mais de um quilómetro e meio de qualquer vizinhança, numa casa que eu próprio construíra, na margem do lago Walden, em Concord, Massachusetts. Ganhava a vida somente com a força das minhas mãos Por lá vivi dois anos e dois meses. De momento, sou novamente um mero hóspede da vida civilizada. (p.7)


Os homens dizem muito saber,
Mas olhai! Todos adquiriram asas
As ciências e as artes
E uma milhar de engenhos,
O vento que sopra
É tudo o que alguém pode saber.
(p.47)



Henry David Thoreau, Onde Vivi e Para Que Vivi, Vila Nova de Famalicão: Quasi, 2008, p. 47.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Chuchar no Dedo...

Encontrei hoje à venda uma cançoneta de A. Feliciano Correia, com o título Chuchar no Dedo... Cançoneta aproposito da prohibição dos homens de se entremetterem na rua com as senhoras, Lisboa, Livraria Económica de F. Napoleão de Victoria, s.d. [1880-1910] e lembrei-me do post que Luís Barata colocou acerca do doce piropo brasileiro: Oi Gatinha (Cenas Portuguesas 11, 07.05.2009).

Aqui fica a capa e os primeiros versos, ditos pelo personagem: "um janota, tipo, muito lamecha":

É proibido – ai, que desgosto!
Com as senhoras contender!...
Não pode um homem ter o gosto
D’uma gracinha lhes dizer!

Ninguém calcula os meus anseios,
Quando elas passam junto a mim!...
Quero largar uns galanteios…
Porém, não pode ser assim!

Pois, visto a ordem que surgiu
Que hei-de fazer, se eu tenho medo?
(gesto) Não dar nem pio…
(idem) Chuchar no dedo!...

(na folha de rosto indica que a música é de A. Gorjão (Alvarenga) e que o preço de venda era de 100 réis)

Qual seria a lei? permitiria datar a cançoneta...

Uma quadra de Luísa Ducla Soares!

http://dre.madeira-edu.pt/baudeleitura/images/storiesluisa.jpg

Dar o seu a seu dono!

Em jeito de rectificação. Publiquei o poema ONDE ESTÁ O GATO? E por engano atribuí a António da Mota. O poema é de Luísa Ducla Soares e é retirado do livro que referenciei:

Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p. 8.

Esta quadra foi retirada dos Poemas da Mentira e da Verdade de Luísa Ducla Soares

Peguei na Serra da Estrela
para serrar uma cadeira
e apanhei um nevão
numa serra de madeira.

Para ler o poema na totalidade veja:
http://coisasdoportugues.wordpress.com/2008/11/02/peguei-na-serra-da-estrela/

60 anos de uma nação: 1949

Konrad Adenauer, Presidente do Conselho Parlamentar, assina em Bona a 23 de Maio a declaração oficial com que entra em vigor o chamado Grundgesetz. 65 deputados de parlamentos estaduais das três zonas ocidentais tinham, sob a égide de Adenauer, elaborado esta “Lei Fundamental / Lei Base” ao longo de nove meses, prevista para um estado alemão ocidental, supostamente provisório. O Conselho atribui deliberadamente o estatuto de “Lei Base” em vez de “Constituição” que, no entender dos deputados, deverá ser proclamada apenas no contexto de uma Alemanha reunificada. O Grundgesetz institui um estado democrático em que são assegurados e respeitados os direitos humanos fundamentais. Nasce assim a República Federal Alemã. Três cidades candidatam-se a capital da jovem república: Bona triunfa sobre as concorrentes Frankfurt (am Main) e Kassel.
No entanto, a RFA continua oficialmente sob o domínio dos três Aliados ocidentais que se reservam os mais latos poderes de intervenção no âmbito do chamado Besatzungsstatut (estatuto de território ocupado).


As primeiras eleições legislativas realizam-se em Agosto. O partido conservador (CDU) alcança, em coligação com o partido neo-liberal (FDP), a maioria. Konrad Adenauer é eleito o primeiro chanceler da nova era. Os alemães (ocidentais) pronunciam-se assim claramente a favor de uma economia de mercado, com intervenção pública apenas no campo social, em detrimento de uma economia de plano. Mentor desta ordem económica (Soziale Marktwirtschaft) é Ludwig Erhard, Ministro da Economia.

Adenauer abre a RFA à Europa ocidental e aos Estados Unidos. O povo alemão pertence, segundo o chanceler, ao mundo europeu ocidental “quer pela sua origem quer pela sua mentalidade”. Duas semanas depois e em resposta aos acontecimentos na zona ocidental, é fundado o segundo estado alemão: a República Democrática Alemã proclama uma constituição própria. A capital é Berlim oriental. O partido (comunista) único SED (Sozialistische Einheitspartei Deutschlands) considera a RDA como veículo provisório que pretende a dissolução da RFA rumo a uma Alemanha reunificada.


Imagens: Alemanha em 1949; Konrad Adenauer; "Através do povo, com o povo, para o povo" - propaganda em prol da nova Constituição da RDA

Thanh Pho Hô Chí Minh : cidade de Ho Chi Minh : cidade de Saigão

Vamos atravessar esta rua!

O vídeo (Youtube) tem inscrito Shangai mas, como um dos comentadores já assinalou, é a cidade de Saigão (Vietnam).

Puccini : Suor Angelica


Senza Mamma

Conversa, João Pedro Mésseder.


Conversa

- Dá-me a Lua, mãe, dá-me a Lua.
- Filho, a Lua está longe.

-Leva-me à nuvem mais alta.
- Filho, há nuvens nos sonhos.

- Mãe, dá-me um dia sem chuva.
- Filho, tem pena da terra.

- Leva-me ao cimo do monte.
- Filho, o caminho é de pedras.

- Mãe, dá-me aquela andorinha.
- Filho, não a queiras prender.

- Leva-me ao fim do mar.
- Filho, o mar não tem fim.

- Mãe. Eu queria uma estrada,
uma estrela e um cavalo.

- Filho, mas não te canses,
não te queimes, não te percas.

- Mãe, dá-me o negro do negro
que é a tinta dos teus olhos.

- Filho, os teus olhos são negros
como o negro dos meus olhos.

João Pedro Mésseder, in Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p.12.

Livros de cozinha - 17



Colecção de pequenos livros, maioritariamente da autoria de Rosa Maria. Têm sido objecto de variadíssimas edições, desde finais dos anos 40, inícios dos 50 do século passado. Os aqui apresentados foram editados pela Livraria Civilização nos anos 90. Um destes folhetos é da autoria de Aguilar Lozano, autor que não consegui identificar. Será um pseudónimo de Rosa Maria?
Das 100 maneiras de cozinhar ovos, saquei estes Ovos à florentina:
«Colocam-se ovos estrelados, frios, sobre uma camada de espinafres, salteados em manteiga.
«Cobrem-se com molho Mornay, polvilham-se com pão ralado, regam-se com manteiga e vão ao forno, a gratinar.»

Para a beleza da sua pele...

domingo, 10 de maio de 2009

Todos têm o seu lugar


Julgava que já tinha colocado, no blogue, este começo de viagem na China. Mas não o consigo encontrar! Aqui fica para ver ou para recordar.
Neste tempo de gripes, se um espirrar... o comboio deve ficar vazio.

Ruta del Cares



A Rota do Cares é um percurso natural nas Astúrias que me parece bem interessante.

Luis-Carlos Prates - Sobre alguns politicos



Se fosse só no Brasil...

Uma frase muito certeira

" As leis que aprovam benesses para os partidos são sempre consensuais. "

- Manuel Meirinho, politólogo.

A frase de Manuel Meirinho foi proferida esta semana e apareceu em vários jornais, relacionando-se com a aprovação ocorrida há dias da nova Lei de Financiamento dos Partidos Políticos.Realmente, não deixa de ser curioso que num parlamento em que é tão difícil obter normalmente consensos na feitura das leis, ou eleger um Provedor de Justiça, foi tão fácil aprovar esta nova lei- aprovada apenas com dois votos contra: António José Seguro ( com uma muito interessante e contundente declaração de voto) e Matilde Sousa Franco. Do Bloco de Esquerda ao CDS toda a minha gente votou a favor. Mas como quase sempre a pressa é inimiga da perfeição, já foram constatados vários lapsos na nova lei que terão de ser corrigidos antes da lei ser enviada para Belém. Vamos, pois, ter campanhas alegres e mais ricas...

Tapeçarias de Portalegre no Museu da Presidência

- Júlio Pomar, Arrufo.

Está patente no Museu da Presidência da República a exposição Nós na Arte- Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea, que reúne 33 tapeçarias que adaptam obras de 36 autores ( Le Corbusier, Almada Negreiros, Vieira da Silva, Pomar, Júlio Resende e Cargaleiro, entre outros ) , bem como 31 cartões originais e cinco desenhos de tecelagem.

- Até 31 de Julho, de terça a domingo, das 10h às 18h.

Conhecem Émily Loizeau ?

Aqui fica esta cantora e compositora da folk/rock francesa, Émily Loizeau. Espero que gostem.

O novo Poet Laureate

Carol Ann Duffy foi nomeada pela Rainha Isabel II como Poeta Oficial do Reino, o chamado Poet Laureate, sendo a primeira vez em quatrocentos anos que uma mulher ocupa o lugar.
E qual a remuneração do Poeta Oficial do Reino? 5578 euros anuais, e um tonel de vinho...

Ainda a propósito do Dia da Europa

Foi ontem inaugurado por Valéry Giscard d'Estaing o Museu Robert Schuman, na antiga casa deste Pai da Europa em Scy-Chazelles, no departamento de Moselle. Foi no dia 9 de Maio de 1950 que Schuman lançou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (C.E.C.A. ), primeira etapa na construção da actual União Europeia.

60 anos de uma nação

A Alemanha comemora esta ano um aniversário especial. Há 60 anos, em 1949, constituíram-se dois países, pertencentes a uma nação, mas divididos por duas ideologias: a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA).
40 anos depois, voltaram a unir-se num estado sob o nome oficial de República Federal da Alemanha.

Os 60 anos da república são recordados e vividos em inúmeros documentários televisivos e em novas publicações sobre a História Contemporânea do país. A título de exemplo, refira-se a série 60 x Deutschland do primeiro canal público alemão que, diariamente, dedica um espaço de 15 minutos a cada ano destas seis décadas.

Com vista a aproximar os estimados leitores da História de um país que renasceu das cinzas da Segunda Guerra Mundial e que hoje é uma das principais potências económicas do mundo, inicia-se amanhã uma mini-série intitulada "60 anos de uma nação". Numa primeira fase, serão retratados os anos de 1949 a 1989 através de uma pequena amostra de alguns highlights de cada ano, em posts diários. A segunda fase, já num contexto de pós-reunificação, será lançada em Novembro, mês em que se celebram os 20 anos da queda do muro de Berlim.

A abordagem é naturalmente muito incompleta. Apesar da viagem percorrer ambos os estados alemães, será a RFA o centro das atenções: política, economia, desporto, cultura e algumas curiosidades, com o intuito de tornar estes 40 anos menos “pesados” e mais interessantes. A maioria das crónicas é extraída do programa já referido 60 x Deutschland.

A retrospectiva aos 60 anos deste país será assim uma viagem no tempo: por uma Alemanha e por um mundo divido entre duas concepções ideológicas - um mundo, que, na perspectiva de hoje, poderá parecer longínquo e que, no entanto, foi a realidade quotidiana de várias gerações.

Imagens: Reichstag, Berlim; Dresden, Verão de 1949; Berlim, Novembro de 1989

Está a chover. Aleluia!

Porque as nuvens estão baixas, também aqui, vamos a isto! Aleluia!

O coração de Jenin

O documentário O coração de Jenin (Das Herz von Jenin) dos realizadores alemães Marcus Vetter e Leon Geller é um filme sobre a vida. E começa, no entanto, com a morte. Com a morte de um rapaz palestiniano de 12 anos, Ahmed Kathib, alvejado por um soldado israelita devido a um mal entendido em Novembro de 2005. Ahmed não sobrevive. O incidente fatal é noticiado nos media.

Entre sentimentos de luto e raiva, Ismael, pai da vítima, decide doar vários órgãos do seu filho – e salva assim a vida de crianças israelitas “inimigas”. Ismael confronta-se com as mais controversas críticas: muitos dos palestinianos que vivem com Ismael no campo de refugiados de Jenin, acusam o pai de “desonrar” o seu próprio filho e trair a causa palestiniana. Os israelitas, por sua vez, desconfiam de tanta generosidade.

Passados três anos, Ismael vai ao encontro das crianças, em que continuam a viver o coração, rins e outros órgãos do seu filho falecido. A viagem leva-o à fronteira com o Líbano, à cidade dividida de Jerusalém e, por fim, ao deserto do Negev. Um dos pontos altos deste filme será seguramente o encontro com uma família ortodoxa que, pela primeira vez, recebe em sua casa um palestiniano.

O coração de Jenin é, na verdade, um filme sobre a vida – e sobre um homem que, num acto extraordinário de humanismo e altruísmo, ultrapassa as barreiras de um conflito político, provavelmente irresolúvel.

Das Herz von Jenin estreou-se na Alemanha a 7 de Maio. Passou por Lisboa em Janeiro deste ano numa sessão no São Jorge no âmbito de festival KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã. Esperemos que este magnífico documentário chegue a mais salas do país o mais breve possível.

O quarto de Van Gogh


Van Gogh – O quarto de Van Gogh em Arles
Óleo sobre tela, 1888


Van Gogh – O quarto de Van Gogh em Arles
Óleo sobre tela, 1889
Paris, Museu d’Orsay


Lisboa, col. do artista


Mário Henrique Leiria – Quarto
Óleo sobre tela
Famalicão, Fund. Cupertino de Miranda


Roy Lichtenstein - Chambre à Arles, 1992

Um dia destes lembrei-me do quarto de Van Gogh em Arles e de uma série de artistas que se inspiraram nessa pintura. Aqui fica uma amostragem.

Um desafio colocado por Rockwell!

Este quadro já tinha sido colocado por mim mas resolvi trazê-lo para fazer este quebra-cabeças.

Uma execução brilhante de realismo também é uma pergunta filosófica:
Pode o artista "mentir" enquanto pinta objectos com surpreendente verosimilhança? Era a sua arte alegre uma mentira?
Nesta loja de antiguidades como desculpa para um espaço amontoado com toda a espécie de objectos: bonecas, estátuas, livros e relógios antigos. Quase todos os objectos têm um aspecto estranho.
Rockwell contou 57 erros e desafiou os leitores do Post a encontrá-los. Quer encontrá-los?

Primeiro de Abril: Rapariga com logista, 1948, foi capa do Saturday Evening Post, 3 de Abril de 1948 e está em Stockbridge. MA Norman Rockwell Museum


Karal Ann Marling, Rockwell, Colónia: Taschen, 2005, p. 61