Prosimetron

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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um quadro por dia


Henri Fantin-Latour, Chrysantemum, óleo sobre tela, col.particular.

Nem sempre é fácil trazer aqui " um quadro por dia ", e este foi directamente inspirado pela vinheta escolhida pelo nosso MLV.

Novidades


Lisboa na colecção Bouquins, uma obra muito completa ( em 1174 páginas ) sobre a capital portuguesa, sob a forma de antologia organizada por Luísa Braz de Oliveira e com prefácio de Gonçalo M.Tavares.


Frutas - 106

Henri Matisse - Pink tablecloth
Henri Matisse - Still life with apples on a pink tablecloth, 1924


Próxima vinheta: uma flor de outono



A vinheta deste mês é uma flor típica do outono. De acordo com o taoismo, o crisântemo é um símbolo de simplicidade e perfeição, mas também significa tranquilidade e é visto como um mediador entre o céu e a terra, a vida e a morte.
Considerada também como uma planta medicinal, na China o crisântemo era usado como um remédio para a dor de cabeça. As pétalas também podem ser usadas em saladas e as folhas para fazer uma bebida. Uma lenda afirma que juntar pétalas de crisântemo numa taça de vinho aumenta a longevidade e vitalidade de uma pessoa.
Não encontrei a bebida que se pode fazer com as pétalas desta flor, mas descobri uma receita de geleia.

Ingredientes:
12 crisântemos grandes (que devem ter sido colhidos ainda com o orvalho da manhã, sem tratamento com pesticidas)
2 chávenas de chá de água; a mesma medida de açúcar refinado; sumo de 1 limão (médio).

Preparação:

Lavar bem as flores em água corrente e escorrer o excesso de água, num escorredor de massas. Numa panela juntar apenas as pétalas, as chávenas de água e sumo de limão. Deixar tudo amolecer uns 10 minutos, em lume brando. Acrescentar o açúcar e envolvê-lo bem no preparado, mexendo sem parar, em lume brando, durante 30 minutos, ou até começar a ver o fundo da panela. Retirar do lume e colocar imediatamente em frascos esterilizados.

Humor pela manhã


Bom dia !


Papoilas

Childe Hassam - Poppies on the Isles of Shoals, 1890
Nova Iorque, Brooklyn Museum

Música de Verdi para uma segunda-feira

Por muito estranho que pareça, "Les vêpres siciliennes" de Giuseppe Verdi nunca subiram ao palco do Royal Opera House de Londres. O novo director da prestigiada instituição, Kasper Holten, tomou a iniciativa de incluir esta ópera na programação de 2013/14. Estreada na versão francesa em Paris em 1855 com enorme sucesso e na versão italiana poucos meses depois em Milão, Les vêpres siciliennes raramente são interpretadas nas grandes casas hoje em dia. A intenção de Holten de homenagear o compositor italiano justifica evidentemente esta produção, ainda que a encenação e o elenco não se encontrem à altura de Verdi a meu ver (à excepção de Erwin Schrott que desempenhou um Procida notável).
Para começar uma nova semana, ouçamos então a célebre ária em forma de bolero "Merce, diletti amiche" na voz de Joan Sutherland num registo não identificado. A todos, uma boa semana!
 

Maçã


Paul Nash, Apple Pickers, 1914


















Paul Nash, Apanhadoras de maçãs, 1914, [Modern] Tate (cortesia do Google)



Maçã - disse a criança
E era apenas o sol
dependurado nos ramos.

Albano Martins, in "Com as flores do salgueiro (1995)", Assim são as Algas, Poesia 1950-2000. Porto: Campo das Letras, 2000, p. 259.

domingo, 3 de novembro de 2013

Boa noite!

Achado sensacional em Munique


A televisão estadual bávara e o semanário "Focus" noticiaram hoje um achado verdadeiramente impressionante: a polícia alfandegária bávara localizou há dois anos, num andar de um prédio no bairro Schwabing de Munique, cerca de 1.500 obras de pintores modernos, entre eles, Pablo Picasso, Henri Matisse, Marc Chagall, Emil Nolde, Franz Marc, Max Beckmann e Max Liebermann. Focus adianta tratar-se de um acervo cujo valor poderá ascender a 1 bilião de euros. Das obras já identificadas, sensivelmente 200 foram reclamadas por antigos proprietários ao longo das últimas décadas, cerca de 300 integraram o conjunto de peças artísticas, consideradas "degeneradas" e exibidas pela última vez ao público na mal-afortunada exposição nazi "Entartete Kunst" na capital da Baviera em 1937 (primeira imagem).
O andar, de acordo com informações da estação televisiva e do semanário, pertence a Cornelius Gurlitt, de oitenta anos, e filho do conhecido historiador de arte Hildebrand Gurlitt (segunda imagem). Hildebrand Gurlitt, o primeiro director do Museu de Zwickau, adquirira vários quadros nos anos 20. O seu empenho a favor da arte moderna e a sua ascendência não "integralmente ariana" custaram-lhe a posição de direcção. Mandatado pelo Ministério de Propaganda de Goebbels, vendeu peças de autores proibidos ao estrangeiro, encaixando divisas para o Reich. Gurlitt terá aproveitado esta oportunidade para guardar parte das telas confiscadas ou para alienar algumas a colecionadores alemães.
No período pós-guerra, Gurlitt justificava o desaparecimento deste tesouro com a destruição ocorrida durante bombardeamentos em Dresden. Mas tudo indica que seu filho escondeu esta maravilha durante mais de cinco décadas em Schwabing. Entretanto, Cornelius desfez-se de alguns quadros para seu sustento... 

Luzes da sabedoria

A avaliar pelas exposições que já vi no Institut du Monde Arabe, esta deve ser imperdível. Pena que...

Paul Klee na Tate Modern


Paul Klee (1879 - 1940) foi inquestionavelmente um dos mais importantes artistas do início do século XX. Sobretudo na década de 1920, consolidou a sua reputação a partir de um criatividade singular e complexa. Seu ensino e sua escrita sobre pintura influenciaram toda uma geração. A utilização de aguarela ou de outros meios frágeis numa abordagem muito pessoal de cores e linhas marcou o estilo de Klee que pode agora ser apreciado numa exposição temporária na Tate Modern de Londres até 9 de Março de 2014.
Intitulada The EY Exhibition - Paul Klee: Making Visible, proporciona um percurso cronológico: desde o início da carreira de Klee em Munique em 1912 e 1913, quando o pintor integrou o movimento vanguardista do Der Blaue Reiter fundado por Kandinsky, seguido do período em que o artista leccionou na Bauhaus em Weimar, até aos últimos anos de vida de Klee em Berna, onde faleceu prematuramente em 1940.
Klee adoptou um sistema de registar e catalogar as suas obras que hoje em dia muito facilita a organização de uma exposição tão abrangente como a da Tate Modern.  
 
 
Imagens: Paul Klee em 1939, fotografado por Walter Henggeler; Nova Harmonia de 1936

A arte do retrato


Carel Fabritius ( 1622-1654 ), Retrato de senhora sentada com lenço, óleo sobre tela, 1644, Art Gallery of Ontario, Canadá.

Se a pesquisa não falhou, é esta a primeira obra deste pintor holandês que aparece nestas páginas. Um pintor que tem lugar na história da pintura holandesa, mas também europeia, por ter sido o único discípulo de Rembrandt que desenvolveu um estilo próprio e por ter sido o mestre de Vermeer. Apesar destes feitos, morreu precocemente, uma das vítimas da explosão da fábrica de pólvora de Delft em Dezembro de 1654 que arrasou o quarteirão onde se situava o seu estúdio. Explosão esta que poupou ainda assim uma dúzia de telas.

Lá fora - 179 : A Índia em Bruxelas

 A Índia é o país convidado da bienal Europalia de 2013, e há duas exposições imperdíveis: Indomania, sobre o fascínio do Ocidente pelo subcontinente indiano, dos portugueses de Quinhentos aos Beatles; e Corps de l'Inde, uma colecção fabulosa de estátuas e miniaturas provenientes  de meia centena de museus indianos.



Até 26 de Janeiro de 2014 no Palais des Beaux-Arts de Bruxelleswww.europalia.eu

Auto-retrato(s) - 191



Erwin Blumenfeld ( 1897-1969 ), Auto-retrato como fotógrafo de domingo, 1928, Países Baixos, p/b.

Um dos mais importantes fotógrafos do séc.XX, embora mais conhecido pelo seu imenso trabalho comercial ( moda ) do que pela fotografia artística.

Bom dia !



Não há contratenor actualmente que não cumpra a moda do " disco do castrato ", e desta vez é Franco Fagioli que dedica o seu novo a Caffarelli, grande estrela napolitana do séc.XVIII.

A Botânica em livros na BNP


Les Sœurs de Napoléon : 3 Destins italiens

Françoirs Gérard - Caroline Murat 
René-Théodore Berthon - Pauline Bonaparte

Esta exposição é sobra as irmãs do imperador: Elisa (1777-1820), Pauline (1780-1825) e Caroline (1782-1839), que vieram a ser princesas e rainha de estados italianos. Esta mostra foi possível graças ao empréstimo de obras de grandes museus e coleções da Europa. 
No Marmottan Monet, em Paris, até 26 jan. 2014.

sábado, 2 de novembro de 2013

Boa noite!


Henry Purcell no Dia dos Fiéis Defuntos


Todo o percurso artístico de Henry Purcell (1659 - 1695) contou com a protecção da corte real inglesa. Durante os reinados de Carlos II, Jaime II e Guilherme III, o compositor concluiu um conjunto de obras, entre elas, odes e semi-óperas, por ocasião de diversos acontecimentos ligados à Casa Real. Deteve também o cargo de organista da Chapel Royal, da prestigiada instituição real fundada no século XIII, cujo apogeu artístico durante os séculos XVI e XVII acolheu outras grandes figuras da música inglesa da época, tais como, Thomas Tallis, Christopher Tye ou William Byrd.
Para Maria II que reinou com o seu marido holandês Guilherme, Purcell compôs música que se destinava às celebrações de aniversário da soberana. As exéquias reais aquando da morte de Maria II foram acompanhadas de sequências musicais notáveis, habitualmente associadas a Purcell. As investigações mais recentes sugerem, no entanto, que estas Funeral Sequences não foram escritas para as cerimónias fúnebres que se realizaram em Março de  1695. Na verdade, as composições cantadas atribuem-se hoje em dia a Thomas Morley, músico renascentista da segunda metade do século XVI e primeiro compositor de madrigais. A única (mas magnífica) contribuição de Henry Purcell para este acontecimento consistiu na finalização de duas peças para trombones, bem como do célebre coral Thou knowest, Lord, the secrets of our hearts que se segue numa versão do coro do King's College de Cambridge.   

Pensamento ( s )



Concordo com o famoso jornalista e escritor brasileiro.

Lá fora - 178 : Angkor em Paris



Uma exposição muito interessante, no Museu Guimet, sobre o que foi a recepção dos tesouros de Angkor e da civilização khmer em França nos sécs.XIX e XX. É a maior exposição alguma vez feita fora do Camboja, com 250 peças : esculturas khmer, fotografias, aguarelas e desenhos dos primeiros descobridores das deslumbrantes ruínas do Império Khmer.

Até 13 de Janeiro. Mais info : www.guimet.fr

Números

 - Em Berlim, onde há também quem revolva os caixotes de lixo.
- Um banco alimentar em Dortmund.

13 000 000

Um número que me surpreendeu, vindo do suposto " país da abundância ", e é um número oficial divulgado esta semana pela Agência Federal Alemã de Estatística : 13 milhões de alemães, um em cada seis, são pobres ou estão em risco de cair na pobreza. A taxa de pobreza não pára de aumentar, e como o Filipe Nicolau me explicou recentemente é muito frequente na Alemanha ter-se dois e três empregos para conseguir uma vida decente, já para não falar dos milhões de alemães que têm empregos precários.



Humor pela manhã


O caso Bárbara/Carrilho obrigou a PSP a deslocar meios em permanência para a casa da apresentadora. O próximo passo é instalar uma superesquadra no prédio e o GOE no telhado.
Ontem, soube-se que a NSA espiou cerca de 60 milhões de telefonemas entre Bárbara e Carrilho e o " Record " adiantava que as divergências entre o casal começaram nos pré-socráticos e prolongaram-se até Wittgenstein. Não se confirma, por enquanto, a informação da Frelimo, que dizia que o ex-ministro da cultura andava a monte na Gorongosa. MB

- No Inimigo Público de ontem.

Bom dia !


Quotidianos - 115

Charles-Joseph Flipart - Mesa revuelta con pinturas, zanfonía, libros y otros objetos de trempantojo
Óleo sobre tela, ca 1779
Madrid, Museu do Prado

Arrumando... Mais livros e papéis. :)

Marcadores de livros - 120

Frente e verso.


Brassaï: Pour l’amour de Paris

Abriu ontem, em Paris, no edifício da Mairie, uma exposição sobre a relação que Brassaï teve com a cidade de Paris e a sua vida. Pode ser vista até 31 de março de 2014.

Zé da Guiné: In memoriam

Zé da Guiné no Bairro Alto. Foto de Luís Branco.

Chegou a Portugal depois do 25 de Abril e abriu o Souk no BA e mais tarde o Rockhouse que, em 1982, se passou a chamar Jukebox. Esteve ligado à abertura de outros espaços noturnos, como As Noites Longas, no Conde Barão.
Estava doente há dez anos, tendo falecido no dia 25 de outubro.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Boa noite!

Um ritmo cabo-verdiano para acabar a semana de trabalho.

Tributo a Lou Reed, esta noite, no Intendente


Jorge Palma, Paulo Furtado, Rui Reininho, Samuel Úria, Zé Pedro, Manuel Fúria, Tiago Bettencourt, Rita Redshoes e JP Simões são alguns dos nomes que interpretam noite fora canções de um dos mais inventivos e influentes criadores da música popular americana. Hoje, às 21h30, no Intendente.

Um quadro por dia


Vassily Kandinsky, Dia de Todos os Santos 2, 1911, Galeria Municipal de Lenbach, Munique.

Nuno Saraiva na abysmo



Humor pela manhã



Halloween

Bom dia !



Noel Harrison, que celebrizou esta bela The Windmills of Your Mind ( Óscar para Melhor Canção, 1968 ) de Michel Legrand, Alan e Marylin Bergman, e era filho do grande Rex Harrison. Morreu no passado dia 20, aos 79 anos.

... numa flor


Nem sempre a neve
cai do céu: às vezes,
explode numa flor.

Albano Martins, Assim são as Algas. Porto: Campo das Letras, p. 251.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Boa noite!

Adoça Malvados

Il de Arthur Getz (oct. 25,1976)


1 kg de abóbora
400 g açúcar
3 paus de canela
2 cascas de limão
5 colheres de sopa de nozes trituradas

Coloque, num recipiente, a abóbora cortada aos cubos, o açúcar, os paus de canela e as cascas de limão. Leve ao lume, brando, até a abóbora ficar mole. Depois de estar bem cozido retire os paus de canela e a casca de limão e passe com a varinha mágica. Adicione as nozes trituradas, envolva e deixe arrefecer.

Recebi por email uma receita de doce de abóbora, com este título, que adaptei. Obrigada, Ana!

Prémio PEN 2013 - ex aequo


Estão as praças,
Como ágoras de outrora, estonteadas
Pela concentração dos organismos, 
Pelo uso da palavra, a fervilhante
Palavra própria da democracia,
Essa que dá a volta e ilumina
O que, por um instante, a empunhou

Hélia Correia



INVENTÁRIO PLEBEU
para o José Miguel Silva

A verdade, digam lá o que disserem,
é que tivemos muito pouca sorte
com os poetas (?) nossos contemporâneos.

Um nasceu em Galveias e tatua-se
ou alfineta-se para disfarçar um vazio evidente;
outro gosta de andar nu em Braga,
muito depois - e aquém - de qualquer Pacheco.
(Ignoram, ambos, que a única pila maior
do que o mundo era a do João César Monteiro.)

Um terceiro, cujo nome nunca escreverei,
é a mulher moderna da edição
às cegas e da sacanice quotidiana. O quarto
e o quinto (gabo quem os logra distinguir)
arrotam melancolia e não admitem
o mínimo desvio à sacrossanta transfiguração da lírica.

O sexto - não, não me apetece falar aqui do sexto.

Consola-nos, isso sim, saber que uns se tornaram
entretanto romancistas (pilim,pilim), e que os restantes
hão-de ser, muito em breve, ministros
ou somente pulhas (é, no fundo, a mesma coisa).

Enquanto, de esgoto em esgoto,
Portugal progride a olhos vistos
e é bem capaz de levar, um dia destes,
com outro Nobel nas trombas.

Manuel de Freitas