Prosimetron

Prosimetron

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Afasta de mim... este convite!

Realiza-se em Lisboa.
Horários
Sábados: 16-24h
Domingo (7): 16-24h
Domingo (14): 16-22h
Restantes dias: 18-24h

Este ano com um "salão" de Livro-Antigo.

Demónios de saias

De forma aleatória, irei trazer aqui alguns dos monstros que no feminino fizeram história. E a personagem que inaugura esta galeria de horrores é Aileen Carol Wuornos (1956-2002). Graças a uma trajectória de crimes tão cruéis esta prostituta, considerada a primeira serial-killer dos EUA, foi condenada à morte pelo assassinato de seis homens na década de 80. Consequência de um ódio visceral pelos homens, Aileen atraía as vítimas ao simular problemas com o carro nas autoestradas da Flórida. Ela admitiu ter cometido os crimes e concordou com a pena (injecção letal), afirmando que voltaria a matar caso fosse libertada. A sua vida inspirou livros e filmes como o "Monstro" que deu um Óscar a Charlize Theron.

Innuendo

4 de Fevereiro de 1991: lançado o último Álbum de Queen

Queen - Innuendo
Colocado na Net porViktorD. - Buscar outros videos de Musica.

Um quadro por dia - 41

Domenico Fetti, - O Véu de Verónica, 1618-20, National Gallery of Art, Washington.

Porque hoje é o dia de Santa Verónica, que embora não mencionada nos Sinópticos mas apenas no apócrifo Actos de Pilatos, goza de uma longa tradição iconográfica até porque o episódio da Paixão por ela protagonizado presta-se a tal. É a padroeira dos fotógrafos e das lavadeiras, curiosa mistura que junta os tempos antigos e os modernos.

P.S. - O cobiçado Klimt de ontem foi vendido, atingindo quase 27 milhões de libras. Espero que fique em cima do sofá de alguém e não numa qualquer casa-forte.

PENSAMENTO DO DIA

On s' étonne trop de ce qu' on voit rarement et pas assez de ce qu' on voit tous les jours.

- Madame de Genlis

Em francês porque retirado do "lote Révillon", sendo que o retrato da injustamente esquecida Madame de Genlis foi "surripiado" do Tea at Trianon, o blogue da Elena Maria Vidal de que falarei em breve. E esta pedagoga discípula de Rousseau ainda viveu o suficiente para ver o seu antigo aluno Luís Filipe de Orleães "roubar" o trono a Carlos X em 1830. Nada mau para quem esteve perto da guilhotina...

Biografias, autobiografias e afins - 61

Este esteve quase a vir para Lisboa, mas resisti à tentação. Trata-se da "biografia fotográfica" de
Virginia Oldonoi, condessa de Castiglione pelo casamento e uma das mulheres mais belas da sua época. Seduz o seu rei, então ainda apenas rei do Piemonte, que a envia para Paris com uma missão: seduzir Napoleão III e levá-lo a aceitar a unificação italiana. E a jovem condessa é bem sucedida, tornando-se amante do imperador. Mas não mais voltará a Itália, abandonando o marido, o filho e a sua pátria.
Esta podia ser apenas mais uma história de uma condessa-cortesã, mas é muito mais do que isso: é que Virginia de Castiglione era obcecada pela sua própria beleza, fazendo-se fotografar continuamente e lidando mal com o envelhecimento. As 130 fotografias deste álbum ilustram toda essa sequência que acabou em loucura...
Uma "pioneira" que se tivesse nascido umas décadas mais tarde seria uma excelente cliente da cirurgia estética...

- La comtesse de Castiglione, Marianne Nahon, Marta Weiss e André Maurois, éditions La Différence, Dezembro de 2009, €30.

1977 : Fleetwood Mac

A 4 de Fevereiro de 1977 era posto à venda o 11º álbum dos Fleetwood Mac, Rumours, enorme sucesso crítico e de vendas, apesar das também enormes dificuldades de gravação: com histórias conjugais cruzadas mais complicadas do que os ABBA, metade do grupo estava a divorciar-se da outra metade enquanto iam gravando este fantástico disco. Uma das minhas preferidas é esta Dreams.

Júlio César em Paris...

É um dos acontecimentos musicais de Fevereiro a versão de concerto de Giulio Cesare in Egitto de Haendel na Sala Pleyel: Cecilia Bartoli é Cleopatra, Andreas Scholl é o imperador, e Nathalie Stutzmann é Cornelia. E o lado orquestral não fica atrás: William Christie a dirigir Les Arts Florissants.

Salle Pleyel, Paris, 9, 12 e 14 de Fevereiro.

Os meus belgas - 1

"Plagiando" a nossa M.R., procurarei aqui trazer alguns cantores belgas contemporâneos. Começo por Maurane, talvez a mais conhecida.

Déjeuner du matin


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiUjVnw_LKqjlobS4R8JLRTT57aWAmwPIx82zP9rK1vWg4lN9FHbrh8dN6zJz0CPCJB_iT7LEn1kBsmPsmj50Iw1JthLR-V6YccB0j4PldzY6XRYQRVP3HyJRJ6IrPiVQ6avBIFPcgcPRM/s400/CAFE.gif

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré

Jacques Prévert (1900-1977)
In: Paroles. Paris: NRF, 1968, p. 144-145. (Le livre de poche; 239)

Os meus franceses - 94


Jacques Prévert nasceu há 110 anos.
Já aqui postei «Les feuilles mortes», cantada por Yves Montand. E penso que outras interpretações desta canção já aqui passaram pelo blogue. Hoje, deixo-vos «Barbara», dito por Marianne Oswald (1901-1985).

Agradeço, mais uma vez, a APS a lembrança.

Aonde uma peça nos pode levar...

Há uns tempos coloquei a imagem o Cofre do Mensageiro, uma peça que faz parte do Museu de Arte Sacra da Madeira.

O Cofre do Mensageiro, Museu Arte Sacra da Madeira

À procura de uma explicação encontrei uma tese interessantíssima: “A Anunciação do Senhor na Pintura Quinhentista Portuguesa, 1500-1550...”. Por associação de ideias cheguei até ao painel da Virgem, da Anunciação, do Mestre do Sardoal, que se encontra na igreja matriz do Sardoal, onde aparece pintada a mesma figura trifonte na jarra de açucenas, objecto que se encontra à direita da Virgem, no referido painel. O autor da tese é Luís Alberto Esteves dos Santos Casimiro. Parte do painel pode ver-se na imagem retirada da tese mencionada.

Painel da Virgem e Anunciação do Mestre de Sardoal, Igreja Matriz do Sardoal
Sobre a mesa está uma jarra, o alvo do meu interesse. O autor da tese descreve-nos a peça:
“Trata-se de uma jarra metálica, sem desenhos ou pormenores dignos de registo. A base, de forma circular, encontra-se ligada ao bojo por um nó que apresenta uma característica única: a representação de três rostos que podemos observar, em detalhe na figura 180, onde se destaca pela elipse amarela. O rosto central encontra-se voltado para a frente, ladeado por dois outros, um voltado para o lado direito e outro para o lado esquerdo, ambos representados a três quartos.”
Luís Casimiro apresenta duas leituras sobre o assunto recorrendo à comparação com outros modelos iconográficos.
-Um dos modelos foi o fresco de Andrea del Sarto, “O fresco trata a Trindade trifonte, ou seja uma forma de representar a Santíssima Trindade. (…) Este tipo de imagens teve origem a partir de uma visão de S. Pedro de Alexandria (m. 311), e foi difundida por todo o medievo em Portugal, como é confirmado por Fausto Sanches Martins.”
- O outro modelo foi concebido a partir da analogia com a virtude da Prudência que tem por base a mesma cabeça onde são representadas os três rostos. Panofsky “Citando o Reportorium morale de Pedro Barchorius, uma enciciclopédia muito popular nos finais da Idade Média", refere: « a prudência consiste na memória do passado, na ordenação do presente e na contemplação do futuro»”.
Assim, o autor apresenta duas possíveis interpretações simbólicas:
- Uma era a presença simbólica, directa e discreta da presença da Santíssima Trindade no momento da encarnação do Verbo como é defendido desde a Patrística, ligada à figura acima colocada.
-A outra, a partir da referência de Panofsky*, declara que a leitura do livro que a Virgem tem no colo se supõe ser de Isaías, o que “demonstra efectivamente corresponder à definição de prudência do Reportorium morale”

Luís Casimiro divulga que as imagens com os três rostos, simbolizando a Santíssima Trindade foram proibidas, primeiro por Santo Antonino, bispo de Florença, em 1477, e mais tarde pelo Papa Urbano VIII através de uma Bula, proclamada em 1628, por as considerar heréticas, acabando por dar ordem à sua destruição. No que diz respeito ao painel da igreja do Sardoal, o autor indica que "na época em que são efectuadas as pinturas na igreja matriz do Sardoal, existia já um movimento de reprovação, da Trindade Trifonte ainda que não de total proibição oficialmente proclamada.”
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*Panofsky, O Significado nas Artes Visuais,Lisboa: Editorial Presença, 1989, p.109

Luís Alberto Esteves dos Santos Casimiro, A Anunciação do Senhor na Pintura Quinhentista Portuguesa, 1500-1550, Análise Geométrica, Iconográfica e Significado Iconológico” Dissertação de Doutoramento em Histórua de Arte apresentada à FLUP, Vol II, Porto 2004.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Novidades - 111 : Uma injustiça monstruosa...

O livro não é recente, mas a tradução portuguesa, da Guerra e Paz, é-o. Aprecio o estilo "divulgador" do Simon S.Montefiore, mas fiquei revoltado com uma flagrante injustiça presente nesta capa: colocar Lucrécia Bórgia ao lado de Staline, Henrique VIII e Hitler?!! É que não há comparação possível! Qualquer pessoa que conheça razoavelmente a história dos Bórgias, e posso dizer que conheço bem, passe a imodéstia, sabe que ela foi sobretudo um títere nas mãos do pai, o Papa Alexandre VI, e de um dos irmãos, o implacável César. Casou com quem eles quiseram, e ficou viúva duas vezes por obra e graça do sinistro irmão. A prova da falta de crueldade "congénita" de Lucrécia são as últimas décadas da sua vida: amada duquesa de Ferrara, terminando os seus dias tranquilamente.
Se era necessário ter uma mulher na capa, para obedecer a "quotas", há várias outras melhores candidatas...
Até podemos lançar um "concurso" aqui no blogue para depois sugerir ao autor...

Um quadro por dia - 40

Este Igreja em Cassone, paisagem no meio dos ciprestes foi pintado em 1913 por Gustav Klimt quando o pintor esteve nesta localidade nas margens do lago de Garda com Emilie Flöge, e é considerado como uma das mais belas paisagens klimtianas. E esta tela quadrada (110x110cm ) teve uma vida rocambolesca: comprada pelos coleccionadores Victor e Paula Zukerkandl, amigos de Klimt e de vários outros artistas, foi herdada por uma irmã de Victor que a escondeu num depósito de Viena perante os avanços do Nazismo. Em 1947, quando foram à procura dela, já lá não estava. Reapareceu recentemente, e será vendida hoje na Sotheby's de Londres, sendo que foi alcançado um acordo entre os proprietários actuais e os herdeiros Zukerkandl. Está avaliada entre 14 e 20 milhões de euros. O leilão começou hà meia hora...

Centenário da República: edições - 1

Bom almoço!

Pierre-Auguste Renoir - Almoço no restaurante Fournaise
Óleo sobre tela, ca 1879
Art Institute of Chicago

In Memoriam Rosa Lobato de Faria

Desconhecia que estava hospitalizada, sequer que estava doente. E ontem deixou-nos. Não teremos mais a sua alegria, boa disposição e talento. Talento que a levou a igualar Ary dos Santos nas 4 conquistas como letrista de Festivais da Canção, e a ser igualmente reconhecida na arte de dizer poesia e na arte de representar. Como romancista, não posso falar porque nada li dela.
Mas da representação posso falar- se esteve bem nas telenovelas onde participou, onde fez de mulher da classe social a que pertencia, esteve igualmente bem a trabalhar com Herman nos tempos gloriosos deste ( por isso escolhi este sketch de Humor de Perdição ) e no cinema, onde filmou com João Botelho por duas vezes, e foi também dirigida por Lauro António e Monique Rutler. Admirei sempre a sua versatilidade e a sua coragem em aceitar desafios que à partida lhe eram estranhos. Nem todos têm a coragem de o fazer. RIP

A OMS, a gripe A e os laboratórios...

Ficámos ontem a saber que com a intervenção directa de Ana Jorge lá se conseguiram poupar uns milhões do erário público, cancelando 30% da encomenda de vacinas para a gripe A que havia sido feita junto da GlaxoSmithKline. Foi a percentagem também conseguida pelo governo alemão e por outros estados europeus. Ainda assim, continuamos com vacinas a mais, especialmente considerando que uma só dose serve para imunizar um adulto, ao contrário do que incialmente havia sido dito pelos peritos da OMS, sendo certo que foi com base em tais informações que as encomendas foram feitas por dezenas e dezenas de países.
Há que aguardar pelas investigações do Conselho da Europa para que se possa realmente saber se houve "relações perigosas" entre algumas empresas farmacêuticas e os peritos da OMS, mas uma coisa é certa- o alarmismo da organização, uma das mais reputadas do mundo, ao falar de pandemia e de níveis de pandemia contribuiu certamente para a compra de milhões de vacinas e consequente lucros de duas ou três multinacionais farmacêuticas.

1973 : Lynn Anderson

Lynn Anderson alcançou a 3 de Fevereiro de 1973 um Disco de Ouro com esta Rose Garden. I never promised you a rose garden...

Manuel Serra (1932-2010)


Foto António Pedro Ferreira (Expresso)
Faleceu no dia 31 de Janeiro. Mas eu, que tenho andado um pouco fora do mundo - não tenho lido jornais, não tenho visto tv e rádio só oiço de manhã -, só soube hoje.


Parabéns Norman Rockwell!

Hoje, quando abri o google estava a indicação do aniversário de Norman Rockwell. Presto assim, a minha homenagem e, também, sei que no blogue alguns o apreciam. Já foram colocadas várias ilustrações e pinturas do ilustrador/pintor.
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Norman Rockwell (1894-1978), The Piano Tuner
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Capa do Saturday Evening 11 de Janeiro de 1947

Flores de Inverno!

No seguimento do post de MR, deixo aqui estas camélias com um desejo de bom dia!




Cinenovidades - 101 : Ivan O Terrível

Ao contrário do filme de Eisenstein, esta longa-metragem de Pavel Lungin, apresentada em Cannes e recentemente estreada nalguns países europeus, apenas foca dois anos da vida de um dos mais conhecidos czares russos, Ivan IV, mais conhecido como Ivan Grozny ( Ivan O Terrível ). Mas são dois anos tremendos em que a paranóia e a crueldade do monarca atingem foros de demência culminando num dia de 1581 em que mata com as próprias mãos o seu filho e herdeiro, o czarevitch Ivan, de 27 anos.
Há quem justifique o carácter deste "inesquecível" soberano com a sua infância difícil: órfão de pai aos 3 anos e de mãe, envenenada pelos boiardos, aos 8, e entregue praticamente a si próprio durante toda a infância e juventude sempre receando conjuras para lhe roubarem o trono e a vida. Mas talvez a razão do profundo desequilíbrio seja outra: nos anos 60, quando o túmulo foi restaurado e as ossadas examinadas, foram encontrados importantes resíduos de mercúrio, substância usada durante séculos para o tratamento de doenças venéreas, desconhecendo a ciência médica de então os efeitos tóxicos para o ser humano, designadamente no sistema nervoso...
Outro pormenor pouco conhecido é o currículo conjugal de Ivan: conseguiu ultrapassar o seu contemporâneo inglês Henrique VIII, já que teve 7 mulheres, sendo que só a primeira, Anastasia Romanovna, foi mais ou menos feliz...

Bom dia!

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Em dia de crepes


http://www.creperiedecluny.fr/
Nesta Crêperie de Cluny, engolimos uns crepes muito aceitáveis, num dia em que estávamos muito apressados - o Werther esperava-nos. A escolha recaiu num Crêpe de Cluny (crème de marrons, confiture d’abricot, chantilly, Grand-Marnier) e em dois Délice de Cluny (glace fraise, crème fraîche), acompanhados de um chá e dois chocolates quentes.

Eu já "crepei"!


Na verdade não foi bem "crepar" porque se tratou de um milfolhas como só se come na Pastelaria Versailles(mas não são tão altos como o que se mostra na imagem). Inspirado pelo desafio do nosso JAD foi esta a minha sobremesa ao almoço.

O vôo do anjo



O Vôo do Anjo é o ritual que inaugura oficialmente o Carnaval em Veneza. O ano passado mais de 100 mil pessoas assistiram na Praça de São Marcos ao lançamento de Margherita Missoni (estilista e actriz, de 25 anos) que a partir do Campanário de São Marcos fez um vôo de 70 metros em direcção ao palco das festividades. Na programação para 2010 não consegui saber a quem caberá a proeza este ano!

Crepes

E porque é que o blogue (isto é os Prosimetronistas) hoje não vai "crepar" em conjunto?
Último dia para desejar Bom Ano e saudar os amigos.
Aqui fica a saudação e o desafio.

O que ando a ler : Jean d' Ormesson


Tenho estado a ler, com muito contentamento, este volume autobiográfico de Jean d' Ormesson. Não se trata propriamente de uma autobiografia no sentido estrito do termo, mas antes de uma autobiografia intelectual se assim posso dizer. No entanto, entremeadas com as reflexões do autor sobre a vida, o mundo, a literatura e a arte, estão também muitas histórias de família, histórias antigas de uma família que atravessou os séculos da conturbada história francesa.
E o livro começa assim:
que faisons-nous sur cette Terre?


Voilà longtemps déjà que les hommes se demandent ce qu' ils sont venus faire sur cette Terre.
Pas tous, bien sûr. Beaucoup-et je les comprends mieux que personne-ne se posent guère de questions. Il n'est pas impossible que ce soient, sinon les plus vifs, du moins les plus heureux. Mais d' autres, dans les nuits claires de l' été, lèvent les eyeux vers les étoiles. L' immensité des cieux les émerveille et leur fait peur. D' autres encore regardent autour d' eux. Ils remarquent qu' il y a du mal, qu'il frappe sans distinction les plus forts et les plus faibles, que les moins recommandables l' emportent le plus souvent. Et les sages et les doctes prennent des mines soucieuses. Quelques-uns se demandent si ce monde est aussi réel qu' il y paraît et s' il n'y en aurait pas un autre où la verité et la beauté l' emporteraient enfin sur la laideur et les mensonges.

É muito provável que os mais felizes sejam mesmo aqueles que não fazem perguntas.

2 de Fevereiro: temos Imperador

Túmulo de Otto I, em Magdeburgo.

2 de Fevereiro de 962, o Papa João XII coroou, em Roma, Otto como imperador . O começo de uma longa história...

"Das Heilige Römische Reich mit seinen Fürstentümern". (tradução livre: os Brasões das cidades do antigo Império)

Augsburg: David de Negker, 1510 (285 x 400 mm) impresso colorido

1973 : Barbra Streisand

Barbra Streisand dominava novamente os tops em 1973 com esta The Way We Were, que subiu a número 1 a 2 de Fevereiro de 1973. Esta fantástica interpretação ao vivo é de 1975.

Um quadro por dia - 39


Este ícone do séc.XVIII, de autor desconhecido, representando a Festa da Purificação da Virgem ou da Apresentação de Jesus no Templo ou da Candelária, esteve na Igreja de Bascechny até aos tumultuosos anos do séc.XX, tendo passado depois para o Museu Estatal da Bielorússia e encontrando-se agora na Catedral de S.Simão e S.Helena, mais conhecida como Catedral Vermelha, em Minsk, que festeja este ano os seus cem anos de existência.
Celebra esta festa nas várias igrejas cristãs, embora possam existir divergências de data, a apresentação do Menino Jesus no Templo, quarenta dias passados sobre o seu nascimento. Em tempos idos, embora ainda assim aconteça em certas comunidades, havia procissão de velas e eram benzidas as velas de ceras que seriam usadas durante o resto do ano.

O Duque da Vitória



Sem misturar com outras polémicas e tendo ideia de que o assunto já foi aqui tratado, é notável o apagamento e remissão para a esfera corporativa e local das comemorações de um evento tão marcante como o das invasões francesas.


Por contraste com nuestros vecinos, para além mesmo da própria memória, a gratidão é um sentimento curto. Se pesquisarem a toponímia portuguesa, salvo na região de Torres Vedras, que ruas são dedicadas ao nosso Duque da Vitória? Uma baixela, uma "comenda" e uns títulos, será que chega?


O conjunto de horrores e os efeitos da guerra peninsular condicionaram o século XIX português. Os morticínios praticados pelos invasores, as destruições e perdas patrimoniais, tudo parece esquecido, qual longínqua lenda de princesas mouras.

Na minha cidade natal, houve fuzilamentos em massa, que nunca encontraram o seu Goya que os retratasse. Edifícios arrasados, arquivos queimados (não há livros paroquiais, anteriores aos finais do século XVIII). Uma placa toponímica, aliás razoavelmente omissa (Mártires? de quem ou de onde?), e chega. Quem, especialmente fora de Leiria, conhece ou ouviu falar do Massacre da Portela?



Bussaco, Setembro de 1810, Roque Gameiro. Em Setembro de 2010, como será?





Estas são as armas do Duque de Wellington, com o acrescentamento honroso da Union Jack, já na sua forma actual, em escudete no chamado ponto de honra.

Festa da Candelária


Procissão da Candelária, no claustro de Saint-Emilion. Gravura de Bernard Picart.
In: Cérémonies et coutumes religieuses de tous les peuples du monde. Amsterdam,
1723, t. 2

Rosalie Godin, restauradora das pinturas de Saint-Emilion, diz: «Ces chandelles sont probablement des références à la fête de la Chandeleur, qui comportait une procission pendant laquelle les protagonistes portaient ces luminaires. Cette fête est souvent mise en relation avec des ensevelissements dans la peinture murale du XIIIe et du XIVe siècle. D'une manière plus générale, la présence de la chandelle éteinte est mise en relation avec la mort du chrétien, tandis que sa flamme allumée symbolise la résurrection.» (In Michelle Gaborit – Des hystoires et des couleurs: Peintures murales médiévales de Saint-Emilion. Bordeaux: Éd. Confluences, 2002, p. 69)

Boa sorte! Felicidades!


Le Petit Journal, Paris, Fev. 1911

Nesta viagem a Paris, fiquei a saber que os «crepes da Candelária e da Terça-feira Gorda fazem parte da tradição desta festa, que celebra a ressurreição, a vida familiar, e renova os votos de boa sorte e felicidade (toca-se no cabo da frigideira, formula-se um desejo enquanto se vira o crepe, e segura-se uma moeda na mão enquanto se a faz saltar). Na sociedade rural, eram também um símbolo de vassalagem (os rendeiros ofereciam-nos aos proprietários).» (Larousse gastronómico. Lisboa: Círculo de Lieitores, 1990, vol. 1, p. 334)
Em casa de amigos, ao servirem-nos crepes Suzette (uma delícia!), contaram-nos que, em França, se comem crepes na festa da Candelária.
Hoje, façam crepes e não se se esqueçam dos preceitos.

Bom dia!


Breviário Grimani (1490-1510)

«Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.»

SIM

Lawrence Ferlinghetti nasceu em Nova Iorque, em 1919. Poeta, ensaísta, pintor pertenceu ao círculo da beat generation. Fundou a Livraria (e também editorial) City Ligths, de São Francisco da Califórnia. Alguns ensaístas dos finais dos anos 50 apelidaram os escritores ligados a esta editora como a "corrente literária de San Francisco Renaissance".
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Fotografia retirada da net
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SIM

Sim
xxxe ficámos por ali
xxxxxxxxlá em cima no Central Park
atirando moedas para dentro das fontes
xxxxxxxxxxxxxe um arlequim
xxxxsurgiu nu entre
xxxxxxxas criadas dos meninos
e surpreendeu-as com o dedo no nariz
xxxxxquando na verdade elas deviam era estar a
xxdançar

(The Pictures of the Gone World)

Lawrence Ferlinghetti, Como eu gostava de dizer, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1972, p. 15

Lawrence Ferlinghetti e a sua faceta de pintor!

Lawrence Ferlinghetti, Martha Washingthon Crossing The Delaware, 1968

George Krevsky Gallery
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Lady Lilac attending
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Lawrence Ferlinghetti in the National Museum in Prague

Fevereiro - mês do Carnaval de 2010


Em 16 de Fevereiro celebra-se este ano a 3ª feira de Carnaval. Fim da carne ou carne vale que antecede o longo período de jejum e abstinência quaresmal, desde a Idade Média que se comemora com folguedos vários. O Carnaval de Veneza, iniciado no século XVII, com a nobreza mascarada e velada misturando-se com o povo para se divertir fora dos salões, é o símbolo maior desses dias que terminam com a imposição das cinzas e o aviso solene de " memento homo quia pulvis es, et et in pulverem reverteris". Por isso escolhi esta imagem para a vinheta deste mês.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

As putas da Avenida


Lisboa: Assírio & Alvim, 2006

Eu vi gelar as putas da Avenida
ao griso de Janeiro e tive pena
do que elas chamam em jargão a vida
com um requebro triste de açucena

vi-as às duas e às três falando
como se fala antes de entrar em cena
o gesto já compondo à voz de mando
do director fatal que lhes ordena

essa pose de flor recém-cortada
que para as mais batidas não é nada
senão fingirem lírios da Lorena

mas a todas o griso ia aturdindo
e eu que do trabalho vinha vindo
calçando as luvas senti tanta pena

Fernando Assis Pacheco
Morreu há 15 anos. Agradeço a APS o ter-mo recordado.