Prosimetron

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Os meus franceses - 435


Jano, o patrono de todos os começos


Estamos quase a celebrar o começo de um novo ano. Ao festejarmos a despedida do velho ano e a entrada num outro, retomamos uma tradição com muitos séculos, instituída por Júlio César que dedicou o primeiro dia de cada ano novo a Jano, deus do portões, também conhecido por deus das mudanças e transições (Jano tem poder sobre todos os começos). Por isso é que o primeiro mês de cada ano se chama Janeiro.

A todos aqueles que fazem este blogue e aos que o lêem, sinceros votos de um excelente 2016!

Humor pela manhã


Humor político, que já aqui não aparecia há algum tempo .

Bom dia !





Um dueto maravilhoso, numa gravação de 1960 .

Le musée des lettres et des manuscrits


Há dias fui ver o que se passava com este museu que da última vez que fui a Paris quis visitar e estava encerrado, mas continuava a vir nos guias com horário de abertura.
Este museu tinha dois pólos: um em Bruxelas e outro em Paris, no bd Saint-Germain, onde fui varias vezes. Conheci-o ainda na rue de Nesle, onde vi uma exposição sobre Saint-Éxupery. 
Então o que se passou? Foi encerrado, devido a uma investigação aos eu proprietário Gérard Lhéritier, fundador da sociedade Aristophil, suspeito de fraude organizada. Parece que se dedicava a comprar manuscritos em leilões que depois eram super super sobrevalorizados, para serem novamente vendidos.
Gérard Lhéritier dedicava-se a este negócio há mais de 20 anos e a sociedade Aristophil tinha mais de 16 000 clientes.
O Estado francês contou muitas vezes com a generosidade de Gérard Lhéritier para conseguir adquirir alguns tesouros nacionais. Um dos mais recentes, foi o manuscrito de Os 120 dias de Sodoma do Marquês de Sade que, comprado por sete milhões de euros,  Lhéritier pretendia tinha a oferecer à BnF dentro de cinco anos.
Referi-me a esta exposição aqui no Prosimetron.
Aristophil era ainda proprietário da revista Plume, que assinei, mas nunca recebi.


Para saberem mais, leiam aqui:
https://fr.wikipedia.org/wiki/Aristophil

Marcadores de livros - 309

Frente e reverso.

Foi o último a entrar cá em casa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Boa noite!

Leituras no Metro - 234

Lisboa: Companhia das Letras, 2015

Um livro que eu queria ler e que foi um presente de Natal. Comecei a lê-lo ontem e quase que o acabei.

«E era nos livros que eu me escorava, desde muito pequeno [...]. E quando não havia ninguém por perto, eu passava horas a andar de lad rente às estantes, sentia certo prazer em roçar a espinha de livro em livro. Também gostava de esfregar as bochechas nas lombadas de couro de uma coleção que, mais tarde, quando já me batiam no peito, identifiquei como os Sermões do padre António Vieira. E, numa estante acima dos Sermões, li aos quatro anos a minha primeira palavra: GOGOL.»
Havia muitas baratas em casa, devido aos livros: «Mamãe também estava familiarizada com as baratas, quando casou sabia bem o que a esperava. Não fosse uma mulher valente, teria dado meia-volta ao entrar pela primeira vez na casa do meu pai. Calculo que então, aos trinta e tantos anos, meu pai já tivesse quase a metade dos livros que juntou na vida. E, antes da minha mãe, imagino que essa livralhada, além de empilhada no escritório, atulhasse os dois quartos vagos dos futuros filhos, em forma de escombros de pirâmides astecas. Mamãe tratou logo de erguer estantes pelas paredes de sobrado, e ao engravidar decorou o quarto do bebê com livros de linguística e arqueologia, além da mapoteca, dos espanhóis e dos chineses. Para o meu quarto, dois anos mais tarde, reservou os escandinavos, a Bíblia, a Torá, o Corão e metros e metros de dicionários e enciclopédias. [...] Só em livros raros [meu pai] gastou metade da herança, ao vender a tipografia que meu avô Arnau de Hollander possuía no Rio de Janeiro. O suprassumo da biblioteca eram onze volumes hospedados num nicho da sala de visitas, como que um altar no centro da estante com espessas molduras de jacarandá que os segregavam dos livros por assim dizer plebeus. Essas raridades já foram doze, mas uma primeira edição de Hans Staden do século XVI fiz o favor de inutilizar. Foi num dia em que meu irmão me disse que, quando nasci, meu pai me tomou por um mongoloide. Eu nem sabia o que era mongoloide, foi a gargalhada do meu irmão que me acertou. Arrastei uma cadeira, alcancei o nicho e catei o livro que me pareceu mais sagrado, por causa das letras de ouro na capa dura. Espicacei página por página, depois ainda mijei em cima. A capa não consegui rasgar, e já tocava fogo nela quando mamãe chegou e meu deu um tapa na cara qu nem doeu. Mas quando meu pai desceu as escadas com o chinelo na mão, me caguei todo e mijei o que não tinha para mijar.» (p. 15-17)

Retrato de Hans Staden feito por H. J. Winkelmann, em 1664
Página de História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens (Marburgo, 1557)

domingo, 27 de dezembro de 2015

Flores

Para MR
Expresso o agradecimento pelo presente que aqui deixou. :))



Boa noite!

Canções de Natal - 29a

Não querendo "perturbar" de todo esta bela série de canções natalícias de MR, escolhi uma canção (e só uma) que me é particularmente querida, ainda que o original de Harry Belafonte de 1957, já aqui postado, seja imbatível: Mary's Boy Child, interpretada por Tom Jones numa abordagem muito própria deste cantor do País de Gales em 1970. Uma boa noite a todos! 

Canções de Natal - 29

Linha do tempo

As Reencarnações de Pitágoras,um livro bonito de fácil leitura, 
"(...) um resumo poético de algumas transmigrações que Pitágoras viveu ao longo dos séulos, desde a Mesopotâmia aos dias de hoje." - introdução de Téophile Morel.


ANDRONIKOS criou uma linha para coser todos os homens uns aos outros, de modo que, quando morresse um, morressem todos. 
E, quando um fosse eterno, vivessem todos.
Chamou-lhe linha do tempo, e ainda hoje a usamos para coser os nossos destinos.

Afonso Cruz, As Reencarnações de Pitágoras, (ilustradas por Susa Monteiro) "Enciclopédia da Estória Universal" Lisboa: Alfaguarda, 2015, p. 12 e 13.

Frutas - 115

http://www.chrissandvoyage.com/banane-flambee.php

Banana flamblée ao rum foi a sobremesa do meu almoço. E estava muito boa, a saber a rum.

Caixa do correio - 52

Hugo d'Alesi

Recebi um postal com este cartaz no verão, mas guardei-o para o postar agora. Como seria agradável passar uns dias em Nice... :)
Um dia destes postarei mais uns cartazes de Hugo d'Alesi que nasceu na Transilvânia com o nome de Frédéric Alexianu e faleceu em Paris. Desenhou muitos cartazes para a companhia de caminhos de ferro francesa, para companhias de navegação e para construtoras de automóveis. 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Canções de Natal - 28

Dois presépios das Irmãs Flores

Presépio de cantarinha 

Para a Isabel, que gosta de presépios. Estes são de Estremoz.
Também não me importava de os ter.)

E que deixou o Pai Natal na árvore para os nossos visitantes?

Para a Isabel: Espero que goste da Aldina Duarte.



Para a Cláudia Ribeiro: um chá para a tarde.


Para o João Menéres: Não me esqueci! :)

Para a Margarida Elias: A exposição a que se refere este catálogo está na National Gallery (Londres) até 28 de março de 2016.

Yale University Press, 2015

Para Maria Franco: uma boa seleção de canções francesas.



Para Miss Tolstoi: Espero que goste. É do seu Leonard Cohen.

Para Presépio no Canal: Um guia da Amesterdão desconhecida. E pode escolher a língua.
2.ª ed. Paris: Jonglez, 2015

Um dia feliz para todos!

Os meus presentes para os prosimetronistas

Deixo-vos umas virtualidades, com votos de Bom Natal:

http://www.comofazeremcasa.net/selecao-de-arvores-de-natal-diferentes-e-criativas-para-inspiracao/

Um livro para o Luís: E quando experimentar alguma destas receitas, não se esqueça de nos convidar para provarmos.

  
Paris: BnF, 2015

Um livro para a Ana:
Paris: Ed. Carpentier, 2015

«Françoise Hardy est partie d'une idée simple, prendre le meilleur de ces chanteurs américains qu'elle écoutait adolescente sur Radio Luxembourg et composer des chansons pop. Le plan a bien fonctionné. Trop bien, peut-être. En quelques mois, presque contre son gré, la sage étudiante en propédeutique de lettres est devenue la nouvelle idole des teenagers européens. De ce premier vinyle acidulé au succès immédiat, "Tous les garçons et les filles de mon âge", en 1962, à "L'Amour fou", en 2012, Françoise Hardy a traversé les modes, semant sur son trajet des perles ignorées du grand public comme "L'Eclairage" ou "La Question". Si l'on juge une icône pop à la qualité de ses fans (Bob Dylan, Mick Jagger, Etienne Daho, Jacno, Nick Drake, Keren Ann, Bertrand Burgalat, Damon Albarn...), il n'y a guère qu'une Marianne Faithfull qui puisse rivaliser, à cette altitude. Tant de belles choses retrace une carrière qui s'étend sur plus de cinq décennies. Les chansons, les films, les albums, les amitiés, les amours, les rencontres, les passions, les regrets, les belles et moins belles choses qui ont marqué la vie de celle que le magazine Time Life baptisa la yeh-yeh girl from Paris... Tout est là !» (Da apresentação do editor)

Para o João M. e S.:


Para o Filipe: Presentes de Nuremberga.

Para o JP:
Cambridge: Cambridge University Press, 2015

Para o MLV:
Lisboa: Planeta, 2015

Para o João Soares:
Lisboa: Orfeu Negro, 2015

Deixei meu sapatinho na janela do quintal...


La Bible moralisée, chamada de Filipe, o Temerário, data de 1402-1404. É uma obra dos Irmãos Limbourg e encontra-se na Bibliothèque nationale de France.

Para o Jad, com desejos que o Pai Natal lá tenha deixado algo.

Natal


Uma viagem inesquecível pela Pomerânia em Setembro passado, na óptima companhia de um prosimetronista, levou-me (-nos) ao Museu Estatal de Schwerin, capital do Estado Mecklenburg-Vorpommern. Das inúmeras obras expostas, recordo-me em particular desta belíssima tela da autoria de Abraham Bloemaert (1566 - 1651), A Adoração dos Pastores.
Bloemaert aprendeu o ofício artístico junto de cinco mestres, entre eles, o próprio pai Cornelis Bloemaert. Viveu em Paris e Amesterdão, mas regressou à sua cidade natal de Utrecht em 1593, onde permaneceria até ao fim da sua vida. Alcançou reputação pela abordagem de temas religiosos e mitológicos. Católico nos Países Baixos predominantemente protestantes, realizou vários trabalhos por encomenda da Igreja Católica local. No apogeu da sua carreira a partir de 1620, mudou gradualmente o seu estilo, seguindo curiosamente o exemplo de alunos seus, como Gerrit van Honthorst ou Hendrick ter Bruggen, e aproximando-se da pintura de Caravaggio.
A Adoração dos Pastores em cores muito vivas data de 1620, de uma fase ainda jovem.  
A todos, um Bom Natal!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Para o nosso Presépio

Depressa, depressa! - antes que cheguemos tarde...

Da autoria dos Irmãos Baraça, de Barcelos.

Boa noite!

Para a consoada de HMJ e APS

O que está lá dentro, só saberemos depois de aberta a cesta. :)

Bom Natal!

Boas Festas!


E um feliz 2016 a todos!



Pacotes de açúcar - 117

Três pacotes da Delta.

José Maria do Espírito Santo Silva

Faleceu há 100 anos o primeiro banqueiro Espírito Santo. O que ele não imaginaria é que 100 anos depois o banco estaria falido, dividido em dois com os maravilhosos nomes de Novo Banco e Banco Mau.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Boa noite!

Helmut Schmidt, que teria feito hoje 97 anos, toca Bach. 

Helmut Schmidt - Kanzler & Pianist / Helmut Schmidt außer Dienst

Christstollen e Thüringer Mohnkuchen

Ambos deliciosos. :)

Obrigada a quem os fez e ofereceu.

Leituras no Metro - 233

Lisboa: Zero a 8, 2015

Em duas viagens de Metro, li este livro que comprei para os meus netos, que andam muito interessados em biografias da realeza. [Mau. Maria!!!... :)]
A biografia, que se lê bem, é escrita por Ana Oom e apresenta D. Leonor como uma santa. Santa, mas  não tanto... Talvez fosse de referir que se suspeita que ela envenenou o marido, sendo essa a causa da morte de D. João II.
Também em nenhuma parte se refere que a rainha devia odiar o rei por este lhe ter executado o irmão,  duque de Viseu, e decapitado o cunhado, duque de Bragança. Apesar das razões que levaram D. João II  a fazê-lo.
Há muito que não via ilustrações de Carla Pott, mas não gosto destas.

Do Natal - 3

A terceira escolha é também um Tronco de Natal, mais um porque este é realmente original : uma criação do chef Pierre Hermé  inspirado no trabalho de Giuseppe Penone , o cacau em todas as suas declinações e variantes . Chama-se Perpétua Penone  www.pierreherme.com

Humor pela manhã


A caixa multibanco mais inútil de Lisboa, pelo menos a partir de certa hora . Fica na Av.de Berna . Ao menos previne-se o consumo excessivo :)

Bom dia !





Um antigo guitarrista que tem um talento vocal muito apreciável . Descobri e fiquei fã .

Votos de um Feliz Natal!

Desejo a todos um Feliz Natal!

Retábulo da Natividade, Antuérpia, c. 1530, Museu Nacional Machado de Castro


Madeira policromada, 106,5 x 162 x 29,5 cm


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Boa noite!


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar

e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seus seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
[...]

Viriato da Cruz

O pior do ano


Não sou muito de listas nem de prémios ao fim de cada ano, mas abro aqui uma excepção para este novo livro da dra.Emília Pinheiro, portuguesa a viver no Brasil , que me parece ter realmente o pior título do ano .