Prosimetron
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
De Hélder Moura Pereira - 2
Quieto deixarei no tempo da tua ausênciatudo no mesmo sítio, um écran passa
aos meus olhos numa velocidade calculada,
na minha estreita rua continua havendo papéis
e folhas distraindo atenções por outras
letras, pequenas palavras desbotando
do seu azul para larga mancha, verso destruído.
Traços de pó nos vidros e eu a mirá-los, nada
faz com que saia desta cadeira e queira ver
o outro sol que se esconde por trás das imagens.
A meio da alegria recusei o fácil caminho
da aceitação, ia dar a cisternas sem espelhos,
não sei como faria depois, olhar para dentro
da terra e não ver a cara do homem. Os ciclos
da vida organizam o tempo, cansado era
de objectos e cores, repito a colocação
das mãos, reaprendo mais vontades para lá
do corpo. Quieto, sem horas para nada,
aguardo o teu regresso.
- Hélder Moura Pereira, DE NOVO AS SOMBRAS E AS CALMAS- Poesia 1976/1990, Contexto, 1990.
Poema das flores

«Pequeno Jardim», Rua Garrett, Lisboa.
POEMA DAS FLORES
Se com flores se fizeram revoluções
que linda revolução daria este canteiro!
Quando o clarim do sol toca a matinas
ei-las que emergem do nocturno sono
e as brandas, tenras hastes se perfilam.
Estão fardadas de verde clorofila,
botões vermelhos, faixas amarelas,
penachos brancos que se balanceiam
em mesuras que a aragem determina.
É do regulamento ser viçoso
quando a seiva crepita nas nervuras
e frenética ascende aos altos vértices.
São flores e, como flores, abrem corolas
na memória dos homens.
Recorda o homem que no berço adormecia,
epiderme de flor num sorriso de flor,
e que entre flores correu quando era infante,
ébrio de cheiros,
abrindo os olhos grandes como flores.
Depois, a flor que ela prendeu entre os cabelos,
rede de borboletas, armadilha de unguentos,
o amor à flor dos lábios,
o amor dos lábios desdobrado em flor,
a flor na emboscada, comprometida e ingénua,
colaborante e alheia,
a flor no seu canteiro à espera que a exaltem,
que em respeito a violem
e em sagrado a venerem.
Flores estupefacientes, droga dos olhos, vício dos sentidos.
Ai flores, ai flores das verdes hastes!
A César o que é de César. Às flores o que é das flores.
António Gedeão
In: Poemas póstumos. Lisboa: João Sá da Costa, 1984, p. 21-23
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Mario Del Monaco : Nessun dorma
Puccini : Turandot : Nessun dorma... cantado por Mario Del Monaco
Turandot é a última ópera de Giacomo Puccini. Composta em três actos, com libreto de Giuseppe Adami e Renato Simoni. Estreou no Teatro Alla Scala em Milão a 25 de Abril de 1926, sob a direcção de Arturo Toscanini.
Puccini morreu a 29 de novembro de 1924 deixando a ópera incompleta. Será Franco Alfano que a completará.
No dia da estreia Artur Toscanini, na cena de morte de Liù, virou-se para a plateia e disse: "Senhoras e Senhores, aqui parou Giacomo Puccini". Segundo reza a lenda fez isso porque não gostava do final de Franco Alfano.
Curiosidade do dia

Foi neste mesmo dia, mas no ano de 1901, que King Camp Gillette registou a patente do primeiro aparelho de barbear. Uma invenção que viria a revolucionar um dos rituais no universo masculino. Numa manhã quente de 1895 este americano, funcionário da Companhia de Selos de Baltimore, idealizou uma nova forma de barbear, mais prática e que substituísse a tradicional navalha. Mais tarde e com a ajuda de um engenheiro mecânico Gillette começou a produzir os primeiros aparelhos que permitiam um barbear de longa durabilidade com recurso a pequenas lâminas de aço, afiadas dos dois lados e com a vantagem de serem descartáveis. Depois disso o desafio maior foi o de mudar os hábitos de barbear vigentes na época. Durante a Primeira Guerra Mundial, um grande passo foi dado nesse sentido, quando Gillette enviou um aparelho de barbear a cada soldado americano, cerca de 3,5 milhões de aparelhos e 36 milhões de lâminas. A ideia resultou em pleno criando naqueles militares o hábito de se barbearem em casa evitando as idas ao barbeiro. A partir daí a marca, uma das mais poderosas a nível global não mais parou e hoje quase um bilião de pessoas usa um produto Gillette todos os dias.Faces de Eva
Apresentação do n.º 20 da revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, dedicado a Simone de Beauvoir. Maria Luísa Ribeiro Ferreira fará uma comunicação intitulada «Simone de Beauvoir: uma filósofa para o século XXI?» e será exibido o filme Simone de Beauvoir: une femme actuelle, de Dominique Gros.
3 Dez., às 19h00
Instituto Franco-Português (Mediateca)
Avenida Luís Bívar, 91
Lisboa
Poesia e prosa de Natal - 2
Escutei os sinos no dia de Natal,
Tocando os cânticos familiares;
Vibrantes e doces,
As palavras repetem-se:
« Paz na Terra aos homens de boa vontade! »
- Henry Wadsworth Longfellow
Tocando os cânticos familiares;
Vibrantes e doces,
As palavras repetem-se:
« Paz na Terra aos homens de boa vontade! »
- Henry Wadsworth Longfellow
Os meus poemas -7
LÍRIO DE S. DAMIÃO
Lá vai...É longa a estrada e pedregosa.
Rasgam-lhe o manto rude a silva e o cardo.
Já tudo é espinho e tudo fora rosa.
Onde estais, berço de oiro, óleos de nardo?
Lá vai...A noite é negra e tenebrosa.
O medo é aguda espada, fino dardo.
No rasto da possessa e da leprosa
Seguem-lhe os passos nus lobo e javardo.
Já nem se lembra que é donzela em flor.
Tornam-lhe os pés em chaga, as mãos em dor,
Irmã Chuva, Irmã Pedra, Irmã Raiz.
Corta-lhe Deus o derradeiro laço
e lá vai, pomba argêntea, pelo espaço...
-lírio de S. Damião, Clara de Assis.
Fernanda de Castro
(1900-1994)
Lá vai...É longa a estrada e pedregosa.
Rasgam-lhe o manto rude a silva e o cardo.
Já tudo é espinho e tudo fora rosa.
Onde estais, berço de oiro, óleos de nardo?
Lá vai...A noite é negra e tenebrosa.
O medo é aguda espada, fino dardo.
No rasto da possessa e da leprosa
Seguem-lhe os passos nus lobo e javardo.
Já nem se lembra que é donzela em flor.
Tornam-lhe os pés em chaga, as mãos em dor,
Irmã Chuva, Irmã Pedra, Irmã Raiz.
Corta-lhe Deus o derradeiro laço
e lá vai, pomba argêntea, pelo espaço...
-lírio de S. Damião, Clara de Assis.
Fernanda de Castro
(1900-1994)
Novidades - 1 : Pasolini
Começo esta nova rubrica, que se destina a divulgar novidades literárias, com a reedição de Descrizioni di descrizioni, pela editora Garzanti, de Milão.
Trata-se de um volume póstumo, que reúne parte do jornalismo literário de Pasolini dos anos 70. São escritos sobre Italo Calvino, Moravia, Leonardo Sciascia, Dostoievsky, Giovanni Pascoli, Roberto Longhi, entre outros.
Esta nova edição conta com uma introdução de Giampaolo Dossena, e foi editada por Graziela Chiarcossi.
Descrizioni di descrizioni, Pier Paolo Pasolini, ed. Graziela Chiarcossi, 622pp, Milano, Garzanti.
Trata-se de um volume póstumo, que reúne parte do jornalismo literário de Pasolini dos anos 70. São escritos sobre Italo Calvino, Moravia, Leonardo Sciascia, Dostoievsky, Giovanni Pascoli, Roberto Longhi, entre outros.
Esta nova edição conta com uma introdução de Giampaolo Dossena, e foi editada por Graziela Chiarcossi.
Descrizioni di descrizioni, Pier Paolo Pasolini, ed. Graziela Chiarcossi, 622pp, Milano, Garzanti.
Calendário de Advento: 2 de Dezembro
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Ária "Bereite dich Zion" da Oratória de Natal de Johann Sebastian Bach, interpretada por Andreas Scholl, acompanhado pela Akademie für Alte Musik sob a direcção de René Jacobs
Os meus franceses - 31
Françoise Hardy - «Tant de belles choses» (2004)
Letra de Françoise Hardy; música de Pascale Daniel e André Lubrano
Letra de Françoise Hardy; música de Pascale Daniel e André Lubrano
Nos 50 anos do Doutor Jivago

Vou transcrever o mais pequeno poema de Iuri Jivago. E para quando uma edição portuguesa dos poemas de Pasternak?
EMBRIAGUÊS
A hera enlaça-se ao salgueiro
Que nos protege do mau tempo.
Um manto envolve-nos os ombros
Quando te enlaço estreitamente.
Não. Embriaguês, e não a hera,
O que se solta do arvoredo.
E deste manto, já por terra,
Façamos antes um tapete.
Trad. de David Mourão Ferreira
In: O Doutor Jivago. Lisboa: Betrand, s.d., p. 596
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Dezembro - 1
Aqui fica o meu presente na abertura da primeira casa do calendário do Advento
Pyotr Ilyich Tchaikovsky : Щелкунчик [Shchelkunchik](Quebra-Nozes)
Pyotr Ilyich Tchaikovsky : Щелкунчик [Shchelkunchik](Quebra-Nozes)
Uma lira turca semelhante a 2 Euro
Os meus poemas -6
AMASTE O VOO
A Jacinto do Prado Coelho
em Teixeira de Pascoaes
Amaste o voo, o infinito, a chave
Invisível da voz. E foste a própria ave,
Abrindo a cifra, a fronde dos seus medos.
Abrindo a cifra das acesas fráguas.
Lendo a secura triste dos penedos
Completaste o secreto eco das águas.
Seguiste o tocador dos instrumentos
Cinzentos, sedentos. Movimentos
De aparições, tremendo ao sol dos ventos,
Contradições de cor e de agonia.
E foste o tocador dos instrumentos
No alvo espaço em cruz dos seus momentos
Teu alvo tempo e alar sabedoria.
Natércia Freire
(1920-2004)
A Jacinto do Prado Coelho
em Teixeira de Pascoaes
Amaste o voo, o infinito, a chave
Invisível da voz. E foste a própria ave,
Abrindo a cifra, a fronde dos seus medos.
Abrindo a cifra das acesas fráguas.
Lendo a secura triste dos penedos
Completaste o secreto eco das águas.
Seguiste o tocador dos instrumentos
Cinzentos, sedentos. Movimentos
De aparições, tremendo ao sol dos ventos,
Contradições de cor e de agonia.
E foste o tocador dos instrumentos
No alvo espaço em cruz dos seus momentos
Teu alvo tempo e alar sabedoria.
Natércia Freire
(1920-2004)
From Russia with love - tributo a Matt Monro
Matt Monro nasceu em Londres a 1 de Dezembro de 1930. Após o serviço militar em Hong Kong, regressou à capital britânica onde se empregou como condutor de autocarros.
Descoberto pela pianista Winifred Atwell, Monro, contratado pela Decca, iniciou as suas primeiras gravações – com pouco êxito comercial, apesar de algumas aparições radiofónicas na Radio Luxembourg e na BBC. O momento decisivo de viragem ocorreu quando o produtor da EMI, George Martin, procurava uma voz que inspirasse Peter Sellers a copiar o melhor possível o timbre e o estilo de Frank Sinatra para o álbum previsto Songs for Swinging Sellers. A gravação de Monro foi tão extraordinária que Martin contratou o jovem artista desconhecido para a EMI.
Assim, e a partir de 1960, Matt Monro marcava presença regular nos charts britânicos. Canções como Portrait of my love, From Russia with love (banda sonora do 007) ou Born Free (banda sonora do filme homónimo) tornaram-no conhecido de um vasto público. Walk away foi o maior sucesso, uma versão cover de Warum nur, warum do austríaco Udo Jürgens que, em 1964, representara o seu país no Festival Eurovisão da Canção (nessa mesma edição, Matt Monro concorria pelo Reino Unido com I love the little things, tendo-se classificado em 2º lugar).Os admiradores do Singing Bus Driver dificilmente encontram uma gravação na YouTube, que transmita adequadamente a categoria vocal deste artista. Segue, como pequeno tributo, From Russia with love de 1963 que nos mostra Monro, Connery, a leading bond girl Daniela Bianchi em imagens bem cativantes e a fascinante Lotte Lenya (no seu papel menos fascinante...)
Vítima de cancro, Matt Monro morreu aos 54 anos em 1985.
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A bandeira e a Restauração
Com a Restauração de 1640, a bandeira sofre uma modificação: o escudo passa a ter o fundo em forma redonda, o chamado modelo português. E é a partir do reinado de D.João IV que, à semelhança do que já acontecia noutros estados europeus, passam a existir duas bandeiras distintas: a real ( que é o estandarte pessoal do soberano, a bandeira do rei ) , e a do reino, esta imutável ( mais ou menos, como sabemos...) .Os meus franceses - 30
Adamo - «Tombe la neige»
Letra e música de Salvatore Adamo (1963).
Adamo não é francês; nasceu em Itália, tendo emigrado muito jovem com a família para a Bélgica.
http://www.adamosalvatore.com/
Letra e música de Salvatore Adamo (1963).
Adamo não é francês; nasceu em Itália, tendo emigrado muito jovem com a família para a Bélgica.
http://www.adamosalvatore.com/
Poesia e prosa de Natal - 1
Mais um desafio a Filipe Vieira Nicolau, Jad, João Mattos e Silva, João Soares, Luís Barata e MLV, desta vez para colocarmos literatura sobre o Natal.
Eu começo com um poema de David Mourão-Ferreira.
ELEGIA DE NATAL
Era também de noite Era também Dezembro
Vieram dizer-me que o meu irmão nascera
Já não sei afinal se o recordo ou se penso
que estou a recordá-lo à força de o dizerem
Mas o teu berço foi o primeiro presépio
em que pouco depois o meu olhar pousava
Não era mais real do que existirem prédios
nem menos irreal do que haver madrugadas
Dezembro retornava e nunca soube ao certo
se o intruso era eu se o intrus eras tu
Quase aceitava até que alguém te supusesse
mais do que meu irmão um gémeo de Jesus
Para ti se encenava o palco da surpresa
Entravas no papel de que eu ia descrendo
Mas sabia-me bem salvar a tua crença
E era sempre de noite Era sempre em Dezembro
Entretanto em que mês em que dia é que estamos
Que verdete corrói prédios e madrugadas
De que muro retiro o musgo desses anos
que entre os dedos depois se me desfaz em água
Para onde levaste a criança que foste
Em vez da tua voz que ciprestes são estes
Como dizer Natal se te não vejo hoje
Como dizer Natal agora que morreste
David Mourão-Ferreira
Eu começo com um poema de David Mourão-Ferreira.
ELEGIA DE NATAL
Era também de noite Era também Dezembro
Vieram dizer-me que o meu irmão nascera
Já não sei afinal se o recordo ou se penso
que estou a recordá-lo à força de o dizerem
Mas o teu berço foi o primeiro presépio
em que pouco depois o meu olhar pousava
Não era mais real do que existirem prédios
nem menos irreal do que haver madrugadas
Dezembro retornava e nunca soube ao certo
se o intruso era eu se o intrus eras tu
Quase aceitava até que alguém te supusesse
mais do que meu irmão um gémeo de Jesus
Para ti se encenava o palco da surpresa
Entravas no papel de que eu ia descrendo
Mas sabia-me bem salvar a tua crença
E era sempre de noite Era sempre em Dezembro
Entretanto em que mês em que dia é que estamos
Que verdete corrói prédios e madrugadas
De que muro retiro o musgo desses anos
que entre os dedos depois se me desfaz em água
Para onde levaste a criança que foste
Em vez da tua voz que ciprestes são estes
Como dizer Natal se te não vejo hoje
Como dizer Natal agora que morreste
David Mourão-Ferreira
Canções de Natal - 1
Ao Filipe Vieira Nicolau, Jad, João Mattos e Silva, João Soares, Luís Barata e MLV:
E se fizéssemos esta «secção» em conjunto?
Para já deixo um clássico:
Bing Crosby - «White Christmas»
Canção de Irving Berlin do filme Holiday Inn (1942), com Bing Crosby e Marjorie Reynolds, aqui com a voz dobrada por Martha Mears.

E esta, que foi a primeira que aprendi:
»O Tannenbaum»
E se fizéssemos esta «secção» em conjunto?
Para já deixo um clássico:
Bing Crosby - «White Christmas»
Canção de Irving Berlin do filme Holiday Inn (1942), com Bing Crosby e Marjorie Reynolds, aqui com a voz dobrada por Martha Mears.

E esta, que foi a primeira que aprendi:
»O Tannenbaum»
domingo, 30 de novembro de 2008
Andrea Palladio (1508-1580)
MR. fez e programou um post sobre os 500 anos do nascimento de Palladio. Esse post desapareceu, mas eu consegui recupera-lo. Aqui fica, para ilustração e conhecimento de todos:

Andrea di Pietro della Gondola, conhecido como Palladio, nasceu em Pádua no dia de Santo André, 30 de Novembro de 1508, faz hoje precisamente 500 anos.
Desenvolveu os ensinamentos dos tratados de Vitrúvio (século I a.C.), tendo concebido a arquitectura como uma organização de espaços e projectado as fachadas em função da volumetria interna dos edifícios.

O seu projecto mais importante é Villa Capra, ou La Rotonda (Vicenza), que, integrando os aspectos fundamentais da sua obra, é considerado como um resumo dela.

Pallazzo Thiene (Vicenza)

Teatro Olímpico de Vicenza
É autor de L'antichita di Roma (1566) e de I quattro libri dell' Architettura (1581).
A exposição Palladio 500 anni encontra-se presentemente no Palazzo Barbaran da Porto, em Vicenza, onde pode ser visitada até 6 de Janeiro de 2009. Depois vai para Londres, onde inaugura a 31 de Janeiro na Royal Academy of Arts, ficando patente até 13 de Abril do próximo ano.
http://www.andreapalladio500.it
E já agora, acrescento eu, a tão falada viagem a Londres poderia ser por esta altura...

Andrea di Pietro della Gondola, conhecido como Palladio, nasceu em Pádua no dia de Santo André, 30 de Novembro de 1508, faz hoje precisamente 500 anos.
Desenvolveu os ensinamentos dos tratados de Vitrúvio (século I a.C.), tendo concebido a arquitectura como uma organização de espaços e projectado as fachadas em função da volumetria interna dos edifícios.

O seu projecto mais importante é Villa Capra, ou La Rotonda (Vicenza), que, integrando os aspectos fundamentais da sua obra, é considerado como um resumo dela.

Pallazzo Thiene (Vicenza)

Teatro Olímpico de Vicenza
É autor de L'antichita di Roma (1566) e de I quattro libri dell' Architettura (1581).
A exposição Palladio 500 anni encontra-se presentemente no Palazzo Barbaran da Porto, em Vicenza, onde pode ser visitada até 6 de Janeiro de 2009. Depois vai para Londres, onde inaugura a 31 de Janeiro na Royal Academy of Arts, ficando patente até 13 de Abril do próximo ano.
http://www.andreapalladio500.it
E já agora, acrescento eu, a tão falada viagem a Londres poderia ser por esta altura...
Na Biblioteca Nacional de Portugal
Os meus poemas -5
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Fernando Pessoa
(1888- 30.11.1935)
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Fernando Pessoa
(1888- 30.11.1935)
Luxo sem etiqueta
O tipo desce na estação de metro vestindo jeans, t-shirt e boné,
encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a
tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora
rush matinal.
Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos
traseuntes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos
maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas
num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais
de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde
os melhores lugares custam a 'bagatela' de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar
rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, crachá balançando no
pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo
jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor,
contexto e arte.
Conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num
contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem
etiqueta de glamour.
Somente uma mulher reconheceu a música...
O Advento
Celebra-se hoje o primeiro domingo de Advento. A expressão Advento, num contexto natalício, pouco familiar é aos portugueses.Nos países de tradição germânica, as quatro semanas que antecedem o Natal são conhecidas precisamente pelo tempo do Advento, em que se aguarda a vinda de Cristo na noite de Consoada. A igreja católica, que inicia hoje um novo ano litúrgico, sugere aos seus fiéis um tempo de preparação interior e de reflexão.
Inúmeras são as canções de Advento e de Natal que acompanham esta época. Infindáveis são as receitas de pastelaria que enriquecem os hábitos alimentares durante estes dias. Qualquer localidade, por mais pequena que seja, oferece aos seus habitantes um mercado de Natal, recheado de todos os acessórios típicos desta época.
Em suma, o Advento, vivido intensamente por crianças e adultos, representa uma das mais belas estações do ano.
A coroa de Advento na primeira imagem é indispensável em qualquer lar alemão: a partir de hoje, e nos seguintes domingos até ao Natal, acende-se uma vela.
Outra tradição característica agrada em particular às crianças: o calendário de Advento, composto por 24 janelas, esconde uma surpresa para cada dia entre 1 e 24 de Dezembro. Na maioria dos calendários, são figuras natalícias de chocolate que garantem uma espera ansiosa pela 24ª janela.
Por isso, terão os estimados leitores também a possibilidade de abrir simbolicamente 24 janelas até ao Natal: um calendário de Advento, adaptado ao mundo da blogoesfera, a partir de amanhã.
E por fim: Novembro com Carlos Seixas
Com o fim do mês de Novembro à vista, chegámos também ao fim de uma pequena viagem pelo mundo da música barroca ao longo das últimas cinco semanas. O percurso seria incompleto sem uma referência a compositores portugueses da época. Carlos Seixas e o seu célebre e belo concerto em Lá maior para cravo terminam esta trajectória (não foi possível identificar o conjunto, tratar-se-á eventualmente de uma gravação realizada pela Norwegian Baroque Orchestra sob a direcção de Ketil Haugsand). Como introdução ao concerto, seguem algumas notas sobre Seixas da autoria de João Pedro d'Alvarenga:
"José António Carlos de Seixas foi o mais proeminente compositor português de música para instrumentos de tecla na primeira metade do século XVIII. Nasceu em Coimbra aos 11 de Junho de 1704, filho de Francisco Vaz, organista da Sé, e de sua mulher, Marcelina Nunes. Desconhecem-se os motivos que o levaram a adoptar o apelido Seixas, em desfavor do apelido paterno, sendo mais vulgarmente conhecido no seu tempo apenas pelos nomes de baptismo, José António Carlos, como aparece em inúmeras cópias das suas obras.
Falecido Francisco Vaz pelos princípios de 1718, foi logo Carlos Seixas, aos 9 de Fevereiro desse mesmo ano, provido no lugar de organista da Sé de Coimbra, com o mesmo salário de seu pai. Dois anos depois, 1720, mudou-se para Lisboa "com intento de ser ecclesiastico", obtendo nomeação para um lugar de organista na Santa Igreja (ou Basílica) Patriarcal, ficando a dúvida se esta era a Capela Real, ao tempo sediada no Paço da Ribeira, ou se era a Basílica de Santa Maria Maior, junto da qual morava.
Pelos escassos documentos que subsistem e pelo primeiro escorço biográfico do compositor, publicado em 1759 por Diogo Barbosa Machado no volume IV da sua Bibliotheca Lusitana, ficamos a saber que, nos primeiros anos da sua estada em Lisboa, Seixas "ensinava cravo nesta cortte por algü cazas"; que "atrhaido de hum sincero affecto", casou aos 8 de Dezembro de 1731 com D. Joana Maria da Silva, de quem teve dois filhos e três filhas; que aos 21 de Maio de 1738, adquiriu a propriedade de um dos ofícios de contador da Ordem de Santiago; e que se fez também militar, assentando praça aos 30 de Junho de 1733 na Companhia de Ordenanças do Paço, comandada pelo Visconde de Barbacena, de que foi alferes, e, depois, capitão, obtendo por despacho régio de 12 de Novembro de 1738 o hábito da Ordem de Cristo, ao cabo de um longo processo de habilitação que durou nove anos.
Pelos escassos documentos que subsistem e pelo primeiro escorço biográfico do compositor, publicado em 1759 por Diogo Barbosa Machado no volume IV da sua Bibliotheca Lusitana, ficamos a saber que, nos primeiros anos da sua estada em Lisboa, Seixas "ensinava cravo nesta cortte por algü cazas"; que "atrhaido de hum sincero affecto", casou aos 8 de Dezembro de 1731 com D. Joana Maria da Silva, de quem teve dois filhos e três filhas; que aos 21 de Maio de 1738, adquiriu a propriedade de um dos ofícios de contador da Ordem de Santiago; e que se fez também militar, assentando praça aos 30 de Junho de 1733 na Companhia de Ordenanças do Paço, comandada pelo Visconde de Barbacena, de que foi alferes, e, depois, capitão, obtendo por despacho régio de 12 de Novembro de 1738 o hábito da Ordem de Cristo, ao cabo de um longo processo de habilitação que durou nove anos.
Carlos Seixas faleceu em Lisboa na sua casa por detrás da Igreja de Santo António da Sé, sendo sepultado aos 26 de Agosto de 1742 nos covais da Irmandade do Santíssimo Sacramento daquela igreja." <
Citações - 5
" (...) com a lista dos fundadores, administradores e membros dos vários órgãos sociais do banco [ BPN ] quase se pode conceber um deprimente museu de cera do bloco central ( ou um comboio fantasma comemorativo do pior que teve o cavaquismo). Finalmente, porque a solução para toda esta embrulhada ( refiro-me à nacionalização do banco) foi eminentemente política. (...) "
- Pedro Norton, in VISÃO, 27/11/2008, p.58
Adorei esta do museu de cera do bloco central. Aliás, vale a pena ler todo o artigo.
- Pedro Norton, in VISÃO, 27/11/2008, p.58
Adorei esta do museu de cera do bloco central. Aliás, vale a pena ler todo o artigo.
Saramago no CCB
caligrafias
caligrafias- uma realidade inquieta é o título de uma exposição sobre o diálogo entre a pintura e a escrita no século XX. Obras de Almada Negreiros, Ana Hatherly, E.Mello e Castro, Escada, João Vieira, Emerenciano, Gracinda Candeias, entre outros.Até 15 de Janeiro de 2009. No Museu das Comunicações ( R. do Instituto Industrial, 16)
E já que se falou de comics...
Batman
Para o João Soares e Luís Barata e não só... um filme com um dos nossos heróis que, segundo as noticias, tem a morte anunciada este fim do mês.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351313
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351313
Monet e os impressionistas - II
Estive hoje na Galeria de New South Wales, em Sydney, onde está exposta "Monet e os Impressionistas", que essencialmente apresenta a colecção do Museum of Fine Arts, de Boston (EUA). Muito balsâmica, com a constante redescoberta da luz e do movimento. Gostei particularmente do "Meadow at Giverny", talvez por não me lembrar de o ter visto antes, talvez pela impressão...
Enquanto pesquisava mais informação sobre o quadro, deparei com uma descrição do Museu de Belas Artes de Boston, que me fez lembrar a série do Luís Barata sobre "Pintar a solidão", muito em linha com a impressão ao ver o quadro:
Claude Monet: Meadow at Giverny, 1886, Museum of Fine Arts, Boston
Enquanto pesquisava mais informação sobre o quadro, deparei com uma descrição do Museu de Belas Artes de Boston, que me fez lembrar a série do Luís Barata sobre "Pintar a solidão", muito em linha com a impressão ao ver o quadro:
"Meadow at Giverny" does not have an obvious focal point: no figure, structure, or natural feature attracts the viewer's attention. The high-keyed palette and, especially, the insistence on pattern further contribute to our sense of it as a decorative painting, in the best sense of the term - as a work concerned, above all, with the very qualities of color and pattern. It is also a painting of loneliness. The only element that breaks from the pattern of horizontals is the tree in the background that frees itself from its neighbors. Were the tree a human figure, it could be described as displaying itself against the sky in a gesture of defiance or triumph. A tree is not a human being, of course, yet the temptation to read the one for the other is strong. This tree is isolated, mirroring the position of the viewer looking at this deserted, if colorful, meadow.
(Museum of Fine Arts, Boston)
Infelizmente a beleza da exposição foi um pouco estremecida por alguns dos visitantes: perante duas imagens da mesma paisagem, um dos patronos comentava à mulher "o carro deve-se ter avariado, o tipo teve que pintar a mesma coisa duas vezes!"; noutro momento, uma mulher virava-se para o marido a dizer alto e bom som: "bem, eu gosto!".
Mas não há estremecimento suficiente para me tirar o sorriso de voltar a ver a obra de Monet. Talvez ainda volte antes de regressar à Europa.
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Claude Monet (1840-1926),
Pintura,
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Sydney
O génio de Oscar - 3
«Amar-se a si próprio é o princípio de um romance para a vida inteira.»
Oscar Wilde

O DISCÍPULO
Quando Narciso morreu, o seu lago de prazer passou de uma taça de doces águas para um cálice de lágrimas salgadas, e as Ninfas dos Montes lamentaram-se, enquanto atravessavam os bosques, no seu dever de cantar ao lago e reconfortá-lo.
E quando elas viram que o lago tinha mudado de uma taça de doces águas para um cálice de lágrimas salgadas, soltaram as tranças verdes dos esus cabelos e choraram para o lago, dizendo-lhe: «Não estamos admiradas que mergulhes dessa maneira no luto por Narciso, tão belo ele era.»
«Mas, o Narciso era belo?», perguntou o lago.
«Quem o poderá saber melhor do que tu?», responderam as Ninfas. «Por nós passou ele sempre mas foi por ti que procurou e se deitou nas tuas margens e olhou para ti. E foi no espelho das tuas águas que reflectiu a sua própria beleza.»
E o lago respondeu: «Mas eu amei Narciso porque enquanto ele se alongava sobre as minhas margens e olhava para mim, em baixo, no espelho dos seus olhos, eu vi sempre a minha beleza reflectida.»
Oscar Wilde
In: Poemas em prosa / trad. Possidónio Cachapa. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2003, p. 20
Oscar Wilde faleceu em Paris a 30 de Novembro de 1900.
Oscar Wilde

O DISCÍPULO
Quando Narciso morreu, o seu lago de prazer passou de uma taça de doces águas para um cálice de lágrimas salgadas, e as Ninfas dos Montes lamentaram-se, enquanto atravessavam os bosques, no seu dever de cantar ao lago e reconfortá-lo.
E quando elas viram que o lago tinha mudado de uma taça de doces águas para um cálice de lágrimas salgadas, soltaram as tranças verdes dos esus cabelos e choraram para o lago, dizendo-lhe: «Não estamos admiradas que mergulhes dessa maneira no luto por Narciso, tão belo ele era.»
«Mas, o Narciso era belo?», perguntou o lago.
«Quem o poderá saber melhor do que tu?», responderam as Ninfas. «Por nós passou ele sempre mas foi por ti que procurou e se deitou nas tuas margens e olhou para ti. E foi no espelho das tuas águas que reflectiu a sua própria beleza.»
E o lago respondeu: «Mas eu amei Narciso porque enquanto ele se alongava sobre as minhas margens e olhava para mim, em baixo, no espelho dos seus olhos, eu vi sempre a minha beleza reflectida.»
Oscar Wilde
In: Poemas em prosa / trad. Possidónio Cachapa. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2003, p. 20
Oscar Wilde faleceu em Paris a 30 de Novembro de 1900.
Os meus franceses - 29
Nana Mouskouri - «Je ne pourrai jamais vivre sans toi»
Ontem João Soares colocou uma canção do filme «Les Parapluies de Cherbourg» (1964), de Jacques Demy. Aqui fica outra, agora interpretada pela cantora grega Nana Mouskouri. A canção tem letra de Jacques Demy e música de Michel Legrand.
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