Há dias passaram-me pelas mãos uns livrinhos deliciosos de Carolyn Dehnel. Escolhi estes dois para mostrar aqui.
Chronicle Books, 1992.
A culinária caseira do estado Lone Star (no Condado de Morris) ganha vida neste pequeno livro de receitas tipicamente texanas.
Chronicle Books, 1991.
Este livrinho apresenta uma seleção de receitas mexicanas, ilustradas. A culinária mexicana utiliza diversas pimentas e outras especiarias, frutas (com destaque para o abacate) e legumes. E o milho que os aztecas produziram desde tempos imemoriais.
Li com agrado esta biografia romanceada de Maria Montessori. Não sabia que ela tinha começado a sua carreira de médica num hospital de crianças com doenças mentais. Algumas delas nem sequer eram doentes; acabavam doentes e rebeldes dadas as condições em que viviam. Nem sabiam o que era brincar com o objeto mais simples do quotidiano. E mais não conto.
«[...) Maria mandou parar uma carruagem de aluguer e entrou nela para se dirigir à Piazza di Spagna e encontrar-se com a sua velha amiga Anna Salieri no famoso Caffè Greco. No princípio do século [XIX], o local fora ponto de reunião onde poetas e pintores de toda a Europa trocavam ideias. [...] Olhou em redor e, a uma mesa de canto, avistou a amiga Anna. Na realidade, considerava-se indecoroso que uma mulher entrasse sozinha num café, [...]
«Anna Salieri era uma exceção. Não se regia por esse tipo de normas [...]. Os empregados do Caffè Greco tinham aprendido a tratá.la com cordialidade e, entretanto, convertera-se numa cliente habitual que serviam com a maior delicadeza.» (p. 28-29)
O dicionário que Maria Montessori levou na primeira viagem que fez a Berlim, para representar a Itália no Congresso Internacional de Mulheres, em 1896.
Baedeker's Conversation Dictionary In Four Languages English, French, German, Italian.
Leipzig: Karl Baedeker, 1889
«As mulheres, elas mesmas, devem entrar nos ramos da ciência […,] devem argumentar com os seus cérebros, e não com os seus corações. As mulheres […] devem confrontar os homens, debater com eles, trabalhar ao seu lado, juntar-se a eles na descoberta da verdade».
«A família tagarelava alegremente à sua volta, as atenções desviadas do silêncio dele [Brunetti] primeiro por lentilhas com salame picante e passas e, a seguir, por vitela recheada com salsichas. Embora tivesse apreciado particularmente as lentilhas, Brunetti [...]. Comeu o pudim de caramelo e [...] não pediu mais.»
Donna Leon - Cair de amores. Lisboa: Relógio d'Água, 2017, p. 158
Como lentilhas, mas deve ser das leguminosas que conheço a que menos aprecio. Já o mesmo não digo de salame picante italiano. Ainda ontem comi uma Diavola...
Os Arquivos Municipais de Quimper apresentam um conjunto de fotografias, postais, desenhos e objetos inéditos, que traçam a história do Festival de Cornouaille, desde a sua criação em 1923. (Fiquei a saber que há duas Cornualhas: esta na Bretanha francesa; outra em Inglaterra).
Os marcadores foram feitos por ocasião desta exposição que está patente até 18 de setembro.
Sete marcadores e o reverso do primeiro. Nos outros o fundo do reverso é acrescido da sombra da fotografada.
Um postal que comprei da última vez que fui a Chamtilly. No reverso tem uma receita de chantilly. os morangos que aparecem por aí à venda é que já não prestam, sabem a água.
Em casa, este livro que estava no monte há mais de um ano.
Barcelona: Debate, 2019
Na capa, da esq. para a dir.: García Márquez, Jorge Edwards, Vargas Llosa, Carmen Balcells, José Donoso e Ricardo Muñoz Suay.
Ainda só li cerca de 100 p. das mais de 500 que este livro tem. Mas estou entusiasmadíssima. Boom refere-se ao enorme número de escritores latino-americanos que aterraram em Barcelona no final dos anos 1960. Por razões económicas, segundo Vargas Llosa. Eram altamente roubados pelos seus editores sul-americanos. E, em Barcelona, estavam a um passo de Paris e de Londres.
O grupo era constituído por Gabriel Garcia Márquez, Mario Vargas Llosa (dois dos escritores que mais aprecio), José Donoso, Jorge Edwards, Alfredo Bryce Echenique, Rafael Humberto Moreno-Durán, Nélida Piñon, Óscar Collazos, Mauricio Wacquez, Cristina Peri Rossi e Ricardo Cano Gaviria. E os visitantes habituais: Julio Cortázar (que vinha de furgoneta de Paris), Carlos Fuentes, Octavio Paz, Plinio Apuleyo Mendoza (que vinha de Maiorca), Jorge Luis Borges (que achava a cidade muito fria) , Pablo Neruda (que chegou incógnito por causa do regime franquista) e Álvaro Mutis. Há aqui escritores que desconheço e outros que nunca li.
Gabo já havia vivido em Barcelona de 1949 a 1951.
Fiquei também a saber que este mentia e se contradizia nas entrevistas que dava, de modo que é melhor não dar muito crédito às suas afirmações.
Cem anos de solidão, escrito no México, vendeu em Espanha, entre 1967 e 1974 quase um milhão de exemplares.
Carmen Balcells, agente literária de GGG, foi em 1975 verificar as contas da editora Sudamericana e verificou muitas vigarices nas vendas dos livros do seu agenciado e também nas vendas dos livros de Sartre e Simone de Beauvoir, mas como estes não eram representados por ela só registou o facto. Conseguiu que a editora pagasse 15% ao seu autor sobre o PVP.
Um dia um tipo encontrou García Márquez e disse-lhe que não sabia se ele era Vargas Llosa ou Cortázar, ao que ele lhe respondeu: «Sou os dois.» E outros equívocos destes aconteciam.
García Márquez e Vargas Llosa viviam em Sarrià, um arrabalde integrado em Barcelona em 1921. Também é neste bairro que se vão instalar, nesses anos, as editoras Lumen, Tusquets, Anagrama e Grijalbo, todas ainda hoje nossas conhecidas.
Uma palavrinha para Seix Barral, uma editora criada nos anos 50, que floresce nas décadas seguintes com a publicação de autores latino-americanos.