Prosimetron

Prosimetron

sábado, 18 de outubro de 2008

Camille Claudel


Auguste Rodin - «Camille au bonnet»
terracota, ca 1884
Paris, col. Musée Rodin

Camille Claudel, escultora francesa, discípula de Rodin, com quem teve uma ligação amorosa, nasceu em Fère-en-Tardenois (França), em 8 de Dezembro de 1864, tendo falecido num manicómio, em Paris, em 19 de Outubro de 1943.



Camille Claudel - «La valse» ou «Les valseurs», bronze, 1905
A escultura original foi executada entre 1889 e 1893 e o seu paradeiro é desconhecido. A que se apresenta, uma das catorze edições executadas, é de 1905 e encontra-se em
Poitiers, col. Musée Saint-Croix

«Ce ne sont plus deux danseurs nus lourdement accouplés mais un gracieux enlacement de formes superbes balancées dans un rythme harmonieux au milieu de l'enveloppement tournoyant des draperies. Ah ces draperies sont bien frêles... Melle Claudel a voulu sacrifier le moins de nu possible et elle a eu raison. Mais elles suffisent cependant à voiler certains détails trop visiblement réalistes et à indiquer en même temps le caractère du sujet. Cette écharpe légère qui se colle aux flancs de la femme, laisant nu tout le torse, un torse admirable renversé gracieusement comme pour fuir un baiser, se termine en une sorte de traîne frissonnante. C'est comme une gaine déchirée d'où semble sortir brusquement une chose ailée! Ce groupe si beau, d'une originalié si saisissante,d'une si puissante exécution, gagnerait beaucoup à être transcrit en marbre. Melle Claudel est une artiste de très grand talent.» (Armand Dayot, 1892, cit. in Camille Claudel & Rodin: la rencontre de deux destins. Paris: Musée Rodin, Hazan, [...], 2005, p. 113)

«Elle [Camille Claudel] a su faire de cette idylle, un poème persuasif et charmant ou qui sait? un peu de son âme, un peu de son coeur l'ont miraculeusement inspirée.» (Mathias Morhardt, 1898, cit. in Camille Claudel: catalogue raisonné. 3ème ed. Paris: Adam Biro, 2001, p. 116)


Camille Claudel - «Auguste Rodin»
bronze, 1892
Paris, col. Musée Rodin

No ano passado, a obra de Camille Claudel foi objecto de uma grande exposição. Espreite-a em:
http://www.musee-rodin.fr/welcome.htm
http://www.camilleclaudel.com.br/

O génio de Oscar - 2 : Sobre biógrafos...

Every great man nowadays has his disciples, and it is always Judas who writes the biography.

S. Lucas - 18 de Outubro

- São Lucas no Livro de Horas do Duque de Berry
- São Lucas pintando a Virgem, Guercino.

Dia 18 de Outubro é o dia reservado a São Lucas ( séc. I D.C.) no calendário católico. Segundo a tradição, foi este médico de formação, companheiro de S. Paulo nas viagens de conversão, o autor do Evangelho de S. Lucas . É o santo protector dos pintores, pois também segundo a tradição terá sido um dos primeiros pintores cristãos. Daí as guildas medievais de pintores com o seu nome e a Accademia di San Luca em Roma.

Biografias, autobiografias e afins - 1


Muita da produção romanesca de Jean d' Ormesson é autobiográfica, inspirada numa vida intensa, mas este recente Qu' ai-je donc fait ? ( publicado na Robert Laffont), é o que mais se aproxima de umas memórias. Ormesson revela segredos de família, fala sobre as suas opções políticas e as suas crises existenciais.

Hoje na Byblos

No âmbito das Tertúlias Byblos , dedicadas este mês ao romance histórico, realiza-se hoje mais uma sessão conduzida pelos escritores Ana Cristina Silva e Paulo Moreiras.
É às 18h30 na Livraria Byblos, Rua Carlos Alberto Mota Pinto, 17 ( Amoreiras ) .

As minhas músicas - 26 : Los poetas andaluces

Lembram-se dos Aguaviva? Aqui estão nesta bela evocação dos poetas andaluzes. O ano é 1975, e por cá o Verão ainda era mais quente do que na cálida Andaluzia...

As minhas músicas - 25 : No woman, no cry

Pois é, também gosto de reggae. Este No woman, no cry, foi o primeiro grande sucesso internacional de Bob Marley, e faz parte do álbum Natty Dread de 1975. Outros grandes álbuns e sucessos se seguiriam até à morte prematura de Marley em 1980 devido a um melanoma. Sem dúvida, o jamaicano mais famoso da História.

«O Salão de Música», de Satyajit Ray

Hoje na Cinemateca, às 22h00... a não perder!
«'O Salão de Música' é um dos filmes mais belos e célebres do grande mestre indiano e foi também o filme através do qual toda uma geração de espectadores europeus o descobriu. Realizado com o habitual requinte de Ray nresta fase da sua obra, o filme conta a história de um aristocrata sem descendência, que desbarata a fortuna realizando sumptuosos espectáculos musicais privados. À beira da ruína, prepara uma derradeira soirée, destinada a ultrapassar em extravagância todas as anteriores. O filme contou com alguns dos mais notáveis músicos e dançarinos indianos da época.» (do programa da Cinemateca). A música é do próprio Satyajit Ray.



Para saberem mais sobre este cineasta, consultem:
http://www.satyajitray.org/

18 de Outubro - 1

Melina Mercouri
Melina Mercouri nasceu em 18 de Outubro de 1920, em Atenas. Actriz, cantora e activista política, foi nomeada Ministra da Cultura do seu país em 1981.

Vejamos e oiçamos uma canção do filme «Nunca ao domingo», de Jules Dassin: «As crianças do Pireu»

18 de Outubro - 2

Chuck Berry
O guitarrista Chuck Berry, por muitos considerado o «inventor» do rock and roll, nasceu em Saint-Louis, no Missouri (EUA), em 18 de Outubro de 1926.


18 de Outubro - 3

Manuel Teixeira Gomes
O escritor Manuel Teixeira Gomes, Presidente da República entre 1923 e 1925, morreu em Bougie (actual Bejaia), na Argélia, em 18 de Outubro de 1941. Vivia exilado desde 1925.

Marques de Oliveira – «Manuel Teixeira Gomes»,
óleo sobre tela, 1881
Porto, col. Museu Nacional de Soares dos Reis

DOIS EXCERTOS:

Junho, 14 [1895]
É um verdadeiro enigma o modo como se mantém o café do Hotel Internacional, conhecido geralmente pelo «Aquário dos imbecis». Os frequentadores, que são pouco numerosos, nada tomam: vão lá para conversar e ver a gente que passa a caminho da Avenida.
Um exemplo bem frisante: uma vez ouvi o barão da Regaleira dizer ao criado: - «Olha, Paço, se alguém procurar por mim dize que não tardo nada; vou ali a casa tomar café e já volto…»* Um freguês fixo, e invariável nas bebidas fortes, complicadas e caras, é o grandíssimo borrachão do encarregado de negócios da Rússia, mas esse nunca paga coisa a conta do hotel, onde ocupa há mais de um ano um belíssimo aposento.
Nisto pensava eu, muito repimpado em cómodo cadeirão, à porta do «aquário», esperando pelo Fialho, a quem dera rendez-vous, quando ele me aparece mais enfeitado do que uma noiva de aldeia. O que el trazia na gravata não era alfinete mas um autêntico broche; a abotoadura do colete de vidro colorido; e a cadeia do relógio toda resplandecente de pedraria falsa. A abordagem foi algo penosa. Não resisti a perguntar-lhe se eram aquelas as jóias com que a Emília das Neves representara «Joana a louca», e ele, todo abespinhado, faz menção de se ir embora. Mas serenei-o como pude e ficou. Passámos o dia juntos, alegres e descuidados como sucedia há dez anos; ele, despido de pompas literárias, estava singularmente feliz nos seus ditos, e eu ri de gosto vezes sem conto. […]
In: Regressos. 2.ª ed. Lisboa: Seara Nova, 1935
* Devíamos seguir este método: sentarmo-nos na Brasileira e ir tomar café à Benard.

Tunes, 7 de Janeiro de 1927
Meu caro Amigo [Ferreira Mira]:
Quando me soltei de Belém, para voltar às minhas antigas peregrinações, foi no propósito de me remeter ao mais absoluto e intangível silêncio. Não tencionava visitar lugares que tivesse visto antes, e a comparação das impressões actuais e passadas desdobrava-me suficientemente, para que eu pudesse manter comigo esse diálogo, a que tanto se prestam as viagens, e que na maioria dos casos torna apreciável a presença de um companheiro, ou a correspondência seguida com um amigo. Supunha-me suficientemente apetrechado para a existência solitária. O meu amor à solidão tem de particular que de forma alguma me exalta ou excita o espírito revolucionário. Dizia um filósofo da antiguidade que viver «sozinho» é próprio de um deus ou de uma fera. Graças ao progresso eu julgo que se pode viver contente na solidão, sem ser deus ou fera. Mesmo o espírito subversivo, hoje, pela complicação da vida actual, precisa, para se desenvolver e fortificar, da cooperação de muitos indivíduos –, aliás não cria asas e morre gorado, como o pinto na casca. […]
In: Miscelânea. Venda Nova: Bertrand, 1991, p. 39-40

18 de Outubro - 4

Manuel Vásquez Montalbán
O jornalista e escritor espanhol Manuel Vásquez Montalbán faleceu, de ataque cardíaco, em Banguecoque, em 2003. Foi o criador do detective Pepe Carvalho, protagonista de alguns dos seus livros policiais. O escritor que era um apreciador de comida, característica que transmitiu ao seu personagem, publicou alguns livros de gastronomia e de cozinha.

Foi deste livro que retirei esta receita valenciana:

ARROZ NEGRO
para 4 personas:
400 g de arroz
1 kg de sepiones de playa
1 dl de aceite de oliva
1 ñora (pimiento rojo, redondo y seco)
perejul, limón, 1 cabeza de ajo
3 tomates maduros

Limpiar los sepiones y ponerlos a cocer sin quitarles la tinta con el agua justa. Seguidamente, poner la paella al fuego con el aceite. Una vez caliente, freír la ñora y llevarla a un mortero. Majarla muy fina junto con los ajos, los tomates, aceite, limón y perejil, para obtener un majado de salmorreta.
En el mismo aceite, incorporar unas cucharadas del majado y el arroz, y sofreír todo un poco. Añadir también los sepiones cocidos con su caldo. Sazonar todo con sal y azafrán y dejar cocer de 18 a 20 minutos. Servir acompañado de alioli.

Depois de treinarem o espanhol, mãos à obra.

Veja mais sobre este escritor em: http://www.vespito.net/mvm/

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Povo que lavas no rio

Outro poema que ficará para sempre na história.

É uma canção de todos nós...

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tu vida não

Fui ter á mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura, fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não


Pedro Homem de Melo

Estrela da tarde

Sem dúvida um dos mais belos poemas de Ary dos Santos.

1976...Que saudades de tudo

Estrela da tarde
Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
eu esperava por ti, tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
tardando-lhe o beijo, mordia
quando à boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhamos tardamos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
era tarde de mais para haver outra noite
para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silencios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa
De fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto.

António Ramos Rosa

Quando te vejo triste
porque tudo está sob a cinza e o pó
porque os fundamentos da tua
[construção oscilam
e as portas de veludo da solidão amada
estão perigosamente abertas sobre
[um mundo hostil
tremo contigo entre as sombras movediças
como se nos tivessem devorado
[o ouro vivo das nossas vidas
ou como se o alento que quer durar
[se detivesse nos nossos peitos
Ambos desejaríamos o sossego puro
[para imergir no elemento simples
em que a dor se consuma como
[a água no silêncio
e inteiramente soa na pedra do destino
porque tudo o que amamos se apagou
[sob o arco do tempo
e renasceu na juventude da sombra
[e na consumada lucidez
de uma tristeza imaculada que procurou
[sempre o lábio da luz
e nele ardeu como um beijo que esquecendo
[deslizou para o seu princípio amante

- António Ramos Rosa, in Cem poemas portugueses do adeus e da saudade, Terramar,2002.

António Ramos Rosa nasceu em Faro, a 17 de Outubro de 1924.

Sobre a crise - 3

" (...) Pior do que isso, a gente do poder e a que mandou na economia e nas finanças durante 30 anos pede «confiança». É preciso «confiança» ; a «confiança» é essencial; a «confiança» é, garantidamente, a redenção. Mas «confiança» em quê e em quem ? Não com certeza num sistema que se derretou e numa ordem global insustentável e absurda. Não num sistema «regulamentado» , na essência, por quem dirigiu este. E em quem? Nas virtudes de entidades como o «povo» , a nação - e o contribuinte? Também não. A «confiança» que se pede é precisamente entre os mesmos beneméritos da política e das finanças, que organizaram e provocaram o desastre. Para os « negócios » recomeçarem, tranquilamente, como dantes. Só que desta vez não irá ser tão fácil."

- Vasco Pulido Valente, Mistérios da crise, PÚBLICO de hoje.

Sobre a crise - 2

" (...) os mercados financeiros entraram, nos últimos anos, num ciclo que não pode ser correctamente definido como correspondendo a uma "economia de casino" ou ao "reinado da ganância" ( sempre houve ganância no mundo dos negócios, como sempre houve atracção pelo abuso de poder no mundo da política), mas deve antes ser analisado à luz da quebra de uma das regras que permitiu o sucesso do capitalismo : a de que se deve trabalhar duro e dar tempo ao tempo. Ou, utilizando uma formulação mais sofisticada, a regra da "compensação diferida", isto é, a regra de que não devo esperar resultados imediatos antes estar preparado para os receber mais tarde, ou mesmo para só os receberem os meus filhos.
Estas regras implicam princípios éticos que não se coadunam nem com a ideia do sucesso "já" (...) nem com a pressão para obter bons resultados trimestralmente de forma a agradar aos mercados bolsistas. Neste novo mundo misturaram-se yuppies deslumbrados com a riqueza ao virar da esquina, investidores incapazes de compreenderem a cultura e os planos a médio (ou longo) prazo das empresas e consumidores que, perante um mundo de facilidades onde todos pareciam ganhar, também gastaram ontem o que não sabiam se iam ter amanhã. (...)

- José Manuel Fernandes, Editorial, PÚBLICO, hoje.

Franz Kafka : Aforismos - 4

A morte está diante de nós, mais ou menos como uma imagem da batalha de Alexandre na parede da sala de aula. O importante é escurecer ou mesmo apagar essa imagem com os nossos actos, ainda nesta vida.

-Franz Kafka, aforismos, Ulmeiro, 2001.

As minhas músicas - 24 : Walk on the wild side

Peço desculpa pela qualidade do vídeo, mas escolhi este por ser uma actuação de Lou Reed exactamente no ano em que gravou este tema- 1974. Infelizmente, actuou recentemente em Lisboa na mesma noite que o Leonard Cohen, pelo que ainda não foi desta que ouvi Lou Reed ao vivo...

As minhas músicas - 23 : Superstition

Um grande êxito de Stevie Wonder, voz de que gosto bastante, datado de 1973.

Chopin

Fotografia de 1848
Fryderyk Chopin morreu em Paris em 17 de Outubro de 1849




Sonata para piano "Marcha Fúnebre", opus 35,nº2

Chiquinha Gonzaga


Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, (Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de Fevereiro de 1935) foi uma compositora e pianista brasileira.
Foi a primeira “chorona”, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
Filha do general do Exército Imperial José Basileu Neves Gonzaga e da mulata Rosa Maria de Lima, aprendeu música. Desde cedo frequentava rodas de lundu, umbigada e outras músicas populares típicas dos escravos.



Pixinguinha e sua turma de Choro

Aos 16 anos casou por imposição familiar com um oficial da Marinha, de quem se separou por ele a proibir de fazer música e a manter quase sequestrada.
Ganhou a vida como pianista em casa de música, ao mesmo tempo que compunha música para operetas e teatro de revista e polcas, valsas, tangos, cançonetas e choro, música que reunia géneros musicais europeus e ritmos africanos,de que as composições mais conhecidas são de Pixinguinha. Teve uma vida amorosa atribulada e escandalosa para os padrões da época. Foi bandeira do abolicionismo e do republicanismo e uma feminista avant la lettre.
Fontes: Wikipédia e Genea



Choro nº 1, de Heitor de Villa Lobos, por David Russell

Antes dos Pink Floyd...

No ano anterior à canção «Money» dos Pink Floyd, Liza Minnelli
e Joel Grey interpretaram «Money» no filme «Cabaret», de Bob Fosse:

Muito a propósito nos dias que correm...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Viagens...

Como se falou aqui no blogue de Stefan Zweig, lembrei-me de colocar uns minutos de «Carta de uma desconhecida», belíssimo filme de Max Ophuls, com Joan Fontaine e Louis Jourdan, baseado num conto de Stefan Zweig. Rodado em 1948, foi estreado em Lisboa no ano seguinte.


E uns cartazes:


Obama ou McCain? Se o mundo pudesse votar...

O voto planetário... Com um agradecimento ao Pedro Elias de Oliveira.

PENSAMENTO DO DIA

Porque gostamos de contemplar o mar, o céu ou os vastos espaços desertos? Não será porque isso nos liberta das quotidianas e estreitas focalizações e fixações da atenção nos pensamentos, problemas e aspectos parciais da realidade?... Não será porque isso nos liberta de nós?

- Paulo Borges, A cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido- aforismos, Zéfiro, 2008.

16 de Outubro de 1793 : Maria Antonieta

- Maria Antonieta foi guilhotinada ao meio-dia do dia 16 de Outubro de 1793 na actual Praça da Concórdia, então Praça da Revolução.

" (...) Maria Antonieta é um dos mais belos exemplos desse heroísmo involuntário.
Com que arte, com que engenho nos episódios, sob que vasta cena, a História construíu o seu drama em roda desta natureza vulgar, com que ciência ela fez nascer os contrastes em volta dessa personagem central que, desde o princípio tão pouco se prestava a isso!
Com manha diabólica, começou por encher essa mulher de favores... Dá à criança, para morar, um palácio imperial, à adolescente uma coroa, à mulher jovem prodigaliza generosamente todos os dons do encanto e da riqueza, concedendo-lhe também um coração que não se preocupa com o valor desses presentes. Durante anos, acarinha e anima esse ente leviano, até que o torna cada vez mais inconsciente, fazendo-lhe quase perder a razão. Mas se o destino conduziu rápida e facilmente essa mulher ao mais alto grau de felicidade, foi só para a deixar caír, em seguida, com a mais requintada lentidão e crueldade.
Com um realismo melodramático, esta tragédia põe em presença os contrastes mais violentos ; arranca Maria Antonieta de um palácio com cem salões, e atira-a para uma prisão miserável; do coche doirado para o carro penitenciário; do trono para o cadafalso; arremessa-a do luxo para a indigência; de uma mulher , que goza da estima geral e é aclamada por todos, faz um objecto de ódio sobre o qual se abate a calúnia; em resumo, arrasta-a sempre cada vez mais para baixo, sem piedade, até ao supremo abismo.
(...) a desgraça não cessa de martelar a alma mole e fraca de Maria Antonieta, antes de ter obtido dela a firmeza e a dignidade, e de lhe fazer surgir toda a grandeza ancestral, guardada bem no seu íntimo. Esta mulher maltratada, que nunca teve curiosidade de si própria, percebe enfim, com horror, no meio dos seus tormentos, a transformação que se opera justamente no instante em que o seu poder real acaba: sente nascer em si qualquer coisa de grande e de novo, que não seria possível sem essa prova.
« É na desgraça que a gente sente melhor quem é. » Estas palavras, altivas e comovedoras, jorram da sua boca e espantam. Um pressentimento diz-lhe que é justamente devido à dor que a sua pobre vida ficará, como exemplo, para a posteridade. E, graças a esta consciência de um dever superior a cumprir, o seu carácter engrandece-se para além de si próprio. Pouco antes da forma humana se quebrar, a obra-prima imperecível está concluída, pois na última hora da sua vida, mesmo na última hora, Maria Antonieta, natureza mediana, atinge a expressão trágica e torna-se igual ao seu destino. "

- Stefan Zweig, Maria Antonieta ( Introdução)

Também é pelas páginas, de que transcrevi o final, da introdução à obra, que Zweig continua a ser, para mim, o melhor biógrafo da última rainha do Ancien Régime. Tendo lido várias biografias de Maria Antonieta, umas melhores do que outras, é esta a minha biografia de referência, tantos anos depois de a ter lido pela primeira vez numas férias de Verão em casa dos meus avós paternos. Aliás, foi desse exemplar que transcrevi as linhas supra, pelo que fica explicado o uso de algumas palavras hoje menos correntes. É o exemplar do meu avô, por ele assinado, e que nunca devolvi... É a edição de 1958, da Livraria Civilização Editora, com tradução de Alice Ogando.

Sobre a crise - 1

"(...) Ao longo das últimas décadas fomos assistindo a uma verdadeira metamorfose moral na liderança do mundo ocidental. Onde antes existia um sentido de responsabilidade social e até familiar ( as grandes fortunas eram geridas por dinastias de sangue com um nome a defender), voltado para a acumulação no longo prazo, reina hoje uma irresponsabilidade e um anonimato absolutos. Reina o princípio do lucro máximo, sem olhar a consequências sociais, morais, ambientais e até económicas. Estes homens jamais se suicidarão, pois há muito que perderam o quadro de valores que acompanha a decência ética. Como sugere Fareed Zakaria, numa obra já com cinco anos, os actuais multimilionários seriam incapazes de ter a coragem de empresários riquíssimos como John Jacob Astor, ou Benjamin Guggenheim, que pereceram no naufrágio do Titanic, respeitando o código de honra de «mulheres e crianças primeiro». (...) "

- Viriato Soromenho Marques, Já ninguém morre em Wall Street, VISÃO, 16/10.

As minhas músicas - 22: Money

Quanto aos Pink Floyd, é sempre uma escolha difícil. Mas fica este Money daquele que é um dos melhores álbuns deles e de toda a década- The dark side of the moon, 1973.

As minhas músicas - 21: La petite fille de la mer

Uma composição de Vangelis de que gosto muito. La petite fille de la mer é de 1973, do álbum L' apocalypse des animaux. Este grego visionário, musicalmente autodidacta, foi um pioneiro no uso de sintetizadores. Na década seguinte, continuou a sua fama a crescer com bandas sonoras inesquecíveis- Chariots of Fire, Blade Runner, Missing, Mutiny on the Bounty.
É também dele o tema inicial de Cosmos, a grande série documental feita por Carl Sagan, lembram-se?Fica aqui no blogue esta versão para piano, menos tecnológica mas também um bom exemplo das muitas transcrições que se fizeram .

Garota de Ipanema

Uma das músicas mais importantes da bossa nova, cantada e tocada por um dos principais criadores desse novo ritmo (João Gilberto)

na imagem Caetano Veloso que também canta...

outra versão com o saudoso Tom Jobim

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Outro segredo... sobre o chá

Cá vai mais uma dose de chazada...
Reservar um bule exclusivamente para preparar o chá preto de forma tradicional (nada de saquetas) e, no fim, apenas passá-lo por água. Com o tempo vai o bule vai escurecendo por dentro dando ao chá aquele gostinho especial. Segredo de chinês.

O segredo do chá inglês...

– Ah, aí está uma coisa que eu sei fazer – disse eu, toda sorridente. – Faço um óptimo chá. O grande segredo é escaldar o bule.
– Escaldar o bule – interrompeu Herr Rat […]. - Para que é que se escalda o bule? Ah! Ah! Essa é boa! Que eu saiba não é costume comer o bule.
Fixou em mim os seus frios olhos azuis com uma expressão que sugeria mil invasões para daí a pouco.
- É então esse o grande segredo do vosso chá inglês? Afinal basta escaldar o bule.

Katherine Mansfield
In: Numa pensão alemã. Trad. de Ana Maria Almeida Martins. Lisboa: Difel, 1995, p. 12

Katherine Mansfield nasceu em 14 de Outubro de 1888, em Wellington, na nova Zelândia. Há 120 anos.
E desculpem se vos estou a dar uma grande chazada.


Columbano - «A chávena de chá», 1898
Lisboa, col. Museu do Chiado

Juliette Gréco canta amanhã em Lisboa

Sous le ciel de Paris

Um poeta sírio



ONTEM…

1.
Ontem pensei
no meu amor por ti.
Recordei
as gotas de mel nos teus lábios
e lambi o açúcar
das paredes da minha memória.

2.
Por favor,
respeita o meu silêncio,
o silêncio é a minha melhor arma.
Escutaste as minhas palavras
quando fiquei silencioso?
Sentiste a beleza do que disse
quando não disse nada?

Nizar Kabanni
In: Qual é a minha ou a tua língua?: Cem poemas de amor de outras línguas / org. Jorge Sousa Braga. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 33

Breve nota ainda sobre o chá

Pois é Miss Tolstoi, de facto seria interessante fazermos daqui nascer um clube de cházistas...
Se visitarem a First Flush não saiam sem trazer chá Argolas de Jasmim (indicado para momentos especiais), Chá dos Imperadores (ainda utilizado em cerimónias oficiais) ou o chá fumado Lapsang Souchong, cujo saber exótico vai dar um toque mais sofisticado a um qualquer prato de carne. Estas sugestões pertencem à gama dos chás verdes.

Cardoso Pires

A Casa da Comarca da Sertã dedica o fim do próximo dia 22 de Outubro a José Cardoso Pires

Babar, Harry Potter e Companhia


Abriu ontem uma exposição, na Biblioteca Nacional de França, intitulada «Babar, Harry Potter et Compagnie: Livres d'enfants d'hier et d'aujourd'hui», que pode ser vistada até 11 de Abril de 2009. Enquanto não vou, espreitei-a: http://expositions.bnf.fr/livres-enfants/index.htm

Friederich Nitzsche, nasceu em Röcken, Alemanha, em 15 de Outubro de 1844 e morreu Weimar em 25 de Agosto de 1900).Filósofo dos mais importantes do século XIX, escreveu inúmeros livros onde expõe os seus conceitos filosóficos, entre os quais o mais conhecido é “Assim falava Zaratustra”, em que declara a morte de Deus: “Noutros tempos blasfemar contra Deus era a maior das blasfémias; mas Deus morreu, e com ele morreram tais blasfemos. Agora, o mais espantoso é blasfemar contra a terra, e ter em maior conta as entranhas do inescrutável do que o sentido da terra."

"Nietzsche e Bernanos, este último um crente, enquanto que o primeiro proclama a morte de Deus, são autenticamente não-conformistas. Ambos, um em nome de um futuro pressentido, o outro invocando uma imagem idealizada do Ancien Régime, dizem não à democracia, ao socialismo, ao regime de massas. Eles são hostis ou indiferentes à elevação do nível de vida, à generalização da pequena burguesia, ao progresso da técnica. Eles têm horror da vulgaridade, da baixeza, difundida pela práticas eleitorais e parlamentares".

Raymond Aron, “ O Ópio dos Intelectuais”

Rembrandt no Museu do Prado

Artemisa, 1634, Museu do Prado

Inaugurou hoje no Museu do Prado, em Madrid, uma exposição de trinta e cinco óleos e cinco gravauras de Rembrandt, idos de vários museus e colecções de todo o mundo, para acompanhar a única tela do pintor holandês existente no acervo do museu madrileno, Artemisa, de 1634. Serão expostos, para ajudar a compreender o contexto criativo do pintor, seis quadros de Rubens, Ticiano, Veronese e Ribera, propriedade do Museu.

Terça a domingo, das 9 às 20 horas, até 6 de Janeiro. Preço do bilhete a 8 euros.