Prosimetron

Prosimetron

quarta-feira, 7 de abril de 2010


Para o JP, em Londres, desejando-lhe uma boa semana.

Um dia muito feliz!

Parabéns Mariana!
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Jessie Willcox Smith - Collage from Boys and Girls of Bookland. Smith, Nora Archibald, 1923
[Courtesy of Athens Antique Labels & Prints : oldlabel@sover.net]
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Hudson, Gwynedd M. London: Hodder, 1922; New York: Dodd, 1922.
Alice and Dinah
[Courtesy Collection of Dave Neal ]

Quiz


Qual foi o museu mais visitado do mundo em 2009?

Citações - 76 : Profecia?

Il y a des gens qui prétendent que la guerre leur a appris quelque chose; ils sont tout de même moins avancés que moi, qui sais ce que me réserve l' année 1939.

- André Breton, in Lettre aux voyantes, 1925.

O Papa do Surrealismo como profeta? Como extraordinário geoestratega? Não se saberá nunca. Mas é uma frase arrepiante...

Sexta no Museu da Electricidade


Hoje em Londres

Um prosimetronista vai estar hoje aqui, no College of Arms de Londres, verdadeira "autoridade reguladora", para usar o jargão contemporâneo, da heráldica britânica.

P.S. - E, como se vê, temos nova vinheta: uma tela que está precisamente na cidade por onde anda o nosso JP e perfeitamente adequada a estes dias. Um dos episódios bíblicos da Ressurreição de Cristo.

Pinturas dentro da pintura

Hoje um terço do Blogue foi ver (ou rever) "A Perspectiva das Coisas / A Natureza-Morta na Europa", a exposição que está patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, até 2 de Maio. Aprendi alguns conceitos (novos para mim). Por exemplo, nunca teria classificado este quadro de Frans Francken (o jovem), Eine Kunstkammer /Gabinete de Curiosidades, de 1618, como natureza morta...

Mas neste quadro a minha vista ficou presa no seguinte pormenor (lateral direita, inferior):


o jogador (?) com cabeça de burro... ou o burro do humano destruidor?

http://www.panorama.org.pt/

Alguns pianistas - Gastão Cruz, II.

(...)
x
Sviatoslav Richter imitava
o rigor da poesia ou da leitura
que dela fazem os que lêem nela
do universo a explosão futura:
xx
em cada nota morre o universo
tal como em cada sílaba
da poesia, por isso ele tocava
em sala escura
x
e uma pequena luz mostrava a pauta
somente, para que não se perdesse
nenhum quinto de som, sua vogal,
e, ele e o público, nada os distraísse
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(...)

Gastão Cruz, Escarpas, Lisboa: Assírio & Alvim, 2010, p. 66
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Chopin Etude Op. 25 No.11 "Winter Wind


Prokofiev's piano concerto no. 5 /FRAGMENT/

Boa noite!

O Rouxinol e a Rosa, Wilde para lá da história...

Passei pelo Arpose e encontrei umas palavras de Wilde e não só, palavras sábias sobre mulheres. Desde tempos longínquos que a mulher é tema da arte e dos artistas. Quão caprichosas são as mulheres? - Veja-se no trecho desta hitória.
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O Rouxinol e a Rosa
- Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas encarnadas - declarou o moço estudante -; mas no meu quintal não há uma única rosa encarnada.
O rouxinol, que estava no seu ninho da azinheira, ouviu o que o rapaz dizia e olhou, admirado, entre a folhagem.
- Não há uma única rosa encarnada no meu quintal! - repetiu ele, já com os olhos rasos de lágrimas. - De quantas ninharias depende a felicidade! Li tudo o que os sábios escreveram, possuo todos os segredos da Filosofia. No entanto, por causa de uma rosa rubra, a minha vida torna-se calamitosa. (...)
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Oscar Wilde, Contos, Lisboa: Relógio d' Água, 2001, p. 123. (trad. Cabral do Nascimento)

Obrigada APS.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A beleza está no olhar!

Ergamos a taça!...


xxSó não entendo os verbos no passado...

Um filme de humor


Aqui fica um pequeno filme de humor sobre três dos pecados capitais, com inspiração em Bosch.

Os sete pecados capitais


Soberba ou Orgulho ou Vaidade. Três formas de olhar o mesmo pecado. Foi por ele, ou melhor pela sua representação, que eu me lembrei de Bosch e do tampo de mesa em exposição no Museo do Prado, em Madrid. Já foi o último dos chamados "pecados capitais", mas para muitos é o primeiro. É um dos pecados que vai mudando de nome conforme o doutrinador e conforme a Era em que são estabelecidos. Para muitos o "demónio" que se encontra associado a este pecado é o Anjo Lúcifer (o primeiro que fez esta associação parece que foi Peter Binsfeld, latinizado em Petrus Binsfeldius) - e por isso, os dois animais que se encontram representados. É este pecado que faz com que, por vezes, não vejamos a realidade como ela é. É este pecado que faz com que, por vezes, culpemos os outros dos nossos próprios erros.

Cinenovidades - 121 : Páre, Escute e Olhe

Este documentário de Jorge Pelicano sobre o projectado encerramento da Linha do Tua e os interesses subjacentes ( desde logo do potentado que se chama EDP...) merece ser visto. Está em exibição. Declaração de interesses: Quem me conhece sabe que estou perfeitamente alheado da campanha de promoção que o BE parece estar a fazer quanto a este filme. É para mim apenas uma questão de cidadania.

Avril au Portugal



Yvette Giraud (1916-)

Da nossa vinheta

O nosso JP ainda não a postou pois está fora de portas, em terras monárquicas :), mas ela está a chegar. Fica o esclarecimento.

Do calendário de Edmund Spenser - Abril!

Bom mês de Abril!
"This Æglogue was written to honour Queen Elizabeth I. There are two shepherds, Hobbinoll and Thenott; we met Hobbinoll earlier, when he loved Colin. Queen Elizabeth is shown along with various courtiers, as is the zodiac sign for Taurus and its bull".

[Images from The Works of Edmund Spenser, Volume I edited by Professer W. L. Renwick, printed at the Shakespeare Head Press in St Aldates Oxford and published for the press by Basil Blackwell in 1930]

Visto hoje


Gosto de Paul Verhoeven, embora nem todos os seus filmes estejam ao mesmo nível. Este Livro Negro é de 2006, mas só esta madrugada o vi, graças ao canal Mov. Não é um grande filme, mas tem os seus momentos. E a actriz principal, Carice van Houten, está muito bem. Registei uma frase muito verdadeira: Felizmente, os nazis faziam 15 cópias de tudo. Foi realmente preciosa a "burocratite aguda" nazi para que depois da Guerra se conseguisse apurar a extensão dos crimes cometidos e os seus responsáveis.

Primavera/Verão 2010

Como os mais atentos à moda já devem ter reparado, os socos estão de regresso nesta estação,dos mais exclusivos Chanel aos mais acessíveis da Miu-Miu que estão infra. E os sapatinhos, que são na verdade o fétiche do relativamente sóbrio Prosimetron, regressam a estas páginas...

1974

A 6 de Abril de 1974 os ABBA davam à Suécia a primeira vitória no Festival da Eurovisão com esta Waterloo, a Europa ganhava novas estrelas musicais e o resto foi o que se viu...

PENSAMENTO(S) - 117


Jean-Baptiste Santerre, Portrait de Racine, 1690, Versalhes.

Il n' est point de secret que le temps ne révèle.

- Jean Racine (1639-1699)



A propósito dos submarinos, do Freeport, dos sobreiros Portucale, da PT-TVI etc etc...

Um quadro por dia - 51

Este belo Panier de fraises des bois do grande Chardin, que está numa colecção particular, surge aqui porque talvez hoje aconteça uma certa visita guiada. A ver vamos.

Citações - 75 : Submarinos

- Alda Taborda, mulher de Jaime Gama, madrinha do Tridente, o primeiro dos polémicos submarinos.

(...) É tal e qual como o tráfico de droga: há armas vendidas? Há dinheiro sujo no meio. Sempre, sempre. Inevitavelmente. Portas anulou o desfecho já programado, reduziu de três para dois os submarinos a comprar e introduziu no contrato uma série de contrapartidas a favor da indústria portuguesa, a serem concretizadas pelo fabricante-vendedor. Mas agora sabemos que nada foi executado e que há um cônsul, um militar de alta patente e um escritório de advogados lisboeta metidos ao barulho. Mas o que esperavam? (...)

- Miguel Sousa Tavares, no Expresso do passado sábado.

Estamos realmente a chegar a um ponto em que já nada parece ser motivo de indignação colectiva, nem de sobressalto de regime. As negociatas são transversais aos partidos e aos governos, o dinheiro não fala ( até porque a Suiça ou as Caimão são longe...) e os outros estados vão colaborando assim-assim para não prejudicar os interesses das suas empresas. Tudo cantando e rindo até ao dia em que a coisa estoire de vez (vd Grécia).

Amanhã às 15h30 na Cinemateca


O 4.º Mandamento, de Orson Welles

Neste findar de Páscoa...


Neste findar de Páscoa, nada como recordar Bosch e os seus Sete Pecados Capitais. Mas comecemos pelo que me fez ligar à Pascoa: o centro da representação. Cristo ressuscitado, atento e observador:"CAVE CAVE DOMINUS VIDET".
Hieronymus Bosch (c. 1450-1516)
Os sete pecados capitais (1475-80?)
Tampo de Mesa
Madrid, Museu do Prado

Paris: Desclée de Brouwer: Flammarion, 1997

«J'aime voir les regards et les regards sur les regards.»
Jean Guitton (1901-1999)

Tenho andado a ler este livro (já vejo por aí uns sorrisos...), cuja existência descobri num post do Arpose.

Alguns pianistas - Gastão Cruz!

Veio parar-me às mãos o livro de poemas Escarpas de Gastão Cruz. Comecei a ler e encontrei o poema: Alguns Pianistas. O poema tem dez quadras e é dedicado a três pianistas. O primeiro pianista é Emil Gilels (1916-1985), pianista soviético que nasceu em Odessa, cidade ucraniana que na época da União Soviética funcionava como um importante porto. Dado que o poema é grande deixo agora as quadras dedicadas ao pianista Emil Gilels.

ALGUNS PIANISTAS

Emil Gilels tocava
como se detivesse fogo ou água:
em torno dele a luz formava um laço
de ouro líquido jorrando do teclado

A cabeça potente assemelhava-se
à do autor do som que se expandia
como de ouro fundido um
largo rio

(...)

Gastão Cruz, Escarpas, Lisboa: Assírio & Alvim, 2010, p. 66

Emil Gilels - Mozart, Fantasia in d-moll KV 397


Em torno da dança: o Sono da dançarina... Fellini!

Casanova de Fellini, um filme de 1976. O cinema é mais um teatro!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

As Maltratadas + Millennium 2


No sábado fomos ver o filme Millennium 2 - A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo. Boa continuação de Millennium 1, esperando agora pelo terceiro.
Quando nos sentámos, começaram a transmitir outro filme. Pensámos (nós e os nossos vizinhos) que nos tínhamos enganado na sala. Afinal havia, em complemento, uma curta-metragem As maltratadas, de Ana Campina, que não estava anunciada. Esta curta trata de duas mulheres, entre outras, que vivem o horror da violência doméstica e do tráfico sexual.
Ambos os filmes estão inseridos no âmbito das comemorações dos 20 anos da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Amanhã às 19h30 na Cinemateca


«Filme singular na obra de Claude Chabrol. Compilando newsreels e outros fragmentos de propaganda oficial (ou oficiosa) do Governo de Vichy, L’oeil de Vichy analisa as razões e as justificações do regime saído da derrota francesa em 1940. Como se legitimava o regime, como era contada e enquadrada a própria evolução da II Guerra. Uma cirúrgica incursão num período histórico ainda não totalmente “cicatrizado”.» (http://www.cinemateca.pt/programacao.asp)

também o cisne morre...


também o cisne morre [sic] é um livro de Aldous Huxley que li há uns anos quando mo emprestaram; hoje, fui tirá-lo à estante para retirar este trecho:
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"Mister Propter (...) fechando os olhos repetiu a resposta do cardeal Bérulle à pergunta: «O que é o homem?»(...)
«O que é o homem?» - perguntou a si próprio num sussurro. C'est un néant envirinné de Dieu, indigent de Dieu, capable de Dieu et rempli de Dieu, s'il veut. Um nada rodeado de Deus; indigente e capaz de Deus, e cheio de Deus se o desejar. E o que é esse Deus de que os homens são capazes? Mister Propter respondeu com a definição dada por John Tauler no primeiro parágrafo da sua Imitação de Cristo: - «Deus é um ser à parte das criaturas, uma vontade livre, uma actividade pura.» O homem, pois, é um nada cercado e indigente de um ser à parte das criaturas, um nada capaz de vontade livre e cheio de actividade pura, se o desejar. Se o desejar - começou a reflectir Mister Propter, com súbita e bem amarga tristeza. Mas, quão poucos são os que o desejam, ou desejando, sabem ao menos o que desejam ou como obtê-lo! O conhecimento justo é quase tão raro como a vontade firme de agir em conformidade com ele. Dos poucos que procuram a Deus, quase todos encontram, devido à ignorância, apenas esses reflexos da própria vontade que se chamam o Deus dos Exércitos, o deus do Povo Eleito, o Salvador..."
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Aldous Huxley, também o cisne morre, Lisboa: Livros do Brasil, s.d., p. 92-93 (Trad. Paulo Moreira da Silva do original After Many a Summer).

Leituras no Metro - 13

Aqui há dias escrevi num comentário, penso que no ARPOSE, que não gostava de Mia Couto. A verdade é que há muitos anos tinha tentado ler um livro dele e não apreciei aquele linguajar.
Veio há dias parar-me às mãos uma antologia de contos que a Leya distribuiu com o último JL, a qual foi, na semana passada, a minha leitura no Metro e que insere o conto «O menino que escrevia versos» de Mia Couto, que li com muito agrado. É dele este trecho:
«O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava-a bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:
«- Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.
«Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar?»

Haendel - Lascia ch´io pianga, Cecília Bartoli!

Depois das cores e o som de Pina Bausch no papel da princesa Lherimia, no O Navio de Fellini, lembrei-me de ouvir a soprano Cecilia Bartoli interpretar "Lascia ch´io pianga", uma das minhas árias preferidas, e a sala encheu-se de cor!

Amêndoas de Páscoa

Umas amêndoas de Páscoa transformaram-se no maravilhoso livro de Teresa Sapori Azulejaria de Luís Ferreira, o «Ferreira das Tabuletas»: um pintor de Lisboa (Lisboa, 1993), de onde retirei este painel:


Lisboa, Cervejaria da Trindade

Obrigada a quem mo ofereceu, e que viu cobiça no meu olhar. Um dia destes farei o tal post prometido sobre o Ferreira das Tabuletas, em Lisboa.

Até onde um filme nos pode levar...

...Fui ver Single Man - Um Homem singular, filme de Tom Ford aqui falado por Luis Barata e MR. Uma das cenas que mais me impressionou passou-se à noite num banho nocturno que para mim significou: o desprender-se da vida, cortar o cordão, o regresso às origens... Esta cena levou-me até este poema de Aldous Huxley, escritor e poeta citado no filme pelo Professor George Falconer, o homem singular.

Aldous Huxley

Carpe Noctem

There is no future, there is no more past
No roots nor fruits, but momentary flowers,
Lie still, only lie still and night will last
Silent and dark, not for a space of hours,
But everlastingly. Let me forget
All but your perfume, every night but this.
The shame, the fruitless weeping, the regret.
Only lie still: this faint and quiet bliss

Shall flower upon the brink of sleep and spread
Till there is nothing left but you and I
Clasped in a timeless silence. But like one
Who, doomed to die, at morning will be dead,
I know, though night seem dateless, that the sky
must brighten soon before tomorrow's sun.

Retirado daqui