Prosimetron

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domingo, 20 de julho de 2008

Segredos de M. [Sugestão para ouvir]

Não digam a ninguém: M. está a ouvir

Disco de 2007.

[...]
I know she is coming
I know she will look
And that is the longing
And this is the book

(Do Prólogo, Book of longing, NY, Orange Mountain Music, 2007)

Cohen [escrito]


Ao fim da tarde... com o som dos discos por fundo... um livro a ler ou a reler.

Happy birthday, Diana Rigg!




A geração televisiva dos anos 60 recordar-se-à de Diana Rigg no seu papel de Emma Peel na lendária série The Avengers (Os Vingadores). Em qualquer circunstância, por mais perigosa e vertiginosa que parecesse, a agente inglesa conservava a sua elegância e o seu atletismo para, juntamente com Patrick Macnee, combater o inimigo. A justiça era-lhe sempre benevolente, os últimos instantes de cada capítulo garantiam ao espectador o sorriso e umas observações very snob da eterna Miss of Cool.

Em 1964, Diana era parte integrante da Royal Shakespeare Company quando foi “recrutada” para a série. Durante três anos e em 51 capítulos, Emma Peel destacava-se quer pelo sucesso na luta do bem contra o mal quer pelo guarda-roupa avanguardista dos Swinging Sixties, da autoria de John Baker e Alan Hughes.

Rompeu com os Vingadores para se dedicar ao cinema. Em 1969, representa a Contessa Teresa di Vicenzo em 007 – On her majesty’s secret service, a única película do agente secreto com passagem por Portugal. Foi mais do que um simples Bond Girl acessório, e a George Lazenby no papel de 007 não restava mais nada do que sucumbir à postura nonchalante de Diana.

Outras participações no grande écran juntaram Diana Rigg a actores como Charlton Heston, John Gielgud e Vincent Price. Regressou entretanto ao teatro, onde se afirmou como valor seguro em personagens complexas, tais como Fedra ou Medea (sua interpretação no Wyndham’s Theatre londrino em Dezembro de 1993 é memorável!). Desde 1994, tem o direito de se intitular com a honra de “Dame” Diana Rigg.

Em 1998, era a vez de Uma Thurman a seguir as pisadas de Diana como Emma Peel no filme The Avengers. Com todo o respeito por Thurman, o desafio e a herança eram demasiado surchargés. Com efeito, só Diana é capaz de nos encantar com o seu eyeliner inconfundível, num automóvel descapotável a percorrer os condados ingleses.

Diana Rigg faz hoje 70 anos. Happy birthday!

Natalie Wood

Natalie Wood nasceu a 20 de Julho de 1938 em San Francisco. Faria hoje 70 anos.

Natalia Nikolaevna Zakharenko, filha de imigrantes russos, estreou-se no grande écran com apenas 4 anos em Happy Land de Irving Pichel. Dois anos depois, Pichel juntou Claudette Colbert, Orson Welles e Natalie no filme Tomorrow is forever. Natalie, no seu papel de órfã alemã refugiada e com um sotaque genuinamente germânico, evidenciou o seu talento de tal forma que Orson exclamou: “She was so good, she frightened me”.

A sua participação noutras películas, tais como Miracle on 34th street com Maureen O’Hara (1947), The Ghost and Mrs. Muir (1947) com Gene Tierney e Rex Harrison (película apresentada pelo João Soares), ou The Blue Veil (1951) com Jane Wyman e Charles Laughton, valeram à jovem Natalie um cachet de 1000 dólares por semana.

Em 1955, Natalie representa “Judy” ao lado de James Dean no clássico Rebel without a cause e torna-se assim num dos maiores ídolos de cinema da década de 50. A sua beleza e postura graciosa, sobretudo os seus olhos castanhos maravilhosos, são os seus atributos inconfundíveis, por vezes sinónimos de uma fragilidade e vulnerabilidade de que Natalie se afastaria muito dificilmente nos seus futuros papéis.

Enquanto a imprensa cor-de-rosa se dedicava à relação com Robert Wagner (com quem Wood casaria por duas vezes, em 1957 e 1972), o público e os críticos mostravam-se, de modo geral, impressionados com o percurso da carreira de Natalie. Refira-se a sua interpretação em Kings go forth com Frank Sinatra e Tony Curtis (1957) , em Marjorie Morningstar ao lado de Gene Kelly (1958) ou Splendor in the grass de Elia Kazan ao lado de Warren Beatty (1961).
Alcança o seu maior triunfo como Maria na adaptação do musical West Side Story sob a realização de Robert Wise em 1961. Tal como viria a acontecer com Audrey Hepburn em My Fair Lady, o desempenho vocal ficaria a cargo de Marnie Nixon (e não de Natalie).

Após vários sucessos em filmes como Gypsy (1962), Love with the proper stranger ao lado do seu querido Steve McQueen (1963) e Bob and Caroline and Ted and Alice de Paul Mazursky (1969), Wood decide “ser ser mãe em primeiro lugar, e actriz em segundo”. Raras são assim as suas aparições nos anos setenta, à excepção da sua participação televisiva em From Here to eternity de Buzz Kulik, baseada na obra de James Jones, e da sua interpretação de Maggie em Cat on a hot tin roof na Broadway.

Natalie Wood
não tinha ainda concluído o seu último filme Brainstorm quando, durante um passeio de barco juntamente com Robert Wagner e Christopher Walken, morre afogada em circunstâncias misteriosas a 29 de Novembro de 1981.

Natalie ganhou três Golden Globe Awards e foi nomeada para o Óscar de melhor actriz por três vezes.
O desaparecimento precoce de Natalie deixou uma grande lacuna no estrelato de Hollywood.
We all miss you very much!

NINA SCHENK CONDESSA DE STAUFFENBERG: introdução



A 20 de Julho de 1944, um grupo de oficiais à volta de Claus Schenk Conde de Stauffenberg e de Henning von Treschkow levaria a cabo a “Operação Valquíria”, tentando pôr fim à vida de Hitler e derrubar o regime. O fracasso do atentado marcou o fim trágico da resistência contra o Führer . Às 0.15 h de 21 de Julho, von Stauffenberg e mais três dos conjurados foram executados por fuzilamento. À excepção de poucos oficiais envolvidos na operação, todos os outros militares, e muitos dos seus familiares, viriam a ser condenados à morte nos dias seguintes. 110 pessoas terão perdido a vida.

A Alemanha iniciou o confronto crítico com o capítulo mais negro da sua história na segunda metade da década de 60. O período entre 1933 e 1945 permaneceu um tabu quase absoluto durante os anos 50 em que o país concentrava todos os seus esforços na recuperação económica. O Wirtschaftswunder (milagre económico) servia de pretexto para abafar uma discussão aberta sobre a agressão alemã durante a Segunda Guerra Mundial e o extermínio de seis milhões de judeus, entre outros fenómenos horrendos do Terceiro Reich.

A geração de Maio de 68 quebrou esse tabu e exigiu explicações aos seus pais e avós. As vítimas da resistência tornaram-se, pouco a pouco, conhecidas da consciência pública, entre elas, evidentemente, von Stauffenberg. Contudo, a discussão estava longe de ser unânime: von Stauffenberg e seus ajudantes, heróis para uns, eram traidores para outros. A título de exemplo, refira-se que a opinião pública alemã estava profundamente dividida em 1969 quanto à “idoneidade” de Willy Brandt: teria um adversário do regime nazi, eventualmente “estigmatizado” como “traidor à pátria”, legitimidade suficiente para o cargo de um chanceler?

Hoje em dia, os movimentos de resistência são abordagem obrigatória nas aulas de história. A enorme oferta de literatura, de filmes ou documentários televisivos dos últimos 30 anos sensibilizou a Alemanha para a importância de prestar o tributo devido às vítimas e a reconhecer a coragem inimaginável com que estas personalidades seguiram os seus ideais e princípios.

Quase desconhecida continua, no entanto, a vida dos familiares desses heróis, tais como o percurso de Nina Schenk Condessa de Stauffenberg, esposa do oficial.
Konstanze von Schulthess, filha mais nova de Nina e Claus, publicou há poucos meses uma biografia sobre a sua mãe. Konstanze, nascida a 27 de Janeiro de 1945 em prisão, recorreu às longas conversas havidas com sua mãe, a documentos secretos e outras fontes do fórum familiar. De forma impressionante e comovente, narra os dias e os meses após o atentado, a angústia de uma mãe que, separada dos seus quatro filhos, é retida provisoriamente numa prisão e depois deportada para o campo de concentração de Ravensbrück.
Ficou, assim, um testemunho histórico notável para a posteridade.

Alguns excertos desse livro, intercalados com a biografia de Nina, serão tema de uma "mini-série", dedicada a esta senhora extraordinária e fascinante. Ao longo dos próximos domingos, a vida de Nina Schenk Condessa de Stauffenberg será partilhada com os caros leitores.

20 de Julho de 1944

"É tempo que se faça algo agora. No entanto, aquele que ousar fazer algo, terá de ter consciência de poder vir a entrar para História alemã como traidor. Mas se omitir o acto, seria um traidor perante a sua própria consciência."
Claus Schenk Conde de Stauffenberg

Imagem: von Stauffenberg com os seus filhos Franz Ludwig e Heimeran

Leonard Cohen: Lisboa, 19 de Julho de 2008



Esta noite, durante quase três horas, o mito transformou-se em realidade. Leonard Cohen cantou e encantou não só as gerações mais velhas, como as menos velhas e as mais jovens. Vimos de tudo e todos cantavam e tomavam ritmo ao som das palavras (ditas e escritas por Cohen) e da música. A temperatura estava ideal. A lua complementava o cenário. Cohen estava jovem como sempre.


No meio de tanta gente não consegui identificar Miss Tolstoi... espero que tenha gostado tanto como eu!
Obrigado M.

O video não é de Lisboa...

YouTube: YalaBeniYalaYar

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto é um autor Português, nascido em Galveias, Portalegre, em Setembro de 1974, que se destaca na prosa e na poesia. O seu primeiro romance, "Nenhum Olhar", foi publicado em 2000 e recebeu o Prémio Literário José Saramago (foi referenciado há uns tempos pela "Monocle" como uma obra a ler). Em 2001, a primeira publicação de poesia com "A Criança em Ruínas". Em 2002, publica "Uma Casa na Escuridão" em prosa e o acompanhante "A Casa, a Escuridão" em poesia. Em 2006, "Cemitério de Pianos" trasladou os leitores para Benfica; em 2007, "Cal" foi uma das minhas últimas leituras em Portugal: narra a participação de um português na maratona dos Jogos Olímpicos de 1912, ao som e ritmo do que passa pela cabeça do atleta enquanto corre a prova, com outras narrativas em paralelo. De todas as suas obras, "Morreste-me" foi a que mais me marcou, pela inevitabilidade e a emoção passadas a papel. Autor de letras para música e dramaturgo, o seu "Quando o Inverno Chegar" foi encenado no São Luís; curiosamente, no dia em que fui a sala estava meio cheia, seria por não se saber? Talvez. Reparei recentemente que publicou uma nova obra de poesia, "Gaveta de Papéis"; fico na expectativa de a ler.
Temas recorrentes na sua obra incluem a secura da paisagem alentejana, a morte, a solidão, o resurgimento da vida, a generosidade. O fantástico é outra das ferramentas que usa habilmente. Uma das grandes virtudes que retiro da leitura das suas obras é, a meu ver, a grata redescoberta da riqueza e unicidade do português enquanto forma de expressão. Não trouxe nenhum dos seus livros comigo. Agora, tenho pena.

Grandes filmes (esquecidos?): 13 - The Letter


"The Letter" de William Wyler data de 1940; é baseado na peça homónima de Somerset Maugham. É um filme em que Bette Davis' eyes estão no centro do palco em todos os momentos, em especial na abertura, no calor húmido de uma noite de lua cheia da Maláia Britânica: o homicídio por Leslie Crosbie (Davis) de um homem branco no alpendre de sua casa. A lua, o calor húmido e os olhos de Bette Davis não nos largam o resto do filme. Começa a desenrolar-se o novelo do romance da homicida e da vítima; das causas referidas e das causas reais; e de uma carta, escrita por Leslie... que esta tenta recomprar, a todo o custo, descobrindo a mulher asiática do seu amante que a chantageia para a sua própria vingança. As cenas de tribunal são sufocantes e é a lua que vai observando a caminhada para um lancinante "With all my heart, I still love the man I killed!".

O "New York Times" escreveu sobre o filme: "The ultimate credit for as taut and insinuating a melodrama as has come along this year — a film which extenuates tension like a grim inquisitor's rack—must be given to Mr. Wyler. His hand is patent throughout . . . Miss Davis is a strangely cool and calculating killer who conducts herself with reserve and yet implies a deep confusion of emotions . . . Only the end of The Letter is weak — and that is because of the postscript which the Hays Office has compelled". Esta exigência do Código prendia-se com o facto de se lidar com adultério e homicídio sem castigo na versão inicial -- impensável...

O filme foi nomeado para 7 Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actriz.

Outras solidões

"In general, in less extreme moments, lonely looks after itself. It helps you develop strategies that reinforce it. The comfort of the dark cinema and the company of the screen actors prevent you meeting anyone. Lonely's like any other organism: competitive and resourceful in the struggle to perpetuate itself."

in "Engleby", de Sebastian Faulks, Vintage, 2008

sábado, 19 de julho de 2008

Orson Welles at work

Já disponível nas livrarias, Orson Welles at work da Phaidon (2008) é uma excelente homenagem behind-the-camera a Welles, com fotografias em parte inéditas que nos mostram a versatilidade de Welles enquanto actor de teatro e cinema, realizador, produtor ou narrador.

François Thomas e Jean-Pierre Berthomé proporcionam-nos um estudo profundo de toda a carreira de Welles, enriquecido de inúmeras ilustrações de argumentos, contratos ou apontamentos pessoais durante o making de obras lendárias, tais como Citizen Cane (1941), ou The Magnificent Ambersons (1942).

Mais um livro com a qualidade a que a Phaidon nos habituou.

O baixo-barítono THOMAS QUASTHOFF


O baixo-barítono alemão Thomas Quasthoff é um dos intérpretes mais conceituados da actualidade. Canta com as grandes orquestras do mundo, entre elas, a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, Berlim, Viena e de Londres, tendo trabalhado com Claudio Abbado, Daniel Barenboim, Bernard Haitink, Kurt Masur, Sir Simon Rattle ou Christian Thielemann. Marca presença em todas as grandes salas de concerto (Gulbenkian em 2005), bem como nos principais festivais de música clássica. Alguns críticos consideram Quasthoff o melhor cantor lírico do género de Lied e de Oratória.

Quasthoff nasceu em 1959 em Hildesheim (Baixa-Saxónia). É uma das milhares de vítimas do maior escândalo de medicina do pós-guerra na Alemanha, provocado pelo sedativo Thalidomide, receituado a mulheres grávidas no final dos anos 50, que causou cerca de 10.000 mal formações congénitas. Quasthoff autodescreve-se assim: "Tenho 1,34 m de altura, braços curtos, sete dedos - quatro na mão direita, três na mão esquerda. Cabeça grande, relativamente bem constituída, olhos castanhos, lábios destacados. Profissão: cantor. "

As dificuldades devidas à sua deficiência física foram inúmeras: a título de exemplo, foi-lhe negado o acesso à Escola Superior de Música em Hannover em 1975 por não poder tocar piano. Iniciou então a sua licenciatura em Direito. Sempre apoiado pelos pais, Quasthoff seguiu, contudo, o seu caminho vocal e teve aulas particulares junto de Charlotte Lehmann e Ernst-Huber Contwig (ironia do destino: Quasthoff é, desde 1996, professor na Academia de Música de Detmold no norte da Alemanha).

A sua apresentação no Festival de Bach em Oregon em 1995 foi o passo decisivo para a sua carreira internacional imparável. A discografia gravada para a Deutsche Grammophon revela um repertório versátil e rico, incluindo obras de Bach, Mozart, Schubert, Brahms, Liszt, Mahler e, por fim, até um album de Jazz. Quasthoff congratula-se com três Grammies já alcançados.

Penúltima nota, dedicada aos leitores wagnerianos: Quasthoff estreou-se na ópera de Viena em 2004, tendo deslumbrado críticos e público como Amfortas em Parsifal.

Última nota, dedicada a todos que queiram conhecer melhor Quasthoff: o canal franco-alemão ARTE leva-nos a um concerto no âmbito do festival de Verbier de 2007, em que Quasthoff, acompanhado ao piano por Hélène Grimaud, interpretou Schumann e Brahms. Amanhã, domingo, às 18h!

Relatório e contas do primeiro trimestre

Este blogue cumpre hoje o seu primeiro trimestre de vida. Pois é, passaram três meses desde aquele primeiro balbuciar virtual.E tem sido um crescimento saudável: esta é a 558ªpostagem, e embora quantidade não seja automaticamente qualidade, significa pelo menos vitalidade e dedicação; e são já cinco os autores do blogue, e estão mais alguns a caminho, uns já o sabem, outros ainda não...
Evidentemente, o número de autores apenas conta no sentido de um acréscimo de experiências de vida, de interesses afins aos nossos, ainda que diferentes, de outras mundividências.
Em suma, pretende-se a diversidade. Não uma diversidade qualquer, naturalmente, mas sim uma diversidade ligada ao espírito deste blogue- o amor pelas coisas da Cultura, pelas criações do génio humano. Sem descurar, e não tem sido descurado, o quotidiano mais prosaico como consta na epígrafe do blogue.
Agradeço aos leitores, de todo o país e até alguns do país vizinho, o incentivo e o carinho demonstrados nestes últimos três meses. Os vossos mails e os vossos comentários no blogue são a prova de que este blogue não vive fechado sobre si próprio .

Otello na Sydney Opera House


A ópera de Verdi está desde ontem em palco na Sydney Opera House. De particular destaque é a encenação de Harry Kupfer, que ganhou fama na Ópera de Viena. A acção é encenada na escadaria de um palácio sumptuoso semi-destruído (presume-se que pela guerra), com um atlas em bronze ao centro sustentando uma esfera armilar. Decorre algures no início do século XX, com os militares de uniformes reminiscentes das Grandes Guerras. Os movimentos do coro e dos figurantes estão sempre a reforçar a ideia de tempestade, em especial no início e no fim da produção, o que resulta particularmente bem como reflexos do contexto e das tormentas interiores dos personagens. A utilização da estátua omnipresente, primeiro como apoio de Desdemona, depois como amparo / bloqueio de Otello, também está bem conseguida. Cheryl Barker é uma Desdemona convincentemente alegre, surpresa, magoada e resignada / desesperada; Dennis O'Neil é um Otello a quem falta alguma estatura (figurativa e literalmente); e Jonathan Summers é um Iago asqueroso (ou seja, bem para o papel concebido por Shakespeare e revisitado por Verdi). No entanto, falta alguma chama.
Em cena em Sydney até 16 de Agosto; depois, a produção passará para Melbourne.

Audeguy - 4

Préludes

La beauté du prélude, chez les plus grands auteurs ( Fauré, Debussy ) , est que justement il ne prélude à rien, se suffit à lui-même : c'est une forme brève, qui n' se impose pas à l' oreille, mais propose ses finesses, ses hésitations, ses nuances, inépuisablement. Comme le nocturne, le prélude est essai, expérience, jeu intellectuel et sensible.

- Stéphane Audeguy, Petit éloge de la douceur, Gallimard, 2007 .

Arte contemporânea no Algarve

A partir de hoje e até 15 de Setembro está patente uma exposição de João Pedro Vale nas ruínas romanas do Museu Arqueológico do Cerro da Vila , em Vilamoura.

A EDUCAÇÃO DO PRÍNCIPE - OBRAS PRIMAS DO MUSEU AGA KHAN

Até dia 27 de Julho, de terça a domingo, ainda pode ver na Fundação Gulbenkian a colecção pertencente ao futuro Museu Aga Khan. A exposição está organizada em dois núcleos : A Palavra de Deus, onde se mostra a importância dos manuscritos do Corão na produção artística e arquitectónica; e O Poder do Soberano, secção que reúne objectos preciosos, retratos e objectos do quotidiano provenientes de várias cortes islâmicas.
Pode ainda ver o projecto do arquitecto japonês Fumihiko Maki para o futuro Museu Aga Khan, em Toronto, a inaugurar em 2011.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

1938 - Maria da Roménia




( -retrato pintado por Tini Rupprecht )
Nascida Princesa Maria de Edimburgo a 29 de Outubro de 1875, primogénita do Príncipe Alfredo de Edimburgo e da Grã-Duquesa Maria Alexandrovna, e consequentemente neta da Rainha Vitória e do Czar Alexandre II da Rússia, foi uma das mais belas princesas da Europa do seu tempo e posteriormente uma das mais belas rainhas europeias do século XX.
Maria tornou-se também princesa de Coburgo em 1889, quando os seus pais se tornaram Duques reinantes de Coburgo, após a morte do Duque Ernesto, tio de Alfredo e que morreu sem filhos legítimos.
A beleza de Maria atraíu vários pretendentes, e entre eles o seu primo Jorge, futuro Jorge V da Grã-Bretanha, que em 1892 pediu formalmente Maria em casamento.
Surpreendentemente, o pedido foi recusado dada a oposição veemente da Grã-Duquesa Maria , que não queria voltar à órbita da sua dominante sogra, a Rainha Vitória, e detestava a Grã-Bretanha.
No ano seguinte, no dia 10 de Janeiro de 1893 Maria casou com o Príncipe Herdeiro da Roménia, Ferdinando de Hohenzollern-Sigmaringen, sobrinho e herdeiro do Rei Carol I da Roménia.
Embora o casamento não fosse perfeito, Maria tornou-se uma rainha adorada pelo seu povo, a quem se dedicou de alma e coração. Paralelamente aos deveres oficiais, escreveu peças de teatro, livros infantis, volumes de memórias e dedicou-se à pintura .
A sua popularidade aumentou ainda mais com a sua intervenção na Conferência de Paz de Paris em 1919, consequente ao término da 1ª Guerra Mundial, onde conseguiu acréscimos territoriais para a Roménia.
A sua maior desilusão foi o seu filho Carol, que logo em 1918 tinha fugido da Roménia para casar com a plebeia Zizi Lambrinho, que lhe deu um filho, Mircea. O casamento foi declarado ilegal e anulado pelo Rei Ferdinando, e em 1921 Carol casou com a Princesa Helena da Grécia, de quem teve um filho, o Príncipe Miguel. Pouco tempo depois do nascimento de Miguel, Carol fugiu novamente com outra plebeia, Magda Lupescu, e em 1925 renunciou aos direitos ao trono.
Quando Ferdinando morreu em Julho de 1927, Miguel , de seis anos de idade, tornou-se Rei da Roménia até 1930, data em que Carol regressou à Roménia, depôs o filho e tornou-se o Rei Carol II .
Os últimos anos de Maria da Roménia, algo marginalizada pelo seu filho Carol, foram passados a viajar e nas suas residências romenas- o Castelo de Bran, que lhe havia sido oferecido pelos habitantes de Brasov, e uma villa em Balsic.
Em 1937, foi-lhe diagnosticada uma doença hepática, tendo estada internada algum tempo num renomado sanatório de Dresden, infrutíferamente.
Morreu no dia 18 de Julho de 1938 , no belo Castelo de Pelishor, na Roménia.


Parabéns Madiba !

Nelson Mandela faz hoje 90 anos. Além do grande concerto de homenagem realizado em Londres no passado dia 26 de Junho, o grande estadista tem recebido muitas outras manifestações de carinho vindas de todas as partes do mundo.
Mandela é uma referência na história do séc.XX e dispensa apresentações.
Só tenho pena que por cada Mandela ou Senghor, tenhamos Idi Amin, Bokassa, Mobutu ou Mugabe...

Prémios Gulbenkian

Hoje, pelas 18h, serão entregues no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian os Prémios Gulbenkian :

PRÉMIO INTERNACIONAL CALOUSTE GULBENKIAN

- Global Footprint Network (E.U.A.)
- The Marine Science Institute (Univ. das Filipinas)

Presidente do Júri: Jorge Sampaio

PRÉMIO GULBENKIAN BENEFICÊNCIA

- Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome

Presidente do Júri: António Barreto

PRÉMIO GULBENKIAN ARTE

- Pedro Costa

Presidente do Júri: João Marques Pinto

PRÉMIO GULBENKIAN EDUCAÇÃO

- Associação de Jardins-Escola João de Deus

Presidente do Júri: Maria Helena da Rocha Pereira

PRÉMIO GULBENKIAN CIÊNCIA

- Sérgio Rebelo

Presidente do Júri: Fernando Lopes da Silva


Entrada livre.

A História e os perdões

Mais um pedido de desculpas por um crime cometido há algum tempo...
Sou muito céptico em relação a estes perdões tão retroactivos, pois prosseguindo nessa senda onde terminamos?


http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=355249&visual=26&tema=2

O Desterrado

1872, por Soares dos Reis

Pintar a solidão - 2

Joachim Patinir, Saint Jérôme dans le désert , séc.XV,
óleo sobre madeira, Museu do Louvre, Paris.

A solidão derivada da fé, a solidão dos eremitas. S. Jerónimo é representado ajoelhado a rezar, vestindo uma túnica cor de cinza, tendo renunciado ao seu manto de cardeal que está no primeiro plano do quadro.
Hoje quase esquecemos que o eremitismo foi um dos grandes ideais de vida cristã durante séculos, tanto no Oriente como no Ocidente.

Sugestão para hoje

No Teatro Camões, em Lisboa, pelas 21.30, a Orquestra Sinfónica Portuguesa interpretará obras de Colla, Sibelius e Ince. Com direcção do maestro David Allan Miller e participação do violinista Mikhail Ovrutzky e Kamran Ince ao piano.
Concerto integrado no 34.º Festival do Estoril mare nostrum 2008 .

Salvem o Largo do Rato! - Petição




Salvem o Largo do Rato - Petição

Foi dada agora luz verde aos projectos de especialidade pela autarquia lisboeta deste enorme edifício entre o Largo do Rato, Rua Alexandre Herculano e Rua do Salitre. Composto por 7 pisos acima do solo, com fachadas de 22 metros, com 10.000 metros quadrados em gaveto, trata-se de uma construção que pela volumetria rebenta totalmente com a escala existente.
O projecto a construir prepara-se para descaracterizar definitivamente esta zona lisboeta.
Para servir tais propósitos o novo prédio obrigará à demolição de alguns imóveis, nomeadamente a centenária Associação Escolar de São Mamede e todo o belissimo centenário conjunto artístico, Palácio Palmela - Procuradoria Geral da República, chafariz e muro de pedra), que rodeia quase todo o terreno.

Peço a todos que leiam e reencaminhem esta mensagem.

E assinem a petição:

http://www.petitiononline.com/lgrato/petition.html

Ver detalhes e comentários:

http://lesmamorta.blogspot.com/2008/02/fotomontagem-expresso-respeitando-as.html <http://lesmamorta.blogspot.com/2008/02/fotomontagem-expresso-respeitando-as.html>

Se nada fizermos isto irá mesmo para a frente!









Leonard Cohen : Hallelujah

Faltam apenas dois dias...

YouTube: Duncster

Bernstein: Tristão e Isolda (final)


YouTube: ayabooon

Allan Heinberg - criador de BD

Este mês conclui a mini-série de banda desenhada da Marvel, "Young Avengers Presents", e vai começar "Secret Invasion: Runaways / Young Avengers". O criador destes Young Avengers é Allan Heinberg. Nascido a 29 de Junho de 1967, conta como créditos na BD o argumento inicial da 3ª série de "Wonder Woman" com Terry e Rachel Dodson, tendo ainda créditos como argumentista e/ou produtor de séries televisivas incluindo "Party of Five", "Sex and the City", e, mais recentemente, "Grey's Anatomy".

Young Avengers #1, Abril de 2005

Redenção da morte pelo amor!

Um amigo colocou-me um desafio: descobrir que também havia redenção da morte pelo amor!
Obrigado. Na verdade fraternidade é... amor


YouTube: odangopen

R.Wagner, Tristan und Isolde
concert Herkulessaal,Muenchen 1981
Dirigent:Leonard Bernstein
Symphonie-Orchester der Bayerischen Rundfunks,Chor des Bayerischen Rundfunks
Isolde:Hildegard Behrens

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Caravaggio - rota chiaroscura pela Cidade Eterna

Narciso, 1599, Palazzo Barberini, Roma

Michelangelo Merisi da Caravaggio, conhecido por este último nome, foi um pintor italiano, normalmente considerado um dos primeiros expoentes do Barroco. Nascido a 28 de Setembro de 1571, veio a falecer aos 38 anos, a 18 de Julho de 1610.

Descobri numa grata visita há dois anos que Roma, pelo espólio que mantém, oferece uma irresistível "caça ao tesouro", em que os deslumbrados visitantes della Città Eterna passam febrilmente de monumento para monumento em busca dos jogos de luz e sombra e da representação quase histriónica das suas pinturas. A galeria de imagens trata dessa demanda possível.


Riposo durante la fuga in Egitto, 1595 - 1596, Galleria Doria-Pamphilj, Roma


Martirio di San Matteo, 1600-1601, Chiesa S.Luigi dei Francesi, Roma


Crocefissione di San Pietro, 1600 - 1601, Chiesa S.Maria del Popolo, Roma


San Giovanni Battista, 1602, Pinacoteca Capitolina, Roma


Deposizione, 1602-1604, Pinacoteca Vaticana, Roma



Madonna dei Pellegrini, 1604 - 1606, Chiesa di S. Agostino, Roma


Davide con la testa di Golia,1605-1606, Galleria Borghese, Roma

Henry David Thoreau




Henry David Thoreau nasceu a 17 de Julho de 1817, filósofo norte-americano, pioneiro do pensamento ecológico, teorizador da desobediência civil.
Agradeço à Manuela Rêgo ter-me lembrado esta efémeride, bem como o envio das imagens.
A Manuela é uma leitora atenta do blogue e até já me evitou cometer uma ou duas gaffes...
Espero usar da minha capacidade de persuasão para convencê-la a colaborar neste blogue, e se alguém me quiser ajudar nesse exercício é bem vindo.

Uma agradável surpresa


Ontem, ofereceram-me um girassol. Gesto bonito e inesperado de quem sabia, como sabem os mais chegados, que se trata de uma das minhas flores preferidas, talvez mesmo a preferida.
Coloquei-o na jarra dos bambús e pareceu-me ficar satisfeito. Hoje de manhã, foi a primeira coisa que iluminou o meu dia, quando fui à cozinha beber água e ouvir o canário e os pardais de Java, dois dos meus rituais matutinos.

A irrefutabilidade de Puccini

"Stellings has this idea that 'classical' music will die before Tamla Motown, because it has no tunes by which it can be remembered (for the sake of this argument, you have to exclude opera, particularly Puccini)."

in "Engleby", de Sebastian Faulks, Vintage, 2008

Sobre as estrelas - 1

-foto tirada do site do Hubble

" C'est au vrai ciel des étoiles qu'il faut suspendre une vie humaine; sans quoi les caprices des hommes et les cris des enfants nous étourdiraient. Là est le modèle de toute science humaine, et de toute machine humaine, et de toute sagesse humaine. Là regarde le législateur des cités, et le législateur de lui même, et le poète, et la vieille bonne femme aussi; tous cherchent la même chose; les uns quelque Dieu arbitre, les autres quelque Loi, tous le sceptre humain et la couronne humaine, chacun comme il la voudrait. Les uns regardant les images, les autres les lisant. "

- Alain , Propos, 1908

3x17 de Julho: Morte de Nicolau II, Czar de todas as Rússias, e da sua família (1918, 1998 e 2008)

Fotografia da família Imperial, 1911, Museu do Hermitage, São Petersburgo


O Czar Nicolau II, a Czarina Alexandra, as suas quatro filhas (Olga, Tatiana, Maria e Anastasia) e o Czarevich Alexei foram mortos a 17 de Julho de 1918, pelo governo Bolshevique, aparentemente sob ordens de Lenine.

Nicolau II foi considerado pela revista Forbes a 3ª pessoa mais rica da história. O seu reinado (1896-1917) foi marcado pelas revoltas (pogroms) anti-semitas de 1903-1906, pela clamorosa derrota contra o Japão na Guerra Russo-Japonesa de 1905, pela Revolução de 1905 em que os militares dispararam contra manifestantes, matando e ferindo centenas (o Domingo Sangrento, como ficou conhecido, ocorreu a 22 de Janeiro de 1905), pela influência de Rasputin e pelas sucessivas derrotas contra as Potências Centrais (os Impérios Alemão, Austro-Hungaro e Otomano e a Bulgária) durante a I Guerra Mundial.

Com a Revolução de Fevereiro, Nicolau II é forçado a abdicar (Março de 1917); o primeiro governo a reconhecer o regime revolucionário é o do Estados Unidos da América.

Exilados pelo Governo de Kerensky em Agosto, a Revolução Bolshevique de Outubro desloca a família em Abril/Maio para outra localização. Executados secretamente (aparentemente por indicação de Lenine), os seus corpos só foram encontrados em 1991 (os dois últimos foram encontrados carbonizados a 30 de Abril deste ano - a confirmação foi dada ontem pelas autoridades russas, 90 anos após a sua morte).

A 17 de Julho de 1998, foi conduzida uma cerimónia de funeral cristão, com os restos mortais encontrados colocados na Catedral de S. Pedro e S. Paulo, em São Petersburgo.

A 14 de Agosto de 2000, o Czar e a sua família foram canonizados como santos pela Igreja Ortodoxa Russa.

Por incrível que pareça, está a decorrer na Rússia a eleição do "maior russo de sempre"; esta semana, Nicolau II ocupou o 1º lugar, tendo destronado José Estaline que liderava as preferências até à semana passada.

Portugal visto de fora: IV - da OMS


A esperança média de vida em Portugal está (estimativa para 2007) nos 75 anos para os homens e 81.3 para as mulheres. No relatório da OMS de 2000, era de 72 anos para os homens e 79.5 para as mulheres. Caramba. Em 1971, a esperança média de vida era de 64 anos para os homens e 70 para as mulheres (fonte: Comissão Europeia). Gulp. Trata-se de um aumento de 17% para os homens e 16% para as mulheres em pouco mais de uma geração - fantástico! E esta é a média, há que bater as médias (até porque por cada pessoa que morre antes, outra vive para ultrapassar a média).

Para mim, no entanto, a métrica mais útil é a (o? os?) DALY - Disability Adjusted Life Years, uma métrica que determina o número de anos de vida saudável (ou seja, apresenta o tempo perdido devido a morte prematura e o tempo vivido sob o peso da doença). Em 2000, Portugal ocupava o 29º lugar do ranking, com 69.3 anos de DALY (note-se quão inferior a um valor médio esperado de 76, se se calcular a média ponderada das esperanças médias de vida - 8%!). Infelizmente este indicador ainda não permite fazer análises temporais, dado que é de cálculo recente (no entanto, dados similares apresentados pela OMS indicam um progresso de cerca de 3.6% entre 2000 e 2002, notável).

Para os mais curiosos, as principais causas de incapacidade de saúde em Portugal são as neuropsiquiátricas, seguidas das doenças cardio-vasculares e do cancro (a tabela seguinte apresenta a decomposição das dez principais causas para homens e mulheres, cortesia da OMS):


Apenas uma nota para notar que as condições neuropsiquiátricas possuem a liderança na maior parte (se não todos?) os países da Europa Ocidental. Os dados mais recentes de DALY para Portugal podem ser consultados em http://www.euro.who.int/eprise/main/WHO/Progs/CHHPOR/burden/20050131_2

O 29º lugar do ranking é apenas uma posição -- pior do que 28 casos, melhor do que os demais. O progresso absoluto é que interessa; não é tanto uma competição, mas uma procura de nivelação - por cima.

WYD SYD 08


Está a decorrer em Sydney um imenso evento à la concerto de rock: as ruas estão fechadas, os parques estão rodeados de barreiras e existem polícias de controlo de multidões em todas as partes da cidade; o ruído é enorme e os meus colegas estão neste momento à janela a ver o porto de Woolloomolloo e o parque do Domain. Há palcos montados; os helicópteros circulam baixinho e de quando em vez passa um avião militar.

No entanto, a estrela esperada não se prevê que venha cantar: é o actual Papa, que vem celebrar missa para o World Youth Day, apregoado como sendo "o maior festival de jovens do mundo". Como qualquer bom evento mediático, o site oficial tem no seu artigo principal um único link: para os sítios onde se pode ver o Papa. Achei particularmente intrigante a presença de multidões italianas que vêm ver o Papa: haveria concerteza alternativas logisticamente mais fáceis...

O evento começou a 15 de Julho e decorre até 20 de Julho; esperam-se cerca de 125 000 visitantes, mais do que os que vieram à cidade durante os Jogos Olímpicos de 2000.

Para azar dos Távoras (ou do Clero), a comunicação social nas últimas semanas tem andado em polvorosa com escândalos de abusos sexuais por parte de padres católicos na Austrália e do seu encobrimento pelo actual Cardeal.

Leonard Cohen - So long Marianne 79


YouTube: Musicfirstlove

Leonard Cohen

Até Sábado

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O abuso da Cruz Vermelha na Colômbia

O Presidente da Colômbia veio reconhecer que um dos soldados envolvidos no resgate de Ingrid Betancourt e dos demais reféns das FARC envergava o símbolo da Cruz Vermelha. O militar aparentemente teve medo quando viu que havia muitos rebeldes (o que se compreende) e sacou do símbolo da Cruz Vermelha (o que é inaceitável para um militar profissional). A Cruz Vermelha é uma organização supra-conflito, cujo poder e influência para fazer o bem depende do respeito e reconhecimento dessa independência por qualquer parte de um conflito, sabendo que qualquer dessas partes será tratada sem qualquer preferência. Este abuso é tão grave como se se tratasse de um terrorista envergando um uniforme da Cruz Vermelha a embarcar num avião em Nova Iorque. Espero que a punição pelo abuso seja veemente e visível. A bem da influência futura da Cruz Vermelha que poderá ser crítica para qualquer um de nós.