
A partir de Maio de 1939, chegam os transportes com milhares de mulheres: judias, ciganas, prostitutas, membros da resistência, religiosas, testemunhas de Jeová – a ideologia nazi “encarrega-se” de justificar as detenções. Ravensbrück viria a ser o maior campo de concentração para mulheres durante o Terceiro Reich.
Muitos são os transportes provenientes de França. Juliette Gréco ou Elisabeth Pelletier de Chambre, esposa de Philippe de Rothschild (membro da resistência francesa), são deportadas para este recinto.
Em 1944, é decidido o extermínio sistemático nas câmaras de gás. Ravensbrück - um lugar sem retorno.
Nina von Stauffenberg é detida por motivos políticos durante cinco meses em prisão solitária. Continua a desconhecer o paradeiro dos seus filhos. Devido à sua gravidez, “tem direito” a uma alimentação ligeiramente melhor. Testemunhas de Jeová que Nina recorda como “muito amáveis” dão-lhe as refeições. Através de uma pequena janela na sua cela, assiste às cenas horrendas de massacres e de humilhações das detidas.
Entre os transportes de mulheres mais recentes encontra-se Anna von Lerchenfeld. A terrível notícia de que a própria mãe é presa em Ravensbrück atinge Nina profundamente. A poucos metros de distância, mãe e filha nunca viriam a cruzar-se: a Direcção do campo impede deliberadamente um encontro entre as duas.

A sua fé ajuda Nina a suportar melhor esta angústia bem como o afastamento dos filhos: “Entregamo-nos na mão de Deus, e isso já em si é uma grande ajuda” refere Nina.
A condessa conta com outro apoio precioso na pessoa da sua cunhada, Melitta von Stauffenberg. A mulher de Alexander von Stauffenberg, detida logo após o atentado, é libertada pelo facto de ser aviadora, o que é de interesse estratégico para o regime. A troca de correspondência com Melitta representa o único contacto que Nina tem com o mundo exterior.
Finalmente, através de Melitta, Nina vem a saber que os seus quatros filhos se encontram bem de saúde, num lar infantil em Bad Sachsa.
Em Janeiro de 1945, Nina recebe ordens de preparar os seus poucos pertences. Acompanhada da Gestapo, sai do campo sem conhecer o destino. São-lhe oferecidos alguns acessórios para bebés e um cobertor. No meio de todo o desespero, nasce a esperança de poder vir a dar à luz.
De comboio, parte primeiro para a pequena localidade de Seeläsgen (hoje Przełazy, Polónia). Segue para Frankfurt an der Oder, onde, após uma breve passagem por um campo de refugiados, é internada numa clínica. É-lhe atribuído um quarto individual, algo com que Nina não sonhava, tendo em conta as condições vividas em Ravensbrück poucos dias antes. A vigilância permanente pela SS torna-se suportável nestas circunstâncias.
A 27 de Janeiro de 1945, nasce a filha mais nova, Konstanze.

A partir de Fevereiro desse ano, a situação na Alemanha é caótica. A guerra está perdida, os Aliados entram em território alemão. A população alemã tenta fugir às tropas estrangeiras, em particular aos tanques do Exército Vermelho que se aproximam de Leste. Nina e sua filha, sob constante vigilância, são submetidas a uma verdadeira odisseia. Percorrem várias cidades até chegar a Potsdam. São internadas num hospital, quer a mãe quer a filha encontram-se em estado de saúde frágil. A 12 de Abril de 1945, Konstanze é baptizada - pela terceira vez, pois nem a mãe nem o sacerdote que assiste ao baptizado sabem que Konstanze tinha sido baptizada anteriormente, “à cautela”, por uma freira e um padre.
Também neste hospital, recebe Nina a triste notícia do falecimento da sua mãe: Anna von Lerchenfeld tinha sido deportada de Ravensbrück em direcção a Leste. Vítima de tifo, morreu no campo de concentração de Stutthof a 6 de Fevereiro de 1945.
A odisseia continua: com a capitulação da Alemanha à vista, Nina é entregue à guarda da SS ou Gestapo à revelia. Existe algum plano para ela e a filha? Quem dava as instruções? Quem decidiria sobre o seu destino?

Fim da Segunda Guerra Mundial, pelo menos na Europa. O Terceiro Reich e o regime nazi são derrotados. Os quatro exércitos aliados repartem entre si o território alemão.
È neste contexto, já de liberdade, que Nina procura seus quatro filhos com a ajuda de familiares e amigos.
Em Junho de 1945, Nina encontra finalmente os seus filhos sãos e salvos em Lautlingen. Decorrido quase um ano após o atentado, o martírio de Nina termina.
To be continued






































A situação em que Nina se encontra deve ser inimaginável: pensa e repensa sobre qual a melhor estratégia a seguir no inevitável confronto com a Gestapo. A incerteza sobre o futuro dos filhos apavora-a. Nina conhece o procedimento “habitual” do regime em relação aos filhos de adversários políticos: ou são deportados para um campo de concentração ou entregues para adopção. Nina está consciente de que o aparato nazi fará todas as diligências para exterminar a “estirpe” dos von Stauffenberg. A ideologia nazi impõe a chamada Sippenhaft, ou seja, a extinção de toda uma família de que provém o opositor ao regime. De facto, a 3 de Agosto de 1944, Heinrich Himmler, o Reichsführer da SS, viria a anunciar que “a família Stauffenberg será extinta até ao último membro.”
A Gestapo tenta obter informações sobre outros conspiradores ou planos subversivos. Nina desempenha, de forma convincente, o papel de mulher doméstica, nunca envolvida em questões políticas. Afirma nunca ter tido conhecimento das intenções do seu marido.