Prosimetron

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A posse e os Homens da Luta

Enquanto decorria a cerimónia de posse do novo Governo na Ajuda, onde Cavaco Silva se redimiu da última comunicação ao país fazendo um bom discurso, os Homens da Luta, a mais radical dupla de humoristas portugueses, os irmãos Nuno e Vasco Duarte, foram detidos pela PSP à porta do palácio conforme demonstram as fotos infra. São realmente os maiores.











Coisas do trabalho...

- Hierarquia laboral...

- O projecto...

- Os vários tipos de funcionários...

- Ao longo da semana conforme os escalões...




Com um agradecimento à Tecla Portela Carreiro.


20º Amadora BD

Começou na semana passada e prolonga-se até 8 de Novembro a 20ª edição do Festival de Banda Desenhada da Amadora, sendo que os destaques deste ano vão para os 50 anos de carreira de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mónica, os 50 anos do Astérix e o centenário do nascimento de Adolfo Simões Muller. Será feita também uma homenagem a Vasco Granja e revisitada a obra de Rui Lacas. Como habitualmente, estarão presentes vários criadores, do mundo dos comics ao universo franco-belga e o brasileiro Maurício de Sousa cujas criações fizeram as delícias de várias gerações ( incluindo a minha...).

De Madrid para a Broadway

Mulheres à beira de um ataque de nervos, o filme que deu a Pedro Almodóvar fama internacional, vai ser adaptado como comédia musical. A estreia ocorrerá a 12 de Abril na Broadway.

Hoje na FNAC Chiado

2009 é também o ano de Agustina, incontestada rainha das nossas letras. Além da reedição da obra, têm sido vários os eventos organizados, tendo a Fnac decidido organizar quatro debates sobre a sua imensa obra, moderados por Helena Vasconcelos e que se realizarão entre hoje e o dia 31 : As artes de Agustina, Os homens e as mulheres de Agustina, Agustina e as relações de poder e Os aforismos de Agustina.

Dias 26, 27, 28 e 31 de Outubro, às 18h30, na Fnac Chiado.

Belas baladas bretãs

Foi lançado o mês passado este Finistériens, o novo cd de Christophe Miossec, sendo que outro bretão, Yann Thiersen ,também ajudou nas letras destas novas composições.
O tema que escolhi não tem muito a ver com a Bretanha, mas achei-o bien quand même.

Cinenovidades - 65 : Madonna e Eduardo VIII


Confesso que fiquei surpreendido com a notícia: ela vai produzir e realizar (!) um filme sobre ele, o rei que abdicou por amor. Felizmente, parece que Guy Ritchie, ex-marido dela, vai ajudar na realização.

O XVIII

Não é muito conhecida, mas esta é a bandeira do primeiro ministro de Portugal. Vem hoje a propósito já que daqui a uma hora e meia toma posse, no Palácio da Ajuda, o novo governo. Algumas caras novas no novo elenco governativo, mas o núcleo duro dos 3 Silvas persiste inalterado: Silva Pereira, Vieira da Silva, Santos Silva.

Os limites da arte - 7

- Damien Hirst, Adam and Eve under the table, esqueletos humanos, um vestido de noiva, um fato, cigarros, garrafas vazias, cinzeiro, fruta e parafernália para consumo de droga, 2005.

Já que se tem falado tanto de um dos descendentes deste casal fundador, achei por bem trazer ao blogue esta visão sobre os pais do dito da autoria do mais famoso, e grande génio comercial mas isso é outra conversa, artista plástico contemporâneo britânico Damien Hirst. Como se devem recordar, é o mesmo dos tubarões em formol, do sangue de Cristo em paracetamol etc.
É claro que o uso de esqueletos humanos em obras de arte levantará sempre controvérsia, mas neste caso particular houve tanto por onde pegar que até os esqueletos passaram relativamente despercebidos...

Novidades - 78 : Sobre maçãs

Tinha dito aqui no blogue que " tinha umas maçãs para dar ", o que até originou uns divertidos comentários, e aqui estão elas: é o mais recente livro de um jovem historiador das religiões que tem publicado textos muito interessantes. Este versa, como resulta desde logo do subtítulo, sobre a história da maçã numa perspectiva cultural, do Jardim do Éden e o pomo da discórdia grego até à celebre queda de uma maçã num jardim inglês que ajudou a revolucionar as leis da física.

- de Adão a Newton- uma história das maçãs, Paulo Mendes Pinto, Esfera do Caos, Outubro de 2009.

Novidades - 77 : A Bíblia para todos

Foi lançada na semana passada esta versão da Bíblia perfeitamente inédita entre nós: sem divisão por capítulos e versículos e sem notas. Um texto corrido, como uma obra literária, e com uma componente visual mais alargada do que é habitual. E é fruto de uma tradução interconfessional, preparada pela Sociedade Bíblica de Portugal. A edição é da Temas e Debates e do Círculo de Leitores.
A propósito do lançamento da obra foi inaugurada uma exposição temática que está patente no Museu das Comunicações.

1685 : Domenico Scarlatti

A 26 de Outubro de 1685, na bela cidade de Nápoles, nasceu o compositor italiano Domenico Scarlatti, que viria a falecer em Madrid no dia 23 de Julho de 1757. Filho do também compositor Alessandro Scarlatti, foi bem sucedido em Roma, Londres e na península ibérica onde passou vários anos como sabemos.
Aqui fica uma das suas belas sonatas tocada pela grande Martha Argerich. E Saramago não larga o blogue...

20.º Aniversário da Queda do Muro de Berlim




Conferência
2 Nov. 2009
Auditório 2 / Fundação Calouste Gulbenkian / Lisboa

14h15 - Boas-vindas
14h30-15h00 - Sessão de abertura
Margarida Marques, Chefe de Representação da Comissão Europeia em Portugal
Luís Moita, Professor na Universidade Autónoma de Lisboa
Emílio Rui Vilar, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian
Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros

15h00-16h45 -
Painel I: Novos desafios na UE alargada – a questão da democracia na Europa e a importância da sociedade civil
Moderador: António Vitorino, ex-Comissário europeu
Jorge Sampaio, ex- Presidente da República Portuguesa (depoimento em vídeo)
László Kovács, Comissário Europeu: "The role of Hungary in the promotion of East/West dialogue and cooperation in the 90's – the opening of Austrian-Hungarian borders for East German refugees".
Luís Moita, Professor na Universidade Autónoma de Lisboa: "Dinamismo das sociedades e mutações políticas – as lições das últimas décadas".
Katarzyna Skórzynska, Embaixadora da Polónia em Portugal : "O caminho do "Solidariedade" até à Liberdade e à Democracia”.
Ondrej Kasina, Conselheiro da Embaixada da República Checa em Portugal: "A importância da sociedade civil na transformação dos regimes totalitários para a democracia."

16h45-18h30 Painel II: Novos desafios na UE alargada – a questão geo-estratégica, a questão da cooperação económica e a Europa no Mundo
Moderador: Teresa de Sousa, Jornalista do Público
Mário Soares, ex-Presidente da República Portuguesa
Pawel Zalewski, Membro do Parlamento Europeu: “A influência da segurança energética na coesão da União Europeia".
Bo Huldt, Professor de "Política e Estratégia de Segurança" no Instituto de Defesa da Suécia: "Segurança nas regiões nórdicas – transição da Guerra Fria para uma Nova Europa".
Helmut Elfenkaemper, Embaixador da Alemanha em Portugal: "Vinte anos depois da queda do muro: capítulos fechados e novas questões".
Peter Andrej Bekeš, Embaixador da República da Eslovénia em Portugal: "Alargamento da União Europeia - um trabalho ainda inacabado".
18h30 - Encerramento

António Bôtto



Cemitério Alto de São João, Lisboa
Passaram este ano 50 anos sobre a Morte de António Bôtto. Viu a sua vida transformada por haver quem tivesse preconceitos. Morreu no Brasil a 16 de Março de 1959.

Evangelho de Filipe


Foto feita em Lisboa, 17.10.2009

Numa outra conversa, agora com Tiago, veio à baila o Evangelho de Felipe, e lembrei-me de uma frase:

"Um cego e um que vê - se se encontram ambos às escuras - não se distinguem um do outro; mas quando chegarem à luz, o que vê verá a luz, enquanto que o cego permanecerá na obscuridade"

Evangelho de Filipe, 55-56 (cito sem consultar o Evangelho, existem variantes).

A frase do Ano

imagem de talha que se encontrava para venda numa loja de antiguidades

Esta noite escutei a frase do ano. Estava com outro prosimetronista a tomar uma bebida... e ouvimos o porteiro do bar dar um conselho a um jovem de 20 anos. E o conselho, acertado, era o seguinte:
"Mais vale estar calado e julgarem-nos um idiota, do que abrir a boca e dizer asneiras"!

Procurei saber de quem era a frase! Não encontrei a resposta mas encontrei uma variante:

«Mais vale estar calado e julgarem-te um idiota, do que abrir a boca e dissipar todas as dúvidas

Este "porteiro" subiu um pouco mais na minha consideração. E se digo subiu um pouco mais é porque o lugar que ele ocupava já era bastante elevado. O País precisa de mais homens assim! Obrigado Carlos!

O Embaixador de Jesus, Paula Rego

O Crime do Padre Amaro é um dos romances do Eça de Queirós que mais admiro!
A mordacidade e a crítica utilizada na análise da sociedade portuguesa de então, torna Eça um dos meus escritores favoritos. A juntar ao livro gostei imenso da exposição de Paula Rego sobre o tema, que pude ver no Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian, há uns anos.
A associação de ideias com o post de A.S. levou-me a colocar aqui a tela intitulada: O Embaixador de Jesus.
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Paula Rego, O Embaixador de Jesus, 1997


Doçaria tradicional - 9


A fábrica foi fundada por Emília Sousa Antunes em 1906, tendo começado pro fazer pastéis de feijão, mas como «a sua mãe era lavadeira, lembrou-se de fazer um doce com a forma de uma trouxa de roupa.» (Maria Celeste Esteves França da Costa, sobrinha neta da fundadora)
Em 1922, a fábrica passa para a sobrinha Maria Emília Antunes Lopes Esteves, que regista a marca em 1945. «Nessa época, o Carnaval de Torres Vedras trazia verdadeiras multidões à Fábrica da Malveira. Quatro pasteleiros iniciavam o processo de bater a massa logo de madrugada para que pudesse ser retirado do forno um tabuleiro de trouxas de três em três minutos.» (de um folheto da Fábrica)
Em 1972 a fábrica muda de mãos.
http://www.mafrahoje.pt/index.php?op=viewart&artid=48FC622E009AE

Ao piano 13.

José Ferraz de Almeida Júnior foi um pintor brasileiro do século XIX. Escolhi esta tela por causa do piano.
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José Ferraz de Almeida Júnior (1850 -1899), Descanso do Modelo, 1882
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Óleo sobre tela, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Cantiga

Comigo me desavim
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
antes que esta assi crecesse;
agora já fugiria
de mim, se de mim pudesse.

Que o meo espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo,
tamanho inimigo de mim?
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Francisco Sá de Miranda
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Francisco Sá de Miranda, in João Gaspar Simões, História da Poesia Portuguesa, Das Origens aos Nossos Dias Acompanhada de uma Antologia, Empresa Nacional de Publicidade, 1955, Vol.I p. 274

domingo, 25 de outubro de 2009

A minha alma ficou parva!!!!

A minha alma ficou parva!!!!
Não sabia que estes símbolos são símbolos usados por pessoas pedófilas.

Vamos estar atentos!!!

Vamos condenar!!!


Pedófila Homo


Pedófilo Homo








Pedófil@ Hetro





Pedófil@ bissexual







e em forma de anel...

Biografias, autobiografias e afins - 45

Lançada este mês e já à venda entre nós ( vi-a na Fnac ), a monumental e oficial biografia ( 1000 p. ) da Rainha-Mãe Elizabeth escrita por William Shawcross a convite de Isabel II, promete vir a ser a biografia de referência da centenária senhora que, o que talvez supreenda os menos conhecedores dos meandros da monarquia britânica, era uma dama de ferro apesar dos vestidos em tons pastel e dos sorrisos e acenos.

Ainda Saramago e o seu CAIM - 2

Como acontece provavelmente com outros prosimetronistas, recebo regularmente correio electrónico proveniente da Fnac onde nos é dado conhecimento das novidades da casa. Foi o que aconteceu ontem. A conhecida rede livreira não perdeu tempo e organizou a caixa Saramago que contém os 2 livros mais polémicos do nosso Nobel: O Evangelho segundo Jesus Cristo e o recente Caim. Um excelente presente para aborrecer amigos mais devotos ou ver um sorriso de agradecimento nos rostos dos amigos ateus fãs de Saramago.

Ainda Saramago e o seu CAIM - 1

" Qual a diferença entre um fanático religioso e um fanático ateu? Simples: um fanático religioso vê o demónio em toda a parte. O fanático ateu vê Deus em toda a parte. (...) "

Assim começava a crónica de João Pereira Coutinho publicada no Correio da Manhã de ontem, acabando a mesma dissecando aquele que é para o cronista e para mim e muita outra gente o verdadeiro "problema" de Saramago: a sua profunda intolerância. Gostei também de ouvir a conversa entre Monsenhor Carreira das Neves e o escritor na Sic-Notícias, foi bom que alguém relembrasse a Saramago as contradições em que cai frequentemente: " direito à heresia" ? Por parte de um ateu confesso? Heresia é uma coisa, ateísmo é outra como Carreira das Neves e outros têm lembrado. Apesar de tudo, foi interessante ver Saramago admitir "alguns excessos de linguagem" na obra em causa.

La Traviata

Placido Domingo and Teresa Stratas sing the Brindisi from Act I of La Traviata

A. S. : Escolhas Pessoais III

Abade de Jazente

Padre de ofício, poeta nas horas vagas, Paulino António Cabral ( 1719-1789 ), mais conhecido por Abade de Jazente, foi autor de sucesso no seu tempo, tendo conseguido a proeza de vender, em menos de seis meses, 2.000 exemplares do seu primeiro livro ( POESIAS ) impresso, em 1786, no Porto.
Os seus temas são do quotidiano, a linguagem é chã e directa, mas da sua leitura ressalta um poeta original que, além de pastorear as almas da freguesia de Jazente, “apascentava”, também, alguns corpos femininos, como o de Nize (sua musa predilecta, Inês da Cunha), e nunca perdia de vista o dia a dia do seu mundo rural: “Depois que desta Aldeia no retiro / A vide pódo, enxerto o Catap’reiro, /Cultivo o meu Casal, e do Ribeiro / Eu mesmo as águas para o Campo tiro…”; bem como se insurgia contra os preços dos géneros ou satirizava, de forma bem humorada, os costumes época:


A trinta e cinco réis custa a pescada,
O triste bacalhau a quatro e meio,
A dezasseis vinténs corre o centeio,
Do verde a trinta réis custa a canada.

A sete e oito tostões custa a carrada
Da torta lenha, que do monte veio;
Vende as sardinhas o galego feio
Cinco ao vintém; e seis pela calada.

O sujo regatão vai com excesso,
Revendendo as pequenas iguarias,
Que da pobreza são todo o regresso.

Tudo está caro: só em nossos dias,
Graças ao Céu! Temos em bom preço
Os tremoços, o arroz, e as Senhorias
.”

Post. de Alberto Soares (a quem agradeço a colaboração que tem dado a este Blogue, que também é seu)

25 de Outubro de 2016


Publicado que estava o respectivo decreto no Diário Oficial, Portugal contava agora com mais um duque. À semelhança da outra monarquia ibérica, decidira-se agraciar os primeiros ministros que cessavam funções com o mais alto título de nobreza, tendo sido o primeiro beneficiário de tal prática A.Guterres, agora duque de Castelo Branco por acordo entre o próprio agraciado e o Conselho Nobiliárquico de Sua Majestade Fidelíssima D. Afonso VII.
O facto do primeiro ministro cessante ter aceite o dito título tinha irritado bastante alguns dos seus companheiros de partido, especialmente os de filiação maçónica, que receavam que tal exemplo contagiasse outros camaradas.
O agora duque de Castelo Branco era um estadista respeitado por todos, tendo sido as suas proverbiais capacidade de diálogo e seriedade pessoal que tinham ajudado o país a ultrapassar a Grande Crise de 2012 que levara à mudança de regime.
Na véspera da publicação do decreto, o novo duque tinha ido jantar informalmente à Ajuda, onde na ala nova, adaptada aos novos tempos e tecnologias, residiam Suas Majestades Afonso VII e Victoria Federica, nascida de Bórbon y Marichalar. Na parte antiga do palácio, que mantinha o cariz museológico, continuavam os avistamentos do suposto fantasma de uma antiga directora que tinha recusado entregar as chaves do palácio em 2012 e que após um breve internamento psiquiátrico tinha falecido num acidente de automóvel.
Tinha já tomado posse o novo primeiro ministro, Nuno Melo, líder do partido PSD/CDS que havia ganho as recentes eleições legislativas, e dias antes tinha sido também empossada a nova presidente do Parlamento do Reino, a agora condessa de Birre, que antes da Grande Crise tinha dirigido uma fundação dedicada à investigação médico-oftalmológica.
Em Outubro de 2016, Portugal vivia finalmente um período de acalmia depois dos graves distúrbios que quatro anos antes tinham agitado o país à medida que iam sendo conhecidos os resultados dos julgamentos de vários líderes políticos por crimes de corrupção e sobretudo com as posteriores desesperadas tentativas destes junto dum politizado Tribunal Constitucional no sentido de serem anuladas as respectivas condenações. Tinha sido o impasse verificado no Tribunal Constitucional e as diárias manifestações de rua com a consequente paralisação do país que tinham conduzido à intervenção das Forças Armadas e à subsequente renúncia do Presidente da República, agora a viver tranquilamente em França.
A tranquilidade lusa só era perturbada no plano interno por dois movimentos radicais: de um lado, a Esquerda Unida, agora dirigida por Bernardino S. desde a morte algo suspeita de F.Louçã, que funcionava a partir da Venezuela onde se tinham acolhido muitos partidários da organização depois do falhado Golpe de 2014 e onde lhes era prestado apoio logístico pelo Presidente Vitalício; no pólo oposto, o Neo-Integralismo, que agrupava várias dissidências monárquicas e pugnava por uma monarquia absoluta como o Liechtenstein ou a Arábia Saudita, se bem que ultimamente estivesse mais silencioso depois da prisão de alguns dos seus dirigentes por queimarem a nova bandeira nacional, a chamada "Conciliatória" adoptada em 2013 aquando da redacção da nova Constituição.
Sua Majestade tinha decidido inaugurar uma nova prática política no dia 25 de Outubro, depois de ter recebido aconselhamento favorável a tal por parte do Conselho da Coroa. Assim, pela primeira vez, às 15h, o Rei dirigiu-se à Nação em directo a partir do Castelo de S.Jorge, data e lugar carregados de um simbolismo necessário para enfrentar uma potencial ameaça externa: a crescente agressividade por parte da recém-proclamada República Islâmica de Marrocos, cujos dirigentes mantinham a par de uma retórica de intimidação uma crescente militarização do país. Depois de ter tomado Ceuta sem que Espanha tivesse reagido pela força das armas, o novo regime marroquino continuava a ameaçar Portugal caso o país não convidasse a exilada família real marroquina a abandonar o território, o que havia sido recusado terminantemente pelas autoridades portuguesas, com a Casa Real à cabeça.
E o país parou para escutar o Rei.

«Trago fado nos sentidos»


Espectáculo de Mário Laginha e Bernardo Sassetti, encomendado pela Casa da Música, e para o qual a dupla de pianistas compôs novos temas, fez arranjos e reinterpretações de temas celebrizados por Amália.

Aula Magna
Lisboa
3 Nov. 2009, 21h00

Auto-retrato(s) - 31


Renoir - Autoportrait au chapeau blanc
Óleo sobre tela, 1910
Paris, col. Durand-Ruel


Hei-de colocar outros auto-retratos deste pintor, que muito aprecio.

Renoir au XXe siècle

«Nos inícios dos anos 1890, Renoir experimenta novas vias. Inventa uma arte que ele pretende clássica e decorativa, dominada pela recusa do mundo moderno em benefício de uma Arcádia intemporal, povoada de banhistas sensuais. Então, enquanto o cubismo e o abstraccionismo se desenvolvem, o mestre define um ponto de equilíbrio entre tradição e inovação.» (http://www.rmn.fr/Renoir-au-XXe-siecle)

Grand Palais
Paris
até 4 Jan. 2010

1147: Conquista de Lisboa

- Autor desconhecido, Conquista de Lisboa aos mouros, óleo sobre tela, meados do séc.XVII, Museu da Cidade, Lisboa.

A 25 de Outubro de 1147, depois de um cerco de quatro meses, Lisboa caía às mãos de D.Afonso Henriques, auxiliados os portugueses por soldados de outras nacionalidades.
E um desafio muito fácil : - quem são os santos representados no canto superior esquerdo da tela?

25 de Outubro de 1825

Johann Strauss II nasceu a 25 de Outubro de 1825. Aqui fica a abertura da sua mais bela opereta, interpretada há vinte anos pela Filarmónica de Viena dirigida pelo grande Carlos Kleiber.

Mamía Roque Gameiro numa passagem da Athena, Revista de Arte.

Jaime Martins Barata pintou a mulher: MAMÍA ROQUE GAMEIRO

Algumas imagens que povoaram a minha infância

Imagem digitalizada da Athena Revista de Arte, Vol I, nº 5, Fevereiro de 1925, desenhos de 1920.

"De entre os seus discípulos [Alfredo Roque Gameiro], sua filha Mamía Roque Gameiro, representa sem dúvida, um exemplo bem typico de independência e pessoalismo"

M.V., "
A Pintura Realista e o «Virtuosismo». (A propósito de alguns quadros de Mamía Roque Gameiro" Athena Revista de Arte, Vol I, nº 5, Fevereiro de 1925 (edição facsimilada)

S. Crispim e S.Crispiniano

- Aert van den Bossche, O Martírio de S.Crispim e de S.Crispiniano, óleo sobre tela, 1494, Palácio-Museu de Wilanów, Varsóvia, Polónia.


25 de Outubro é o dia reservado na Igreja Católica Romana, nas igrejas ortodoxas e na Igreja de Inglaterra aos santos gémeos Crispim e Crispiniano, padroeiros dos sapateiros e dos tanoeiros e mais recentemente da comunidade leather em geral ( motards e afins ). A ligação dos irmãos, que nasceram no séc.III no seio de uma família importante de Roma, aos sapatos advém do facto de ter sido esse o ofício a que se dedicaram para subsistirem na Gália para onde fugiram evitando as perseguições então exercidas em Roma. Fuga que não lhes serviu de muito pois acabaram torturados e decapitados em Soissons.
No que respeita ao nosso país, a devoção que em tempos lhes foi votada especialmente na capital levou a que pelo menos um estudioso do Políptico das Janelas Verdes visse neles os "santos" retratados nas famosas tábuas.

Um músico, um pensamento 2.

Mascagni c. 1890.
"Foi uma pena eu ter escrito primeiro a «Cavalleria».
Acabei por ser coroado antes de ser rei".

Pietro Mascagni, in 101 citações para Músicos e Melómanos, Lisboa: Garrido Editores, 2003, (Rita Terry). p. 8

A angústia de Maria Antónia

Apesar dos pareceres concordantes da Maya, do Paulo Cardoso e do Prof. Malatu Bembo, Maria Antónia de Sousa de Menezes e Teixeira Lima da Cunha Perdigão não conseguia dominar a sua angústia. Continuava convencida que o seu marido de quase 40 anos, o respeitado cirurgião Dr.Cunha Perdigão, a enganava com outra ou outras mulheres.
Até mesmo depois do relatório entregue pelo Detective Santos, contratado através do Correio da Manhã, jornal que comprou pela primeira vez na sua vida embora depois o tivesse lido de fio a pavio, Maria Antónia continuava firme na sua convicção de mulher traída.
Era o seu sexto sentido de mulher como costumava dizer, apoiado no relativo desinteresse sexual do marido que durava há já alguns meses, bem como no facto de este não perder nos últimos tempos uma palestra, colóquio ou congresso, no país ou no estrangeiro,depois de uma vida inteira a furtar-se a tais eventos. Até Alice, a filha do casal que havia seguido a carreira do pai, achava que " O pai anda esquisito " .
Dominando os seus sentimentos, Maria Antónia não partilhara as suas inquietações com nenhuma das suas amigas, nem com as mais antigas, as do colégio, nem com as do bridge.
Receava ser apontada como uma "coitadinha" como tinha visto acontecer em casos semelhantes. Até porque se lembrava sempre das palavras da sua avó minhota, a Sra.D. Maria Luísa Fonseca Seabra e Silva de Sousa de Menezes que ao ouvir ser expresso qualquer sentimento de piedade proclamava perante quem quer que estivesse perto de si : " No Minho coitadinho é corno! Na minha família não há coitadinhos! ". Um código de conduta espartano partilhado pela outra grande influência na vida de Maria Antónia, o seu pai, o Prof. Teixeira Lima, que formara gerações de cirurgiões portugueses e entre estes aquele que viria a ser o marido da filha, o Dr.José Francisco da Cunha Perdigão.
Maria Antónia apenas abrira uma excepção com a sua cunhada preferida, Ana Laura, tendo esta procurado tranquilizá-la : " O meu irmão não tem esse carácter, e se ainda fosse mais novo mas aos 60 anos ? ". Maria Antónia rebatera com o Viagra, aduzindo ainda um exemplo que tinha lido recentemente numa revista do "social" : " Pois se até o Julio Iglésias acabou de assumir que toma Viagra, porque não há-de fazê-lo também o José Francisco que até é mais novo? ".
Apesar da oposição da cunhada, Maria Antónia decidiu confrontar o marido domingo à noite quando este regressasse de Londres onde tinha ido a um seminário do Royal College of Surgeons.
E assim aconteceu. Depois de um jantar a dois, ao contrário do que era habitual aos domingos pois que Maria Antónia tinha pedido a Alice que inventasse uma desculpa para não estar presente, mais silencioso do que o habitual o casal retirou-se para a biblioteca que também servia de sala de estar no dia a dia. Antes que o marido se refastelasse no sofá, Maria Antónia passou ao ataque:
- José Francisco, exijo que me diga com quem anda metido e quais são as suas intenções!
- Ò Maria Antónia, por amor de Deus, a menina está doida? Eu não ando metido com ninguém!
- Não se faça de inocente, você está diferente, não pára em casa e sempre que pode vai para o estrangeiro, tenho a certeza que há outra mulher na sua vida!
O Dr.Perdigão sorriu, aproximou-se da antiga mesa de jogo que agora servia de bar e serviu-se de whisky. Depois, respirou fundo e encarou Maria Antónia:
- Minha querida, não lhe quis dizer antes para não a preocupar mas fui convidado para ser o próximo bastonário, inclusive com o apoio do actual pelo que certamente serei eleito.
Maria Antónia deixou-se cair no sofá. Tudo fazia agora sentido: as mudanças de comportamento, as viagens, os congressos e os colóquios. O marido bastonário dos médicos! Pensando no que tal implicaria- convites para tudo e mais alguma coisa, bem como o reconhecimento social e mediático associado ao cargo, não conseguiu reprimir as lágrimas.
Levantou-se e enlaçou o marido que lhe enxugou as lágrimas que corriam agora pelo rosto abaixo.
- Então eu serei a Primeira Dama dos médicos!
- Mais ou menos, minha querida, mais ou menos.



Como é da praxe, importa dizer que qualquer semelhança entre estas personagens e quaisquer pessoas de carne e osso, vivas ou mortas, é mera coincidência.

Telstar

Este Telstar dos The Tornados é um dos mais famosos instrumentais de todos os tempos, dominou os tops dos EUA e do Reino Unido em 1962 e é o centro da intriga de uma short story de Jerry Sykes que li recentemente chamada Symptoms of loss, inserida numa excelente antologia - Crime Scenes, A collection of modern mystery stories-editada pelo grande David Stuart Davies e publicada pela Wordsworth em 2008.
O Telstar foi o primeiro satélite de comunicações, arauto pois de uma nova era.

Après toi je n'aurai plus d'amour


Esta é uma das muitas canções de época que integram a banda sonora de Jacquot de Nantes, filme de Agnès Varda, sobre as memórias de infância e juventude de Jacques Demy, passadas na sua Nantes natal (e pelo Loire, durante a Guerra) e até ir para Paris estudar cinema.
«Se todo o filme é (deve ser) um acto de amor, Jacquot de Nantes é-o num duplo sentido. Primeiro como filme "em si", pois Jacquot de Nantes é, para mim, o melhor (apetece-me dizer, o mais bonito) dos filmes de Agnès Varda, no recorte dos personagens, na construção temporal, deslizando pelos anos com uma serenidade absoluta, no jogo que estabelece entre a cor e o preto e branco [...], e entre a narrativa própria e os corpos "estranhos" (refiro-me aos segmentos dos filmes que lá aparecem, de Les Parapluies de Cherbourg a Une Chambre en Ville). E em segundo lugar porque tem por "objecto" o homem da sua vida: Jacques Demy [...]. Da conjugação destes dois factores resulta um dos mais perfeitos exemplos de um "ciné-mémoire", que não deve ser entendido com uma reconstituição de época nostálgica de que se usa e abusa hoje em dia.» ( Manuel Cintra Torres, na folha de sala)
Este filme, preparado quando Jacques Demy já se encontrava doente e estreado em 1991, passou 6.ª feira à noite na Cinemateca. Na 2.ª feira, pelas 19h30, será exibido L'Univers de Jacques Demy, também de Agnès Varda.

Soror Violante do Céu

Parnaso Lusitano, tomo II

Isabel Morujão, Revista de Estudos Ibéricos n.º 1 2004: 277- ...ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/artigo13081.pdf, "Entre o profano e o religioso. Processo de divinização na poesia de Soror Violante do Céu".

Para A. S. pelos quatro versos no comentário que me levaram a procurar o soneto.
Obrigada Ana

Parabéns Picasso

Hoje Picasso faria 128 anos. Escolhi estes trabalhos para o recordar.

Three Dancers. 1919-1920. Pencil.


Sketch of Set for the "Parade". 1917.


Peinture a la colle. The National Museum of Modern Art, Paris, France.

Pablo Picasso, Harlequin Family, 1905, fase rosa


http://www.artchive.com/artchive/P/picasso_rose.html