Prosimetron
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Reedição de obra sobre Camus
Publicado pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1975, A Felicidade em Albert Camus foi depois reeditado em Portugal em 1978, tendo então recebido o Prémio de Ensaio da Academia das Ciências de Lisboa.
É hoje posta à venda uma nova edição, no ano do centenário do nascimento de Albert Camus, Prémio Nobel da Literatura em 1957.
domingo, 21 de julho de 2013
Soneto do comilão
A invenção mais rica e adorada,
Ao vosso relatório aqui ajunto
Foi descobrir-se que o belo presunto,
É fazenda p'ra deitar-se na dobrada.
Uma bela e valente caldeirada,
Com manteiga de vaca e não com unto,
Olhe lá, general, mais esta ajunto,
É invenção por Deus abençoada.
Mãozinhas de carneiro com tomates,
Um pato com arroz, lulas eirozes,
Se é capaz chame a isto disparates.
De beber belo vinho só tu trates,
E escuta-me agora as minhas vozes,
Mata a fome toleirão - gente não mates.
Luís de Araújo
In: Novo Almocreve das Petas. 2.ª ed. Lisboa: Joaquim José Bordalo, 1879, t. 1, p. 206
Em geminação com o Arpose que hoje tem um post sobre o almanaque de José Daniel Rodrigues da Costa, que inspirou Luís de Araújo a escrever este.
Música para o serão
Ainda no seguimento do post sobre 1963 e o Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos durante a década de 1960, ouçamos Sam Cooke com este Chain Gang.
1963

"Há 50 anos, o Presidente De Gaulle vetou a entrada do Reino Unido na Comunidade Económica Europeia, os Beatles lançaram o primeiro LP ("Please Please Me"), Paulo VI foi eleito Papa, estreou-se o primeiro filme de James Bond ("Dr. No"), nasceu uma nova ilha no Atlântico Norte (a vulcânica Surtsey). Martin Luther King Jr. liderou a marcha até Washington, D.C., em prol do emprego e da liberdade (e proferiu o famoso discurso "Eu Tenho Um Sonho"), e o Presidente J. F. Kennedy foi assassinado. Diz-se que este foi o primeiro acontecimento global: todos se lembram onde estavam e o que faziam quando ouviram a notícia! (O mesmo vale para a morte da princesa Diana, em 1997, e para o 9/11 de 2001). Razão mais do que suficiente para a Howard Greenberg Gallery de Nova Iorque montar uma importante exposição fotográfica sobre esse ano americano de King e Kennedy: 50 fotografias dos acontecimentos, seus antecedentes e consequências, incluindo provas de imprensa vintage que deram a volta ao mundo. O Movimento dos Direitos Civis, os assassínios em série, as demonstrações contra a Guerra do Vietname, etc. Nomes sonantes na história do fotojornalismo (Bruce Davidson, Gordon Parks, Carl Mydans, John Loengard, Eliot Elisofon, etc.), mas também o ubíquo anónimo. Tudo coroado pelo retrato oficial do recém-empossado Presidente Lyndon B. Johnson, por Arnold Newman, dedicado pelo retratado ao artista. Outros protagonistas são Malcolm X, Rosa Parks, Duke Ellington, Bob Dylan, etc.
Sim, 1963 foi um ano-charneira na história do Ocidente. Como português, devo acrescentar que José Mourinho nasceu em 1963. Mas prefiro Johnny Depp, nascido no mesmo ano."
Jorge Calado, edição Expresso de 20 de Julho
Fotos de Bruce Davidson de 1965 e 1962
Sim, 1963 foi um ano-charneira na história do Ocidente. Como português, devo acrescentar que José Mourinho nasceu em 1963. Mas prefiro Johnny Depp, nascido no mesmo ano."
Jorge Calado, edição Expresso de 20 de Julho
Fotos de Bruce Davidson de 1965 e 1962
Wikipédia antecipa Cavaco???
Não, juro que não é uma fotomontagem. Fui eu mesmo que gravei a imagem.
Hoje, pelas 18:00 consultei a Wikipédia e Paulo Portas é indicado como Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-Primeiro-Ministro https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Portas.
Portanto já se sabe o que é que o Oráculo vai dizer mais logo, pelas 20:30, à nação:
«Dado não ter havido entendimento, o governo continua em funções, tendo aceite as alterações indicadas pelo Sr. Primeiro-Ministro».
Hoje, pelas 18:00 consultei a Wikipédia e Paulo Portas é indicado como Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-Primeiro-Ministro https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Portas.
Portanto já se sabe o que é que o Oráculo vai dizer mais logo, pelas 20:30, à nação:
«Dado não ter havido entendimento, o governo continua em funções, tendo aceite as alterações indicadas pelo Sr. Primeiro-Ministro».
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Cavaco Silva,
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Pedro Passos Coelho
Coffee break
Um café com um Vanille Kokos, só que como não gosto de chocolate branco, esta seleção não ficou aprovada.
O tomateiro
Para além do vermelhinho, quem apurar a vista verá mais cinco tomates. O vermelho já foi comido e os 'infantes' disseram que era muy bueno.
2013 - Os voláteis do Beato Angélico
Os voláteis do Beato Angélico é o título de um ensaio, escrito por Antonio Tabucchi, que foi escolhido, também, como título a um pequeno volume de ensaios, publicado em Lisboa, em 1989 (a versão italiana é de 1987). É, portanto, já um ensaio antigo, mas no qual eu encontrei o tema para falar destes dias que correram desde o dia 2 até ao dia 21 de Julho, no que a Portugal diz respeito.
"Frei Giovanni de Fiesole continuava interiormente a chamar a si próprio Guidolino, o nome que, pelo claustro, deixara no mundo; encontrava-se na horta a apanhar as cebolas."
Nessa horta caíram três voláteis: um, num dia, e os outros dois, no dia seguinte. Ficaram enredados quer na pereira, quer no rosmaninho, quer nas alfaces. Salvos do enredo colocou-os sob a sua proteção. Por dias Giovanni deixou o seu trabalho de hortelão... sonhou e teve sonhos que lhe pareciam realidades do passado, do tempo que antecedera a sua entrada no claustro. Do tempo em que se chamava Guidolino. Olhou para a obra que queria deixar como marca da sua passagem pelo mosteiro, as pinturas a fresco nas diferentes celas e que ainda não tinha tido tempo para acabar, para lhe dar a marca da sua originalidade. Transformou mensagens que lhe chegaram em sonho, ou sonhos, assim como as recordações do passado e pintou os três voláteis como personagens da sua história. Tendo a certeza que o padecimento de Cristo, na crucificação, era vontade de Deus, usou esses três voláteis como seres divinos "que, quais instrumentos do destino celeste, se prestassem a reforçar os pregos nas mãos e nos pés de Cristo". Os frades que o viam a pintar apenas diziam em coro: «oh»!
Passou o tempo, pintando e esquecendo-se até de comer. Um, após outros, todos os três voláteis foram sendo pintados. O último, genuflexo, com as mãos sobre o peito numa atitude de reverência... entrava numa Anunciação... «a Virgem, desenho-a amanhã, só terás de resistir esta tarde e depois já podereis partir».
Frei Giovanni sentia-se cansado. "Sentia também a saudade que dão as coisas que terminam e depois já não há mais nada a fazer". Foi até à gaiola e os voláteis tinham desparecido... ficara apenas o seu cheiro. "Frei Giovanni julgou sentir um perfume intenso de basílico, mas na horta não havia basílico, havia era as cebolas, que tinham ficado por apanhar uma semana inteira e se calhar já se estavam a passar e dali a pouco já não estariam boas para fazer a sopa. Por isso foi apanhá-las antes que apodrecessem".
Ave fotografada por Alison Bartlett.
Uma fotógrafa, da vida selvagem, cega.
Será que Cavaco ainda consegue apanhar as cebolas? Julgo que esqueceu o seu lugar, no "claustro"... e pensou no passado e nos seus outros tempos. Sonhou que tinha na mão instrumentos do destino celeste. Neste tempo que passou apenas acrescentou personagem a frescos incompletos e que incompletos ficaram. Amanhã dará mais um retoque na Anunciação. Julgo que vai tudo ficar na mesma. As cebolas é que estão quase podres e podem já não servir para fazer sopa. Quem será o volátil que ficará pintado em genuflexão?
sábado, 20 de julho de 2013
Gli uccelli
Orquestra Metropolitana de Lisboa, Quinta das Lágrimas
Ottorino Respighi nasceu em Bolonha em 1879 e faleceu em Roma em 1936. Estudou violino e viola em Bolonha com Federico Sarti e composição com Giuseppe Martucci. Foi aluno de Nikolai Rimsky-Korsakov em São Petersburgo (1900) e de Max Bruch em Berlim (1902).
O chá das cinco - 59
Albert Lynch - A hora do chá
Albert Lynch - Hora do chá
Albert Lynch - Mulheres tomando chá
Um chá verde, fresquinho
Vidas que deram livros
François Picaud, que ainda vivia em Paris em 1807, o sapateiro traído e condenado que se apoderou de um tesouro em Milão e cuja terrível vingança nos 10 anos seguintes inspirou a Dumas o Conde de Monte-Cristo.
Delphine Delamare ( 1812-1848 ), nascida Couturier, a burguesa entediada, adúltera e suicida que foi o modelo da Madame Bovary de Flaubert. O bom estado desta pedra tumular não engana : é uma placa comemorativa, pois que a verdadeira pedra tumular foi vendida pelo coveiro do cemitério de Ry a um americano rico ainda no séc.XIX quando o romance flaubertiano se tornou muito popular...
Delphine Delamare ( 1812-1848 ), nascida Couturier, a burguesa entediada, adúltera e suicida que foi o modelo da Madame Bovary de Flaubert. O bom estado desta pedra tumular não engana : é uma placa comemorativa, pois que a verdadeira pedra tumular foi vendida pelo coveiro do cemitério de Ry a um americano rico ainda no séc.XIX quando o romance flaubertiano se tornou muito popular...
Novidades
Não é em bom rigor uma novidade, pois que é do ano passado. Mas este Le Musée Absolu da Phaidon aparece aqui porque foi considerado um dos melhores livros publicados em 2012. São quase 1000 páginas onde encontramos reproduções magníficas de 3000 obras de arte, do passado distante ao séc.XX. E talvez agora o preço esteja mais suave...
Números
15 milhões
Alguém vai ter um dia, e espero que o resto da vida, feliz em Alfândega da Fé. Foi lá que foi parar o primeiro prémio do Euromilhões.
Biografias e afins
Transcrevo a nota editorial : " Joaquim Magalhães de Castro seguiu, durante vinte e cinco anos, as pisadas do herói quinhentista. Da Etiópia a Java, do Vietname ao Japão, da Índia à Tartária, o viajante contemporâneo percorre os lugares antes visitados pelo autor de Peregrinação. "
É uma edição da Parsifal.
Pensamento ( s )
Je ne vois pas pourquoi je me passerais sous silence, je suis encore celui qui me connait le mieux.
Ficou-me na cabeça esta frase de Genet, citada por Jeanne Moreau. É ela que vemos supra, em imagem que escolhi inspirado pelo post de M.R. sobre Demy ( " Baía dos Anjos ", 1963 ). Na imagem, Moreau é Jackie, a burguesa viciada no jogo ao ponto de só lhe restarem dois vestidos na mala, mas são Pierre Cardin e ainda valem alguma coisa ...
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Convite
C O
N V I T E
O
Presidente da Câmara Municipal de Coimbra/Presidente da Associação dos Amigos
de D. Pedro e D. Inês e a Presidente da Fundação Inês de Castro convidam V.
Ex.ª a assistir à apresentação da obra “Pedro
e Inês – O Futuro do Passado/Congresso Internacional” (2012), no dia 23 de Julho, às 18h00, no Hotel Quinta das Lágrimas, no
âmbito do 5º Festival das Artes.
Apresentação da obra:
Comissário
Geral das Comemorações, Dr. José Miguel Júdice
Coordenadora
Científica, Prof.ª Doutora Maria Helena da Cruz Coelho
Presidente
da Câmara Municipal de Coimbra e Presidente da AAPI, Dr. João Paulo Barbosa de
Melo
VOLUME I
Estudos
Pedro e Inês: o tempo e a história
VOLUME II
Pedro e Inês: memórias, lendas e mitos
VOLUME III
Desenho a tinta da China, de Alberto Sousa, Coleção Pereira de Sampaio.
O Congresso Internacional “Pedro e Inês – O Futuro do Passado” decorreu em 2012, em Coimbra, Alcobaça e Montemor-o-Velho, sob Coordenação Científica de Maria Helena da Cruz Coelho, no âmbito das Comemorações dos 650 Anos da Trasladação de Inês de Castro do Mosteiro de Santa Clara
Com o Congresso, que reuniu cerca de cinquenta investigadores nacionais e estrangeiros em variadas áreas do saber (História, Artes Plásticas, Literatura, Artes de Palco) e com a publicação desta obra, dão-se a conhecer novas descobertas que testemunham o interesse e intemporalidade da história dos amores de D. Pedro I e D. Inês de Castro como Mito estruturante da Cultura Portuguesa.
Jorge Pereira de Sampaio, Programador-Geral das Comemorações
Fonte: Informação contida no convite.
Poemas - 83
O mar já não é o mar.
O azul já não é tão azul.
Os olhos têm mais sede de ternura.
O corpo já não é o meu corpo.
O rosto já só é o teu rosto.
A ilha, essa escrevo-a só para ti.
- Maria Carlos Loureiro, in Acasos e Mistérios, Quetzal Editores, Lisboa, 1998.
Cinenovidades
Estreou ontem nas nossas salas o novo filme de François Ozon, com Kristin Scott Thomas e Emmanuelle Seigner.
Mais uma
É mais uma histórica livraria que fecha portas no Chiado, a este ano centenária Sá da Costa. Fecha dia 22, depois da assembleia de credores ter recusado o plano de viabilização. A concorrência é forte, o passivo acumulado é muito, e os credores também não podem ser obrigados a mantê-la artificialmente. Esperemos que os interiores não sejam completamente descaracterizados como já aconteceu noutras situações.
"O polvo..."
Ontem no Festival das Artes, Quinta das Lágrimas, Coimbra
João Reis esteve muito bem na "pregação" do Sermão de Santo António aos Peixes,
sermão proferido pelo padre António Vieira na cidade de S. Luís do Maranhão, em 13 de Junho no ano de 1654.
João Reis
"O polvo com aquele seu cabelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus ralos estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo dessa aparência tão modesta ou dessa hipocrisia tão santa, testemunham constantemente (...) que o dito polvo é o maior traidor do mar."
Trecho retirado do Festival das Artes.
Roy Lichtenstein em Paris
Uma centena de obras deste artista pop estão expostas no Centro Pompidou, em paris, até 4 de novembro.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Especialmente para a Ana
Esta noite, às 21h30, no mítico Café de Santa Cruz, Coimbra, actuam o Coro D.Pedro de Cristo, o Coral Poliphonico de Coimbra e o Coro Municipal Carlos Seixas.
Onde me apetecia estar
Em Bourg-Saint-Maurice, na Sabóia francesa, onde começa hoje a 40ª edição do Académie- festival des Arcs. 40 anos e 40 concertos ( pianistas Michel Dalberto e Jeaaaan-Frédéric Neuberger, o trompetista David Guerrier, o quarteto Debussy etc ), master classes e conferências. Com a particularidade de um dos dias ser inteiramente dedicado a Bach, e na chapelle des Vernettes, a 1816 metros de altitude :
festivaldesarcs.com
Biografias e afins
Se não tivesse umas dezenas de livros para ler, avançaria de bom grado para esta biografia de Laure Permon, mais conhecida pelo seu título de casada de duchesse d' Abrantès. A vida desta jovem de origem corsa, que cresceu a par dos Bonaparte e muito estimada por Napoleão que lhe chamava ma petite peste, e que partilhou do destino glorioso dos seus amigos especialmente depois do casamento com Junot, general do Império e duque de Abrantes. Gastadora, extravagante, pouco dada a fidelidades maritais, tornou-se escritora para sobreviver depois da morte do marido e da queda do Primeiro Império, o que não a impediu de terminar os seus dias num asilo dadas as carências económicas.
Les folies de la duchesse d' Abrantès, Michel Peyramaure, Calmann-Lévy, 352p, € 18.
Citações
( ... ) E se não houver acordo? Também aqui não há meios termos. Todos saem a perder. Todos, sem excepção. Ninguém se safa. O País será o maior perdedor. Depois de dias de elevadas expectativas, os portugueses apanharão um choque. Mais um choque de depressão e revolta. Os níveis de autoestima voltarão a ser revistos em baixa. Muito à portuguesa, com o tradicional vício da generalização, ninguém escapará à ira dos cidadãos. Os partidos serão novamente arrasados no que já pouco resta da sua debilitada credibilidade. Os políticos em geral, e os do centrão em particular, serão alvos fáceis na primeira linha do pelotão de fuzilamento popular. E o próprio Presidente, ainda que intentando transferir responsabilidades para os partidos, dificilmente deixará de sair da iniciativa mais fragilizado e com menos autoridade.
Não sei se os protagonistas pensaram nisto. Ou se ainda vão a tempo de pensar. Mas convinha não desvalorizar as consequências. O voluntarismo é saudável. O excesso de voluntarismo é altamente perigoso. Mesmo que não mate pode deixar marcas profundas.
- Luís Marques Mendes, na Visão desta semana.
Humor pela manhã
Apesar das transfusões de sangue na Suiça, das tendas de oxigénio e outros truques, alguns dos Stones envelheceram realmente muito mal como se viu recentemente no Festival de Glastonbury e mostra a impiedosa manchete do Daily Mail.
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