Prosimetron
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
História interessante, elenco de luxo
O MORDOMO, baseado no argumento de Danny Strong e do realizador
nomeado a um Oscar® da Academia Lee Daniels (Precious; The Paperboy), é
inspirado no artigo de Wil Haygood publicado no Washington Post sobre um Afro-Americano
que serviu como mordomo (Forest Whitaker) a sete Presidentes na Casa Branca,
por mais de trinta anos. A partir deste ponto de vista único, O MORDOMO traça
as mudanças dramáticas que abalaram a sociedade Americana, desde o movimento
pelos Direitos Civis, até à Guerra do Vietname, e a forma como essas mudanças
afetaram a vida e a família deste homem.
Com um elenco de luxo, e para além de Forest Whitaker, O MORDOMO
conta ainda com as participações de Oprah Winfrey, John Cusack,
Robin Williams ,
Jane Fonda ,
Lenny Kravitz ,
Cuba Gooding Jr. ,
Vanessa Redgrave,
Liev Schreiber,
James Marsden e
Alan Rickman,
sendo a banda sonora composta por Rodrigo Leão.
Nos cinemas a 5 de setembro.
A História Seguinte - Cees Nooteboom
Costumo comer à mesa da cozinha sentado num banco de cozinha, em frente da reprodução de uma cena pintada no fundo de uma taça por Pitrino no século VI antes de Cristo (que teve o atrevimento de se apropriar também de séculos anteriores a si) - Peleu lutando com Tétis. Sempre tive um fraco pela Nereide Tétis, não só por ter dado à luz Aquiles, mas sobretudo porque, sendo de origem divina, se recusou a casar com o mortal Peleu, e com toda a razão. Para um imortal tem de ser insuportável o fedor emanado pelos seres mortais. Tentou tudo para escapar à futura morte, transformou-se sucessivamente em fogo, água, leão e serpente. A grande diferença entre os deuses e seres humanos: os deuses podem decidir sobre as suas metamorfoses, os humanos apenas podem sofrê-las.
Cees Nooteboom (1933-), A História Seguinte. Lisboa: Quetzal, (tradução de Ana Maria Carvalho) 1991, p. 15.
Capa de Rogério Petinga, sobre fresco de Parmigianino
(c. 1515) inspirado nas Metamorfoses de Ovídio
Eugénio de Andrade: escrita, lugares e afetos
Exposição na Biblioteca Pública Municipal do Porto (São Lázaro) até 15 set.
Visitas à exposição neste horário deveras insólito: 4.ª feira - 14h30 às 18h00
http://bmp.cm-porto.pt/node/108#
Visitas à exposição neste horário deveras insólito: 4.ª feira - 14h30 às 18h00
http://bmp.cm-porto.pt/node/108#
Leituras no Metro - 138
Em 1891 uma vaga de fome atravessou a Rússia, o que levou à perda de milhares de vidas. Foram os relatos que autores como Tolstoi, Tchekov e Korolenko fizeram publicar nos jornais que alertaram o povo e o governo para a imensidade do problema.
Tolstoi e os seus filhos mais velhos envolveram-se na constituição de cantinas para alimentar os carenciados. A mulher do escritor, Sofia, que tivera de ficar em Moscovo com os filhos mais novos, resolve escrever um apelo pedindo donativos. Eis o texto publicado no Russian Gazette, em 3 de novembro desse ano:
«A minha família inteira deixou-me para ir ajudar os necessitados. O meu marido, o conde Lev Nikolaevich Tolstoi, e as nossas duas filhas estão no distrito de Dankovsky a instalar cantinas [...]. Tenho dois filhos mais velhos a trabalhar para a Cruz Vermelha, ajudando as pessoas do distrito de Chernsky, e um terceiro na província de Samara a abrir uma sopa dos pobres.
«Forçada a ficar em Moscovo com os nossos quatro filhos mais pequenos, só posso ajudar dando apoio material à minha família. Mas a carência é tanta! Sozinhas, as pessoas não podem satisfazer tanta necessidade. Entretanto, passamos os nossos dias numa casa aquecida, e cada pedaço de comida que tragamos parece repreender-nos por, neste momento, alguém estar a morrer à fome. Se nenhum de nós, que vivemos neste luxo, aguenta assistir ao menor sinal de sofrimento dos nossos filhos, como nos é possível suportar a visão de mães exaustas com os filhos a morrer de frio e de fome, ou de pessoas idosas sem nada para comer?
«Foi isso que viu a minha família. Eis o que me escreve a dizer a minha filha, do distrito de Dankovsky, acerca das cantinas que a nobreza local lá instalou com os seus próprios fundos: "Visitei duas cantinas: numa, disposta numa capoeira, está uma viúva a cozinhar para vinte e cinco pessoas. Quando lá entrei, deparei-me com muitas crianças ordenadamente sentadas à mesa, a comer sopa de couve [...]. Havia uma fila de idosas, à espera da sua vez. Falei com uma e, quando ela começou a contar-me como viviam, desatou a soluçar [...]. Só estão vivos graças a essa cantina, pois em casa não têm absolutamente nada [...]. Aí comem duas vezes por dia e, com a lenha, custa cerca de [...] 1 rublo e 30 copeques por mês alimentar uma pessoa."
«Isto significa que 13 rublos salvarão uma pessoa e fá-la-ão chegar até à colheita seguinte. [...] Se cada um de nós alimentar uma pessoa, ou duas, dez ou cem pessoas - tantas quantas pudermos - , ficaremos com as consciências mais tranquilas. [...] Assim, quero pedir a todos os que estiverem dispostos a ajudar que apoiem esta iniciativa da minha família. Os vossos donativos serão diretamente utilizados para alimentar as crianças e os idosos nas cantinas que o meu marido e os meus filhos estão a organizar.»
A família reuniu, em dois anos, 200000 rublos.
Cit. in: Alexandra Popoff - Sofia Tolstoi: uma biografia. Porto: Civilização, 2011, p. 227-228
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
À descoberta da música portuguesa antiga
José Joaquim dos Santos nasceu no sítio do Senhor da Pedra, no termo da vila de Óbidos, em 14 de Setembro de 1747. Foi recrutado para o Real Seminário da Patriarcal de Lisboa em criança e aí iniciou o seu aprendizado musical. Depois de ingressar na Irmandade de Santa Cecília - que por decreto régio de D. João V regulava toda a música do reino - e da morte do napolitano de origem espanhola, David Perez, que dirigiu até 1778, ano da sua morte, a música da Corte e da Patriarcal, foi Director e Maestro da Irmandade e compôs muitas obras de música sacra, sendo um dos mais influentes compositores do seu tempo. A sua Stabat Mater a 3 vozes foi a única peça de música sacra publicada em 1792 pela Real Fábrica da Música de Lisboa. Morreu em data incerta, entre Julho e Outubro de 1801.
Te Deum oito vozes
Poesia holandesa - Pierre Kemp
"By or related to Rembrandt, Jacob's dream, ca. 1644 Benesch accepted the writing as Rembrandt's and interprets the number 44 as the date 1644
Paris", Ecole des-Beaux Arts
SONHOS
SONHOS
Certas noites sigo uma luz amarela
até uma porta azul, onde se lê: Sonho.
A porta não é aberta por minha mão
nem sou convidado por uma mulher
para comprar sonhos, e mesmo assim
sempre eles foram pagos por mim.
à noite não fiquei nada a dever.
Pierre Kemp (1886-1967), Uma Migalha na Saia do Universo, Antologia da Poesia Neerlandesa do Século Vinte. Assírio e Alvim, 1997, (Seleção e introdução Gerbert Komrij, trad. Fernando Venâncio), p. 53
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Parabéns, Isabel!
Aqui fica não um, não dois, não três... mas nove cestos de flores para me redimir do atraso de dois dias. :(
No Ginjal
2.ª ed. Almada: Centro de Arqueologia de Almada, 2002
Restaurantes no cais do Ginjal
«A restauração é uma das atividades que mais fama deu ao
Ginjal. A notícia que em [19 set.] 1931 se lê n’O Almadense, sob o título “Os
restaurantes do Ginjal vão-se civilizando”, mostra que há muito se criara o
hábito de aí procurar boa comida e boa bebida – “Os toldos de serapilheira que
lhes tapavam as portas noutros tempos e a fila de fogareiros de barro onde se
assavam sardinhas e se abria o marisco, tudo isso desapareceu para dar lugar a
casas decentes onde decentemente se pode comer”. Criam-se assim condições para
que cada vez mais pessoas se desloquem propositadamente ao cais para apreciar
os petiscos preparados nos vários restaurantes da zona.
«Do lado de Cacilhas, estes ocupavam logo os primeiros
edifícios – “Começando aqui pelo princípio do Ginjal, há o Farol, que era
dantes a Fonte da Alegria, que era uma tasca. Foi sempre uma tasca que deu
muito dinheiro… Aquilo a vender sandes e copos era um disparate! […] Depois, onde está aquele restaurante baixinho,
era o restaurante da Maria Vagueira. Depois a entrada da Floresta era aquela
entrada que ia dar a uma tasca lá por cima, pela Rua das Terras […]. Depois
a seguir havia um restaurante que era o Pepe. […] Depois ainda havia o Pita,
que era o restaurante Abrantino no primeiro andar, [que] ardeu, e por baixo
outro restaurante que era a Palmira das Batatas. […] Depois ao lado era o
Gonçalves […] e a seguir era o restaurante da espanhola. Era a mãe da Madalena
Iglésias. Ao fundo do cais ainda havia o Ponto Final.”
«[…] O Floresta do Ginjal […] era assim chamado por ser “todo
tapado com folhas de parreira”, permitindo a realização de “grandes festas com
fados” […].» (p. 52-53)
Nada melhor, num dia de calor como o de hoje, do que atravessar o rio e ir jantar ao Ginjal.
Praias e lugares da minha infância - 9
Gravura antiga de Setúbal
Mesmo no tempo invernoso, mas mais na Primavera e no Outono, um dos lugares onde o meu pai gostava de ir, aos domingos, em passeio, era Setúbal. Era, então, nos anos cinquenta do século passado, uma cidade mais pacata. Embora não ficasse a uma grande distância de Lisboa, os transportes públicos eram mais vagarosos, principalmente as camionetas, mas também o comboio e não havia autoestrada que permitisse, como hoje já acontece, viver ali e trabalhar na capital.
Setúbal vista do mar
Era programa de dia inteiro. Chegava-se perto do almoço que era tomado num dos restaurantes da Av. Luísa Todi ou junto à doca. Depois passeava-se. Umas vezes junto à costa, até uma monstruosidade chamada Secil, um atentado ao ambiente e à paisagem. Outras vezes dentro da própria cidade, vendo lugares antigos e visitando, por exemplo, a Igreja do Convento de Jesus. Também se ia, não me recordo como, mas creio que quando na companhia da minha tia Ema, irmã mais velha da minha mãe e do meu primo Rogério que tinha carro, até ao Forte de S. Filipe onde se lanchava e se gozada a maravilhosa vista sobre a baía, a cidade e do outro lado Troia. Com eles também me lembro de ter ido, a partir de Setúbal e no regresso a Lisboa, à serra da Arrábida, a "serra mãe" de Sebastião da Gama.
Forte de S. Filipe
Num desses passeios aprendi muito mais sobre Bocage, cuja estátua inaugurada em 1871 vi na praça com o seu nome, do que as anedotas inocentes que dele sabia ("o pum que esta senhora deu, não foi ela, fui eu") e Luísa Todi, por curiosidade em saber quem dera nome à rua onde passava em cada visita e ao seu busto, num monumento com pautas musicais.
Outro passeio que fazíamos a partir de Setúbal, de ferry boat, para grande gáudio meu e da minha irmã, era Troia, onde passeávamos à beira mar, lanchávamos e onde visitámos as ruinas romanas, cujos trabalhos conheciam então novo ímpeto.
Não resisto a contar um pequeno episódio, passado uns anos depois, com um amigo de infância que teria então os seus 13 ou 14 anos e é hoje um conceituado heraldista que, interessado por tudo o que era História e cultura em geral, resolveu ser arqueólogo por conta própria em Troia. Um dia, não sei porque artes, conseguiu subtrair e trazer para casa, muito muito perto da minha, uma ânfora romana. Vinha ufano. E tão ufano, que ao entrar em casa tropeçou no capacho e fez em cacos o achado arqueológico. Tentámos, eu e ele, restaurar a ânfora. Tarefa impossível.
Ruínas romanas de Troia
E aqui termino as minhas lembranças das praias e lugares por onde passei quando era menino e moço. Haveria por certo outros: ou sem recordações especiais ou apenas lugares episódicos.
Uma lenda das estradas chega ao fim
Aos 63 anos de idade, o mítico volkswagen "pão-de-forma", como foi carinhosamente apelidado em Portugal, vai despedir-se definitivamente das linhas de produção, no final de 2013. Adorado por muitos, ficará para sempre ligado ao movimento hippie da década de 60 como símbolo da contracultura, pelo estilo de vida que proporcionava, de paz e amor.
Easy listening ao amanhecer
A minha preferida de Tom Jones: I'll never fall in love again, num registo da BBC (Dusty Springfield - Show) em 1967.
Enjoy!segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Ma passion... - Henri-Cartier Bresson
Um livro que me ofereceram na praia mas só o li no regresso a casa.
Henri - Cartier Bresson, O imaginário segundo a natureza. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2004, p. 32.
A tradução é que não é das melhores.
Julgo que coloquei mas ouço-a frequentemente.
À descoberta da música portuguesa antiga
Do luso- brasileiro Manoel Dias Oliveira, nascido possivelmente na Vila de S. José, Minas- Gerais, Brasil (hoje Tiradentes), em 1735 e falecido naquela cidade em 1813. Mulato, certamente filho de escravos ou de um proprietário e duma escrava, além de compositor foi capitão.
Salzburgo e o seu festival
Dentro de sensivelmente três horas, subirá ao palco do Grosses Festspielhaus de Salzburgo a ópera Don Carlo de Giuseppe Verdi, talvez o highlight da 93 ª edição do festival desta cidade que decorre até 1 de Setembro. Constitui a mais ambiciosa e complexa obra operática do compositor, baseada no drama Don Karlos, Infante de Espanha de Friedrich von Schiller que pouco se preocupou com a autenticidade histórica dos personagens e factos. A título de exemplo, refira-se que a paixão que o infante vive pela sua madrasta Isabel de Valois no libreto nunca existiu. O verdadeiro Don Carlo, tudo menos esbelto, sofria de graves problemas mentais, talvez derivados do matrimónio praticamente incestuoso entre Maria de Portugal e Filipe II de Espanha. E o personagem de Rodrigo, Marquês de Posa, resulta simplesmente da criatividade fictícia do escritor, dramaturgo e filósofo alemão. Mas foi precisamente esta distância entre realidade e fantasia que permitiu a Verdi dar à luz um trabalho que interliga a esfera política sinistra do século XVI com a privacidade e intimidade dos actores de uma forma tão estreita que nenhuma outra ópera do repertório verdiano alcançou. A multiplicidade das relações humanas do drama junta-se ao ambiente tenebroso que Verdi, desde o primeiro compasso, reproduz na sua abordagem musical.
Salzburgo leva a cabo uma produção grandiosa: mais de 240 figurantes chegam a ocupar o palco. O elenco é "estrondoso": Jonas Kaufmann (Don Carlo), Matti Salminen (Filipe II de Espanha), Anja Harteros (Elisabetta di Valois) e Thomas Hampson (Rodrigo, Marchese di Posa) encarnam os papéis principais, acompanhados pela Orquestra Filarmónica de Viena sob a direcção de Antonio Pappano. A realização cabe a Peter Stein.
A organização do festival decidiu, e muito bem, recorrer à versão original de cinco actos que sofreu várias alterações, mesmo aquando da estreia em Paris a 11 de Março de 1867. Assim, o espectáculo durará cerca de cinco horas. "É uma ópera longa, é verdade. Mas tem de ser assim", justificava Giuseppe Verdi a dimensão da sua obra prima.
Imagens: Jonas Kaufmann, Anja Harteros e Thomas Hampson
Um quadro por dia
Vidreiros da Marinha Grande, 1952, trabalho com que Tereza Arriaga ( 1915-2013 ), falecida há precisamente uma semana, terminou o Curso Superior de Pintura em Lisboa. Tinha 98 anos, e além da carreira artística uma curiosa particularidade biográfica : penso que terá sido a única portuguesa nascida no Palácio de Belém após 1910.
domingo, 18 de agosto de 2013
Só por razões históricas
Só por razões históricas (para evitar amanhã de estar a citar, pensando que era verdade) gostaria imenso de saber quem são os personagens desta história narrada por Alberto Gonçalves, no Diário de Notícias, de 18 de Agosto de 2013, p. 55.
A propósito de uma figura cimeira, da nossa pátria, ter mandado tirar da Wikipédia a "referência à profissão do pai (alfaiate)" conta o nosso Sociólogo que... e cito:
"Recentemente, um jornalista indígena alinhavou um longo obituário de uma famíliar, que segundo o texto o iniciara nos rudimentos do Antigo Egipto e na história das religiões. Na verdade, a senhora era vendedora de peixe e, ao que sei, praticamente analfabeta." Acontece, ou pode acontecer... mas é digno de registo.
A propósito de uma figura cimeira, da nossa pátria, ter mandado tirar da Wikipédia a "referência à profissão do pai (alfaiate)" conta o nosso Sociólogo que... e cito:
"Recentemente, um jornalista indígena alinhavou um longo obituário de uma famíliar, que segundo o texto o iniciara nos rudimentos do Antigo Egipto e na história das religiões. Na verdade, a senhora era vendedora de peixe e, ao que sei, praticamente analfabeta." Acontece, ou pode acontecer... mas é digno de registo.
Suze limão
Acho que nunca bebi Suze (http://fr.wikipedia.org/wiki/Suze).
Aliás, não sou dada a licores. E continuaria sem conhecer esta bebida, não fosse encontrar-lhe uma referência num Maigret:
«- [...] Em dois desses, pelo menos cafés [...] o nosso homem pediu um Suze-citron, como se estivesse habituado a tomá-los.
«-Conhecemos portanto os gostos que ele tinha em matéria de aperitivos!
«- Já bebeu alguma vez um Suze. sr. juiz?É uma bebida amarga, bastante pouco carregada de álcool.»
Simenon - Maigret e o «seu morto» / trad. Lima de Freitas. Lisboa: Livros do Brasil, 1952, p. 50
Um Suze limão faz-se juntando um pouco de limão ácido, um pouco de xarope de limão, Suze e água Castelo.
Bom aperitivo!
Um título
O livro de Patrícia Melo, A Morte Lenta da Sociedade, é bastante sugestivo. Não o li mas vi o título no Jornal de Negócios donde retirei o seguinte trecho:
«As sociedades urbanas vão-se envenenando devagar. Sentem as dores de cabeça, as náuseas, as dores em forma de caos urbano, rapidez sem sentido, insegurança, desemprego, desespero. (...)»
Que futuro estamos a criar? Como é que as crianças o viverão? Que mentalidade surgirá?
Marlene Dumas, Estudantes Turcas em Amesterdão, Stedelijk Museum
Em memória de João Domingos Bontempo
Faleceu em 18 de Agosto de 1842 um dos maiores músicos portugueses.
Sanctus do Requiem em memória de Luís de Camões
Sanctus do Requiem em memória de Luís de Camões
Pequeño vals vienés / Take this waltz
En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.
Este vals, este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar.
Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo,
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.
En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados,
hay frescas guirnaldas de llanto.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.
Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente.
¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".
En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga
cabeza de río.
¡Mira qué orillas tengo de jacintos!
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals.
Federico García Lorca
Do livro Um poeta em Nova Iorque, que deu um disco em 1986, nos 50 anos da morte do poeta.
Como pouco coco...
Alfragide: Gailivro, 2011
Como pouco coco como, pouco coco compro.
Pouco coco compro porque pouco coco como.
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