Prosimetron

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quarta-feira, 9 de abril de 2014

País de Abril, hoje ao fim da tarde


A Paris de Zola

Paris: Hazan, 2008

Em toda a obra de Zola perpassa o fascínio pela cidade para onde se mudou aos 18 anos.  é rica em seu fascínio para a cidade onde chegou aos dezoito anos e onde veio a falecer.  Foi em paris que ele viveu e construiu a sua carreira, enfrentando campanhas literárias e políticas. 
Nesta cidade do século XIX, alojou as intrigas dos seus romances mais lidos: La Curée, Ventre de Paris, L’Assommoir ou Au bonheur des dames.
Paris foi para além o local de todos os sonhos, fantasias , obsessões , símbolos, pesadelos ou utopias que povoam sua existência imaginário e história. A sua visão romântica de Paris ressalta duma experiência dupla: a sua vida, mudando de casa, a frequência de casas dos amigos, dos teatros, cafés ou jornais: e as investigações de locais para colocar a ação dos seus romances, procurando atmosferas e decorações. 
Zola não é um passeante, tudo o que ele mais gosta é de trabalhar sozinho no seu escritório, o que não o impediu, como disse, de procurar as ruas de Paris para alojar os seus personagens. 
O livro, de Henri Mitterrand, um dos maiores especialistas na obra de Zola, é um verdadeiro guia, pelo que não se pode mais passar na rua Guénégaud sem ver a silhueta de Thérèse Raquin; olhar para uma gravura dos antigos Halles, sem tentar reconhecer a peituda Lisa Macquart; descer em Barbès, sem tentar encontrar o Hotel Boncoeur, etc. 
O livro é ainda ilustrado por pinturas de Manet, Courbet, Monet, Pissarro, Béraud, Raffaelli ou Steinlen, alguns dos quais foram amigos do escritor. 

A rue Guéguénaud, na atualidade. À direita, na rua, estão as traseiras do edifício Monnaie de Paris.
Gravura de E. Bourdelin


Gervaise Macquart vive no Hotel Boncoeur.

Bom dia !






terça-feira, 8 de abril de 2014

In Secret


Uma nova adaptação, desta vez americana, do romance Thérèse Raquin (1867), de Émile Zola, vai estrear para a semana nos cinemas portugueses. Inicialmente, intitulado Thérèse.

Em 1953, Marcel Carné realizou um filme do livro de Zola, com Simone Signoret e Raf Vallone. Não me lembro de o ter visto. Deste filme, apenas encontrei uma canção no YouTube.


Li o livro de Zola há muitos anos e voltei a lê-lo, pelo menos, mais uma vez.
Trad. de João Gaspar Simões.
Lisboa: Arcádia, 1964. (BAB: 38)

«Ao fundo da rua G´négaud, vindo do cais, fica a viela do Pont-Neuf, espécie de corredor estreito e sombrio, que liga a rua Mazarine à rua de Seine. Esta viela tem trinta passos de extensão e dois de largura, quando muito; o pavimento é de lajes pardacentas e gastas, desconjuntadas, que ressumam uma humidade ácida; o tejadilho envidraçado que o cobre , em ângulo reto, é negro de sujo.» (p. 15) Assim começa o romance de Zola, numa rua ali para trás da Biblioteca Mazarine. 
Zola escreveu um prefácio para este livro, talvez para a sua 2.ª edição, porque a crítica o acolheu «com uma voz brutal e indignada».
«Na Teresa Raquin quis estudar temperamentos e não caracteres. Nisso está o livro inteiro. Escolhi personagens soberanamente dominadas pelos seus nervos e pelo seu sangue, desprovidas de livre arbítrio, arrastadas a cada ato da sua vida pelas fatalidades da sua carne.» (p.7-8)

Boa noite!

Coro da Primavera

Lá fora - 200 : Joséphine


Tu seras plus que reine! - É o que diz a feiticeira mulata à jovem que então ainda se chama Marie Joséphe Rose Tascher de la Pagerie, filha dos donos de uma plantação na ilha da Martinica, Caraíbas. Só em Outubro de 1779 é que a futura Josefina conhece França, para casar no dia 13 de Dezembro com o visconde Alexandre de Beauharnais, filho do marquês de La Ferté-Beauharnais, governador das Antilhas Francesas. O resto é conhecido.

- François Gérard, Portrait de l' épouse du Premier Consul, 1801, óleo sobre tela.

- Hector Viger, em 1867 pinta uma cena que ocorreu décadas antes - Josefina e os seus filhos, Eugénio e Hortênsia, visitam Alexandre de Beauharnais na prisão do Luxemburgo. O marido de Josefina tinha entrado na política depois da revolução. Foi deputado, secretário da Assembleia Constituinte, sucedeu a Mirabeau como presidente do Clube dos Jacobinos, e foi duas vezes presidente da Assembleia. Caído em desgraça, acabou na prisão das Carmelitas donde saíu para a guilhotina a 23 de Julho de 1794. Josefina, também ela detida na mesma prisão salva-se por milagre : um dos muitos libertados após a queda de Robespierre.
 - Pierre Paul Prudhon, Joséphine dans son parc de Malmaison, 1805.

 - nécessaire de toilette da Imperatriz por Félix Rémond.


- Hector Viger e outra cena ocorrida décadas antes : Josefina recebe Alexandre I da Rússia, acompanhada dos seus filhos Eugénio e Hortênsia e dos seus netos, Napoléon-Louis e Louis-Napoléon ( futuro Napoleão III ). A tela é de 1864.

Uma exposição patente no Museu do Luxemburgo, Paris, assinala os 200 anos passados sobre a morte da Imperatriz Josefina, falecida no dia 29 de Maio de 1814 no seu castelo de Malmaison. Foi enterrada a 2 de Junho na igreja Saint-Pierre et Saint Paul em Rueil onde o seu túmulo ainda hoje se encontra.

A nossa vinheta

ODE AO SOL

Eis o rosto de Apolo iluminado!
Eis o mundo coberto de alegria!
Quando sorri um deus, fica doirado
O céu que a sua raiva enegrecia.

Eis a luz da verdade
Aberta sobre a noite da mentira!
Eis a harmonia que nenhuma lira
Reproduz!
Ressuscitada e alada, a criação
Deixa morta no chão
A sombra secular da sua cruz.

Transparente e feliz, tudo parece
Representar num palco de magia;
Mas corre-se a cortina à fantasia
E a estranha maravilha permanece!

Nada tem a espessura, que mostrava
À cegueira de cada hesitação.
Nada tem um taipal de solidão
A rodear-lhe os passos.
Gestos, hostis na escuridão,
São abraços!

Verdes, amadurecem
Os corações;
Velhas, rejuvenescem
As ilusões;
E na mesma fogueira onde se aquecem,
Comungam sentimentos e paixões.

Miguel Torga

Bom dia !





Alguém saberá a verdadeira idade de Amanda Lear ? E outros segredos. Mas o que interessa mesmo é a sua persistência e permanente reinvenção. Este tema é do 17º álbum, My Happiness, uma homenagem ao Rei Elvis.

Rostos da Revolução - cartoons de António


Abril, águas mil

Alex Ross - April shower, 8 abr. 1944

Será que nos livrámos da chuva?

domingo, 6 de abril de 2014

Os meus franceses - 327

Brent Heighton - Abril em Paris
(Um desses quadros que se vendem nas ruas de Paris.)

Esparguete para o jantar?

Pasta hangs on wooden wands to dry at a New york plant.
Foto de Joseph Baylor Roberts.

Philipp Heinrich Erlebach (1657 - 1714)


Philipp Heinrich Erlebach nasceu na Frísia (Norte de Alemanha) a 25 de Julho de 1657. Este compositor, caído em completo esquecimento, exerceu o cargo de mestre de capela na corte dos príncipes de Rudolstadt na Turíngia durante 35 anos. Nunca viajou para fora de territórios alemães. Ainda assim, conhecia na perfeição as novas tendências musicais provenientes de França e Itália. Dominava as técnicas de composição pré-barroca desses países, bem como os desenvolvimentos mais recentes da reforma das cantatas sacras, introduzida por Erdmann Neumeister, ou da ópera alemã, praticada em Hamburgo ou Braunschweig nos finais do século XVIII.
As  suas Ouvertures nº 5 e 6 seguem o estilo francês das suites orquestrais de Jean-Baptiste Lully. Crónicas contemporâneas relatam que as composições de Erlebach nada ficavam a dever ao exemplo do grande mestre francês.
Philipp H. Erlebach abriu assim o caminho para géneros musicais barrocos de outros autores posteriores, entre eles, Johann Sebastian Bach.
Da Ouverture VI em sol menor segue o andamento Chaconne, interpretado pelos Bach Players.
 
 


Imagem: castelo Heidecksburg em Rudolstadt (Turíngia, Alemanha); foto de Joerg Esser

Another day, another nap...

Il. de Gary Patterson

Nunca gostei de sestas.

Em jeito de desafio

Sabem que fruto dá esta árvore?


Mais próximo
A Primavera traz estas maravilhas. Todavia a chuva (maldita) atirou muitas para o chão.

Bom pequeno-almoço - 29

O meu pequeno-almoço não é propriamente tão completo: apenas uns baked beans in tomato sauce, umas torradinhas e um ovo estrelado, com café. Gosto imenso de baked beans, mas raramente os como.


A grande bulha e desordem


A grande bulha e desordem que teve uma saloia com uma secia de Lisboa por amor do Paralta, seu filho é o título de uma pequena peça de teatro do século XVIII, de que desconheço o autor, com seis personagens:
- Maricas, saloia (que vende frutas e flores)
- Peralta
- Brites, a mãe do Peralta
- Marujo
- Estrangeiro
- Caixeiro

O entremez pode ser consultado aqui.

O primeiro interesse: o nome da saloia: Maricas - aqui usado não como hipocorístico do nome próprio f. Maria (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, XVI, p. 352; aliás só conhecia, parecido, o hipocorístico Mariquinhas - também de Maria, também poderia ser Marquinhas, usado por uma tia-avó, por afinidade). Mas, no entremez Maricas é usado como nome próprio de uma saloia em oposição a Brites, o nome de uma "sécia", isto é, uma janota da cidade, cujo filho, um peralta, ensaia de engatar.
 
Descreve o cenário e os adereços de cena:
Vista de Praça com colarejas, onde estará Maricas com vários cabazes de fruta e em cima de um terá um ramalhete de flores.

Atente-se na palavra colareja, que ficou para vendedeira de frutas de grande qualidade teve certamente origem nos vendedores de frutas da região de Sintra e depois alargado a toda a região saloia (Loures). (Colarejo o habitante de Colares; aliás o Vocabulario de Português, de Rafael Bluteau, de 1712, informa que junta da vila de Colares existe um ameníssimo vale com pomares tão frutíferos..., vol. II, p. 367). 
E temos um refrão anunciador e introdutor da situação e da época (fim de Agosto começo de Setembro):
 
Bela fruta tenho eu
uvas de primor,
belos figos borjassotes
Chegai casquilhos,
chegai Senhores
 
Uvas de primor que embora apareçam mais cedo são gostosas e apetecíveis, porque o seu amadurecimento é favorecido pelo clima benigno da região de Colares; figos borjassote (cujo nome lembra a primitiva origem em Burjassot, Espanha) são um fruto piriforme e de bom calibre ( 22 figos / kg ), com epiderme verde-amarelada ou preta, polpa rosada, doce e sumarenta, com maturação na 2ª. quinzena de Agosto.
Já agora casquilhos são os janotas (os que se vestem com apuro excessivo, no rigor da moda).
Vejamos agora as qualidades das uvas: rabo de galo; olho de parvo; rabo de ovelha.... mas isso já é outra história.
 
Veja-se só mais uma critica da saloia aos trajes da fidalguia: Nesta cidade tenho visto por essas janelas uns tais toucados infernais, umas com barretes de pasteleiro na cabeça, outras com penachos muito altos, com cadeias de relógio nas orelhas, até por fim, ainda espero ver as mulheres da cidade com bigodes.
- Com bigodes?
- Duvida-o? pois tenho visto que algumas senhores desta terra querem-se em tudo assemelhar aos homens. E tenho razão para o saber, porque quando está a praça muito cheia de lama, boto o ceirão para o pé da porta daquele cabeleireiro, por estar mais enxuto, e tenho visto vários rapazes e homens chegarem à porta e dizerem-lhe: Oh senhor Mestre! manda dizer minha ama se está o riçado penteado - quando elas chegarem a trazer cabeleira, que fará bigodes...  
 
 
 
 

Para Domingo...

... uma boa mesa.

Gustave Caillebotte, Still Life com Lagostim, 1880-82, Colecção privada 
(Wikipaintings)
Still Life with Crayfish - Gustave Caillebotte

Bom Domingo!

sábado, 5 de abril de 2014

Os meus franceses - 326

Gostei deste filme de Betrand Tavernier, apesar de muito trepidante. E tem uma bela música de Philippe Sarde.

Os mais novos rebentos.

Confesso que não contava passar hoje pela Rua Anchieta, mas uma espera, maior do que contava, na estação do Metro Baixa-Chiado (não existe pachorra para estes intervalos de 10 a 15 minutos, ao Sábado) levou-me até à superfície e fui passear pela feira do livro antigo, que acontece todos os Sábados.
E vieram comigo 4 pequenos opúsculos que talvez venham a ser objeto de outros escritos neste Blogue.
Por ordem cronológica (que também pode ser uma ordem)!

- Novo, e devertido entremez: A grande bulha, e desordem, que teve huma saloia com huma secia de Lisboa por amor do Paralta, seu filho. Lisboa, na oficina de Francisco Borges de Sousa, 1792, 16 p.









- Novidades dadas por Bento Aniceto, Lavrador, ao seu compadre, cura da sua freguesia na provincia da Beira / José Daniel Rodrigues da Costa. Lisboa, na impressão de João Nunes Esteves, 1823, 28 p.








- Discurso moral, e politico. Recitado no dia 4 d'Abril de 1836, na Sé Cathedral de Coimbra, pela ocasião da benção da bandeira do brilhante Corpo da Guarda Nacional da mesma Cidade / António Alves Martins. Coimbra, Imprensa de Trovão & Companhia, 1836, 16 p.







- Cinquante Livres et Autographes précieux provenent du cabinet d'un amateur: 4 décembre 1987 / Ader Picard Tajan. Paris, Imp. Schiffer, 1987, 106 p.








Cada um deles foi adotado por razões diferentes. E isso vai ser, espero, o meu divertimento do fim de semana.
 

José Wilker (1947-2014)

José Wilker faleceu hoje, vítima de ataque cardíaco.
Conheci-o, como a maioria dos portugueses de então, através do seu papel de Mundinho Falcão na telenovela Gabriela (1975).
Vi-o ainda em Roque Santeiro (1985), interpretando a personagem que dava título à telenovela.
Em 2012 interpretou o papel do coronel Jesuíno Mendonça num nova adaptação de Gabriela, de que vi alguns episódios.
Lembro-me ainda de o ter o visto no filme Dona Flor e seus dois maridos (1976), daptação ao cinema do romance de Jorge Amado.

Surprise!

Capa de Constantin Alajalov - New hat saturday evening, 8 abr. 1950

Lá fora - 199 : Gotlib



Uma exposição que é uma grande retrospectiva sobre a arte de Marcel Gotlib, agora que o grande desenhador francês atingiu os 80 anos. 200 pranchas sobre a história francesa, os contos de fadas e a literatura, tudo desconstruído com muito humor. De 12 de Março até 24 de Julho, no Musée d'Art et d' Histoire du Judaïsme, em Paris.

Quotidianos - 120

Amos Sewell - «Leaving grocery in rain». 
Il. para The Saturday Evening Post, 24 abr. 1954

A arte do retrato


É o único retrato equestre de Juan Carlos de Espanha, terminado recentemente pelo pintor catalão Augusto Ferrer-Dalmau e que apresenta o monarca na sua juventude em traje militar.

Onde me apetecia estar

Este fim de semana seria muito bem passado em Lyon, onde se realiza o 10º festival Quais du Polar. E são muitas as estrelas da literatura policial, thriller e afins que por lá vão passar : James Ellroy, Camilla Lackberg, R.J. Ellory, Deon Meyer e outros, entre estes um francês que me faz passar horas seguidas a lê-lo : Franck Thilliez.

O programa completo : www.quaisdupolar.com

Bom dia !

Bom pequeno-almoço - 28

Vamos! :)

Um quadro por dia



Oração da Manhã, 1996, óleo sobre tela, 200x200cm, do mestre realista chinês Chen Yifei ( 1946-2005 ) . Faz parte de uma série dedicada ao Tibete, e vai hoje à praça na Sotheby's de Hong Kong com uma base de licitação entre 2,3 e 3,3 milhões de euros.